sábado, 23 de março de 2019

97 ANOS DO PCB: DA GÊNESE REVOLUCIONÁRIA À SUBMISSÃO AO STALINISMO... ATÉ CHEGAR À CONDIÇÃO ATUAL DE SUBLEGENDA DO PSOL


O PCB completa 97 anos nesse 25 de março, um partido totalmente diferente do ponto de vista político e programático da organização comunista que teve sua gênese revolucionária em 1922 sob a influência direta da vitória da Revolução de Outubro 1917, quando os nove delegados fundaram o partido em ruptura com o anarquismo. O antigo “Partidão” não passa hoje no Brasil de uma sublegenda do PSOL e seu programa socialdemocrata. O mais interessante é que nas atuais comemorações o atual PCB reivindica a figura de Luis Carlos Prestes. Desta forma encobre cinicamente e de forma oportunista o fato de até mesmo ele ter rompido publicamente com o PCB em março de 1980 através da famosa "Carta aos Comunistas". Nesta época, Prestes denunciou a política de claudicação do partido ao governo militar comandado pelo general Figueiredo e a orientação de não resistência à ditadura na década de 70, rompendo junto com os mais importantes quadros do partido, como Gregório Bezerra e reduzindo o PCB a um "partidinho". Também não esqueçamos que Ivan Pinheiro, até recentemente Secretário-Geral do PCB "reconstruído" e agora substituído por Edmilson Costa, foi o braço direito da troika Giocondo Dias, Salomão Malina e Hércules Correa quando estes combatiam Prestes no final dos anos 70, no momento em que a direção nacional voltou ao Brasil devido à aprovação da Lei da Anistia. Precisamente em março de 1980, Prestes em minoria na direção se afastou do PCB, arrastando consigo a maioria do partido, processo que tempos depois veio a se desmoralizar pela diletante negativa de Prestes em construir uma nova organização política. Em maio do mesmo ano, no auge das divergências, a direção nacional elegeu Giocondo Dias secretário-geral, depois de declarar vago o cargo. Com a legalização do PCB em 1985, Giocondo exerceu sua função até o VIII Congresso, em 1987, quando foi substituído, por motivos de saúde, por Salomão Malina. Durante todo esse período, ao seu lado estavam Hércules Correa, "teórico" do peleguismo sindical no Brasil e Ivan Pinheiro, então presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, representando as posições mais à direita no movimento operário brasileiro em uma época de clara radicalização das lutas, com a vitória das oposições sindicais cutistas. Estes senhores combateram a fundação da CUT e do PT, atacando-os violentamente como instrumentos da ditadura militar, "divisionistas da esquerda". Na verdade, quem fazia o jogo da oposição burguesa à ditadura militar contra o novo sindicalismo e o PT, que na época agrupava o grosso da vanguarda classista e se colocava como alternativa política ao PMDB, era o stalinismo agrupado no PCdoB como o PCB e juntos na arquipelega CGT. Não por acaso, apoiaram o golpe do Colégio Eleitoral com a indicação de Tancredo Neves e, logo depois, com a ascensão da "Nova República", viraram "fiscais do Sarney" e de seu Plano Cruzado. Durante todo esse período, Ivan Pinheiro foi entusiasta defensor dessa política que resultou no lançamento da candidatura de Roberto Freire em 1989 para combater o PT nas eleições presidenciais. Foi essa trajetória tão direitista que levou em 1992 a maioria do PCB a se converter no núcleo fundador do PPS sob a direção de Salomão Malina e Freire. Só aí Ivan Pinheiro rompeu com esse grupo revisionista que tinha ido longe demais em seus ataques aos princípios do marxismo em função da onda contrarrevolucionária mundial desencadeada com o fim da URSS que converteu vários partidos comunistas do planeta em partidos sociais-democratas. A origem desse processo é que a orientação levada a cabo pela atual direção do PCB após a ruptura com Salomão Malina, Sérgio Arouca e Roberto Freire em 1992 foi a do reformismo burguês de "esquerda". Logo em 1994, o PCB apoiou a candidatura petista atacando o "sectarismo e o esquerdismo" daqueles que denunciavam o caráter burguês da postulação de Lula, orientação que permaneceu até 2002, mesmo com o PT tendo como candidato a vice-presidente o megaempresário José Alencar, sendo porta-voz de um programa abertamente pró-imperialista expresso na "Carta aos Brasileiros" (leia-se aos banqueiros). Após ter rompido com o governo Lula em 2005, devido à "crise do mensalão", quando o PCB avaliava que a gestão da frente popular iria naufragar, o partido passou a patrocinar o eleitoralismo pequeno-burguês em torno da "frente de esquerda" com o PSTU e PSOL. Tanto que apoiou Heloísa Helena em 2006, paladina de um programa de reformas no regime político democratizante bastardo de corte nacional-desenvolvimentista, mesclado com traços reacionários de defesa ferrenha da Constituição. Tanto Lula como Dilma tiveram o apoio do PCB nos segundos turnos das eleições presidenciais de 2006 e 2010 ao lado das demais legendas que representam o serviçal espectro stalinista em nosso país (PCdoB, PCR, PCML-Inverta), recorrendo ao surrado e cômodo pretexto de "derrotar a direita demo-tucana". Em 2018 o PCB embarcou em uma aliança com o PSOL em apoio à candidatura social democrata Boulus, com atual Secretário-Geral do PCB, Edmilson Costa, fazendo do partido uma sub-legenda do PSOL. O PCB ainda flerta com traços político-ideológicos baseados no marxismo-leninismo, porém sua demagogia classista e "comunista" está a serviço de encobrir na prática sua política reformista burguesa e de colaboração de classes, que se expressam na participação até pouco tempo em administrações petistas e nas alianças com o PSOL, que não tem um programa de ruptura revolucionária com a ordem burguesa ao contrário é refém do circo eleitoral fraudado da democracia dos ricos. No momento em que o PCB completa 97 anos compreendemos que a denúncia da trajetória de colaboração de classes do PCB ao longo de sua história é parte da tarefa programática da construção de um genuíno partido revolucionário no Brasil, combate que a LBI reivindica inclusive como parte da luta que levou Mário Pedrosa e posteriormente Sachetta no próprio PCB, respectivamente nos anos 30 e 40, quando foram expulsos do partido, já stalinizado desde seu II Congresso em meados dos anos 20. Lançamos inclusive uma brochura quando dos 90 anos do PCB analisando esse processo político e histórico. É tarefa elementar dos verdadeiros marxistas leninistas o vigoroso debate político e programático com o objetivo de forjar as bases teóricas para que a vanguarda política possa avançar na construção de um verdadeiro partido comunista no Brasil, honrando os esforços que fizeram os nove delegados que em 25 de março de 1922 fundaram o PCB em ruptura com o anarquismo.


SINDICATO DOS BANCÁRIOS/CEARÁ: BUROCRACIA TRAIDORA (CUT/CTB) IMPLEMENTA MEDIDAS PATRONAIS COMO TERCEIRIZAÇÃO E PLANO DE DEMISSÃO “VOLUNTÁRIA” PARA DEMITIR FUNCIONÁRIOS DA ENTIDADE!


Na primeira quinzena de março, a direção do sindicato dos bancários do Ceará, sem qualquer divulgação, consulta ou assembleia de base, lançou um plano de demissão “voluntária”, dirigido aos 28 funcionários restantes da entidade. Antes eram 34 funcionários, mas todos os seis advogados do jurídico tiveram seus contratos individuais rescindidos e o departamento jurídico foi terceirizado. Dos 28, 15 funcionários aderiram “voluntariamente” ao plano. Tudo feito em nome de uma reestruturação financeira para enfrentar o corte de receitas fruto da queda das mensalidades, seja por redução dos filiados que se aposentam ou aderem aos PDV’s dos bancos, seja pelo fim do imposto sindical que obrigava compulsoriamente os trabalhadores contribuírem com as entidades, servindo apenas para financiar direções sindicais pelegas, corruptas e vendidas aos interesses dos patrões. Ou ainda, com a recente medida provisória n.873 do governo da direita fascista de Bolsonaro, lançada em 1° de março, que obriga o pagamento da mensalidade ao sindicato só através de boleto bancário, ignorando, inclusive, o que está previsto em diversas convenções coletivas que é o desconto em folha. Não é à toa que os funcionários dos sindicatos de bancários do RJ e Londrina, por exemplo, decretaram até greve contra as medidas da burocracia sindical.  Há quem diga, inclusive, que esta última iniciativa do governo contra as entidades seria para usá-la como moeda de troca com as centrais sindicais nas negociações da reforma da previdência.

sexta-feira, 22 de março de 2019

BALANÇO DO 22M: DISPOSIÇÃO DE LUTA DOS TRABALHADORES PARA DERROTAR A REFORMA DA PREVIDÊNCIA ESBARRA NA POLÍTICA DO PT E DA CUT DE NÃO ORGANIZAR A GREVE GERAL

Militância revolucionária da LBI em luta no 22 M
O dia nacional de luta contra a reforma da previdência foi uma importante demonstração da disposição de luta dos trabalhadores apesar da política da direção da CUT e do PT de não organizar a luta direta contra o governo Bolsonaro. Na maioria das capitais de país houveram atos e manifestações importantes, como paralisações importantes em Belém, Fortaleza e Goiânia. Houve um ato operário contra as demissões na Ford em SBC, com a solidariedade de trabalhadores da Mercedez Bens. Na cidade de São Paulo, motoristas e cobradores de ônibus organizaram uma paralisação de 1hs contra a retirada de direitos que provocou o atraso na saída dos ônibus. A paralisação atingiu 561 linhas e os 29 terminais municipais. Unidades da Petrobras na Baixada Santista e Litoral Norte amanhecem paralisadas em defesa da previdência. A presença massiva de servidores públicos, particularmente dos professores, demonstra que esta categoria deseja luta contra a reforma neoliberal da previdência, sendo necessário a convocação de uma greve nacional dos trabalhadores em educação. 

Nas escolas, núcleo dos professores da TRS
mobiliza contra a Reforma da Previdência
Apesar dos atos em São Paulo, Rio de Janeiro e demais estados terem sido importantes demonstrações de força dos explorados, categorias operárias como metalúrgicos, químicos, petroleiros e dos trabalhadores dos transportes (ônibus e metrô) quase não cruzaram os braços neste 22M. A LBI interveio nos protestos em vários estados denunciado a política do PT de negociar com o “mercado” a liberdade de Lula via o STF em troca de não mobilizar os trabalhadores. O fato de afluírem centenas de milhares de ativistas ao protesto revela o grande bloqueio a luta direta contra o governo Bolsonaro é ausência de medidas concretas de combate, como um chamado firme a Greve Geral por parte das direções sindicais ligadas a Frente Popular. Fica evidente que a conjuntura de enfrentamento entre as frações burguesas (como a prisão de Temer pela Lava Jato) dá amplo espaço para uma intervenção independente e classista do movimento operário, entretanto o PT e a CUT claramente optaram por negociar pequenos ajustes na reforma da previdência que organizar a luta concreta contra o governo Bolsonaro, o que abriria um período de série instabilidade no regime político. Os sindicalistas combativos e classistas interviram neste 22 M com eixo oposto a política de colaboração de classes, convocando a organização da Greve Geral na base das categorias para derrotar através da luta direta o governo Bolsonaro e sua malfada reforma neoliberal da previdência!

As mulheres da LBI defendem a ruptura com a paralisia da CUT/PT 
RECAÍDA DE APOIO AO GOLPISMO FAZ O PSTU COMEMORAR A MANOBRA DA REACIONÁRIA “LAVA JATO” CONTRA A QUADRILHA DE TEMER


O PSTU parece mesmo aquele “cachorro que caiu do caminhão da mudança” e não sabe mais para onde ir. Depois de um longo período flertando politicamente com os justiceiros fascistas da República de Curitiba, que chegaram a ser comparados com o movimento revolucionário tenentista da “Velha República”, os Morenistas voltaram ao fã clube da turma do “Mussolini de Maringá” e saíram a saudar entusiasticamente a prisão da quadrilha de Michel Temer pelo dublê de juiz Marcelo Bretas, um fantoche da Lava Jato versão carioca. Não faz muito tempo que o PSTU fazendo coro com o protofascista Sérgio Moro exigia a prisão de “Lula,  Dilma e todos os corruptos”, jogando no mesmo time do  golpe institucional comemorou o impeachment chefiado por Temer como se fosse a revolução socialista... para dois anos depois convocar sua militância para votar no candidato do PT à presidência da república. Agora na acirrada luta intestina entre duas frações da burguesia, Lava Jato de um lado e o Centrão da Câmara dos Deputados (DEM, MDB, PP, PSD etc..) do outro, o PSTU novamente se perfilou com o bando capitalista mais ligado ao imperialismo ianque, no caso a “República de Curitiba”. Pensando em tirar algum dividendo eleitoral, o PSTU repete a “dose do brinde” da Lava Jato e diz que a prisão de Temer “demorou”...mesmo tendo pleno conhecimento do caráter político fascista dos integrantes da “República de Curitiba”, que hoje habitam o governo Bolsonaro e defendem integralmente a pauta das (contra)reformas neoliberais. Os Marxistas Revolucionários compreendem perfeitamente o justo ódio dos trabalhadores e sua vanguarda em relação a quadrilha de Temer que entregou o país para recolonização imperialista, porém não podemos em nome da puteza da população com o  anterior governo golpista, chancelar as manobras da Lava Jato que visam intimidar  o Congresso Nacional para que aprove com celeridade máxima a malfadada (contra)reforma da Previdência. Também não convergimos de forma alguma com a posição da Frente Popular (PT, PCdoB e PCO) em defender “timidamente” a quadrilha do MDB, em nome do “Estado de Direito”. Os Marxistas da LBI se orientam pelo norte da teoria Leninista da luta de classes e diante do conflito interburguês advogam pelo derrotismo revolucionário de ambos os bandos capitalistas. Nem a reacionária Lava Jato e tampouco o corrupto Centrão são alternativas minimamente progressivas para a classe operária. É necessário retomar a trilha da independência de classe, construindo na ação direta das massas a greve geral por tempo indeterminado para derrotar o “ajuste” imposto pelo mercado, e ao mesmo tempo forjando o embrião de poder revolucionário do proletariado!

quinta-feira, 21 de março de 2019

TEMER NA CADEIA: PT E PCO LAMENTAM A PRISÃO DO BANDIDO GOLPISTA...


Parece mesmo inacreditável que mesmo sendo o principal alvo político do embuste da “Lava Jato”, com a prisão política de Lula encarcerado no cárcere da “República de Curitiba”, o PT e seu apêndice corrompido (PCO), lamentem a prisão do bandido golpista Michel Temer. Em um comunicado público divulgado logo após a detenção do golpista, a executiva nacional do PT afirmou o seguinte:“ O Partido dos Trabalhadores espera que as prisões de Michel Temer e de Moreira Franco, entre outros, tenham sido decretadas com base em fatos consistentes, respeitando o processo legal, e não apenas por especulações e delações sem provas”. Será mesmo que o PT pensa que a privataria entreguista promovida pelo governo central do MDB seria somente “especulações e delações sem provas”... por acaso o PT desconhece que a entrega do “Pré Sal” para as transnacionais imperialistas não se deu sobre a base da corrupção deslavada do governo golpista de Temer...é incrível comprovar que os dirigentes petistas ainda mantenham todo o seu respeito e subordinação ao regime bonapartista, comandado pela máfia togada da Lava Jato. Já o seu parceiro subalterno, o PCO, é ainda mais descarado ao sair em defesa aberta de Temer ao declarar que: “ Temer é uma vítima”. O PCO como o capataz menor da política de colaboração de classes da Frente Popular, não tem muito a perder já que é apenas um parasita político e material do PT. A vanguarda combativa do proletariado não pode depositar nenhuma ilusão nos farsantes da Lava Jato, que traficam sentenças seguindo as ordens da Casa Branca em Washington, tampouco podem defender a fração golpista e mais corrupta da burguesia nacional, as prisões da quadrilha de Temer obedecem a uma disputa viceral no seio das classes dominantes, uma guerra fratricida no interior da escória burguesa na qual a classe operária não deve apoiar nenhum bando criminoso. O foco absoluto do imperialismo neste momento é a aprovação da (contra) reforma da previdência pelo Congresso Nacional, e os espetáculos de falsa moralização promovidos pela mídia corporativa e seus justiceiro de plantão seguem este objetivo central. O combate dos trabalhadores deve ser na arena da ação direta, organizando a Greve Geral para derrotar o “ajuste” neoliberal imposto pelo mercado financeiro. Nenhuma ilusão nas instituições golpistas do atual regime bonapartista, construir uma alternativa revolucionária de poder para a classe operária!
A PRISÃO DO QUADRILHEIRO TEMER É MAIS UMA BARGANHA DA LAVA JATO PARA “EMPAREDAR” BOLSONARO NA ACELERAÇÃO DA (CONTRA)REFORMA DA PREVIDÊNCIA EXIGIDA PELO RENTISMO INTERNACIONAL


A prisão do golpista Temer acompanhada de uma pequena parte de sua quadrilha, por parte da versão carioca do justiceiro Moro (juiz federal Marcelo Bretas), é mais um passo no processo de chantagem e “emparedamento” do presidente fascista Bolsonaro por parte do mercado financeiro pelas mãos da farsesca Operação Lava Jato. Primeiro veio a prisão dos milicianos atiradores contra a vida da vereadora Marielle Franco, sem que os verdadeiros mandantes assassinos tenham sido revelados pela polícia. Ficou evidente o envolvimento do clã Bolsonaro no covarde assassinato de Marielle e seu motorista, porém apesar da mídia corporativa mostrar a rede de ligação do presidente fascista com grupos de extermínio que comandaram o operativo do fuzilamento de Marielle, cinicamente o Ministério Publico afirmou que os PM milicianos poderiam ser eles mesmos os mentores do crime. No mesmo período a equipe econômica do neoliberal Paulo Guedes envia ao Congresso o famigerado projeto da (contra) Reforma da Previdência e o mercado através do seu porta voz oficial (Rede Globo) envia um recado a “Bozo”: Agilize a aprovação da reforma, caso contrário você será derrubado! Agora, dias após a “República de Curitiba” ter sofrido parcialmente uma derrota no STF e o próprio “presidente Moro” ter sido humilhado publicamente pelo deputado Rodrigo Maia, a prisão de Temer e Moreira Franco( sogro de Maia) foi decretada pelo juiz Bretas. Não se trata evidentemente de uma “moralização” do regime bonapartista, mas sim de uma barganha do mercado(o chefe de fato da Lava Jato) para que o governo fascista se empenhe ao máximo na aprovação do texto integral da (contra) reforma, porque caso o Congresso rejeite o projeto neoliberal Bolsonaro terá o mesmo destino de Lula e Temer...Quem governa o  país após o golpe institucional é a embaixada norte-americana que não tolera “vacilos” de seus gerentes na estratégia imperialista de recolonização econômica do Brasil.

quarta-feira, 20 de março de 2019

22 DE MARÇO – DIA NACIONAL DE LUTA: PT NEGOCIA COM O “MERCADO” APOIO “VELADO” A REFORMA DA PREVIDÊNCIA EM TROCA DA LIBERDADE DE LULA PELO STF... ESSA É A VERDADEIRA RAZÃO DA CUT NÃO ORGANIZAR A GREVE GERAL!


Aproxima-se o dia 22 de Março, convocado pela burocracia sindical como um “dia nacional de luta contra a reforma da previdência” e fica evidente que a CUT não mobilizou suas bases sindicais para a manifestação de protesto desta sexta-feira. Qual seria a razão política de tamanha paralisia? A resposta é que o PT vem negociando com o “mercado” o apoio “velado” a reforma da previdência em troca da liberdade de Lula via uma decisão futura do STF. Seria uma “prova de boa” vontade da Frente Popular junto a burguesia e ao imperialismo não mobilizar os trabalhadores em troca da “Corte Suprema” decidir em favor do dirigente petista. Desgraçadamente a estratégia da Frente Popular (PT, PCdoB, PSOL e PSTU) e suas colaterais sindicais é apenas fazer lobby parlamentar para conseguir pequenas alterações no pacote da reforma neoliberal de Bolsonaro e negociar com o “mercado”, a justiça e seu governo a liberdade futura de Lula, tendo como horizonte a votação no STF da ilegalidade da prisão em segunda instância ainda neste semestre. O STF tomou medidas recentes contra a Lava Jato, como a transferência dos crimes de corrupção envolvendo políticos e partidos para a esfera da Justiça Eleitoral, além do seu presidente decidir que o tribunal investigue e julgue ele mesmo os inquéritos envolvendo ataques de “fake news” contra ministros da corte sem passar pela Procuradoria Geral da República. Em resposta, o Editorial de hoje do jornal da “Famiglia Marinho” (O Globo) pressiona por um recuo de Dias Tofolli nesta decisão. O PT vendo essa divisão, orientou seus governadores petistas a não se oporem a reforma da previdência, ao contrário, já a executam como faz o governador do Ceará, Camilo Santana e orientam suas bancadas estaduais a negociarem pequenos ajusta na proposta ultra-neoliberal apresentada por Paulo Gedes, o representante mor dos rentistas no governo Bolsonaro. Em função dessa estratégia de colaboração de classes as grandes categorias operárias não foram convocadas sequer assembleias de base para discutir o “dia nacional de luta contra a reforma da previdência”. O PT inclusive defende uma “reforma da previdência contra os privilégios”, uma cortina de fumaça para encobrir essa traição aberta aos interesses dos trabalhadores, tanto os governos Lula como Dilma levaram a frente o ajuste neoliberal da seguridade social. A CUT chama protocolarmente o 22M mas de fato propõe inclusive uma reforma alternativa, quando deveria rechaçar qualquer tipo de “reforma da previdência” voltada a cortar direitos. Tomemos como exemplo o fechamento da fábrica da Ford. É necessário convocar imediatamente a greve com ocupação da fábrica, medida de luta que já deveria ter sido tomada pelo sindicato do ABC antes mesmo do anuncio formal da empresa, desencadeando uma campanha nacional de solidariedade a luta na Ford rumo a Greve Geral de toda a categoria metalúrgica exigindo a estatização da fábrica sob o controle dos trabalhadores! Entretanto a burocracia sindical lulista nada faz! Desde a LBI alertamos que a política do PT, da CUT e de seus satélites, ao contrário de organizar as trabalhadoras, é legitimar o governo e esperar pacificamente os próximos quatro anos passem para que uma nova disputa no campo eleitoral burguês seja levada à frente. A burocracia sindical de conjunto fará “oposição propositiva”, atuando como mera interlocutora, negociando pequenos ajustes, enquanto Bolsonaro, Paulo Guedes, Sergio Moro e sua legião de políticos capitalistas liquidam nossos direitos. Os sindicalistas combativos e classistas devem intervir no 22 M com eixo oposto a política de colaboração de classes, convocando a organização da Greve Geral na base das categorias para derrotar através da luta direta o governo Bolsonaro e sua malfada reforma neoliberal da previdência!
ENCONTRO ENTRE BOLSONARO E TRUMP: A CELEBRAÇÃO DE UM ACORDO MACABRO PARA APROFUNDAR O CERCO A VENEZUELA E A RECOLONIZAÇÃO ECONÔMICA NEOLIBERAL DO BRASIL EM FAVOR DO IMPERLIALISMO IANQUE


Na entrevista coletiva dada por Trump e Bolsonaro na Casa Branca ontem, o representante do imperialismo ianque declarou que “Brasil e Estados Unidos nunca foram tão próximos quanto agora”. No pacote dessa “aproximação” servil a entrega da Base de Alcântara e intenção de Trump de designar o Brasil como um aliado extra-Otan em referência a aliados estratégicos que não são membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte, mas têm relações com as Forças Armadas dos Estados Unidos, tendo obviamente como alvo a Venezuela. O fascista editou ontem um decreto que dispensará a partir de junho a exigência de visto para turistas americanos, canadenses, japoneses e australianos. Não há contrapartida para brasileiros, que continuarão a precisar de visto para esses países, sendo tratados e perseguidos como imigrantes ilegais quando desejam ficar nos EUA. Outro ato que demonstra submissão incondicional foi o relativo à concessão de uma cota de 750 mil toneladas/ano para que os EUA exportem seu trigo com isenção tarifária para o Brasil, não exigiu-se nada em troca, mesmo tendo Trump nos imposto sobretarifas em aço e alumínio e barreiras não-tarifárias contra carne e vários outros bens agrícolas brasileiros, em resumo, a recolonização neoliberal aberta do vassalo tupiniquim. Ao pedido de apoiar o Brasil em seu pleito de ingressar na OCDE, o “clube dos ricos”, Trump respondeu que só o fará se o nosso país renunciar ao tratamento diferenciado que temos na OMC, por sermos “país em desenvolvimento”. Por fim sobre o cerco a Venzuela, Bolsonaro resolveu dar “apoio logístico” aos Estados Unidos caso Donald Trump decida invadir o país vizinho: “Uma coisa é participar de uma intervenção militar como invasor. Outra coisa é participar do apoio logístico. Houve duas fases na Segunda Guerra Mundial. Inicialmente, o Brasil deu apoio logístico, permitindo apenas que os aliados, principalmente os Estados Unidos, instalassem bases aéreas e usassem portos brasileiros. Posteriormente, [o Brasil] enviou tropas para a Itália e participou ativamente da guerra”. Durante entrevista a jornalistas dos dois países, Trump reiterou que “todas as opções de sanções à Venezuela estão à mesa” em uma clara ameaça ao governo Maduro. Frente essa agenda macabra de alinhamento “carnal” com o imperialismo ianque e o plano de recolonização nacional anunciado é necessário convocar os trabalhadores à luta! Dia 22 de Março deve se converter em um dia nacional de paralisação contra a reforma da previdência e a completa entrega do Brasil ao imperialismo ianque! Para implodir e derrotar os planos de Trump e Bolsoanaro devemos luta contra a agressão a Venezuela e por América Latina operária e socialista!

segunda-feira, 18 de março de 2019

BOLSONARO NOS EUA... VISITA COM MORO A CIA, SELANDO A UNIDADE “CARNAL” COM O IMPERIALISMO IANQUE E SUA CENTRAL DO TERRORISMO DE ESTADO!


Bolsonaro viajou neste domingo para a primeira visita oficial aos EUA depois da posse do fascista na presidência, ele terá encontro com Donald Trump na terça-feira (19). Incluiu em sua agenda em Washington uma visita à Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) na manhã desta segunda-feira (18). O ministro da Justiça, Sérgio Moro, que faz parte da comitiva brasileira, acompanhou Bolsonaro no centro do terrorismo de estado norte-americano, nada mais natural para quem vem se apresentando como um aliado “carnal” do imperialismo ianque. A informação sobre a ida à CIA foi publicada pelo deputado Eduardo Bolsonaro no Twitter, ou seja, trata-se de “estranho” caso de um presidente estrangeiro visitando o órgão de espionagem que vigia seu país. Moro também vai tentar um acordo que permita à polícia brasileira, invadir contas do Facebook e do Twitter sem autorização judicial, como é exigido hoje. O objetivo de implantar um estado policial, onde todos podem ser espionados pelo governo está em pleno andamento e contará com o “auxílio” da CIA. O canalha participou antes de um jantar na residência do embaixador brasileiro, Sérgio Amaral, com ministros e “intelectuais” de direita norte-americanos e brasileiros, entre eles o nazista Olavo de Carvalho. Bolsonaro fez um discurso no jantar, em que demonstra todo seu completo servilismo. “Humildemente nós sabemos que, quando a diplomacia não dá muito certo, na retaguarda tem as Forças Armadas. O caminho é sempre o mesmo, sempre estamos juntos. Parece até que estamos em lados opostos, mas não, estamos no mesmo lado”. Fica evidente que Bolsonaro e Moro vão estreitar os laços políticos e militares para incrementar a ingerência do imperialismo ianque no continente latino-americano, particularmente contra o governo de Maduro na Venezuela, além de estabelecerem com a CIA estratégias de perseguição a esquerda no Brasil. Nesse cardápio está a entrega da base militar de lançamentos de foguetes em Alcântara para o controle das forças armadas norte-americanas. Desgraçadamente, foi a própria Frente Popular comandada pelo PT que abriu esse caminho de subserviência, quando Lula estabeleceu relações mais que amistosas com o facínora Bush, o mesmo que atacou o Afeganistão e o Iraque. Não por acaso em 2005 recebeu o carniceiro em Brasília, ocasião em que a LBI organizou um protesto de denúncia. Neste momento, em que o fascista incrementa os planos de ataque as conquistas dos trabalhadores via a reforma da previdência e o avanço a criminalização dos lutadores sociais, Bolsonaro vai a Casa Branca justamente para organizar com Trump uma agenda reacionária de entrega do patrimônio nacional e submissão do Brasil aos interesses ianques. Da mesma forma que fizemos na época do governo Lula, agora de forma vigorosa devemos denunciar esse fantoche a serviço do grande capital. Em particular a ida a CIA reforça o papel de Moro como agente direto do Departamento de Estado ianque em nosso país, como denunciamos desde o início da Lava Jato, enquanto a esquerda (inclusive Dilma) festejava o suposto “combate a corrupção” levada a cabo pelo juiz que comandava a “República de Curitiba”. Enquanto a cúpula petista, particularmente o staff dilmista, apoiava a operação jurídico-policial engendrada pelo imperialismo ianque para acabar com a Petrobras e as empreiteiras nacionais, nossa corrente política em voz solitária denunciava que o Moro havia sido formado pelo Departamento de Estado ianque e a CIA para inicialmente perseguir o PT e depois desmoralizar o conjunto do tecido político burguês do país para edificar um novo regime político, sendo a ponta de lança de um estado de exceção no Brasil com fortes traços Bonapartistas. Tempos sombrios avança em nosso país e somente a entrada em cena da classe operária pode barrar a plataforma ultraneoliberal e conservadora que o sabugo Bolsonaro vai acertar com Trump e a CIA contra o povo brasileiro!
EM 18 DE MARÇO DE 1871 ERGUEU-SE O PRIMEIRO GOVERNO OPERÁRIO DA HISTÓRIA: A COMUNA DE PARIS DEIXOU IMPORTANTES LIÇÕES PROGRAMÁTICAS PARA O COMBATE DOS MARXISTAS REVOLUCIONÁRIOS


Em meio à guerra contra a Prússia em 18 de março de 1871, os operários de Paris se levantam contra a fome, a miséria e a covardia dos dirigentes burgueses que comandavam o Estado francês perante o conflito bélico que massacrava o povo. Isto porque o exército prussiano marchava sobre Paris aniquilando impiedosamente as tropas regulares francesas, sem que a burguesia respondesse à altura. Ao contrário, o covarde governo francês foge das áreas de conflito e articula a rendição sem luta, atitude que se batia frontalmente com o espírito combativo da Guarda Nacional dos trabalhadores armados, ainda com um caráter sumamente moderado, composta por operários, republicanos, milicianos, além de uma pequena burguesia em decadência econômica. Porém, quando Napoleão III e o exército francês quiseram tomar os armamentos do povo para assinar a humilhante rendição, o processo revolucionário começou a avançar em passos largos, acendendo o estopim da revolta contra o Estado burguês e dando início à Comuna de Paris (18 de março/1871). Os explorados, o proletariado independentemente do regime burguês passou a se organizar por bairros, criaram comitês de autodefesa para se proteger não só do exército prussiano nas cercanias de Paris como também da repressão das próprias tropas francesas. Houve várias tentativas do gabinete francês em derrotar o governo revolucionário, mas foram todas fracassadas devido à forte resistência e paixão popular em defender seus interesses históricos. Nascia a partir de então, o primeiro governo operário da História, o qual apesar de sua brevidade nos deixou como importante legado as lições programáticas desta luta titânica, além de mostrar-nos o caminho a ser seguido pelo movimento operário para derrotar o Estado burguês e seus acólitos: a Revolução e a Ditadura Proletária! Como analisou Marx, o proletariado finalmente encontrou a “forma de exercer sua ditadura de classe”, ou “um poder novo, verdadeiramente democrático”. O poder antes da Comuna encontrava-se nas mãos dos latifundiários, da nobreza, do clero e capitalistas. A Revolução, doravante pôs os destinos não só de Paris como da Humanidade nas mãos do proletariado (Guarda Nacional)! Em um curto período de existência (18 de março de 1871 a 28 de maio de 1871) promoveu profundas mudanças sociais e econômicas: substituiu o exército permanente pelo armamento do povo pobre, proclamou a separação entre a Igreja e Estado, declarou a educação pública, laica e gratuita, instituiu a igualdade dos sexos, a habitação como um direito de todos, abolição da polícia etc., tudo decidido em assembleias populares através da democracia direta. Claro, os erros também foram muitos, como por exemplo, não confiscar a propriedade dos meios de produção que seus “donos” abandonaram, desarticulação entre campo e cidade e dentro da própria Comuna (que tinha a maioria de blanquistas), enfim, tratou-se de uma etapa de aprendizado revolucionário da classe operária...As medidas dos Comunardos eram tão avançadas programaticamente à época que receberam o justo ódio da burguesia, quando no fatídico dia 28 de maio de 1871 o chacal criminoso Thiers alia-se com o exército inimigo comandado por Bismarck que liberta cerca de 100 mil prisioneiros franceses para marchar sobre Paris revolucionária e esmagar em sangue o governo da Comuna. Os combates duraram sete dias de puro heroísmo dos Comunardos, encerrando-se numa selvagem carnificina... Marx e Engels elaboraram uma viva análise do que fora este importante fato histórico para a luta de classes em nível mundial em seus acertos e erros, a qual pode ser conferida no rigoroso texto logo abaixo:

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“Na alvorada de 18 de Março, Paris foi despertada por este grito de trovão: VIVE LA COMMUNE! O que é, pois a Comuna, essa esfinge que põe tão duramente à prova o entendimento burguês?

Os proletários da capital - dizia o Comitê Central no seu manifesto de 18 de Março - no meio das fraquezas e das traições das classes governantes, compreenderam que chegara para eles a hora de salvar a situação assumindo a direção dos assuntos públicos... O proletariado... compreendeu que era seu dever imperioso e seu direito absoluto tomar nas suas mãos o seu próprio destino e assegurar o triunfo, apoderando-se do poder.

Mas a classe operária não se pode contentar com tomar o aparelho de Estado tal como ele é e de o pôr a funcionar por sua própria conta.

sábado, 16 de março de 2019

5 ANOS DA “LAVA JATO”: UMA OPERAÇÃO POLÍTICA ORQUESTRADA PELA CASA BRANCA E A "FAMÍGLIA" MARINHO PARA GESTAR UM NOVO REGIME BONAPARTISTA, VERDADEIRO PILAR DE SUSTENTAÇÃO DA GERÊNCIA DO FASCISTA BOLSONARO


A “Operação Lava Jato” acaba de completar 05 anos. A LBI foi a primeira organização política a denunciar o caráter reacionário da chamada “Operação Lava Jato” ainda no final de 2014, quando toda a “esquerda” reformista, particularmente o PT e o revisionismo trotskista declaravam que a farsa levada a cabo pelo Juiz “nacional” Sérgio Moro era um “patrimônio do Brasil no combate a corrupção”. Na época a presidente Dilma Rousseff chegou a declarar “Eu acho que as investigações da Lava Jato podem mudar, de fato, o Brasil para sempre. Em que sentido? No sentido de que vai se acabar com a impunidade. Mudará para sempre a relação entre a sociedade brasileira, o Estado brasileiro e a empresa privada porque vai acabar com a impunidade. A questão da Petrobras é uma questão simbólica para o Brasil. É a primeira investigação efetiva sobre corrupção no Brasil que envolve segmentos privados e públicos. A primeira. E que vai a fundo” (11.2014). PSTU e PSOL também saudavam os “feitos moralizadores” da “República de Curitiba”. Enquanto a cúpula petista, particularmente o staff dilmista, apoiava a operação jurídico-policial engendrada pelo imperialismo ianque para acabar com a Petrobras e as empreiteiras nacionais, nossa corrente política em voz solitária denunciava que o Moro havia sido formado pelo Departamento de Estado ianque e a CIA para inicialmente perseguir o PT e depois desmoralizar o conjunto do tecido político burguês do país para edificar um novo regime político, sendo a ponta de lança de um estado de exceção no Brasil com fortes traços Bonapartistas.

sexta-feira, 15 de março de 2019

ATAQUES A MESQUITAS EM NOVA ZELÂNDIA: XENOFOBIA, RACISMO, ANTICOMUNISMO E ÓDIO DE CLASSE SÃO A “MUNIÇÃO” DA EXTREMA DIREITA QUE DEIXOU 49 MUÇULMANOS MORTOS


Ataques a tiros simultâneos contra duas mesquitas na cidade de Christchurch, na ilha sul da Nova Zelândia, deixaram pelo menos 49 mortos e 58 feridos nesta sexta-feira (15). No Facebook, um dos assassinos se identificou como um australiano de 28 anos, defensor da extrema-direita e contrário à imigração. Os alvos dos ataques foram as mesquitas de Masjid Al Noor, ao lado do Parque Hagley, e de Linwood, que estava lotada com mais de 300 pessoas, reunidas para as tradicionais orações do meio-dia de sexta-feira. Os detidos são três homens (um deles australiano) e uma mulher. O primeiro relato de tiros foi na mesquita de Al Noor, na região central da cidade. Um homem com um rifle automático invadiu o prédio 10 minutos após o início das orações, que começaram às 13h30 desta sexta-feira (22h30 no horário de Brasília). Com uma câmera instalada em um capacete, o criminoso conseguiu transmitir o massacre, ao vivo, pelo Facebook. O vídeo mostra que ele atirou indiscriminadamente contra homens, mulheres e crianças enquanto caminhava. O autor do ataque terrorista a mesquitas deixou um Manifesto de extrema-direita, um documento em que defende superioridade racial branca e ataca muçulmanos, imprensa, universidade e democracia. No documento de 74 páginas, Brenton Tarrant desenvolve ideias rascistas contra muçulmanos e defende uma “identidade branca”. Ele também afirma que seu objetivo é “criar uma atmosfera de medo” e “incitar a violência” contra imigrantes, dizendo que, para isso, sua estratégia é se valer da cobertura midiática do ataque para propagar as suas ideias: “Eu sou apenas um homem branco normal de 28 anos. Nasci na Austrália, meus pais são descendentes de escoceses, irlandeses e ingleses”, ele começa, no documento chamado “A grande substituição”. Em seguida, o atirador afirma que realizou o ataque “para se vingar da escravidão de milhares de europeus tirados de suas terras por escravocratas islâmicos” e se vingar “pelas centenas de milhares de mortes provocadas por invasores contra europeus ao longo da história”. O Manifesto evoca o documento escrito por Anders Behrink Breivik, terrorista cristão norueguês de extrema direita, que, antes de cometer um ataque que deixou 77 mortos em 2011 em um atentado contra um acampamento da juventude do Partido Trabalhista (social-democrata), publicou um documento de mais de 1.500 páginas defendendo a superioridade racial branca. Brenton diz que travou “breve contato” com Breivik, que foi a sua “única inspiração verdadeira”. “A democracia é o domínio da máfia, e a própria máfia é comandada por nossos inimigos. A imprensa global, dominada por corporações, a controla, o sistema educacional (há muito decaído, devido às instituições controladas pelos marxistas) a controlam, o Estado (há muito perdido devido a seus apoiadores corporativos) o controlam e a imprensa antibrancos a controla”, escreve. Por fim o assassino homenageia Donald Trump como "um símbolo de uma identidade branca renovada e de um propósito em comum". Em resumo: xenofobia, racismo, anticomunismo e ódio de classe são a “munição” da extrema direita que deixou 50 muçulmanos mortos! Um elemento chama a atenção, a ação desse atirador representa uma tendência latente global dentro do regime político capitalista: a da expansão política do neonazismo como produto de uma época de barbárie e de guerras de rapina colonial perpetradas pelo império, um caldo de cultura propício para o crescimento e fortalecimento da ultradireita em todo o planeta, trata-se de uma clara perseguição racial-política, uma vez que o agressor assassinou-os porque são muçulmanos, os quais encarnariam o “eixo do mal” como definiu o carniceiro George Bush filho ao desencadear a sua cruzada anti-islâmica em 2001, após os ataques às Torres Gêmeas, sanha hoje aprofundada por Trump. Uma classe média decadente e descontente com os rumos da crise estrutural do capitalismo são as raízes das profundas tendências à fascistização dos regimes políticos e com isto dá vazão a crimes de cunho neonazistas. Portanto, ataques como o que aconteceu hoje, não são algo isolado, mas o resultado de uma época de ofensiva bélica e ideológica contra quem se coloque no caminho da sanha colonialista do império ianque. Somente a entrada em cena da classe operária, com uma direção revolucionária genuinamente comunista, poderá reverter esta “linha evolutiva” do capitalismo rumo à barbárie cultural e social. Neste momento, trata-se de resistir política e ideologicamente à onda neonazista que assola o planeta!

quinta-feira, 14 de março de 2019

EM 14 DE MARÇO DE 1883 MORRIA KARL MARX: O MILITANTE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIO "PREMIER" DA CLASSE OPERÁRIA MUNDIAL


Em uma magistral intervenção por ocasião da morte de Marx, no dia 14 de março de 1883, Engels relatava que seu amigo leal havia descoberto a lei especial do movimento dialético que rege o modo atual de produção capitalista e da sociedade burguesa. “A descoberta da mais-valia de repente jogou luz sobre o problema, na tentativa de resolver o que todas as investigações anteriores, de ambos os economistas burgueses e críticos socialistas, tinham tateado no escuro”. Concluiu Engels: “Era antes de tudo um revolucionário. Sua verdadeira missão na vida foi contribuir, de uma forma ou de outra, para a derrubada da sociedade capitalista e das instituições estatais que a tinham trazido à existência; contribuir para a libertação do proletariado moderno, o primeiro a se tornar consciente de sua posição e de suas necessidades, consciente das condições de sua emancipação. Lutar era seu elemento. E ele lutou com uma paixão, uma tenacidade e um sucesso como poucos poderiam contestar. Como Comunistas Revolucionários aprendemos com o estudo da obra fundante do método do materialismo histórico e dialético, a perspectiva transformadora do proletariado como sujeito histórico e as teorias do valor-trabalho desenvolvidas por Marx – entre outras questões da atual crise do capitalismo e das experiências de luta pelo socialismo no mundo. Os problemas que Marx enfrentou eram questões de seu tempo presente e, para entendê-los, foi preciso estudar a realidade que se colocava concretamente e tudo o que a precedera. Lênin, o líder Bolchevique da grande Revolução Russa de 1917, ao discursar diante do 3º Congresso da Juventude Comunista da Rússia, em 2 de outubro de 1920, disse referindo-se a Marx: “Se vocês se colocarem a pergunta sobre por que a doutrina de Marx conseguiu se apoderar de milhões, ou dezenas de milhões de corações da classe mais revolucionária, receberiam uma só resposta: isso ocorreu porque Marx se baseou em fundamentos sólidos do pensamento humano acumulado na era do capitalismo; porque, havendo estudado as leis do desenvolvimento social, Karl Marx compreendeu a inevitabilidade do desenvolvimento do capitalismo, que conduz ao comunismo, e, sobretudo, o demonstrou com base no estudo o mais exato possível, o mais detalhado e profundo da própria sociedade capitalista, através da completa assimilação do que havia sido desenvolvido pela ciência de sua época. Tudo o quanto havia sido criado pela sociedade humana foi submetido por Marx à prova da crítica, sem que um só aspecto tenha escapado à sua atenção”. Novamente Engels, em seu prólogo à obra de Marx O 18 Brumário de Luís Bonaparte, diz que Marx havia descrito com tal maestria o curso da história na França, em sua ligação interna com as jornadas de fevereiro de 1848, que de forma tão brilhante descobriu em O Milagre, de 2 de dezembro (o dia em que se deu o golpe de Estado de Bonaparte, em 1851), o resultado necessário desta conexão, e “todas as novas revelações acontecidas naquela época não fizeram mais do que confirmar o quanto foram acertadas as reflexões de Marx sobre o curso daqueles acontecimentos históricos”. Essa capacidade de apreensão tão exata da realidade histórica viva,escreveu Engels: “Em uma clarividente penetração sobre a essência dos acontecimentos no momento mesmo em que se desenrolavam, é algo sem precedentes”. O legado teórico vivo de Marx que guia os Comunistas Revolucionários nos dias de hoje, não pode ser reverenciado nesta data histórica apenas de maneira formal, nós da LBI reivindicamos a vigência e integralidade da Ditadura do Proletariado como única via para iniciarmos a grande caminhada da humanidade para abolição definitiva das classes sociais. Nesse sentido publicamos na íntegra o discurso do Engels diante do túmulo de Karl Marx.

DISCURSO DIANTE DO TUMULO DE KARL MARX
Friedrich Engels (17 de Março de 1883)

“Em 14 de março, quando faltam 15 minutos para as 3 horas da tarde, deixou de pensar o maior pensador do presente. Ficou sozinho por escassos dois minutos, e sucedeu de encontramos ele em sua poltrona dormindo serenamente — dessa vez para sempre.

O que o proletariado militante da Europa e da América, o que a ciência histórica perdeu com a perda desse homem é impossível avaliar. Logo evidenciará-se a lacuna que a morte desse formidável espírito abriu.

Assim como Darwin em relação a lei do desenvolvimento dos organismos naturais, descobriu Marx a lei do desenvolvimento da História humana: o simples fato, escondido sobre crescente manto ideológico, de que os homens reclamam antes de tudo comida, bebida, moradia e vestuário, antes de poderem praticar a política, ciência, arte, religião, etc.; que portanto a produção imediata de víveres e com isso o correspondente estágio econômico de um povo ou de uma época constitui o fundamento a parir do qual as instituições políticas, as instituições jurídicas, a arte e mesmo as noções religiosas do povo em questão se desenvolve, na ordem em elas devem ser explicadas – e não ao contrário como nós até então fazíamos.
MASSACRE EM SUZANO: EXPRESSÃO TRÁGICA DE UMA SOCIEDADE CAPITALISTA DOENTE ONDE O NEONAZISMO AVANÇA E MATA SEUS JOVENS DENTRO DA ESCOLA! SOMENTE A REVOLUÇÃO SOCIALISTA PODE DETER A BARBÁRIE ASSASSINA!  


Os jovens atiradores da cidade de Suzano, que promoveram o maior massacre em escola da história de São Paulo, frequentavam fóruns de extrema-direita que propagavam racismo, homofobia, xenofobia e o anticomunismo, eram apoiadores confessos de Bolsonaro. Um deles, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, idolatrava páginas de extrema-direita nas redes sociais, saldou o assassinato de Marielle Franco. Ele era admirador de Bolsonaro, curtia as plublicações dos filhos do fascista e teve sua página no Facebook apagada depois do ataque fatal na escola estadual Raul Brasil, que deixou 10 mortos, entre eles os dois assassinos. Os atiradores participavam de um fórum na internet chamado Dogolochan. Criado em 2013 por Marcelo Valle Silveira Mello, os usuários se chamam de "homens santos" e compartilham ideologias fascistas e incentivam ataques contra LGBTs, negros e comunistas. Mello foi a primeira pessoa condenada no Brasil por racismo na internet, em 2009. Após sair da prisão, também passou a apoiar Bolsonaro. Os atiradores que mataram 10 pessoas e depois se suicidaram em uma escola em Suzano, a 50 km de São Paulo, nesta quarta-feira (13), utilizaram uma das comunidades de extrema-direita para juntar dicas e fazer planos para o ataque. No fórum chamado Dogolochan, os jovens agradeceram a ajuda, e deixaram rastros para avisar seus colegas virtuais do massacre que estava por vir. O fórum é conhecido como um local onde são discutidos abertamente a prática de crimes, violação de direitos humanos, além de racismo e misoginia. Tópicos do fórum mostram que Luiz Henrique de Castro, 26 anos; e Guilherme Taucci Monteiro, 17, pediram dicas de como realizar o massacre. Um print datado do último dia 7 mostra o que parece ser um dos atiradores agradecendo DPR, o administrador do Dogolachan pelos conselhos recebidos. O fórum está ligado também ao Massacre de Realengo, onde Wellington Menezes de Oliveira — considerado um herói no Dogolachan — matou 12 crianças, antes de se matar. Em resumo, em um país onde o fascismo avança nada mais “natural” que massacre como os de Suzano se proliferem! A tragédia atual é, antes de mais nada, um fenômeno correlato às tendências concretas e ideológicas hoje existentes no Brasil e no mundo. Matanças como esta, acontecem inadvertidamente em épocas de recrudescimento militar e ofensiva contrarrevolucionária sobre os povos do planeta, sendo uma expressão da barbárie social que se assenta no pensamento neonazista tendo cada vez mais vazão e se cristalizando no seio da juventude de classe média, cuja expressão se dá nestas “explosões de fúria”. A tragédia de Suzano é a expressão mais acabada do estancamento das forças produtivas impostas pelo capitalismo. Como não há um contraponto revolucionário a esta degradação, a humanidade tende a caminhar para a barbárie. Desgraçadamente, se não houver uma direção política que aponte uma saída comunista para os trabalhadores, carnificinas neonazistas e guerras genocidas acontecerão como norma de sobrevivência do regime capitalista senil. Sem a intervenção do proletariado nesta conjuntura fascistizante o governo Bolsonaro não cairá de podre, ao contrário, arrastará o Brasil e a sua população para a completa escória humana. Estamos vendo a acessão com força do neonazismo em escala interna e planetária. Para se opor a essa escalada arquirreacionária deve-se ter claro que ela é uma expressão da dura etapa de contrarrevolução em que vivemos.  Para que não se repitam novas cenas sanguinárias no Brasil, somente a ação revolucionária do proletariado poderá reverter estas tendências nefastas, se valendo da luta pela liquidação do modo de produção capitalista e tendo como estratégia a imposição de seu próprio projeto de poder socialista.

quarta-feira, 13 de março de 2019

55 ANOS DO COMÍCIO DE JANGO NA CENTRAL DO BRASIL: ÚLTIMO “FÔLEGO” DO GOVERNO NACIONALISTA BURGUÊS ANTES DE SER ESMAGADO PELO GOLPE MILITAR DE 1964


O grande comício da Central do Brasil, realizado há exatos 55 anos, no dia 13 de março de 1964, foi o último fôlego do governo nacionalista burguês do presidente João Goulart diante das forças mais reacionárias e golpistas, apoiadas pelo imperialismo ianque, que tramavam abertamente para implantar um regime político semifascista da ditadura militar. Jango e os generais que lhe davam “apoio” estavam conscientes de que a realização de um grande comício das massas radicalizadas aceleraria em muito a dinâmica golpista em pleno curso. Mas, pressionado pela ala “esquerda” de seu comando trabalhista, como Brizola, Darci e Almino Afonso, resolveu bancar a iniciativa, que envolvia vários segmentos políticos, desde as ligas camponesas, passando pelo CGT dos burocratas sindicais do PTB e até o velho Partidão. O comício pelas “reformas” superou todas as expectativas, não só pelo número de participantes, mas fundamentalmente pela radicalidade de suas reivindicações, que incluíram até o armamento dos trabalhadores. Durante o comício, que reuniu cerca de 300 mil trabalhadores e estudantes, Jango assinou decretos de nacionalização das poucas refinarias de petróleo existentes no Brasil e a desapropriação terras com mais de 100 hectares ao longo das ferrovias e rodovias federais, para fins de reforma agrária. Sem o apoio dos setores decisivos da burguesia financeira e industrial, que estava cada vez mais vinculada aos interesses do imperialismo, Jango prometeu implantar o projeto nacional reformista das chamadas “Reformas de Base”, em defesa das quais vinham crescendo as mobilizações de operários, camponeses e estudantes em todo o país. As “reformas” pretendidas inicialmente pelo PTB “Janguista” nem de longe ameaçavam a ordem capitalista vigente, ao contrário eram parte de um projeto maior “desenvolvimentista” da burguesia nacional que buscava a ampliação de um mercado interno de consumo e a redução da dependência financeira e industrial do país em relação a economia norte-americana. Mas a alta cúpula militar não pensava exatamente desta maneira, apesar de uma ala de generais como Castelo Branco e os irmãos Geisel concordarem com a ideia de superar o atraso nacional pela via da industrialização do país. Este era o ponto de “acordo” entre Jango e seus assessores militares mais próximos, que logo depois vieram a protagonizar o golpe fascista contra seu “comandante em chefe”, mas uma “pequena” diferença política os separavam, era justamente o papel a ser jogado pelas massas proletárias e camponesas da nação. Para a “inteligência nacionalista militar” o proletariado urbano e rural deveria ficar completamente a margem de qualquer projeto “desenvolvimentista”, além de considerarem “sagrados” os vínculos comerciais do Brasil com os EUA. Na ausência do consenso com seu gabinete militar, Jango resolve tocar em frente o comício da "Central" o que provocou a unificação “automática” dos oficiais supostamente “leais” a legalidade do governo (Castelo e Amaury Kruel) com os facínoras golpistas do quilate de um Costa e Silva. Naquela histórica noite, onde milhares de trabalhadores afluíram ao chamado do governo, na expectativa de uma brusca guinada à esquerda de Jango, um comando militar terrorista, comandado pelo coronel Murici, planejava um atentado a vida do presidente para precipitar o golpe naquele mesmo dia, foram contidos no local pelo general Orlando que lhes “pediu” mais duas semanas para “finalizar” a deposição de forma mais organizada. No palanque da “Central”  suando muito ao lado de sua bela mulher, Maria Thereza, Jango parecia já pressentir o seu fim, mas não se acovardou e desferiu seu “petardo trabalhista e nacionalista”: “Aqui estão os meus amigos trabalhadores, vencendo uma campanha de terror ideológico e sabotagem, cuidadosamente organizada para impedir ou perturbar a realização deste memorável encontro entre o povo e o seu presidente, na presença das mais significativas organizações operárias e lideranças populares deste país... A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobras; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício” (Trecho do discurso de Jango na Central do Brasil).

terça-feira, 12 de março de 2019

QUEM MANDOU MATAR MARIELLE? PM´S E “FAMILÍCIA BOLSONARO” APERTARAM O GATILHO, SOB O COMANDO DA ENGRENAGEM ASSASSINA DO REGIME BURGUÊS EM PARCERIA COM A “OPERAÇÃO LAVA JATO” PLANEJADA DESDE O INÍCIO PELA REDE GLOBO E CASA BRANCA


A Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro prendeu na manhã desta terça-feira o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Na quinta-feira, os assassinatos completam um ano. Os dois tiveram prisões preventivas decretadas pelo juiz substituto do 4º Tribunal do Júri Gustavo Kalil após denúncia da promotoria. Lessa teria atirado nas vítimas, e Elcio era quem dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. O policial Lessa mora no condomínio Vivendas da Barra, na Avenida Lúcio, o mesmo de Bolsonaro. O outro assassino posta fotos nas redes sociais com o presidente fascista, em resumo a “Familícia Bolsonaro”, que controla parte das milícias no Rio de Janeiro, está diretamente envolvida na morte da parlamentar do PSOL! Quase um ano depois da morte, ocorrida em 14 de Março de 218, a “investigação” concluiu o que todos já sabiam: as milícias policiais executaram a vereador do PSOL. A mando de quem assassinaram Marielle? A resposta é clara: cumpriram as ordens da burguesia e seus gerentes políticos subordinados a Casa Branca. Neste interregno um neofascista foi eleito governador do estado, o mesmo canalha que estava no ato da extrema-direita em que as placas em homenagem a Marielle foram quebradas por hordas nazistas do PSL. Apesar disso, o PSOL continua jogando suas ilusões na investigação da Polícia Civil fluminense e mesmo do “auxílio” da PF. Frente os resultados obtidos, o deputado Marcelo Freixo declarou “São prisões importantes, são tardias. Dia 14 faz um ano do assassinato da Marielle, é inaceitável que a gente demore um ano para ter alguma resposta. Então, evidente que isso vai ser visto com calma, mas a gente acha um passo decisivo. Mas o caso não está resolvido. Ele tem um primeiro passo de saber quem executou. Mas a gente não aceita a versão de ódio ou de motivação passional dessas pessoas que sequer sabiam quem era Marielle direito...  Essa pessoa não investigou só Marielle, essa pessoa investigou também a minha vida. A mando de quem? A partir de quando? Com que interesse político ele faz isso? Essa pessoa faz parte de um grupo que todo mundo da área de segurança pública sabe, que é do chamado Escritório do Crime. Porque tem gente que mata a serviço de outros no Rio de Janeiro há anos". Como a LBI pontuou no dia do assassinato de Marielle, sua execução foi evidentemente operada por falanges policiais, profissionalizadas em crimes de maior complexidade. Muito bem executado e de forma bem diferenciada das execuções praticadas por meras quadrilhas de traficantes de morro em guerra com seus oponentes. Porém o atentado criminoso não foi “pensado politicamente” por seus operadores, é uma mais peça da engrenagem golpista que tem na “Lava Jato” seu centro logístico e estatal no país, mas que segue uma rígida "agenda" organizada pelos "falcões" de Washington. Apear do governo central e retirar do PT a primazia política de uma esquerda que controla os movimentos sociais ainda com um viés da classe trabalhadora (formalmente classista), transferindo esta hegemonia para uma nova esquerda "identitária" e policlassista, como o PSOL. A Famiglia Marinho sempre soube que PSOL limita-se a canalizar a repulsa popular pelo assassinato de sua parlamentar nos estreitos limites de um imenso reforço eleitoral, ou seja, atos massivos mas sem nenhum corte de radicalização ou ruptura da ordem institucional. A Lava Jato e os Marinho, ao que tudo indica até o momento, forneceram o planejamento estratégico da conveniência conjuntural da eliminação de Marielle, a milícia paramilitar se encarregou da operação física do crime. É óbvio que a execução de Marielle também serve como um duro "aviso" das forças policiais do RJ para que parlamentares de esquerda ou lideranças políticas não atrapalhem em seus "negócios" ou tampouco denunciem suas atrocidades contra a população negra e pobre das periferias. Esse quadro se acentua com a gestão de Witzel, que defende abertamente o extermínio do povo pobre e a perseguição a esquerda. Para os Marxistas Leninistas a organização de comitês populares de autodefesa é o primeiro passo para enfrentar a sanha fascista em curso no Rio de Janeiro e em todo o país. É sintomático que logo após as claras evidências de um crime político encomendado, o deputado Marcelo Freixo reforçou sua confiança na Polícia Militar e Civil fluminense para a apuração do assassinato de Marielle. Para os Marxistas Leninistas a ampla repercussão social dada ao bárbaro assassinato de Marielle, gerando potencialmente uma latente rebeldia popular contra as instituições apodrecidas do regime da democracia dos ricos e seu governo golpista, deveria ser convertida em um chamado a ruptura com a própria institucionalidade burguesa que pretende eliminar política e fisicamente as principais referências da esquerda, sejam reformistas ou revolucionárias. A organização de comitês populares de autodefesa é o primeiro passo desta importante tarefa. Desgraçadamente nem o PT e tampouco o PSOL adotam uma tática minimamente justa para lutar corajosamente contra a brutal ofensiva da direita neoliberal e golpista. Muito mais do que o chamado "protocolar" do PSOL feito neste momento por Freixo, é necessário a construção imediata de uma nova direção política (classista e revolucionária) para o movimento de massas, que organize a resistência direta a sanha fascista que avança em nosso país!


segunda-feira, 11 de março de 2019

ALAGAMENTOS DEIXAM RASTRO DE MORTE EM SÃO PAULO: NÃO FOI MAIS UMA “TRAGÉDIA NATURAL” PROVOCADA PELAS CHUVAS... GOVERNOS TUCANOS NEOLIBERAIS DE DÓRIA E COVAS SÃO OS VERDADEIROS RESPONSÁVEIS PELA PERDA DA VIDA DOS TRABALHADORES E SUAS FAMÍLIAS!


A forte chuva que começou na noite de domingo (10) e se estendeu pela segunda (11) provocou alagamentos em diversas regiões da Grande São Paulo e bloqueou vias de acesso para a capital paulista. Não existem vias de escoamento da água, os bueiros estão todos entupidos produto do sucateamento e privatização da limpeza urbana no estado e na capital paulista pelos governos tucanos. Dória e Covas usaram apenas um terço da verba de combate a enchentes em 2017 e 2018. A gestão do ex-prefeito e atual governador paulista, João Doria, e de seu sucessor, Bruno Covas, ambos do PSDB, gastou cerca de um terço de toda a verba orçada para combate a enchentes e alagamentos na cidade de São Paulo. De R$ 824 milhões destinados à realização de drenagens, só R$ 279 milhões (38%) foram gastos. Em obras e monitoramento de enchentes, estavam previstos R$ 575 milhões, mas R$ 222 milhões (35%) foram gastos. Hoje, a capital paulista registrou 601 pontos de alagamento, congestionamentos gigantescos, com interdição das pistas expressa e central da Marginal Tietê e da Avenida do Estado. Desabamento deixou 4 mortos e 2 feridos em Ribeirão Pires. Outras três pessoas morreram afogados: dois na Avenida dos Estados e um no bairro Taboão, em São Bernardo do Campo. Uma criança morreu após deslizamento de terra em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Os lugares mais afetados foram os bairros de Vila Prudente e do Ipiranga, e as cidades do ABC. Os bombeiros contabilizam, entre 0h e 6h, 601 ocorrências de enchentes, 34 quedas de árvore, 54 ocorrências de desabamento e 3 deslizamentos graves. Em Embu, na Grande São Paulo, o deslizamento de terra sobre uma casa deixou três pessoas soterradas. Uma das vítimas, uma criança, morreu no Hospital Geral de Itapecerica da Serra, segundo a Defesa Civil estadual. A história não para de se repetir. Mais de 5 milhões de brasileiros vivem nestas mesmas “áreas de risco” segundo estudos técnicos, a que se somam outros muitos milhares em morros e favelas que são alvo de deslizamentos e desastres ano após ano. Os trabalhadores não têm como pagar aluguéis caríssimos e são forçados a morar em locais vulneráveis e perigosos, longe do centro e do trabalho. Como ocorre tragicamente todos os anos, presenciamos mais um assassinato de trabalhadores por completa irresponsabilidade dos governos tucanos de Dória e Covas. Além da ausência de ações e obras para combater enchentes, Doria e Covas também reduziram os gatos com a varrição de ruas, a quantidade de lixo recolhido e a capinação. A coleta de lixo foi reduzia em, aproximadamente, 15%, em 2018. Varrição, capinação e lavagem de ruas foram reduzidas em 19%, no mesmo ano. Ao mesmo tempo, as reclamações por falta de limpeza, por meio da Central 156, subiram 30%. Apesar de Doria e Covas alegarem problemas financeiros, ambos foram beneficiadas com um significativo aumento da arrecadação de impostos. Entre 2016 e 2018, as receitas correntes – IPTU, ISS, ITBI, ICMS, IPVA – cresceram 12,5%, no conjunto. Apesar disso, a gestão Covas manteve baixos os investimentos na cidade, em áreas como saúde, educação, controle de enchentes, transporte e também os serviços realizados pelas subprefeituras. O caixa da prefeitura, porém, chegou a receber R$ 7,3 bilhões, maior valor dos últimos seis anos. Os dados do orçamento indicam que arrecadação superou em R$ 300 milhões o estimado pela gestão Covas para 2018. Mesmo assim, o investimento total foi de R$ 1,8 bilhão. Em 2017, a situação foi mais grave, com investimento de apenas R$ 1,3 bilhão. Em 2016, último ano da gestão de Haddad, os investimentos foram de R$ 2,6 bilhões, 44% a mais que no ano passado. Fica evidente que o capitalismo mata e coloca cotidianamente a vida dos trabalhadores em risco, nossa tarefa é liquidar esse modo de produção senil e organizar os trabalhadores para resistir a seus golpes assassinos encobertos por “tragédias naturais”. Nossa solidariedade nesse momento de dor para as famílias das vítimas, nosso chamado a lutar contra o capitalismo assassino e seus gestores burgueses para quem a vida do povo trabalhador não vale nada!
TRUMP QUER “FAZER DA NICARÁGUA UMA NOVA VENEZUELA”: IMPERIALISMO IANQUE ORGANIZA NOVAS PROVOCAÇÕES ENQUANTO GOVERNO ORTEGA CONVOCA “DIÁLOGO” COM A OEA... COMPLETA IMPOTÊNCIA POLÍTICA DA GESTÃO BURGUESA DA FSLN ALIMENTA REAÇÃO DA DIREITA!


O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, revelou neste sábado (09.03) sua agenda para as negociações com a oposição burguesa. Inicialmente ele descarta uma antecipação das eleições e ofereceu a libertação dos presos durante protestos orquestrados pela direita contra o governo da FSLN, no momento em que o "diálogo" vive um impasse devido à retirada dos bispos da reacionária Igreja Católica. Ortega divulgou suas propostas para a negociação com a golpista Aliança Cívica pela Justiça e Democracia (ACJD). Os anúncios foram feitos após oito dias de reuniões. Em comunicado, o governo apresentou “propostas de reformas que aprimorem processos eleitorais livres, justos e transparentes recomendados pela Organização de Estados Americanos (OEA)”. Em uma tentativa desesperada de salvar o “processo de negociação”, o governo recorreu hoje à OEA, segundo um comunicado conjunto entregue à imprensa. O órgão anunciou que, a pedido do governo, enviará nesta segunda-feira, 11.03, o representante Luis Ángel Rosadilla para analisar, juntamente com os participantes das negociações, uma eventual participação da OEA no processo. Por sua vez, a Conferência Episcopal da Nicarágua decidiu que bispos não participarão da mesa do Diálogo nacional.  Em resumo, enquanto o imperialismo ianque organiza novas provocações o governo Ortega procura o “diálogo” com a OEA, trata-se de uma prova da completa impotência política da gestão burguesa da FSLN, alimentando a reação da extrema-direita! Não nutrimos a menor simpatia política pelo atual governo burguês da FSLN, que "entregou e enterrou" a grande maioria das conquistas da grande revolução armada que derrubou o ditador Somoza em 1979. Desgraçadamente Ortega seguiu os conselhos contrarrevolucionários do Castrismo e negou-se a "transformar a Nicarágua em uma nova Cuba". De lá pra cá, a FSLN converteu-se em uma organização pequeno burguesa, alinhada ao "regime da Democracia dos Ricos", e compondo seu governo de "União Nacional" com setores capitalistas nativos. Porém uma questão é estabelecer a oposição da classe operária ao Sandinismo, outra completamente distinta é lutar contra o governo Ortega na mesma trincheira da reação local e do imperialismo ianque, como faz vergonhosamente a LIT e sua pequena seção no país, que afirma assim como faz na Venezuela, que o governo Ortega é uma ditadura assassina que deve ser derrubada imediatamente, chamando inclusive a unidade de ação com a direita! O grupo Resistência (PSOL) segue na Nicarágua os passos vergonhosos do Morenismo. Como Lenin nos ensinou "o pior inimigo dos povos é o imperialismo", com Ortega, Maduro ou Assad nos entrincheiramos para derrotá-lo, porém com nossa própria política e os métodos de combate revolucionário da classe operária mundial!
LIT na Nicarágua: De mãos dadas com o imperialismo!

domingo, 10 de março de 2019

HÁ QUATRO ANOS DAS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES DA DIREITA CONTRA O GOVERNO DILMA: ADOÇÃO DO AJUSTE NEOLIBERAL CONTRA AS MASSAS ABRIU CAMINHO PARA A ATUAL OFENSIVA REACIONÁRIA


Publicamos o balanço político elaborado pela LBI diante das primeiras manifestações massivas da direita, ocorrida em março de 2015, que abriram caminho um ano depois ao golpe parlamentar e depois desembocaram na atual ofensiva reacionária que levou Bolsonaro ao Planalto. Naqueles dias pontuamos que não se podia mais "tapar o sol com a peneira", os atos contra o governo Dilma haviam galvanizado setores sociais mais amplos do que a tradicional e reacionária classe média. Embora o escopo central das manifestações pelo impeachment continuasse sendo ultrarreacionário, englobando segmentos fascistas que pedem o retorno do regime militar, não se podia negar que o duro "ajuste" fiscal da equipe econômica palaciana empurrou uma faixa de trabalhadores atingidos diretamente pelo "tarifaço Dilmista" a engrossar os protestos. Como Dilma seguiu o caminho da ofensiva neoliberal contra as massas, comandada pelo ministro Levy (hoje no governo Bolsonaro), as manifestações pelo impeachment se avolumaram numérica e socialmente inviabilizando o término de sua gestão estatal, como prognosticamos no artigo abaixo.

É HORA DE DEFENDER O GOVERNO DILMA FRENTE AO ASCENSO DA REAÇÃO?
(Artigo extraído do BLOG DA LBI, 13 de Março de 2015)

Os principais balanços políticos da esquerda sobre manifestações de ontem já estão 
publicados, havendo "análises" para todos matizes da conjuntura segundo a ótica programática de cada corrente. As avaliações permeiam desde a miopia de ignorar o peso dos atos como fez o PCO ("meia dúzia de coxinhas") até mesmo projetar uma "marcha golpista" dirigida pela "extrema-direita" como afirmou o PCdoB. Em comum estes balanços padecem do mesmo "mal" político: a profunda subordinação ao governo burguês da Frente Popular. Para o reformismo de "esquerda e direita" o momento é de defesa do regime democrático, supostamente ameaçado pela iminência de um golpe de estado. Não pretendemos de forma alguma minimizar a dinâmica conservadora que tomou conta do país com as grandes manifestações do último domingo protagonizadas de forma hegemônica por setores reacionários da classe média urbana. Porém a situação atual logo impõe uma analogia histórica, como ocorreu em 64, estamos diante de uma mobilização golpista contra um governo que ameaça "ferir" algum interesse econômico da burguesia ou do imperialismo? O frágil governo Jango foi alvo de uma conspiração cívico- militar justamente porque pretendia promover "reformas de base" que desagradavam o latifúndio e o imperialismo. Seu projeto de estabelecer o controle sobre a remessa de lucros das empresas multinacionais instaladas no país recebeu uma "sentença de morte" vinda de Washington. Já a reforma agrária proposta por Jango, mesmo passados 50 anos, era bem mais ousada do que todos os assentamentos realizados em 12 anos de governos do PT, atraiu o ódio declarado da burguesia agrária. Apesar de seu caráter nacionalista burguês em pouco mais de dois anos de governo, Jango promoveu pequenos avanços sociais que "decretaram" sua "sentença de morte", proferida pela elite dominante apoiada pela Casa Branca. As reacionárias marchas da "família" contra Jango se assemelham sim aos atos do dia 15, mas seus objetivos finais são distintos. Enquanto em 64 se organizava a "céu aberto" um golpe de estado, com o aval das FFAA e do parlamento, hoje as mobilizações da direita guardam um caráter "institucional" do próprio regime democratizante, um temido "terceiro turno" eleitoral nas palavras da esquerda "chapa branca". Dilma não ameaça nenhum interesse da burguesia nacional ou do capital financeiro, ao contrário, seu governo está inteiramente dedicado a servir estes segmentos. Seu segundo mandato está voltado a reestabelecer os vínculos comerciais do Brasil com os EUA, a agenda de uma reunião com Obama em abril é uma das demonstrações desta inflexão. Não venham nos dizer agora que impulsionar o consumo e crédito das classes "C e D" nestes últimos dez anos é algo que "enfureceu" a burguesia levando a preparação de um golpe de estado. É bem verdade que estes mesmos setores da "classe média alta" que ganharam muito dinheiro com as gestões petistas exigem hoje ensandecidas o impeachment da presidente, conclamando o Congresso Nacional a desferir um "golpe parlamentar". Sob a roupagem do "combate a corrupção" outorgam aos piores corruptos da história do país, a tucanalha, a tarefa de se "livrar do PT" pela via da pressão parlamentar. A linha política da burguesia de conjunto não é a do golpe de estado, incluindo a mídia corporativa, mas a de sustentar nas cordas o governo diante do encurralamento social, estimulando ao máximo seu "sangramento" seja no Congresso ou nas mobilizações de rua que tendem a crescer ainda mais. Por seu turno o comando do governo "pactuou" com a burguesia esta orientação defensiva, ou seja, absorveu as manifestações do dia 15 como uma "expressão democrática" e anunciou que seguirá inflexível com a política do "ajuste" contra as massas. Para os Marxistas Revolucionários não se trata de perfilar, em unidade de ação, com o governo burguês contra a falácia de um golpe de estado em marcha. Também não se coloca a defesa em geral do regime democrático supostamente ameaçado por uma conspiração militar. Caso estivessem postos estes elementos na conjuntura, como estiveram em 64, não hesitaríamos em momento algum de impulsionar uma frente única com o governo Dilma contra o golpe e imperialismo. Porém a situação nacional aponta em outra direção, este governo segue contando com o apoio "crítico" do imperialismo para implementar as "contra-reformas" impostas pelo capital financeiro internacional. A plataforma de lutas do movimento operário deve se concentrar em derrotar o "ajuste" pela via da ação direta dos explorados.