quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

APÓS DERROTA HISTÓRICA DO TRABALHISMO INGLÊS: CORBYN DEIXARÁ O COMANDO DO PARTIDO OU A EFEMERIDADE DA SOCIAL DEMOCRACIA DE ESQUERDA...


O fenômeno Social Democrata de esquerda, que empolgou os reformistas do mundo inteiro, mais conhecido na Inglaterra como “Corbynismo”, não resistiu a uma derrota eleitoral histórica do Partido Trabalhista. A cúpula trabalhista britânica confirmou neste último final de semana, o início do processo político para substituir o líder da sigla, Jeremy Corbyn. Diante da derrota histórica sofrida para o Partido Conservador nas recentes eleições parlamentares, Corbyn pediu que seu sucessor seja eleito até o final de março. Segundo o jornal “The Guardian”, a secretária-geral dos trabalhistas, Jennie Formby, escreveu ao Comitê Executivo do partido para tratar de um cronograma da sucessão, com a recomendação de que o processo se inicie em 7 de janeiro de 2020. A deputada neoliberal Rebecca Long-Bailey é a favorita na corrida sucessória no interior do partido, embora não tenha declarado oficialmente sua candidatura. A eleição geral da última quinta-feira (12/12) que girou em torno da saída do Reino Unido da União Europeia(Brexit), assistiu o Partido Trabalhista sofrer seu pior resultado desde 1935. Muitos dos apoiadores de base do Trabalhismo que querem o desligamento do bloco europeu votaram com os conservadores de Boris Johnson. Os trabalhistas perderam 59 assentos, fazendo desmoronar o chamado “muro de tijolos vermelhos”, o cinturão de cidades industriais do centro-norte inglês que costumavam eleger trabalhistas nas últimas muitas décadas. Corbyn se disse “muito triste”, mas não pediu desculpas ou mencionou qualquer autocrítica pela humilhante derrota. Com o triunfo do resultado, o primeiro-ministro neofascista Boris Johnson continuará à frente do governo e deve aprovar com facilidade o brexit até 31 de janeiro, conforme prometeu. Boris deve realizar a votação do acordo de saída no Parlamento britânico ainda antes do Natal, para em seguida começar a negociar um acordo comercial com o bloco europeu que esteja finalizado até dezembro de 2020. Com este final político desastroso para os trabalhadores britânicos, sob a condução de um governo imperialista da extrema direita, também chegou ao fim a curta trajetória supostamente “radical” de Corbyn. Porém, a história de sua “intransigência esquerdista” é um verdadeiro “conto de fadas socialista” para os tolos e reformistas. Para conquistar a liderança do Trabalhismo, Corbyn foi induzido a desistir de muitas das posições que mais ameaçavam os negócios do Estado imperial britânico, entre elas, estava a oposição constante à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), mísseis balísticos intercontinentais (Trident) e a própria adesão à UE.  Os seguidores de esquerda de Corbyn sofreram aqui uma tremenda decepção, ao saber que ele entregará passivamente o comando do partido para uma ala abertamente neoliberal e conservadora, o “Blue Labor”. A derrota e capitulação de Corbyn é a reprodução política em menor escala da conduta do MAS boliviano frente ao golpe de Estado, reflete a impotência histórica da Social Democracia, seja em países imperialistas ou imperializados. Os revisionistas de todos os calibres, do PTS argentino, passando pelo PSOL até chegar no PSTU, que apostaram todas as fichas na imaginária radicalização do Corbynismo, devem estar envergonhados pela postura covarde de seu “líder” em rota de fuga para não enfrentar o neofascismo com os métodos do proletariado no terreno da luta de classes.