BICENTENÁRIO DO 7 DE SETEMBRO: DOM PEDRO I PROCLAMOU A
INDEPÊNDENCIA DO BRASIL OU ANUNCIOU A FORMAÇÃO DE UMA NOVA COLÔNIA DO
MERCATILISMO BRITÂNICO?

Neste ano de 2022 completa-se 200 anos da falsa independência
do Brasil. Dom Pedro I, apresentado pela classe dominante e por setores da esquerda
domesticada como um herói nacional foi na verdade um agente do mercantilismo britânico
ao tonar o país de fato uma nova colônia inglesa, na medida que Londres
desejava barrar o processo de formações de verdadeiras repúblicas na América Latina,
como vinha ocorrendo nos países vizinhos, tendo o novo imperador como seu aliado
no elo do novo domínio colonial. Após a separação do Estado colonialista
português, a sociedade brasileira manteve intacta a estrutura econômica que
caracterizava o sistema de exploração escravista colonial implantado desde o
início da colonização: o latifúndio, conservando até hoje a concentração da
propriedade da terra; a monocultura, a dependência externa e o trabalho
escravo. Nem do ponto de vista político, a independência ocasionou mudanças
significativas, restringindo-se a uma acomodação de interesses patrocinada pela
aristocracia rural escravista, que visava garantir o livre comércio com a
Inglaterra e impedir o retorno do monopólio português, rompido desde 1808
quando o Estado lusitano foi obrigado a se transferir para o Brasil. Em
conflito com os colonialistas lusos, que objetivavam restaurar o privilégio
exclusivo do comércio colonial, a aristocracia rural e setores mercantis vinculados
ao comércio inglês estabeleceram um pacto com a família real, aclamando o
herdeiro do trono português, D. Pedro, como Imperador, assegurando assim a
continuidade do regime monárquico e os direitos da dinastia de Bragança. Sob o
domínio do capital inglês, a dependência econômica do Brasil tornou-se ainda
mais forte.