sexta-feira, 21 de outubro de 2011


“Morte de Kadafi pode ser alento” para Obama, Sarkozy, Cameron... e os canalhas da LIT!

A intervenção imperialista na Líbia pelo braço militar da OTAN teve desde o seu início como móvel central a defesa dos “direitos humanos” de uma população civil vítima de “uma ditadura sanguinária”. Sobre esta base política, o regime nacionalista decadente do coronel Kadaffi foi “desenhado” pela grande mídia internacional como um “bárbaro repressor” de uma suposta “revolução árabe” (que varria o Magreb) surgida então na cidade Líbia de Benghazi, o novo “paraíso” das transnacionais do petróleo. Uma parte da população de Benghazi, beneficiada com investimentos europeus, a partir da abertura dada por Kadaffi a poderosos grupos econômicos do setor energético, passou a sonhar com o “american way of life”. A partir desta base de apoio, “linkar” Benghazi com o conto da “revolução árabe” foi um passo fácil para o imperialismo ianque que nesta altura dos acontecimentos já tinha tomado o controle da situação de “transição democrática” na Tunísia e no Egito.

Mas, para tornar crível a versão de que a chamada “primavera árabe” ocorria também na Líbia, o Departamento de Estado dos EUA (sob a chefia da Sra. Clinton) necessitava da esquerda revisionista para legitimar sua estratégia de “intervenção humanitária” no deserto norte da África. Prontamente, os canalhas da LIT abraçaram a versão imperialista da “revolução na Líbia”, qualificando os “rebeldes” de Benghazi como “autênticos revolucionários” que lutavam contra uma “tirania assassina e corrupta”, ao estilo de Mubarak e Ben Ali. A mídia “murdochiana” logo entrava no primeiro plano e elegia o coronel Kadaffi “inimigo número 1” da humanidade, com calúnias de todo tipo. A fábrica midiática de mentiras lançava acusações racistas de contratação de mercenários africanos para matar friamente os opositores de Kadaffi, enquanto os revisionistas seguiam fielmente o roteiro “Hollywoodiano” dos bombardeios de milhares civis para justificar a resolução da ONU que estabeleceu a zona de exclusão aérea. Nem a entrada na trincheira dos “rebeldes”, das forças militares da OTAN, acanhou o apoio entusiástico da esquerda revisionista à agressão da coalizão imperialista contra uma nação oprimida. Contra o “terrível ditador” tudo era permitido: perseguir negros, bombardear cidades inteiras por vários meses consecutivos, roubar os fundos de um país depositados no exterior etc.., afinal todas as atrocidades imperialistas estavam justificadas pelo frenesi da imprensa capitalista contra o “malévolo” Kadaffi.

Coube à esquerda revisionista o papel de buscar argumentos mais “finos” para desmoralizar o cambaleante regime nacionalista dos coronéis, que no passado recente ousou contrariar os interesses imperiais e no presente buscava uma aproximação com os antigos inimigos. Estes senhores, previamente corrompidos pelo governo Obama, afirmavam que Kadaffi teria se tornado “entreguista e neoliberal” por selar acordos com empresas imperialistas na Líbia, como se tivesse existido na história algum regime nacionalista burguês que nunca pactuou com o imperialismo. É da própria natureza de classe dos regimes nacionalistas, sob a liderança de um caudilho burguês, serem incapazes de levar consequentemente e até o fim as tarefas anti-imperialistas que se propõe inicialmente a defender. Por acaso, esquecem-se que o próprio Nasser, fundador do pan-arabismo forneceu fuzis defeituosos ao exército egípcio para torpemente combater as tropas sionistas na guerra do Canal de Suez? Ou ignoram o fato do governo “nacionalista burguês” de Chávez negociar a exploração das jazidas de petróleo da bacia do Orinoco com as transnacionais norte-americanas? Como papagaios acéfalos dos meios de comunicação, a LIT e seus satélites “esgrimiram” o argumento final: Kadaffi colaborava ultimamente com a CIA! Este escandaloso fato serviria para justificar, no frigir dos ovos, uma aliança “democrática” com a OTAN, na forma da LIT reivindicar deste facínora organismo armas para os “rebeldes” do CNT. Fazendo um grosseiro paralelo, seria o mesmo que pedir ajuda militar do gendarme de Israel para combater as “traições” do governo do Hezbollah no Líbano, quando este persegue os corajosos combatentes da FPLP.

Quando da queda de Trípoli, após sofrer o bombardeio de mais de mil missões aéreas da OTAN, os canalhas da LIT não se envergonharam de festejar junto as forças títeres do CNT a “vitória da revolução”, como cínicos sequer mencionaram a maior campanha militar de uma coalizão imperialista contra um país, desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Nem na guerra contra o Vietnã se despejaram a quantidade de bombas que a Líbia foi alvo, mais de quatro mil toneladas de urânio empobrecido deixando um saldo sinistro de cerca de cinquenta mil mortos, e, apesar disto, nem uma palavra da LIT! Agora, voltam a comemorar junto a Sarkozy, Cameron e Obama a morte de Kadaffi, sem dúvida alguma um “alento” para os abutres imperialistas, que pretendem saquear impiedosamente a Líbia. Como sustentar que um regime sem nenhum apoio popular consiga enfrentar por mais de seis meses as maiores potências militares do planeta? E como explicar a heróica resistência de Sirte, cercada e bombardeada pela OTAN por 70 dias e noites consecutivas? Somente correntes de “esquerda” decompostas moralmente e corrompidas materialmente, como a LIT, são capazes de tamanha sordidez, ao emblocarem-se com as hienas do tipo da família “Marinho”, para brindar o suposto fim da resistência das massas líbias à ocupação imperialista de seu país. Engana-se toda a matilha pró-imperialista que pensa que a morte de Kadaffi é o ponto final da resistência nacional as tropas da OTAN, sem sombra de dúvida o tombamento em plena luta do coronel Kadaffi foi uma grande derrota de todos os povos do mundo que enfrentam a ofensiva imperialista, mas a guerra de libertação continua como reconhece até mesmo o alto comando do Pentágono.

A destruição de todos os monumentos anti-imperialistas na Líbia, um símbolo da era Kadaffi, pelos “rebeldes” que usam uma bandeira monarquista e se vestem com camisetas e bonés com símbolos ianques, são um péssimo presságio da etapa que iremos atravessar. Episódios similares assistimos na destruição das estátuas de Lenin, na época da queda contrarrevolucionária da URSS, quando se abriu um período de reação em toda linha. Não por mera coincidência, o ETA na Espanha acaba de anunciar o final de suas atividades guerrilheiras e a FARC na Colômbia atravessa seu pior momento de isolamento. A vanguarda da classe operária deve abstrair todas as ácidas lições da atual etapa histórica, onde o proletariado mundial acumula uma série de graves derrotas em função da ausência de uma direção genuinamente revolucionária. A crise estrutural do modo de produção capitalista não nos levará por si só ao regime socialista, como afirmam os charlatões de todos os matizes revisionistas. A tarefa da reconstrução da IV INTERNACIONAL continua vigente mais do que nunca e não pode ser substituída por “atalhos” ou por “novas vanguardas”, alheias à estratégia da revolução permanente.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

OTAN assassina Kadaffi que comandava bravamente os combates contra ocupação de Sirte pelos mercenários do imperialismo

A operação “revolução árabe” montada pelo imperialismo na Líbia aparentemente alcançou seu principal objetivo imediato: a morte do coronel Muamar Kadaffi, morto em combate nas ruas de Sirte. Em êxtase, a mídia burguesa em uníssono apresentou imagens do corpo do dirigente nacionalista líbio ensanguentado após um ataque aéreo da OTAN, articulado com os “rebeldes” nas imediações de Sirte. Ainda que sejam informações preliminares, tudo indica que as imagens são verdadeiras. Kadaffi morreu lutando bravamente contra forças infinitamente superiores, do ponto de vista bélico. Dirigiu a resistência militar à ocupação de seu país até o limite de sua própria vida, ao contrário dos que afirmaram que Kadaffi fugiria como um rato, como fazem os “ditadores” ou “democratas” covardes no enfrentamento direto com o imperialismo.

Segundo as versões iniciais, os caças da OTAN bombardearam um comboio militar da resistência em que estava Kadaffi, atingindo-o mortalmente. Mas o CNT tratou de tomar a captura e morte de Kadfaffi como obra sua, apresentando-o sem vida, capturado dentro de um túnel. Desta forma, mais um capítulo da ofensiva neolocolonialista das grandes potências capitalistas contra os povos está se encerrando, vergonhosamente apoiada pela canalha revisionista do trotskismo como a LIT e seus congêneres, abrindo caminho para imposição do governo fantoche do CNT para a rapina das riquezas do país norte-africano.

Bandeiras da monarquia junto a dos EUA e da UE foram mostradas tremulando nas “comemorações” dos mercenários. Os representantes imperialistas saudaram a morte de Kadaffi apresentando-a como o fim de uma “ditadura sanguinária”. Como papagaios, a esquerda revisionista apresenta cinicamente o assassinato do dirigente líbio como produto da “revolução popular” contra um “governo pró-imperialista”. Nada mais falso. É verdade que a aproximação do regime líbio, operada a partir dos anos 90 com o imperialismo europeu, debilitou enormemente o regime frente às massas e a própria classe operária. Mas esse processo não foi suficiente para reverter completamente as conquistas sociais da revolução democrática que derrubou uma monarquia corrupta e pró-imperialista no final dos anos 60. Por esta razão, no lastro da farsesca “revolução árabe”, a Casa Branca e a UE montaram uma ofensiva para derrubar o regime nacionalista que controlava a extração e exportação do petróleo com alto grau de controle estatal, o que se chocava com os interesses das transnacionais petrolíferas norte-americanas.

O assassinato de Kadaffi pelas mãos da OTAN e seus “rebeldes” é sem dúvida uma vitória do imperialismo e representa uma derrota para os trabalhadores, porque anuncia o incremento da ofensiva neocolonialista sobre o país. A partir das modestas forças da LBI, caracterizamos o início das manifestações pró-imperialistas em fevereiro deste ano como uma operação política montada pelas potências imperialistas em nome da “defesa da democracia”, farsa posteriormente apoiada pelos bombardeios genocidas da OTAN. Denunciamos vigorosamente mais esse crime cometido pelos abutres capitalistas e nos mantemos, apesar da morte de Kadaffi, ao lado da resistência das massas líbias contra os agressores imperialistas! É neste contexto que se trava a atual guerra na Líbia, onde os marxistas revolucionários não hesitam um único momento sequer em assumir o campo correto e justo nesta luta, sem abrir mão de nossa tarefa estratégica, ou seja, a revolução socialista.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Brasil, África do Sul e Índia, um novo “BRIC” dos pequenos emergentes com legiões de miseráveis atrás

A presidente Dilma Rousseff chegou a Pretória, para uma reunião com o presidente sul-africano, Jacob Zuma e o Primeiro Ministro da Índia, Manmohan Singh. A cúpula dos países, chamada de IBSA, foi criada há oito anos, mas estava desativada em função da prioridade dada pelo Brasil e Índia aos encontros do BRIC, onde a África do Sul não tem assento. A identidade social dos países que integram o IBSA é sem duvida alguma muito maior do que no BRIC, que conta com duas potências mundiais, Rússia e China, poderosas economias convertidas a restauração capitalista há cerca de menos de uma década. Ao contrário, o IBSA é uma articulação dos países chamados “emergentes”, na verdade semicolônias com grandes investimentos capitalistas, que as tornaram importantes mercados globais.

A condição de “emergentes” do IBSA não retirou destes países o caráter atrasado e agromineral exportador de suas economias, beneficiadas circunstancialmente com a crise financeira que assola os países imperialistas. Outra simetria no IBSA é política, trata-se da gestão estatal de partidos da centro-esquerda burguesa, que com grande apoio no movimento de massas vem desenvolvendo uma plataforma de pacto social e colaboração de classes. Neste cenário de estabilidade social e política conseguem atrair um enorme fluxo de capital internacional em forma de bolha de crédito, amortecendo a ação direta da classe operária e rebaixando suas reivindicações imediatas. Como estes países não alteraram sua estrutura de dependência dos centros imperialistas, continuam a apresentar altos índices de miséria e pobreza em suas populações, anestesiadas com políticas públicas compensatórias como o “Fome Zero” no Brasil. A África do Sul é um exemplo de cooptação de boa parte de sua população negra e oprimida, por um regime da democracia dos ricos e brancos, instaurada pelos capatazes do CNA.

A presença de Dilma, pisando pela primeira vez na África, um pouco ofuscada agora pelo escândalo no Ministério dos Esportes, foi muito bem planejada pela pasta das Relações Exteriores como a abertura de um novo “front” de negócios e liderança política de um novo bloco de países, já que no BRIC o Brasil é totalmente ofuscado pela China e Rússia. A iminência da crise capitalista mundial afetar o crescimento da economia chinesa, grande importadora de nossas commodities, impõe a necessidade do governo da frente popular buscar novos mercados, unindo sua identidade com gestões estatais do mesmo calibre. África e Índia são sem dúvida as novas “fronteiras” econômicas a serem “desbravadas” para que o Brasil tente sair mais ou menos ileso da retração global que se delineia no horizonte próximo.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Libertação de palestinos prisioneiros de guerra, uma vitória parcial da Intifada contra o enclave sionista

A libertação de 477 militantes palestinos, a maioria condenados a morte ou prisão perpétua pelo gendarme terrorista de Israel, foi possível graças a captura há cinco anos de um soldado israelense, que estava “monitorando” um posto militar próximo a fronteira da faixa de Gaza. A operação de captura do militar Gilad Shalit foi dirigida por combatentes do Hamas com objetivo de conseguir a liberdade de presos políticos palestinos, encarcerados aos milhares nas masmorras sionistas e submetidos à tortura e condições inumanas de existência. Na época da captura de Shalit, a ação foi condenada como um “ato terrorista” do Hamas, por várias correntes da esquerda reformista mundial, incluindo aí a própria corrupta Autoridade Nacional Palestina. A princípio, o governo de Israel negou-se a estabelecer qualquer negociação com o Hamas visando a troca de prisioneiros, Shalit era apenas um jovem soldado raso e os sionistas não demonstraram muito interesse por sua vida.

Diante da recusa de seu próprio governo em negociar a libertação com o Hamas, a família de Shalit iniciou um processo de mobilização da opinião pública para pressionar o Kadima e depois o Likud, no sentido aceitar a proposta da troca de prisioneiros. Passados mais de cinco anos da captura de Shalit (25/06/2006), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu encontrou um momento propício para utilizar a libertação do soldado israelense como um trunfo em sua campanha eleitoral. O Likud vem sofrendo uma forte pressão do imperialismo norte-americano para ceder o governo ao Kadima, partido mais identificado politicamente com o atual período histórico da farsesca “revolução árabe”. Pelas circunstâncias colocadas, Netanyahu foi obrigado a ir muito além do que inicialmente pretendia, aceitando por em liberdade cerca de mil militantes palestinos em duas etapas, a primeira imediatamente após a entrega de Shalit e a segunda nos próximos dois meses.

É evidente que o Hamas, também sai reforçado com a troca dos prisioneiros, uma inequívoca vitória das ações militares da intifada contra o estado terrorista de Israel. Como marxistas leninistas consideramos legítimas as ações dos grupos fundamentalistas islâmicos contra alvos sionistas e imperialistas, embora com a devida crítica da ausência da estratégia da revolução socialista e do método da mobilização permanente das massas. O Hamas, uma organização teocrática nacionalista burguesa, agora poderá utilizar seu êxito político para também se integrar ao processo de “Acordo de Paz”, já iniciado pela OLP, como pretende Obama e a social democracia europeia. Não podemos depositar nenhuma confiança política nestas direções, mesmo que atuando na mesma trincheira de luta e em unidade de ação contra o imperialismo. Somente um programa revolucionário, empunhado pela classe operária árabe e hebréia, poderá lutar consequentemente pela consigna da destruição do enclave sionista e a construção de uma república soviética dos povos que habitam milenarmente toda a região do Oriente Médio.
Disputa feroz das oligarquias regionais pelos royalties do petróleo é um sintoma da desagregação latente do Estado burguês

O Congresso Nacional está às vésperas de votar um projeto de lei sobre a distribuição dos royalties do petróleo entre estados, municípios e a própria União. A questão do modelo institucional de exploração dos recursos minerais, como petróleo e gás natural, obteve um certo consenso no Parlamento exatamente porque preservou as linhas centrais da "privataria", celebrada na gestão tucana de FHC. Apesar da demagogia "nacionalista" o governo da frente popular impulsionou o modelo de prospecção do pré-sal, proposto pela ANP, garantindo a grandes grupos privados (como a OGX de Eike Batista) a "parceria" com a PETROBRAS em uma área estratégica para o país. Mas, agora quando se trata da discussão da parte que cabe ao estado nacional dos "dividendos" da exploração do petróleo, as oligarquias regionais dominantes se põem em pé de guerra, com ameaças ferozes umas contra as outras.

O relator do projeto de lei que tramita no congresso, senador Vital do Rego ( PMDB-PB), ainda tenta um difícil acordo para acomodar interesses de estados produtores e não-produtores de petróleo. O governador do Rio, Cabral "caveirão" e o atual senador por Minas, Aécio "mauricinho" Neves, são os principais protagonistas desta contenda interburguesa, que ameaça bater as portas do STF. Já a união aceitou reduzir cada vez mais sua participação nos royalties do petróleo, justamente para beneficiar as oligarquias estaduais corruptas, integrantes da base de apoio do governo da frente popular. Contando com o "ovo ainda no cú da galinha", a PETROBRAS tem plena noção que a falaciosa campanha publicitária do "el dorado" do pré-sal, não passa de uma jogada para valorizar as ações da empresa no mercado bursátil, capitalizando seus investidores internacionais. Por hora, continuam parados no "papel" os projetos de construção de novas refinarias, uma demonstração cabal da falta de veracidade das promessas do governo na potencialidade do pré-sal, isto em um país que não possui sequer uma dezena de refinarias modernas.

Em meio ao tiroteio dos bandos parlamentares regionais, "corre por fora" no Congresso uma emenda do ex-deputado Ibsen Pinheiro que propõe uma distribuição igualitária dos royalties entre todos estados e municípios, com base nos repasses do fundo de participação dos municípios (FPM). Esta proposta, caso seja aprovada, promete deflagrar uma verdadeira "guerra" tributária entre os estados federados, revelando o caráter embrionário das tendências à desagregação do Estado burguês, na medida do aprofundamento da crise estrutural do modo de produção capitalista.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 224, Primeira Quinzena de Outubro/2011



EDITORIAL
Dilma “endurece” com as greves ou são as direções sindicais que “amolecem” frente à cooptação do Estado burguês?


ESCÂNDALO DE CORRUPÇÃO NO MINISTÉRIO DOS ESPORTES
Parece que é o “fim de jogo” para Orlando Silva e o PCdoB


CRISE NA OPOSIÇÃO BURGUESA
Em tempo de escassez política “ninho” tucano se transforma em “rinha de gavião”


FIM DA GREVE NOS CORREIOS
Conlutas leva o seu “mensalinho” do governo Dilma e une-se aos traíras da CUT/CTB para fazer cumprir em assembleias fantasmas as ordens do TST determinando o fim da greve


GREVE DOS BANCÁRIOS
CONTRAF/CUT “chapa-branca” orienta o fim da greve em troca de migalhas


SABOTAGEM A LUTA DOS PROFESSORES - CEARÁ
Traição! PSTU na Líbia se une a OTAN e aqui se junta a Cid Gomes e aos pelegos da APEOC para acabar com a nossa greve!


DECRETAÇÃO DE ILEGALIDADE DAS GREVES PELOS TRIBUNAIS
Uma reacionária ofensiva do Estado burguês de repressão institucional contra as lutas dos trabalhadores


CRISE EUROPEIA
Espanha às vésperas do triunfo eleitoral da direita fascista do PP


A AGONIA DA V REPÚBLICA
PS francês escolhe um neoliberal para concorrer à presidência, enquanto o NPA segue apoiando a política imperialista de Sarkozy na Líbia


CORRIDA ELEITORAL PELA CASA BRANCA
Sarah Palin do Tea Party desiste da disputa à presidência, uma gentileza para o “neo”falcão Obama


MORREU STEVE JOBS
Ladrão que rouba ladrão e é roubado por outro... esta é a história do “empreendedorismo” ianque


INTERVENÇÃO REVOLUCIONÁRIA NO CICLO DE DEBATES “OUTUBRO VERMELHO”
LBI faz chamado a Stédile do MST para organizar um ato nacional em defesa da resistência líbia contra a OTAN


GUERRA IMPERIALISTA CONTRA A LÍBIA
Sirte resiste heroicamente a OTAN enquanto mídia “murdochiana” é obrigada a desmentir captura do filho de Kadaffi


OFENSIVA IANQUE CONTRA REGIME DOS AIATOLÁS
Provocação de Washington contra o Irã é o prenúncio de uma nova ação da OTAN


GENERAIS PRÓ-IMPERIALISTAS MASSACRAM POPULAÇÃO
Regime militar egípcio reprime violentamente minoria cristã copta, são os ventos da “revolução” made in USA


CERCO A SÍRIA
Ofensiva imperialista no Oriente exige fim do regime da oligarquia Assad, enquanto mercenários made in CIA formam seu “Conselho Nacional Sírio”


MOVIMENTO “OCUPAR WALL STREET”
“Indignados” são duramente reprimidos nos EUA quando marchavam por regular Wall Street contra a “avareza dos mais ricos”

LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA

http://www.lbiqi.org/

sábado, 15 de outubro de 2011

Escândalo de corrupção no Ministério dos Esportes: parece que é o “fim de jogo” para Orlando Silva e o PCdoB

Já é consecutivamente o quinto ministro do governo Dilma, em menos de um ano de gestão estatal, a se ver envolvido em pesadas denúncias de corrupção. A “bola da vez” agora é o ministro Orlando Silva, da pasta dos esportes, indicado pelo PCdoB para substituir Agnelo Queiroz que trocou de partido e se elegeu governador do DF pela legenda do PT. A reacionária revista “Veja”, uma espécie de “caça corruptos” do governo da frente popular e fã de “carteirinha” dos bandidos demo-tucanos, revelou em sua última edição um esquema de desvio de recursos do Ministério dos Esportes pela via do programa “segundo tempo”. A denúncia foi feita por um policial militar e ex-militante do PCdoB, João Dias, que acusou o partido de intermediar a contratação de ONGs para o “segundo tempo” em troca de uma comissão de 20% do valor pago pelo Ministério dos Esportes. O esquema montado pelo PCdoB teria desviado nos últimos oito anos do governo petista um valor de mais de 40 milhões de reais, permeando as gestões de Agnelo e Orlando.

Em que pese as denúncias terem partido da “Veja”, fica absolutamente claro que a contratação de ONGs para a prestação de serviços que deveriam ser operados por agentes públicos é uma fonte induzida de corrupção e desvio de verbas estatais. Também não se trata de um simples caso de corrupção pessoal de mais um ministro do governo Dilma, já que todos os ministros “jogam neste mesmo time”. Este episódio que envolve Orlando, ex-presidente da UNE, é parte integrante do processo de corrupção ideológica do PCdoB ao regime democrático burguês, fazendo com que os ex-Stalinistas abandonassem completamente a estratégia da revolução socialista e da ditadura do proletariado. O “new” PCdoB, convertido às alianças políticas com as piores oligarquias desde os tempos da “Nova República”, adaptou-se ao projeto de colaboração de classes da frente popular, cumprido a função auxiliar de sabotar a ação direta da classe operária. Figuras comprometidas com os grandes grupos capitalistas, como Aldo Rabelo e Haroldo Lima, continuam a ocupar postos de direção no PCdoB, sem o menor constrangimento, revelando o atual caráter programático “nacional-desenvolvimentista” do partido, em completa contradição com seu passado Stalinista de “esquerda”, quando protagonizou a guerrilha do Araguaia.

Desgraçadamente, o PCdoB não está sozinho no processo de integração ao regime da democracia dos ricos, outros agrupamentos stalinistas como o MR8 e também pseudo “trotsquistas” como o PSTU, seguiram o curso da cooptação material do Estado burguês. Nestes exemplos onde a origem da degeneração sempre começa com a “revisão” programática do Leninismo e termina miseravelmente com o suborno de seus dirigentes pelo capital em troca de “favores” na luta de classes, não se trata de uma “questão ética” e sim ideológica. Sabemos muito bem que na atual etapa de franco retrocesso na consciência do proletariado mundial, após a derrubada contrarrevolucionária da URSS, manter firmes e intransigentes os princípios comunistas não é uma tarefa “singela”. Não é nenhum segredo que os movimentos sociais deste período histórico, como por exemplo, os “indignados” tenham como eixo central a rejeição política ao marxismo-leninismo e a repulsa programática a ditadura do proletariado. Trata-se de uma enorme fissura entre a ação e a consciência das massas, por onde germina o “vírus” da corrupção e cooptação da esquerda reformista, do qual o PCdoB é mais um trágico elemento.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Espanha às vésperas do triunfo eleitoral da direita fascista do PP

O estado Espanhol tem frequentado as manchetes da mídia global em função da grave recessão econômica por que atravessa. Nesta semana as raposas das “agências de riscos” norte-americanas rebaixaram as notas dos títulos financeiros e bancos espanhóis com o objetivo de criar pânico no mercado bursátil e, com isso, favorecer a capitalização “fácil” dos Soros e Buffets da vida... O ataque às condições de vida da população trabalhadora, com destaque aos índices extremados de desemprego, tem causado a reação dos chamados “indignados”, um setor fundamentalmente da juventude que não consegue adentrar no mercado de trabalho. O 15-M, como ficou conhecido mundialmente este movimento, ganhou dimensão internacional por sua “peculiaridade” antipartidária e pela rejeição veemente ao socialismo revolucionário, considerado como uma forma “autoritária” de regime social.

Mas o que é realmente pouco debatido na esquerda mundial sobre a Espanha é o fato de o país estar à beira de uma “catástrofe” política, com o iminente triunfo eleitoral da direita fascista do PP nas próximas eleições gerais marcadas para 20 de novembro. O atual governo do PSOE, que tem na figura de José Luis Zapatero sua principal expressão de massas, no “poder” desde 2004, “lavou as mãos” preparando o retorno exitoso da direita franquista. As pesquisas apontam uma vitória aplastante do candidato à presidência do governo espanhol pelo PP, Mariano Rajoy, com cerca de 60% dos votos, contra apenas 30% do candidato social-democrata, o ex-ministro do interior Alfredo Rubalcada. Outros 10% do eleitorado se dividiriam entre partidos e coalizões menores como “Esquerda Unida”, Bascos e os Ecologistas.

Como já tínhamos apontado anteriormente, a antecipação das eleições parlamentares por parte de Zapatero significou uma verdadeira declaração de renúncia. Desta forma Zapatero pavimentou, com a adoção de uma série de medidas antioperárias, a vitória do PP, que irá terminar o trabalho “sujo” deixado pelo PSOE. O retorno do Franquismo à chefia do governo espanhol não é uma simples questão do jogo “do perde ganha eleitoral” da “democracia” parlamentar, como poderia ser interpretado com a ascensão do PS na França e a provável derrota do direitista Sarkozy. É emblemático para a classe operária europeia, e também mundial, o significado do triunfo da direita fascista no país da derrota da guerra civil, justamente em um período de profunda crise capitalista como a que atravessamos neste momento histórico de brutal ofensiva imperialista. Começam a soprar os ventos da reação, sobre o proletariado espanhol carente de uma perspectiva revolucionária e refém de alternativas pequeno-burguesas, como o 15-M.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Sirte resiste heroicamente a OTAN enquanto mídia “murdochiana” é obrigada a desmentir captura do filho de Kadafi

As hienas da mídia “murdochiana” não paravam de exalar seu sinistro regozijo com a notícia da captura do filho de Kadafi, o comandante Mutassim, um dos responsáveis da resistência militar a ocupação da Líbia pelas forças da OTAN. O falso anúncio da prisão de Mutassim, feito no último dia 12/10, estava associado à suposta tomada final da cidade de Sirte, pelas tropas do CNT apoiadas pelos incessantes bombardeios da coalizão imperialista. Mas a realidade obrigou, em menos de 24 horas, que um dos chefes militares do CNT, Wissam Bem Ahmed, desmentisse a notícia da captura de Mutassim, assim como admitir que os combates pelo controle de Sirte devem “durar pelo menos uma semanaa mais”. O cerco militar ao bastião da resistência em Sirte, já está sendo considerado como uma das batalhas mais encarniçadas, após o término da segunda guerra mundial. Em uma desproporção descomunal de forças entre a sofisticada frota aérea da OTAN e as brigadas de defesa nacional, comandadas pelo coronel Kadafi com as armas convencionais, a dificuldade das tropas “rebeldes” em dominar Sirte só pode ser explicado pelo heroísmo de sua população, que prefere até a morte a entregar seu país aos bandidos saqueadores imperialistas.

Para os canalhas da LIT que insistem em afirmar que a "queda" do regime nacionalista burguês líbio foi produto de uma  "revolução popular", protagonizada pelos "rebeldes" que utilizam uma bandeira monarquista, nada melhor do que a palavra do general ianque Carter Ham, responsável pelo comando militar dos EUA no norte da África: "Sem a OTAN, Kadafi  recuperaria o controle do país em uma noite" e ainda complementou para defender a continuidade dos covardes bombardeios : "não queremos perder tudo o que conseguimos em uma noite". Agora diante da corajosa resistência do povo líbio a agressão imperialista, que arrasta os combates aos subúrbios de Trípoli e as cidades de Bani Wali e Sirte, a sordidez da mídia global insiste em fabricar "factóides" como o suposto paradeiro de Kadafi, como se não soubessem que o coronel dirige pessoalmente a resistência  nas ruas e bairros de  Sirte!

O velho nacionalismo burguês pan arabista (fundado pelo egípcio Nasser nos anos 60) que tem na figura Kadafi um dos seus últimos representantes políticos, estava em franca decomposição histórica. A aproximação do regime líbio, operada a partir dos anos 90, com o imperialismo europeu o debilitou enormemente frente as massas e a própria classe operaria. Mas a inflexão de Kadafi rumo ao "ocidente" não foi suficiente para reverter completamente as conquistas sociais da revolução democrática que derrubou uma monarquia corrupta e pró imperialista. É neste contexto que se trava a atual guerra na Líbia, onde os marxistas revolucionários não hesitam um único momento sequer em assumir o campo correto e justo nesta luta, sem abrir mão de nossa tarefa estratégica, ou seja, a revolução socialista.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Provocação de Washington contra o Irã é o prenúncio de uma nova ação da OTAN

Nem mesmo conseguiram “dobrar” o adversário na Líbia, que resiste heroicamente à superioridade bélica da OTAN, o imperialismo ianque já saliva o próximo alvo de ataque no mundo árabe, a “bola da vez” agora é o odiado Irã. Uma provocação fajuta que deixa para trás até mesmo o mais ordinário roteiro de um filme trash fabricado em Hollywood, acusa o governo iraniano de patrocinar um atentado “terrorista” contra o embaixador da Arábia Saudita em Washington. O “plano” consistiria na contratação de um cartel do narcotráfico mexicano para assassinar o embaixador saudita, por um iraniano residente nos EUA. O presidente Obama avalizou a grotesca armação e já anunciou que convocará a ONU para impor retaliações ao país persa.

A sórdida campanha ianque contra o Irã ganhou imediatamente a adesão da própria aristocracia saudita e dos “amigos” Cameron e Sarkozy, parceiros de Obama na pilhagem a Líbia. De nada adiantaram as enfáticas negativas do presidente Ahmadinejad, afirmando que não são estúpidos a este ponto de “chutar cachorro morto”, como quer fazer crer a mídia murdochiana. O objetivo central do imperialismo neste momento é minar a aliança político-militar entre Teerã e Damasco, facilitando uma possível ação militar de Israel contra os vizinhos “terroristas”. O governo Assad na Síria encontra-se nas “cordas” sob a pressão de uma oposição “made in CIA”, seria o momento ideal para o Pentágono também colocar na defensiva o regime dos aiatolás.

Como marxistas revolucionários não dissimulamos em um só momento o caráter burguês e obscurantista dos regimes nacionalistas do Irã e da Síria ou do próprio Hezbollah, braço armado do islamismo mais “radical”. Também não podemos ocultar as diversas colaborações contrarrevolucionárias que estes regimes já estabeleceram no passado com Washington, como a repressão às massas palestinas quando lutavam contra as burguesias árabes. Mas estes fatos em nada mudam a posição comunista diante de uma agressão imperialista contra uma nação, seja quem for seu caudilho. Por acaso o regime de Hugo Chávez não vem entregando combatentes anti-imperialistas para os cárceres do império, e qual deveria ser a postura da esquerda diante de um ataque dos EUA a Venezuela?

Não nos omitiremos de estabelecer uma unidade de ação com regime dos aiatolás, diante de uma agressão imperialista, utilizando a lógica canalha de que se trata um estado “fundamentalista”, como fazem os bastardos da LIT. É bom lembrar que os marxistas já estabeleceram uma frente única com os aiatolás na derrubada do Xá Reza Pahlevi e seu regime pró-imperialista, apesar de conhecermos o caráter de classe da direção religiosa muçulmana. Alentado pelo suposto “êxito” das operações político-militares na Líbia, Obama agora tenta uma vingança contra a humilhação sofrida pelos EUA na desastrosa tentativa de intervenção militar no Irã, ainda sob o governo democrata de Jimmy Carter. Pretende o império em severa crise econômica, somar para suas empresas as reservas de petróleo do Iraque, Líbia e Irã e assim deter a hegemonia absoluta do controle energético do planeta. Somente idiotas úteis a Casa Branca podem ignorar estes fatos e declarar “solidariedade” às ações militares da OTAN contra os “bárbaros ditadores” que se recusam a aceitar a “democracia made in USA”.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Regime militar egípcio reprime violentamente minoria cristã copta, são os ventos da “revolução” made in USA

A saída forçada do corrupto Mubarak no Egito no início deste ano suscitou um importante debate no interior da esquerda marxista, afinal o que teria acontecido no antigo país dos faraós, uma "revolução democrática" como sustenta a Casa Branca e o conjunto da esquerda revisionista ou uma transição ordenada “por cima” do regime político, como afirmam os trotsquistas da LBI? Os violentos acontecimentos posteriores vão demonstrar cabalmente que a junta militar que assumiu o governo após a queda de Mubarak está muito distante de representar uma “revolução” seja democrática ou o que diabo for!
Os generais que controlam o Egito, todos pertencentes ao antigo staff de Mubarak, vem desencadeando ações de brutal violência contra as massas e minorias opositoras, como o verdadeiro genocídio perpetrado pelos militares contra os cristãos coptas no último domingo e segunda-feira (10/10), deixando um sinistro saldo de vinte e cinco mortos e mais de trezentos feridos. Os cristãos coptas (a palavra significa egípcio) que representam cerca de 10% da população, convivem harmonicamente por mais de treze séculos com os muçulmanos, maioria religiosa nacional, vem sendo alvo de ataques de grupos armados sunitas, organizados pelo governo militar com o objetivo de se mostrar “fiel” ao Islã. Em um massivo protesto, que contou inclusive com o apoio de lideranças muçulmanas, os coptas foram barbaramente reprimidos por batalhões especiais do exército, os mesmos que atuaram na desocupação da embaixada de Israel no Cairo. A ação assassina do governo provocou a renúncia do vice primeiro ministro, Hazem Beblaui, que qualificou como “desastrosa” a repressão do exército contra a minoria cristã.
A monstruosa chacina organizada contra os coptas ocorre às vésperas das eleições parlamentares, que ocorrerão para a elaboração de uma nova constituição no país. A junta militar busca uma aproximação com a organização “irmandade muçulmana” no sentido de emplacar a candidatura a presidência da república do representante da ONU, El Baradei, ungida desde Washington por Obama. O ataque a uma minoria considerada “ocidental" como os coptas, representa uma cortina de fumaça na política pró-imperialista dos generais, tão corruptos e entreguistas quanto Mubarak, mas apresentados pela esquerda revisionista como “paladinos da liberdade”. O proletariado egípcio precisa construir suas próprias ferramentas políticas, para realmente protagonizar uma genuína revolução socialista, que se estenda para todo o Oriente árabe. No momento as manobras da burguesia para conter o ascenso de massas, como a constituinte e as próprias eleições presidenciais, não passam de mais um capítulo da transição institucional “por cima” avalizada pelo imperialismo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PS francês escolhe um neoliberal para concorrer à presidência, enquanto o NPA segue apoiando a política imperialista de Sarkozy na Líbia

Cerca de dois milhões de franceses pagaram um euro para participar das eleições primárias do Partido Socialista que elegeu o neoliberal François Hollande para disputar pelo partido as próximas eleições presidenciais. Hollande um “socialista” moderado, pela ótica da burguesia francesa, derrotou esmagadoramente nas prévias a ex-candidata presidencial do PS, Ségolène Royal, em uma demonstração de que o imperialismo francês em plena crise econômica não admitirá nenhuma demagogia de “esquerda” nas próximas eleições, onde a derrota de Sarkozy é praticamente certa. O ex-diretor do FMI, Strauss Kahn, abatido em pleno vôo pelo “colega” Obama, participou das internas “socialistas” apoiando o nome derrotado de Martine Aubry, que tinha lhe prestado solidariedade no período de sua prisão em Nova York.

A França tem atravessado a atual crise financeira da Europa com relativa estabilidade social, ao contrário de seus vizinhos imperialistas Itália e Inglaterra. A derrota da prolongada greve geral francesa no ano passado deixou raízes políticas profundas na consciência do proletariado, levando a uma certa letargia em sua ação na atual conjuntura. Em 2010 na época da greve geral contra a reforma da previdência, alguns estúpidos revisionistas chegaram a afirmar delirantemente que Sarkozy não governava mais, enquanto as centrais sindicais como a CGT e FO praticavam o mais puro economicismo, muito distante de qualquer horizonte de poder para a classe operária. Agora as expectativas de ação direta do proletariado se transferiram paras as próximas eleições presidenciais, onde equivocadamente apostam no “castigo” ao governo Sarkozy.

No campo da esquerda revisionista, que foi cúmplice do sindicalismo corporativista na greve geral passada, as chances de colherem um bom resultado eleitoral é quase nula. O NPA, ex-LCR seção do SU, passou todo o último semestre a felicitar a política imperialista de Sarkozy na Líbia, apoiando o fornecimento de armas aos “rebeldes” made in OTAN. A cada bombardeio das forças imperialistas contra uma nação semicolonial, os calhordas do NPA festejavam como a “conquista da liberdade” para o povo líbio. Olivier Besancenot, ex-candidato à presidência pelo NPA, chegou a reivindicar as ações da OTAN como necessárias contra o que qualificou de uma “ditadura sangrenta”. Desgraçadamente, todo o Trotskysmo revisionista francês se perfilará na sombra do NPA, uma verdadeira ala de “esquerda” do seu próprio imperialismo doméstico. A exceção deverá ficar por conta mesmo do Lambertismo, hoje nem mesmo uma parca sombra do que já foram no passado recente, uma legenda oca alugada a parlamentares “socialistas” dissidentes. Sem uma opção classista e anti-imperialista, a vanguarda mais consciente do proletariado deverá convocar o boicote ativo à farsa das eleições presidenciais, que ganhe quem ganhar em nada mudarão o cenário de ataque às conquistas históricas da poderosa classe operária francesa.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sarah Palin do Tea Party desiste da disputa à presidência, uma gentileza para o “neo”falcão Obama

A corrida eleitoral pela Casa Branca parece estar se afunilando mesmo antes das prévias partidárias que começarão ano que vem. O fato novo foi a decisão do Tea Party em abrir mão da disputa à presidência dos EUA, anunciando prematuramente a desistência da “badalada” Sarah Palin. O anúncio do TP corresponde na verdade ao fortalecimento do presidente Obama que mesmo desgastado com a crise econômica que castiga o país teve o seu “reconhecimento” no plano internacional com o “sucesso” da intervenção militar ianque na Líbia. A chamada “revolução árabe”, uma operação política engendrada no Pentágono conseguiu galvanizar a esquerda reformista no apoio à ocupação da OTAN, a um país oprimido semicolonial, com a fachada de “ajuda humanitária”.

Com este trunfo na “manga” Obama, antes considerado um “banana” pela extrema-direita republicana, passa a ser tratado como opção preferencial do imperialismo para enfrentar os próximos “desafios” dos EUA. As intervenções imperiais na Síria, Irã e Cuba deverão seguir o mesmo roteiro “democrático” do que ocorreu na Líbia. Neste sentido, as candidaturas republicanas que restaram, a do governador do Texas Rick Perry e do ex-governador de Massachussetts Mitt Rommey, não devem estabelecer uma grande ameaça à “estratégia” Obamista considerada mais adequada em tempos de profunda crise capitalista. No plano interno do próprio partido Democrata, a oligarquia Clinton também já se deu por convencida a “engolir” o “ banana” em troca da manutenção do controle do Departamento de Estado por mais uma gestão.

O surgimento de uma oposição pequeno-burguesa, com características “antineoliberal”, não deverá tirar o sono de Obama. Fenômenos sociais como este da “ocupação de Wall Street” são incapazes de estabelecer um vínculo mais orgânico com a poderosa classe operária norte-americana, pela absoluta ausência de uma perspectiva revolucionária. O recente exemplo da dinâmica política dos “indignados” espanhóis já demonstrou as profundas limitações de movimentos desta espécie. A tentativa de buscar a substituição do proletariado por novas “vanguardas”, feita pela esquerda revisionista no passado recente, já se mostrou completamente falida. Somente a construção de um verdadeiro partido operário com influência de massas poderá representar uma real alternativa ao embuste que significou a eleição do “negro” Obama e que agora ameaça se repetir sob a forma de desastre.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Morreu Steve Jobs: Ladrão que rouba ladrão e é roubado por outro... esta é a história do “empreendedorismo” yanki

A morte do “CEO” da Apple, para usar um termo “modernoso” que identifica agora o chefão de uma grande corporação, Steve Jobs, centralizou a atenção da mídia mundial nesta última quinta-feira (06/10). Sítios de poderosas transnacionais se desmanchavam em lágrimas para lamentar a perda do “deus” da criatividade siliciana, ressaltando o velho jargão de sua “história pessoal de superação”, hoje uma verdadeira febre do “marketing” da crise capitalista. Mas também alguns bucéfalos da esquerda revisionista não perderam muito tempo e logo saíram para reverenciar o legado de Jobs, glamorizando-o em oposição ao “ladrão” e “cinzento” Bill Gates da Microsoft. Mas a história de uma mega empresa imperialista, como a Apple e seu “capo” Jobs, está muito distante de ser um romance protagonizado por “mocinhos e bandidos”, assemelhasse mais a uma operação real de pirataria moderna onde a única “ética” possível é a da maximização do lucro e o acúmulo de capital, afinal não foi por “criatividade” que Jobs morreu deixando um patrimônio pessoal declarado de mais de dez bilhões de dólares.

A verdadeira história da Apple, quando os jovens Steve e Wozniak resolveram formar a empresa em 1976, já começa com o roubo do logo e da marca “Apple”, empresa fundada pelos Beatles em 1968. Wozniak aportou os recursos para a produção da primeira “engenhoca” artesanal da Apple e Jobs tratou de buscar seu “aprimoramento” tecnológico, logo na direção de “copiar” um protótipo do PC que a Xerox pretendia desenvolver. Realizado com êxito o segundo roubo, a Apple deslancha no embrionário mundo da informática, capitalizando-se no mercado de grandes investidores acionários tornando-se assim também uma corporação capitalista sem fronteiras. O “poderoso” Jobs tenta assumir traços da personalidade de Lenon (o uso dos óculos e outros “trejeitos”) de quem no passado fora fã e ladrão e relaxa no comando da Apple até ser roubado pela IBM e Gates. A Apple amarga dias difíceis com a perda da hegemonia do mercado de PC's e Jobs é obrigado a sair do controle da empresa. Passado mais de uma década fora da Apple, onde cria as empresas Pixar e Next, Jobs é procurado por dois jovens cientistas japoneses da Sony que lhe apresentaram a idéia do iPod, Jobs pediu um tempo para analisar o projeto dos ingênuos nipônicos e logo o apresentou a própria Apple como trunfo de barganha de seu retorno a presidência da empresa. De volta a sua transnacional e com o sucesso de vendas do iPod, Jobs agora é entronado como o rei da inventividade moderna, deixando no ostracismo seu desafeto Bill Gates e seu “superado” Windows.

Mas a consagração “eterna” viria mesmo com o lançamento do iPhone, a “revolução da revolução", só para não perder o costume também roubado de uma grande empresa sueca. Dai foi só aumentar o tamanho do iPhone e lançar o atual tablet da Apple, que voltou a hegemonizar o mercado da informática mundial até ser roubada por outro “criador genial”. Como marxistas leninistas não reivindicamos a “obra” pessoal de Steve Jobs e tampouco de sua transnacional capitalista como referência progressista para a classe operária. Pelo contrário suas “descobertas” tecnológicas (se é que realmente existiram) estiveram voltadas para a lógica da circulação do capital e nunca a serviço da libertação humana deste regime da propriedade privada, que ameaça nossa existência. Por isso contra a “consternação dos idiotas” afirmamos em alto e bom som: Jobs não é um dos nossos mortos!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Em tempo de escassez política "ninho" tucano se transforma em "rinha de gavião"

Os capítulos da profunda crise política em que está submersa a oposição burguesa e pequeno-burguesa seguem em ritmo acelerado. Diante da consolidação da hegemonia do "projeto de poder" da frente popular no Brasil, principal partido deste "campo", o PSDB vem se desfazendo nacionalmente. No estado do Ceará foram literalmente engolidos pela oligarquia dos Ferreira Gomes (três deputados estaduais tucanos sobreviveram de uma bancada de cerca de quarenta parlamentares na legislatura anterior), cujo "patriarca" Ciro Gomes, hoje travestido de socialista, até bem pouco tempo atrás não passava de um filhote "lambe botas" do ex-poderoso coronel da industria,Tasso Jereissati, que sequer conseguiu sua reeleição ao Senado da república. Mas o caso emblemático mesmo ocorre no estado "ninho" dos tucanos, onde o governador Alckmin resolveu liquidar de uma vez por todas a "fatura" de seu concorrente interno, José Serra.

O governador paulista mandou retirar da propaganda eleitoral do PSDB simplesmente os nomes do senador Aluisio Nunes e do próprio Serra. Mas Alckmin não ficou só por aí, também fechou as portas do partido para possíveis candidaturas serristas à prefeitura, lançando os nomes dos seus secretários Bruno Covas e José Aníbal para a pré-disputa tucana. Indagado se não tratava-se de uma vingança pessoal contra Serra, Alckmin sugeriu ao seu desafeto procurar legenda no PSD do "pupilo" Kassab. Acontece que o "prefeitinho" criou vida própria e seu partido pensado originalmente por Serra como um "plano B" do naufrágio tucano, transformou-se rapidamente em "partido sim Dilma", abrigando-se na frondosa árvore da frente popular. Assim como Tasso, Serra viu sua criatura escorregar entre os dedos e parar nas mãos do "sapo barbudo", como "carinhosamente" Lula era tratado pelo caudilho Brizola que ainda em vida já perdera a conta da longa lista dos "traíras" que tinham passado pelo PDT, em sua trajetória política.

O esfacelamento das "oposições" deve prosseguir por um longo e tenebroso inverno, até que sob ameaça de extinção completa jogue a toalha e implore pela aplicação da cláusula da "renovação democrática", afinal nem mesmo os vorazes e gananciosos dirigentes do PT pretendem transformar o país em uma Venezuela do "ditador" Chávez, seguindo é claro as orientações da família Marinho. Mas ceder mesmo a gerência do estado burguês só pra depois das olimpíadas no Rio, quando a "burra" já estiver tão cheia que a prudência os aconselhar a ceder a vez! Enquanto isso, o povo trabalhador e oprimido, a vítima efetiva deste regime da democracia dos ricos, assistirá o circo eleitoral em novas temporadas, com novos palhaços e atrações "espetaculares"..., até o momento da construção de uma alternativa realmente revolucionária para acabar com a "grande festa" dos capitalistas decadentes em toda a linha da potencialidade que a humanidade ainda pode realizar.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ofensiva imperialista no Oriente exige fim do regime da oligarquia Assad, enquanto mercenários made in CIA formam seu “Conselho Nacional Sírio”

“A queda do regime sírio do presidente Bashar al-Assad, que reprime há meses uma mobilização opositora, é questão de tempo”, afirmou nesta segunda-feira, 03/10, em Tel Aviv, o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, também anunciando novas sanções comerciais ao país, impedindo que empresas norte-americanas vendam equipamentos de telecomunicações para a Síria. Não por acaso, no mesmo dia, grupos de oposição de direita agrupados no “Revolução Síria 2011” se reuniram em Istambul, na Turquia, e anunciaram a criação do Conselho Nacional Sírio (CNS) nos mesmos moldes do CNT formado pelos mercenários “rebeldes” líbios. Seus membros, exilados na Europa, exigiram uma intervenção “humanitária” internacional: “O Conselho demanda que governos e organizações internacionais assumam as suas responsabilidades no apoio à população síria, que a protejam e interrompam os crimes e as violações de direitos humanos cometidos pelo regime atual ilegítimo”, diz o comunicado (G1, 03/10). Usando mais uma vez cinicamente seu discurso humanitário, o representante do imperialismo ianque respondeu aos seus parceiros da oposição afirmando que “Está claro que é questão de tempo. Quando se mata seu próprio povo de um modo tão indiscriminado como tem sido feito nos últimos meses, fica bem claro que o governo perde toda sua legitimidade" (Idem), declarou Panetta em coletiva conjunta com o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak. No mesmo tom, a ONU informou que a suposta repressão do regime Assad já havia provocado a morte mais de 2.700 pessoas desde que teve início dos conflitos em março passado.

Neste contexto, soa como patético a esquerda revisionista apresentar as ações das arquirreacionárias tribos sírias da oposição de direita como mobilizações espontâneas por “democracia”. O Mossad e a Arábia Saudita têm apoiado grupos islâmicos Salafi, os quais se tornaram ativos no Sul da Síria no início do movimento de protesto em Daraa em meados de março. Já o governo turco do primeiro-ministro Recep Tayyib está apoiando grupos de oposição sírios no exílio e ao mesmo tempo também “rebeldes” armados da Fraternidade Muçulmana no Norte da Síria. A Fraternidade Muçulmana síria, cuja liderança encontra-se exilada no Reino Unido está por trás dos protestos, tendo apoio do M16 britânico. Todos esses grupos integram o chamando Conselho Nacional Sírio (CNS) anunciado não por acaso em Istambul, Turquia!

Dominar o Oriente Médio, debilitar ao máximo ou derrubar os regimes que tem fortes fricções com Washington e controlar os povos que lutam contra o imperialismo: esses são os verdadeiros objetivos da “revolução árabe” saudada por Obama e apoiada pelos revisionistas do trotskismo. A LIT mal consegue esconder seu verdadeiro desejo de ver o imperialismo agredir a Síria quando declara que “apesar de ameaçar com sanções, o imperialismo norte-americano não retira seu embaixador do país, nem pressiona para a uma ação internacional contra Assad, incluindo seu indiciamento pelo Tribunal Penal Internacional; ou ainda não busca convencer a Liga Árabe, que expulsou a Líbia a fazer o mesmo com a Síria” (sítio PSTU, 12/08). Além disso, apóia as forças burguesas arquirreacionárias vendendo-as como "revolucionárias", declarando que “Saudamos as organizações populares que, com coragem e desapego as suas próprias vidas, enfrentam ao ditador Assad. Entre elas, destacamos o aparecimento e a atuação das Comissões de Coordenação Local da Síria, redes que coordenam os protestos e que surgiram ao calor da luta revolucionária, compostas basicamente de jovens e setores populares que jogam um papel independente.” (Declaração LIT, 25/08). A própria imprensa burguesa informa amplamente que “O Conselho Nacional Sírio (CNS) reúne todas as tendências políticas, em particular os Comitês Locais de Coordenação (LCC), que dirigem as manifestações no país, os liberais, a Irmandade Muçulmana, que está proibida há muito tempo na Síria, além de curdos e assírios. A organização conta com um secretariado geral de 29 pessoas, representantes de sete correntes da oposição: seis representantes dos LCC, cinco da Irmandade Muçulmana e das tribos, quatro pela Declaração de Damasco, quatro pela corrente liberal dirigida por Ghalioune, quatro curdos, um cristão e cinco independentes” (G1, 03/10). 

Está colocado frente a escalada política e militar do imperialismo em apoio aos "rebeldes" made in CIA na Síria e na Líbia combater para que a luta dos povos do Oriente Médio não sirva para o imperialismo debilitar os regimes que têm fricções com a Casa Branca (Irã e Síria), ou mesmo como cínico pretexto para justificar intervenções militares “humanitárias” como a que ocorre atualmente na Líbia. Cabe aos marxistas leninistas na trincheira da luta contra o imperialismo e pelas reivindicações imediatas e históricas das massas árabes postarem-se em frente única com os governos atacados pelas tropas da OTAN e combater os planos de agressão das potências capitalistas sobre as nações semicoloniais da região.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

“Indignados” são duramente reprimidos nos EUA quando marchavam por regular Wall Street contra a “avareza dos mais ricos”

A mídia burguesa tem dado grande destaque aos “indignados” norte-americanos agrupados no movimento “Ocupar Wall Street”. Neste sábado, 1º de Outubro, mais de 700 manifestantes foram presos durante um protesto que bloqueou a ponte do Brooklyn, em Nova York, enquanto centenas de ativistas mantém um acampamento no Zucotti Park, na Praça Liberdade, no centro de Manhattan. No domingo, 02/10, a maioria dos manifestantes detidos foi liberada, porém 20 ativistas permanecem encarcerados no quartel da polícia por “perturbação da ordem pública”. A mobilização critica principalmente o sistema financeiro, a chamada ganância corporativa, a ajuda do governo Obama aos bancos privados. Propõe a “taxação dos ricos”, uma “economia justa” e a “paz mundial”. O movimento é uma reedição, em forma ainda mais ordeira e pacífica, das manifestações que ocorreram em 1999 a partir da cidade de Seattle contra a globalização mundial e a OMC, que inspiraram a criação do Fórum Social Mundial, hoje completamente desmoralizado por sua completa inutilidade política. Protestando contra a “avareza dos mais ricos”, os manifestantes levam à frente o slogan “We the People” (Nós, o Povo), as primeiras palavras do preâmbulo da Constituição dos EUA, o que por si só aponta os limites do movimento. Tais reivindicações revelam o caráter pequeno-burguês desse movimento e a recusa em admitir o princípio científico marxista de que o Estado burguês é essencialmente uma máquina a serviço dos interesses dos capitalistas, um balcão de negócios comuns da burguesia e como tal não deve ser regenerado para dar continuidade à exploração capitalista, mas destruído pelo proletariado revolucionário através de uma revolução socialista. Como marxistas revolucionários nos colocamos contra a repressão estatal ianque ao movimento “Ocupar Wall Street”, mas não vemos nele nenhuma expressão revolucionária da luta direta da classe trabalhadora norte-americana contra os ataques as suas conquistas.

Toda a formulação do “Ocupar Wall Street” visa amenizar as mazelas capitalistas e não combater sua causa. É uma plataforma programática própria das ONGs financiadas por fundações privadas mantidas por conglomerados imperialistas através de fundos sociais. As ONGs, ao patrocinarem a assistência não-estatal e a regulação do mercado, criticando a “avareza dos ricos” e, obviamente, não defendendo a destruição do capitalismo, acabam minando a resistência das massas aos ataques oriundos da crise do capitalismo e de seus governos, contribuindo para a preservação do regime. Por isso, os “indignados”, sejam na Europa ou nos EUA para não falar dos arquirreacionários de Israel, rechaçam o comunismo como alternativa a barbárie capitalista, como explica um dos manifestantes, Robert Cammiso, para a BBC: “Não somos anarquistas. Não somos vândalos. Sou um homem de 48 anos de idade. Este não é um protesto contra a polícia de Nova York. É um protesto de 99% da população contra o poder desproporcional de 1% que controla 50% da riqueza do país”. Para o bom entendedor meia palavra basta...

O centro da proposta do movimento é a implantação de "taxas sobre os ricos", uma espécie de imposto sobre os fluxos financeiros especulativos para criar um fundo de desenvolvimento social nos EUA, ou seja, a migalha capitalista serviria para amenizar a condição de pobreza das massas norte-americanas, amortecendo as lutas sociais e a revolta dos explorados que poderiam jogar pelos ares a ordem burguesa no coração do monstro imperialista. Seguindo essa lógica, a tarefa dos “indignados” não seria derrotar pela via da ação direta os planos de ajuste do imperialismo e do FMI em nível mundial e organizar-se para derrubar os governos burgueses de plantão, sejam eles “socialistas” ou “conservadores”, através da luta revolucionária sob a direção de um partido comunista, abrindo desta forma o caminho para a construção de uma alternativa própria de poder do proletariado e do campesinato. A alternativa reside em simplesmente reafirmar alegoricamente que são homens e mulheres a favor de uma “cidadania planetária”, de “referendos vinculantes” e da “paz mundial”, o que significa ir a fundo na lógica do aperfeiçoamento do próprio regime democrático-burguês, substituindo o enfrentamento entre as classes sociais pela “pressão das praças sem sindicatos e partidos” para que os governos capitalistas sejam sucedidos por gestores supostamente éticos e não corrompidos “que cumpram o que prometeram”, como esperam até hoje de Obama e seu “Yes We Can”. Já a “paz” defendida pelos “indignados” resume-se a ocas palavras contra as “guerras”, enquanto se colocam de fato a favor dos “rebeldes” apoiados pela OTAN na Líbia, já que são entusiastas da fantasiosa “revolução árabe” que não passa de uma transição ordenada controlada pela Casa Branca. Também são ferozes inimigos dos atos de resistência militar dos povos árabes contra o império, os quais chamam de “terrorismo” e apóiam as “Damas de Branco” em Cuba que seriam porta-vozes da democracia contra a “ditadura comunista”.

Exigimos a imediata libertação dos ativistas presos, defendemos seu direito de expressão e manifestação impedido pela farsesca democracia ianque e nos colocamos pelo fim de todos os processos judiciais contra os participantes do movimento mesmo não considerando o “Ocupar Wall Street” uma expressão conseqüente da luta direta da classe trabalhadora norte-americana contra os ataques as suas conquistas. Como o próprio nome “indignados” expressa, para esse movimento inexiste trabalhadores com interesses de classe antagônicos aos da burguesia, mas sim cidadãos com interesses comuns básicos, como saúde, educação, habitação. Seria então necessário aplicar um programa de inclusão social, mantendo de fato o modo de produção capitalista intocável, recorrendo a políticas compensatórias e adotar uma forma com aparência democrática para gerir o Estado burguês para rumar na resolução de todos os problemas sociais da população do planeta. A partir desse programa, na prática, impõe-se aos explorados a lógica de aceitar o ônus da crise capitalista, amenizá-la a partir de ações assistencialistas e “humanitárias”, opondo-se assim a defender que a única estratégia capaz de gerar um mundo livre, sem explorados e exploradores, é a luta pela revolução proletária mundial e pela construção do socialismo em todo planeta a partir da luta insurrecional dos explorados da cidade e do campo.

domingo, 2 de outubro de 2011

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 223, Segunda Quinzena de Setembro/2011


EDITORIAL
Em meio à onda de greves economicistas, popularidade de Dilma aumenta


DISPUTA PELO BOTIM ESTATAL
“Neocomunista” Aldo Rebelo leva rasteira da oligarquia “socialista” dos Arraes e perde “boquinha” no TCU


FARSA DEMOCRÁTICA
Uma comissão de mentira montada pela ex-guerrilheira convertida a gerente do capital para encobrir crimes da ditadura militar


AGROEXPORTADORES E RENTISTAS SÃO ATENDIDOS
BC libera a disparada do Dólar e “ferra” trabalhadores


POLÊMICA – ELEIÇÕES 2012
PSTU implora por “frente classista” com PSOL, enquanto Marcelo Freixo se alia à “tropa de elite” da burguesia para concorrer à prefeitura do Rio de Janeiro


AUMENTO DO IPI PARA CARROS IMPORTADOS
CUT, CTB e CONLUTAS apóiam medida de Dilma para beneficiar o “bando das quatro” grandes montadoras transnacionais (WW, Ford, GM e Fiat)


PROFESSORES - CEARÁ
Oposição de Luta impulsionada pela LBI defende manutenção da greve até a vitória!


BANCÁRIOS EM LUTA
Derrotar os banqueiros, o governo e a burocracia vendida da Contraf/CUT!


GREVE NOS CORREIOS
Superar a política de traição da Fentect e enfrentar pela ação direta os ataques privatistas do governo Dilma


ENTREVISTA
“Fomos derrotados pela política de submissão ao governo Dilma imposta pela direção ‘chapa-branca’ da Fasubra”


HAITI OCUPADO
Lutemos pela derrota e expulsão das forças de ocupação da ONU comandadas pelo exército brasileiro, todo apoio as forças da insurgência haitiana! Lobby para governo Dilma "retirar as tropas" é política ditracionista e pró-imperialista!


A SERVIÇO DA CASA BRANCA
Após reconhecer o governo fantoche dos “rebeldes” pró-OTAN na Líbia, Dilma quer enviar tropas ao Líbano para impedir a chegada de armas ao Hezbollah


OBAMA EMITE O PRIMEIRO SINAL DE ATAQUE
“Ya ha llegado la hora de que suceda algo en Cuba”


O NOVO ALVO DA OFENSIVA IMPERIALISTA
Depois dos “rebeldes” na Líbia agora é a vez das “damas” da OTAN entrarem no cenário da agressão a Cuba


“SOCIALISMO DO SÉCULO XXI” A SERVIÇO DO CAPITAL
Governo Evo Morales, a serviço das transnacionais, reprime covardemente marcha indígena


MAIS UM CRIME NO CORAÇÃO DO IMPÉRIO
Execução de Troy Davis, uma expressão macabra e assassina do Estado racista norte-americano


TRAIÇÃO APRESENTADA COMO ATO DE SOBERANIA
Abbas pede que ONU reconheça “bantustões” cercados pelo enclave sionista como sendo o Estado palestino


AGRESSÃO IMPERIALISTA A LÍBIA
Bombardeio genocida da OTAN deseja fazer de Sirte uma nova Guernica!


DERROTA DA OCUPAÇÃO IMPERIALISTA EM SIRTE E BANI WALID
Sem a ajuda das bombas da OTAN a “revolução na Líbia” não avança um quilômetro sequer!


CARTA ABERTA ÀS ORGANIZAÇÕES DE ESQUERDA QUE NÃO APOIARAM NEM SILENCIARAM DIANTE DOS COVARDES BOMBARDEIOS DA OTAN A LÍBIA
Organizar um ato nacional em defesa da resistência líbia contra a ocupação imperialista!


LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA
http://www.lbiqi.org

sábado, 1 de outubro de 2011

A tragédia grega abre caminho para o fortalecimento da direita frente à ausência de uma genuína alternativa comunista

Nos últimos meses tem sido comum ler em várias publicações de “esquerda” que a crise econômica grega se arrasta a um nível tão profundo que estaríamos à beira de uma explosão capaz de colocar abaixo, por si só, a própria ordem capitalista no país, afetando o conjunto da União Europeia. Em meio a esses delírios catastrofistas ocorreu neste mês de setembro em Atenas, na Grécia, um seminário internacional promovido pelo Partido Comunista da Grécia (KKE) em que participaram várias correntes que se reivindicam comunistas em nível mundial, inclusive o PCB. O que chama atenção é que essa articulação política apresenta a luta do povo grego como o principal exemplo de resistência à ofensiva imperialista, mas encobre o papel nefasto que a direção do próprio KKE teve neste processo. O KKE levou durante os últimos combates uma política sindicalista e ultrarrebaixada, tanto que em nenhum momento teve como eixo político a derrubada do governo Papandreu, limitando-se à pressão sobre o parlamento burguês. O resultado desta orientação foram às seguidas derrotas das greves gerais, a desmoralização de um amplo setor de vanguarda e fortalecimento da direita que já se prepara para assumir o governo através de uma nova maioria parlamentar que deve conquistar nas próximas eleições, seguindo o exemplo de Portugal.

O próprio informe do representante do PCB no seminário, assim como o artigo do KKE sobre as últimas mobilizações na Grécia revelam o que afirmamos. Apesar da defesa genérica do socialismo, própria dos dias de festa, o texto elaborado pelo PCB não aponta nenhuma estratégia comunista de luta contra o governo burguês do Pasok (que sequer é citado), limitando-se a crítica rebaixada de que “as elites econômicas em sincronia com os ditames das burguesias internacionais seguem as orientações do FMI” (site PCB, 29/9). Já o KKE nos aponta que a alternativa a essa realidade seria “que uma forte aliança popular seja formada por trabalhadores, auto-empregados na cidade e zonas rurais, juventude, mulheres para o derrube do poder dos monopólios, retirada da UE com poder do povo” (idem, 01/10). Em resumo, depois de negaram-se a chamar a derrubada do governo burguês durante a greve geral de junho, agora apresentam como alternativa “revolucionária” a saída da Grécia da União Europeia.

A proposta de “saída da UE” está mais para uma medida protecionista que poderiam chegar a recorrer desesperadamente às burguesias mais frágeis no velho continente, opção que tem a simpatia de setores da própria direita europeia. A entrada da Grécia na chamada zona do Euro a colocou em um colapso previamente anunciado. O rombo em suas contas públicas, produto de uma incapacidade de acumular reservas cambiais em uma moeda “forte”, foi potenciado pela própria retração do mercado “comprador” internacional. A única “saída possível” para a burguesia grega seria a renúncia ao Euro e o rompimento com o receituário draconiano do Banco Central europeu (BCE), mas isso seria impossível no marco estatal de uma classe dominante associada às burguesias imperialistas europeias, em especial a alemã, que se beneficia das exportações primárias da Grécia. Diante da covardia da burguesia nativa, o KKE assume a tarefa... dando-lhe uma maquiagem de esquerda, mas sem questionar em nenhum momento o próprio poder burguês!

Prova disso é que a chamada “Nova Democracia”, o tradicional partido de direita grego, votou contra as medidas exigidas pelo BCE para se cacifar eleitoralmente, soliticando inclusive a antecipação das eleições: "Eleições são a única solução. Desse modo o desejo da população será expressado" (OESP, 17/09), disse o líder do partido da oposição conservadora, Antonis Samaras. De lá e do KKE partiram os votos contra o pacote de ajuste imposto por Papandreu. Como parte desse circo, a direita tem ao seu lado a bancada de deputados “comunistas” do KKE, liderada por Aleka Papariga. Para a classe operária mundial que acompanha atenta o desenrolar dos combates na Grécia fica a lição de que as energias dos trabalhadores não podem ser desperdiçadas no jogo da pressão institucional sobre o corrupto parlamento burguês. As lutas proletárias devem ter como estratégia revolucionária a construção de uma alternativa de poder proletário sobre os escombros das instituições do Estado burguês e de seus governos fantoches.