sábado, 11 de junho de 2016

BALANÇO DOS ATOS DO DIA 10: NEM O “FORA TEMER” LULA FOI CAPAZ DE DEFENDER EM FUNÇÃO DO CRETINO CÁLCULO ELEITORAL DA FRENTE POPULAR


“Quanto mais eles me provocarem, mais eu corro o risco de ser candidato à Presidência em 2018”. Esse foi o “ponto alto” e principal mensagem da fala de Lula na manifestação da Av. Paulista que reuniu cerca de 80 mil pessoas. Além do “descaramento” de afirmar que “não poderia defender o Fora Temer”, por ser o “golpista” um antigo aliado do PT, mas também pelo cretino cálculo eleitoral da Frente Popular de corroer ao máximo o governo “tampão” prevendo uma vitória em 2018. Outros atos pelo país concentraram milhares de pessoas neste dia 10 de junho. O que se viu nas manifestações desta sexta-feira foi um claro movimento de cunho eleitoral. O “Fora Temer” para a Frente Popular não passa de eixo de mobilização eleitoral, visando desgastar o governo golpista para catapultar a candidatura Lula, seja com eleições antecipadas seja em 2018. Foi uma demonstração da retomada parcial da força política e eleitoral do PT, mas que não serve como ponto de apoio para as lutas dos trabalhadores contra o ajuste neoliberal em curso levado adiante por Temer, copiando e aprofundando o receituário aplicado por Dilma. Apesar de ter entre seus eixos “Nenhum Direito a Menos” as manifestações não apontaram para a luta direta contra os ataques do Planalto, tanto que a única categoria que parou parcialmente foi a dos petroleiros. Nenhuma assembleia de base foi convocada pelos sindicatos cutistas pelo país, ao contrário, o ato foi palanque para aliados burgueses da Frente Popular, com o Ciro Gomes (PDT) no Ceará, enquanto o governo do PT no estado, aliado a oligarquia Gomes anuncia “reajuste zero” para os servidores públicos. Não houve também chamado para a construção da greve geral por parte da maioria dos dirigentes políticos e sindicais. Um fato importante a destacar é que nem Lula, nem a CUT defenderam o plebiscito ou a antecipação das eleições pregado por Dilma na entrevista na TV Brasil. Tanto que Lula declarou “Não vou dizer Fora Temer, não pega bem. Temer é um advogado constitucionalista, deve devolver o poder para uma presidenta legitimamente eleita. Digo para ele, se você quiser participe das eleições em 2018 para vê se você se elege presidente ”, sustentando a tese que a presidente afastada deve continuar seu governo (e o ajuste neoliberal) até 2018. Por sua vez, a CUT ressaltou a “unidade” em torno do “Fora Temer” entre a FBP e a Frente Povo Sem Medo que participa setores ligados ao PSOL, o que significa na prática a base para a formação de um comitê eleitoral comum dos movimentos sociais de apoio a Lula para uma disputa presidencial futura. Vagner Freitas, presidente da CUT, afirmou “a coisa mais importante que foi construída nesse processo todo foi essa linda unidade da esquerda e dos movimentos sociais para impedir o impeachment e retomar a democracia”. Da nossa parte, intervimos neste dia 10 denunciando o caráter eleitoralista do “Fora Temer” e delimitando com as supostas saídas democráticas (eleições gerais, assembleia constituinte, plebiscito por diretas) que na verdade visam fortalecer o regime da democracia dos ricos e de fato abre caminho para a chegada de Moro e do seu séquito da “República de Curitiba” ao Planalto. Longe de ser um ponto de apoio para as lutas em curso contra os ataques do golpista Temer, o que se viu foi uma mobilização para reagrupar a base social e eleitoral do PT. Nesse sentido os revolucionários comunistas defendem que é necessário intervir nas lutas e nos atos pelo “Fora Temer” para forjar uma alternativa própria dos trabalhadores, independente da direita e da Frente Popular.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

ENTREVISTA A TV BRASIL: DILMA ACENA COM ANTECIPAÇÃO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS E CONVOCAÇÃO DE PLEBISCITO... SETORES DA FRENTE POPULAR DENUNCIAM A PROPOSTA COMO “GOLPISMO ENVERGONHADO”.  SERIA A PRESIDENTA AGORA TAMBÉM “GOLPISTA”?


A presidenta afastada Dilma Rousseff defendeu a convocação de novas eleições presidenciais, desde que o processo seja levado a frente após a derrota do impeachment no Senado. Desta forma o “Fora Temer” ou o “Volta Dilma” teria como base um acordo intra burguês para a convocação de novas eleições. Em entrevista a TV Brasil ela declarou “Eu sempre fui a favor de eleições. Se não, fica parecendo que eu era a favor de ditadura e não de eleições. A solução democrática passa pela minha volta. Mas num segundo momento, vamos ter que discutir: o que rompeu no Brasil? Nós rompemos o pacto político que sustentou o Brasil desde a Constituição de 1988. As forças políticas que se uniram naquele momento tiveram uma ruptura. Aquele dia 17 de abril foi um momento de ruptura. O que significa isso? Muito dificilmente haverá uma repactuação por cima. Isso traz a necessidade de uma nova repactuação via eleições diretas, pelo voto. O pacto que vinha desde a Constituição de 1988 foi rompido e não acredito que se recomponha esse pacto dentro de gabinete. Acredito que a população seja consultada... Só tem um jeito, diante da contradição: recorrer à população. Eu acho que pode ser o plebiscito, essa é uma coisa que está sendo muito discutida”. Pelo que se percebe no staff dilmista, a realização de novas eleições seria feita a partir da convocação de um plebiscito, como defende o PCdoB e os 30 senadores que se reuniram com Requião no começo da semana, como ele declarou “Num jantar com 30 senadores esta noite, estupefatos com últimos acontecimentos, convergimos para eleições diretas muito logo. Povo decide!... Nós queremos dar uma oportunidade ao país, e essa oportunidade se transforma no fim do impeachment, no compromisso de um plebiscito de novas eleições e na abertura de uma grande discussão sobre o sistema econômico, partidário e político do Brasil”.  Os parlamentares desejam fechar um pacto com Dilma e Lula para a convocação do plebiscito ou a aprovação no parlamento de uma PEC por novas eleições, pelo visto a presidente afastada já se declarou favorável. Essa proposta sofre resistência de setores do PT como Lula e Valter Pomar e das entidades ligadas aos movimentos sociais, como a CUT. Vejamos o que diz o dirigente da Articulação de Esquerda: “E há, por outro lado, os que defendem que para derrotar o impeachment, deveríamos defender a convocação de novas eleições. Falando claro, esta segunda posição defende que, para conquistar/reverter o voto de alguns senadores que no dia 12 de maio votaram pelo impeachment, a presidenta Dilma deveria assumir o compromisso de renunciar a parte do seu mandato... Uma destas soluções mágicas é a ideia de convocar um plebiscito, sobre se teríamos ou não novas eleições. Esta proposta, como já foi explicado antes, propõe uma troca: alguns senadores prometem que votariam contra o impeachment, desde que a presidenta se comprometesse a convocar um plebiscito em que o povo decidiria se anteciparemos ou não as eleições. Já dissemos antes e repetimos: este tipo de proposta supõe a gente abrir mão da legalidade/legitimidade do mandato, em troca de uma promessa. E, ainda que eles cumpram a promessa e o impeachment seja derrotado, que alternativa teríamos no plebiscito? Vamos defender que não haja novas eleições? É óbvio que, caso seja proposto o plebiscito, a única posição que nos restaria seria apoiar a antecipação. Na prática, portanto, defender o plebiscito é uma forma disfarçada de defender que abramos mão de parte do mandato conquistado em 2014, o que tornaria absolutamente inócua nossa eventual vitória no Senado. Com um agravante: o golpismo receberia um banho de loja e seria apresentado como um 'rearranjo democrático'”. Lula e setores da esquerda petista sonham com a reversão no Senado mas que Dilma continue no governo, o que tem chance zero de ocorrer. Lula, que ainda não se pronunciou publicamente sobre o tema, deseja ser candidato só em 2018 mas a realidade política está forçando-o encurtar esse prazo, ainda mais com a Lava Jato batendo a sua porta. Em todo o caso, para o PT e seus apêndices somente estão na “mesa do jogo” institucional duas cartas: novas eleições ou a “compra” de uma nova “base aliada” no Senado. As duas tentativas da Frente Popular podem afundar juntas, na completa ausência do protagonismo do movimento operário, atado a uma política criminosa de colaboração de classes diante da brutal ofensiva da direita pró-imperialista, podendo abrir o caminho para Moro e sua corte de procuradores da "República do Paraná" assumir o Planalto legitimada pelas eleições diretas. O mais hilário é a política transloucada do PCO. Este acusa a proposta de novas eleições levantada por petistas, seus apoiadores no Senado e a própria presidente afastada de golpista, ou seja, Dilma estaria tramando um golpe contra ela mesma! No artigo “O bloco do golpismo envergonhado” o Sr. Pimenta declara: “Na medida que o golpe avança, um setor político da burguesia, que até então se apresentava como oposição aos golpistas, começa a aparecer em cena com a mesma proposta de eleições. Há no Senado a conversa de que o impeachment de Dilma poderia não passar caso o PT e a própria presidenta chegassem ao acordo de convocar novas eleições... Esse é o significado da palavra de ordem de “eleições gerais”. Ao defenderem essa posição, o PCdoB e setores do próprio PT estão sendo porta-vozes esquerdistas desse bloco burguês que não representa de fato nenhuma luta contra o golpe. O que o movimento contra o golpe deve compreender é que esse bloco não é nada mais do que um bloco golpista envergonhado”. Por essa lógica, a própria Dilma, o PCdoB, setores do PT, Requião seriam agora membros do “bloco do golpismo envergonhado”. O PCO, membro do bloco corrupto do governista empedernido, deseja o “volta Dilma” para que ela continue aplicando sua plataforma neoliberal porque se deve respeitar a legalidade burguesa acima de tudo e para preservar a "democracia". Desde a LBI declaramos “Nem eleições gerais, nem a defesa da democracia”, duas variantes da democracia burguesa que não servem para a revolução. O desenlace progressista da atual crise de dominação burguesa repousa exclusivamente na possibilidade da classe operária começar a construção de seu embrião de poder revolucionário em denuncia aberta das armadilhas eleitorais e do regime da democracia dos ricos! Cabe aos trabalhadores participar dos atos pelo “Fora Temer”, como o que ocorre neste dia 10 de junho, com um programa de luta que denuncie essa transição acordada, para derrotar os golpistas nas ruas sem ficar refém do programa de colaboração de classes da Frente Popular, nem das alternativas democratizantes e institucionais das correntes revisionistas do Trotskismo, como “eleições gerais” (PSTU, MES) versus “Assembleia Constituinte” (CST, MRT) ou mesmo do “Plebiscito por Diretas já” (Dilma, PCdoB, Insurgência). Embora todas maquiadas com o “Fora Temer” são desprovidas de qualquer conteúdo revolucionário e se inserem nas tentativas de salvaguardar o regime da democracia dos ricos em plena decadência histórica. O eixo de agitação e propaganda dos Comunistas Leninistas neste período de instabilidade do regime burguês, no marco geral da ofensiva imperialista neoliberal, deve ser o da construção de uma alternativa independente do proletariado rumo ao seu próprio governo, demarcando vigorosamente com todos os atalhos democratizantes ardorosamente defendidos pelo arco da esquerda reformista!

quinta-feira, 9 de junho de 2016

AS LIÇÕES DO GOLPE NO PARAGUAY

O Blog da LBI publica uma série de artigos sobre o golpe parlamentar no Paraguay, ocorrido há 4 anos atrás, em junho de 2012. O processo tem similaridade como o impeachment da presidente Dilma em curso no Brasil porque demonstra não só a covardia política e pessoal de Lugo (um protótipo de Frente Popular) mas também a orientação geral do imperialismo para o continente, assim como a capitulação vergonhosa dos governos da centro-esquerda burguesa, principalmente do próprio PT. Como Marxistas consideramos necessário abstrair as lições políticas e programáticas deste episódio fundamental para a esquerda revolucionária brasileira. Inclusive entre os textos publicados polemizamos com a tese da “defesa da democracia” burguesa levantada à época por toda sorte de reformistas, o que se repete agora em nosso país para encobrir a plataforma neoliberal capitalista do governo da Frente Popular, tanto aqui, no Paraguay e em toda a América Latina.


PARAGUAY: APLASTAR A TENTATIVA DE GOLPE MOBILIZANDO AS MASSAS COM INDEPENDÊNCIA DO GOVERNO

Mal tinha finalizado a brutal repressão aos camponeses que lutam contra a ofensiva dos latifundiários da soja (sojeros), o presidente Fernando Lugo recebeu de "agradecimento" por parte da oligarquia um fulminante processo parlamentar de impeachment, equivalendo a um verdadeiro golpe de estado. Ainda não sabemos se a tentativa de derrubar Lugo irá contar com o apoio aberto da cúpula militar ou se restringirá a elite civil, representada na totalidade das cadeiras do Parlamento paraguaio. O governo de Lugo, eleito sob a base de uma composição (Aliança Patriótica) com o tradicional Partido Liberal, um dos braços políticos da oligarquia fundiária, vinha sofrendo um forte esgarçamento social no último período. Os trágicos acontecimentos ocorridos em Curuguaty, a duzentos quilômetros da fronteira com o Brasil, serviram como estopim para os sojeros alertarem a burguesia em seu conjunto para a incapacidade do governo Lugo conter o movimento dos camponeses sem-terra, carperos. Sob a acusação de conivência com os carperos e até com Exército do Povo Paraguaio (EPP) a Câmara dos Deputados aprovou hoje (21/06) por 73 votos a favor e apenas um contra a abertura de um processo sumário de impeachment, que culminará com a votação final no senado na sexta-feira ou no máximo no sábado. Lugo não conta com o apoio de um único senador sequer e terá apenas duas horas para sua defesa. Agora a noite a igreja católica, da qual Lugo é bispo, emitiu um comunicado exigindo sua renúncia para "evitar um confronto nacional". Sem apoio parlamentar, Lugo conta com o relativo apoio da UNASUL, que enviou uma delegação a Assunção para mediar o conflito. Por outro lado o movimento camponês anunciou a chegada a capital do país de delegações de todas as regiões em apoio ao presidente, que encerraria seu mandato no ano de 2013, sem direito constitucional a reeleição. Assim que soube da movimentação no Congresso, Lugo disse que não deixaria a presidência: "Não renunciarei ao cargo para o qual fui eleito pelo voto popular".

terça-feira, 7 de junho de 2016

RUPTURA POLÍTICA NO INTERIOR DA LIGA COMUNISTA INTERNACIONAL, LCI (SPARTACIST LEAGUE)

O Blog da LBI publica os principais trechos do documento de ruptura política de uma fração partidária no interior da LCI (Liga Espartaquista, EUA). Esta fração, agora já externa, denominada “Antes tarde do que nunca”, dirigida pelos camaradas Ines e Wright, levanta uma série de questões políticas e programáticas importantes para o debate principista no seio do movimento trotskista internacional. Embora não tenhamos concordância programática integral com as posições expressas no documento abaixo, tomamos a iniciativa de traduzir em primeira mão o texto para o português por compreendermos que os temas em discussão tem muita relevância para o reagrupamento dos revolucionários trotskistas em nível mundial rumo à reconstrução da IV Internacional. Reconhecemos na LCI um marco de referência no campo dos trotskistas defensistas, ou seja, aqueles que consideraram o fim da antiga URSS como o maior passo político da contrarrevolução mundial do século passado. Porém a corrente internacional liderada por Robertson apresenta hoje traços de profunda paralisia, tanto no terreno da elaboração teórica como no da ação prática, favorecendo desta forma claras tendências de capitulação ao revisionismo que tanto combateu no passado.



DECLARAÇÃO DA FRAÇÃO "ANTES TARDE DO QUE NUNCA"
RETORNAR PARA O CAMINHO DO GENUÍNO ESPARTAQUISMO!

A liderança da LCI dobrou-se sob as pressões do imperialismo, arrastando o nome do espartaquismo pela lama de capitulação política para a burguesia e perda de confiança na capacidade revolucionária do proletariado.

O primeiro parágrafo do projeto de documento de fevereiro 2016 afirmou que a força ‘centralmente responsável’ para a destruição contrarrevolucionária da DDR [República Democrática Alemã, a Alemanha Oriental um Estado operário deformado] foi a burocracia stalinista na DDR e ‘acima de tudo’, da União Soviética. Esta última repetição da concepção errada de que os stalinistas 'levaram' a contrarrevolução nega a orientação política correta que fez possível a luta orgulhosa da LCI no combate à contrarrevolução na RDA, e sobre o qual lutas futuras para a revolução política na China e de outros estados operários deformados também deve ser baseadas..

Então, o que fez LCI, de acordo com esta linha: alertar os trabalhadores do DDR que o Kremlin estava conduzindo a contrarrevolução? Absolutamente não! Essa mentira venenosa dos pseudotrotskistas destina-se a mobilizar os trabalhadores pelo chamado para uma retirada das tropas soviéticas do DDR. A LCI tomou uma posição muito clara contra esta linha stalinofóbica, insistindo que a retirada das tropas soviéticas abriria a porta aos imperialistas.

Muitos militantes da  LCI acreditam erroneamente que havia uma correção posterior esclarecendo que era equivocado dizer que esta impressão equivocada é produto da seguinte pseudo-correção aprovada na conferência da LCI de 2003. Se olharmos mais de perto, eles podem ver que a ‘correção’ 2003 não foi uma mudança que ‘stalinistas levaram a contrarrevolução’ para ‘os stalinistas não levaram a contrarrevolução’, mas apenas uma mudança de afirmar  ‘os stalinistas DDR levaram a contrarrevolução’ para ‘os stalinistas soviéticos levaram a contrarrevolução. Este pseudo-correção serviu a dois propósitos: 1) para pacificar aqueles na parte que pode opor-se à ideia de que ‘os stalinistas levaram a contrarrevolução’ com a ilusão de que a ‘correção’ foi uma reafirmação do entendimento de Trotsky sobre a natureza dual da burocracia stalinista, e 2) para continuar, entretanto, no mesmo curso revisionista da liderança, e de fato consolidá-la por entorpecer qualquer oposição potencial. Isto permitiu que a LCI adotasse a dubiedade para falar de "ambos os lados de sua boca" sobre esta questão para melhor atender às suas finalidades.
O NEFASTO PAPEL DE BERNIE SANDERS NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NOS EUA: UM PRÉ-CANDIDATO IMPERIALISTA DE “ESQUERDA” QUE DEU FÔLEGO AO DESGASTADO PARTIDO DEMOCRATA PARA AO FINAL DAS PRIMÁRIAS SER CABO ELEITORAL DA VÍBORA CLINTON


Hillary Clinton já conta com um número suficiente de delegados comprometidos com sua candidatura para se proclamar como a candidata democrata à Casa Branca. A notícia foi dada pela agência Associated Press, depois de atualizar sua contagem de delegados. A víbora Clinton já é a candidata “oficial” mesmo sem fechar os resultados da jornada das primárias desta terça-feira (07.06), quando votaram delegados da Califórnia e de Nova Jersey, entre outros Estados.  A vitória nas primárias de Porto Rico, no domingo, deixaram Clinton a 23 delegados da marca de 2.383, segundo a contagem da AP. Novos apoios por parte de superdelegados, aqueles que não estão condicionados pelo voto dos militantes, a fizeram chegar à cifra necessária para garantir a nomeação. Durante todo o processo das primárias que começou em janeiro, a imprensa mundial e amplos setores da esquerda, inclusive grupos que se dizem trotskistas, deram destaque à campanha de Bernie Sanders, principalmente quando sua postulação cresceu alguns estados, batendo inclusive a víbora Hillary Clinton, candidata preferencial do imperialismo para as eleições presidenciais de novembro de 2016. No final das primárias, a Madame Clinton vai disputar as eleições contra o republicano Donald Trump (apoiado pela Tea Party) e ser eleita a “primeira presidente mulher dos EUA”. Sanders serviu até agora para aparentar que existe uma disputa real no seio dos democratas. Não por acaso Sanders declarou “Eu devo dizer a vocês que, pessoalmente, teria uma enorme satisfação de disputar (as eleições presidenciais) com Donald Trump”. O senador pelo estado de Vermont se auto-intitulou durante a campanha como um “socialista democrático” apesar de ter apoiado a ocupação do Afeganistão e de ser abertamente simpático a Israel. Ele afirmou que “Socialismo democrático significa que nós devemos criar uma economia que funcione para todos, não apenas para os muito ricos”. Até mesmo essa limitada plataforma populista galvanizou setores da classe média “progressista”, dos trabalhadores e a da juventude precarizada, que não tem voz na corrida eleitoral, apesar do país ser palco de graves conflitos como as lutas pelo salário mínimo de 15 dólares a hora, com as revoltas dos trabalhadores precários nas cadeias de fast-food, além das rebeliões negras que atravessaram os EUA, de Ferguson a Nova Iorque, de Los Angeles a Baltimore, contra a repressão policial. No marco dessa onda, setores da esquerda começaram a apresentar a candidatura de Sanders como uma “alternativa socialista”, como a LSR-CIT (nos EUA são da coalizão Socialist Alternative, da vereadora de Seattle), o MES e até mesmo a chamada “esquerda petista”. Tratou-se de uma farsa! Apesar de criticar pontualmente as grandes corporações e defender um sistema universal de saúde, ele apoiou a política militarista dos EUA desde os bombardeios na Iugoslávia em 1999 e na guerra do Afeganistão. Nomeadamente na Líbia em 2011, ele também votou pela ação militar para derrubar Kadaffi. O principal é que Sanders é um dos sustentáculos no Senado do apoio ianque ao enclave terrorista de Israel, inclusive defende a criação de uma “nova OTAN” para combater o que chama de “terror”. Não por acaso, na Síria reivindica a derrubada de Assad. Em uma comparação mundial a candidatura de Bernie Sanders segue a mesma lógica do Podemos espanhol e do Syriza grego, sendo que bem aquém até mesmo dessa “nova” social-democracia a serviço do capital, porque ao final das primárias o tal “socialista” vai se limitar a ser um cabo eleitoral da víbora imperialista Hillary Clinton, como já se comprometeu em caso de derrota da “disputa” interna democrata.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

MORRE O FACÍNORA JARBAS PASSARINHO, ELOGIADO POR TEMER, MARINA E COM TRÂNSITO JUNTO AO PT: DE ORGANIZADOR DO GOLPE MILITAR E DO AI-5 À ARTICULADOR DA DIREITA NA REDEMOCRATIZAÇÃO BURGUESA


Morreu neste domingo (05/06) aos 96 anos o tenente-coronel, hoje general da reserva, Jarbas Passarinho. Seu funeral contou com honrarias militares, como execução de marchas, tiros de fuzil, de canhão e com o lamento do atual golpista Temer “Quero expressar meus sentidos pêsames pela perda desse grande brasileiro”. Passarinho, com atividade intelectual intensa desde a juventude, foi um dos legionários da UDN na sua pregação "contra a corrupção" e nos ataques virulentos a Getúlio Vargas já na década de 50. Conseguiu destaque na legenda liderada por Carlos Lacerda cuja trama envolvendo seu "atentado" levou ao suicídio de Vargas em 54. Foi um dos conspiradores no quartel-general da 8ª Região Militar no Pará, atuando de 62 a 64 no Estado-Maior do Comando Militar do Norte (Amazônia) pela derrubada de João Goulart. Com esse longo histórico golpista foi alçado ministro da ditadura militar dos generais Costa e Silva, Médici e Figueiredo, além de governador “biônico” do Pará imposto entre 64-66 pelos generais genocidas, quando se integrou a Arena, o partido oficial dos milicos. O facínora articulador do golpe militar de 64 passou para a história pelo fundamento de seu voto dentro da cúpula do governo Costa e Silva a favor do Ato Institucional nº 5 em 1968, na funesta reunião dos 24 membros do Conselho de Segurança Nacional realizada em 13 de dezembro que mergulhou o Brasil no terrorismo de Estado aberto, dando aos agentes da repressão política carta branca para torturas, assassinatos, estupros, ocultação de cadáveres e outros crimes contra a militância de esquerda: “A direita quando está no poder não mede escrúpulos. Às favas, Sr. presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência!”. Na linha inescrupulosa de alinhar o Brasil ao imperialismo ianque, em 69 assumiu a pasta da Educação no governo do gorila Médici e implantou a “reforma universitária” conhecida como MEC-Usaid, por causa do apoio do governo norte-americano. Na chamada redemocratização defendeu a Lei da Anistia que preservou os militares genocidas e depois como Senador na década de 80 atuou como líder do PDS (antiga Arena) na Constituinte, também prestou seus serviços como ministro de Collor de Melo nos anos 90. Deixou o senado em 1995 e foi cinicamente nomeado por FHC em 96 como consultor do “Programa Nacional de Direitos Humanos”. Passarinho recentemente foi uma das principais testemunhas de defesa do coronel torturador Brilhante Ustra ao lado de Sarney. Sua reconhecida trajetória reacionária de articulador do golpe militar e do famigerado AI-5 não impediu que Marina Silva fizesse rasgados elogios a Passarinho: “Mais um importante personagem da história do Brasil se despede, o acreano-paraense Jarbas Passarinho. Tenho um reconhecimento pessoal a fazer: mesmo com todas as críticas pertinentes às suas ideias sobre Educação, foi no Mobral - criado por ele, quando ministro - que aprendi a ler e escrever. Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas. Essa sabedoria do povo é o oposto da polarização que domina a cena brasileira nos dias de hoje, em que se julga um lado totalmente certo e outro totalmente errado. Jarbas Passarinho será, certamente, lembrado por seu alinhamento com a ditadura militar. Mas também terá, na história, o destaque e a ressalva de suas evidentes qualidades intelectuais e habilidades políticas, com as quais se tornou um interlocutor das oposições de grande ajuda em momentos críticos”. As asquerosas palavras da evangélica pentescostal Marina mostram seu alinhamento com o imperialismo ianque. Ainda assim a repugnante ecocapitalista é cortejada pelo PSOL, que vai fazer várias alianças com a Rede, como em São Paulo. As “qualidades” descritas por Marina são compartilhadas também por petistas, como Jorge Viana, Senador pelo PT do Acre. Segundo ele “Passarinho foi referência na vida política brasileira durante décadas, especialmente no período do regime militar.Político influente, deixou longa biografia. Independente de concordarmos ou não, ele é parte da história do Brasil” (Valor Econômico, 06.06).  Aloísio Mercante (filho de general) e José Genoíno também tem “boas recordações” do militar falecido. Desde a Assembleia Constituinte de 1987 Passarinho tinha transito livre com estes dois dirigentes do PT por conta dos acordos em torno da redemocratização burguesa, relação que continuou quando Genoíno foi assessor do Ministério da Defesa (Nelson Jobim) no governo Lula. Não devemos esquecer que quem enterrou a investigação dos torturadores do regime militar foi Lula e o PT, ao não questionarem a Lei da Anistia aprovada pelo próprio regime militar com o apoio de Jarbas. A presidente Dilma, apesar de ex-presa política, patrocinou uma “Comissão da Verdade” que não gerou qualquer consequência para os chacais fascistas. Em oposição de classe a este arco de direita e da esquerda domesticada ao capital, os Marxistas Leninistas, apesar de não cremos na punição de facínoras após a morte, nos somamos ao justo ódio das honradas vítimas do golpe militar e do AI-5 tramado por Jarbas Passarinho que neste momento devem estar comemorando com o ditado popular: “já vai tarde para o inferno”! O acerto de contas que o proletariado necessita realizar com os facínoras da ditadura militar, deverá inevitavelmente vir na esteira do implacável combate ao regime capitalista e sua forma mais aperfeiçoada de “estabilidade democrática”, a democracia dos ricos que depois da ditadura militar foi costurada por acordos entre figuras do PDS como Jarbas Passarinho, os líderes do PMDB e até setores do PT, PCdoB, PCB e MR-8. Para a classe operária o verdadeiro julgamento de seus covardes algozes e articuladores do Golpe Militar, como Passarinho, só acontecerá quando for capaz de construir seus próprios organismos de poder, estabelecendo tribunais operários e populares de julgamento e de julgamento e punição, como instrumentos da histórica justiça de classe do proletariado. Como vemos no exemplo de Jarbas Passarinho (enterrado com honras pelo Exército), no regime democratizante vigente em nosso país os militares são “intocáveis” e gozam de toda proteção jurídica que lhes confere completa impunibilidade, a chamada “Lei da Anistia” que serviu apenas para proteger os torturadores. Para enfrentar esta “proteção” é necessário lutar pela abertura imediata dos arquivos dos órgãos de inteligência dos militares de ontem e de hoje. A construção de tribunais populares, no bojo de um ascenso do movimento operário, para julgar e condenar os militares assassinos é parte integrante da tarefa democrática transicional da revolução socialista para pôr abaixo o Estado capitalista e seu tenebroso aparato repressivo que Jarbas Passarinho ajudou a montar tanto como militar como "civil"! 

domingo, 5 de junho de 2016

HÁ DOIS ANOS DO FIASCO “CANARINHO” NA  COPA DO MUNDO: IMPERIALISMO IANQUE QUER POR FIM AO “IMPÉRIO” DAS EMPREITEIRAS BRASILEIRAS EM TODA AMÉRICA LATINA


Na véspera de completar dois anos da realização da Copa do Mundo da FIFA no Brasil, depois de mais de cinquenta anos da inauguração do majestoso “Maracanã", o Blog da LBI reproduz uma série de artigos históricos que marcaram uma análise marxista dos ácidos momentos da luta de classes que precederam tanto a abertura da Copa na cidade de São Paulo em 12 de Junho de 2014, como o seu “trágico” encerramento em meados julho no Rio de Janeiro.

DIANTE DA HOLANDA O ÚLTIMO FRACASSO EM CAMPO: A SELEÇÃO BRASILEIRA NÃO É A PÁTRIA DE CHUTEIRAS!

O genial reacionário Nelson Rodrigues, “pó de arroz” e apaixonado pelo futebol brasileiro certa vez afirmou que a seleção canarinho era a “pátria de chuteiras”. Esta “compreensão” transformou-se quase em unanimidade nacional em tempos de Copa do Mundo, e como toda “unanimidade é burra” este falso “consenso” mais além é completamente equivocado. A realização da Copa do Mundo no Brasil colocou a nu a profunda crise do futebol brasileiro e os péssimos resultados da seleção em campo apenas refletiram este momento. A expectativa da conquista da Taça para o Brasil se desfez “tragicamente” na humilhante goleada sofrida no jogo contra a Alemanha e agora se confirmou com a perda da terceira colocação em função da derrota para a compacta seleção holandesa. No calor dos debates políticos sobre a Copa não faltaram setores da esquerda, para não falar das análises patrioteiras da direita tradicional, que insistiram em “repercutir” o enorme equívoco de mixar a seleção canarinho com a nação brasileira. Em primeiro lugar é necessário esclarecer que hoje a seleção de futebol brasileira é um “produto” administrado por uma entidade privada a CBF, empresa capitalista que organiza o campeonato brasileiro e a copa do Brasil, além da promoção de eventos esportivos diversos. A CBF tem o monopólio da convocação das seleções masculinas e femininas de futebol, pelo fato de sua filiação a FIFA, sendo que seus dirigentes não estão submetidos a nenhuma subordinação do estado brasileiro. Apesar de seu caráter de empresa privada, auferindo espetaculares lucros a seus proprietários, a CBF recebe “generoso” aporte do Estado sem que tenha que prestar contas das verbas recebidas. Mas diante dos fiascos no gramado membros do governo Dilma aventaram a possibilidade de alguma inferência na gestão da CBF, o que foi drasticamente logo combatido pelos arautos do neoliberalismo. O Tucano Aécio acusou o PT de querer “estatizar” o futebol, defendendo a total autonomia da máfia da CBF (“engordada” com o dinheiro público) frente a tênue ameaça de investida do governo. Como era de se esperar diante da pressão da mídia “murdochiana” e da Tucanalha, o governo Dilma já recuou de suas pálidas intenções de pelo menos auditar a CBF. Não podemos negar a inequívoca decepção popular com o fraquíssimo desempenho da seleção nesta Copa, um time sofrível escalado por empresários movidos por interesses comerciais. Porém, como Marxistas Revolucionários, respeitando a “afetividade” do proletariado nacional acerca do futebol, devemos declarar vigorosamente: Esta seleção brasileira não é a pátria de chuteiras, nossa nação deve ser sim representada pelas lutas dos trabalhadores e de seu povo oprimido!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

DA GLOBO AO PSTU... FRENTE ÚNICA EM DEFESA DE PENAS RIGOROSAS DO ESTADO CAPITALISTA CONTRA O “ESTUPRO COLETIVO”: QUANDO UM CRIME BÁRBARO SERVE DE PRETEXTO PARA INCREMENTAR A PERSEGUIÇÃO POLICIAL E MIDIÁTICA A JUVENTUDE POBRE E NEGRA DAS PERIFERIAS


Um grande consenso formou-se em torno do caso do “estupro coletivo” de uma jovem de 16 anos ocorrido no final de maio no complexo de favelas São José Operário, zona oeste do Rio de Janeiro e divulgado em vídeos na internet pelos que abusaram sexualmente da vítima. Desde a Rede Globo e o fascista Bolsonaro até o PSTU e o MRT-LER, passando pelo PT e o conjunto da Frente Popular a indignação é geral: esse arco “eclético”, de mãos dadas e em voz única diz que não se pode tolerar o crime brutal de “estupro coletivo” e todos juntos pedem repressão dura aos mais de 30 acusados. Brada-se pela prisão dos bárbaros delinquentes, exige-se caçada pública e policial aos estupradores, apontados à exaustão pela mídia como jovens negros, envolvidos com o tráfico de drogas, portadores de fuzis e armas no morro do Barão em Jacarepaguá. Manifestações feministas saem às ruas reivindicando penas mais duras para os criminosos, unindo todo o espectro da esquerda aos moralistas de plantão do “politicamente correto”, donos de um cinismo próprio dos valores “éticos” decadentes da burguesia. Figuras asquerosas como o fascista Bolsonaro e o ultra-neoliberal governador fluminense Francisco Dornelles exigem aprovação da castração química ou a pena de morte. O líder o governo Temer no Senado, o Tucano Aluísio Nunes, já desengavetou nesta semana o projeto para redução da menoridade penal. O PSTU pede “punição rigorosa para os agressores”, “exigimos justiça já diz o MRT-LER e, por fim a CST, prega sem rodeios “Penas mais duras para estupradores e cumprimento rigoroso da lei que tipifica feminicídio como crime hediondo! Delegacias da mulher em todos os bairros!”. Em suma, os apologistas da democracia como valor universal (oposta pelo vértice à ditadura do proletariado), como o PSTU, CST e MRT correm sempre a reboque da pauta reacionária da “opinião pública”, a serviço dos interesses capitalistas e dos valores morais da burguesia. Para além das versões do ocorrido que tem pouca importância nesse debate, onde os agressores “acusam” a vítima de ser “habitué” das orgias e festas no morro do Barão e que levada ao local pelo namorado ela inicialmente teria consentido as relações sexuais (como se isso os inocentasse de forçar depois a realização do sexo grupal com a garota que disse ter sido dopada), o que está claro para o Marxistas Revolucionários é que esta seção de estupro faz parte da prática cotidiana da cultura da barbárie capitalista, onde ninguém pode ser considerado “inocente”, nem mesmo a vítima. Seja em um baile funk em uma comunidade pobre carioca, seja nas festas em mansões ou motéis de luxo promovidas pela “High Soçaite” regadas a uísque e cocaína, a mulher “bonita, sarada e loira” no modo de produção capitalista é vendida (e se vende!) como uma mercadoria cara a ser usufruída pelo seu “comprador” (ou compradores, como parece ser no caso em questão), seja ele um grande empresário e sua corte ou um traficante e seu bando. A diferença é que quando isso vem a público são exclusivamente sobre os fatos ocorridos na favela ou no morro, com os charlatões midiáticos, os políticos burgueses e os defensores da moral pregando a punição exemplar para os criminosos, via de regra, jovens pobres e pretos. As orgias da elite dominante com todas as suas taras sexuais e desejos pedófilos são guardadas a sete chaves e o mesmo aparato policial que caça a pobreza “criminosa” é o que encobre o crime do rico, forja álibis e relaxa prisões ocasionais de “playboys e mauricinhos” em troca de propina graúda para preservar os nomes das famílias burguesas nos jornais ou intimidades “sujas” da classe média alta expostas em noticiários da TV. Em resumo, até no caso do “estupro coletivo” em questão - que repudiamos vigorosamente - está embutida a diferença de classe social e do papel do Estado capitalista de defensor da classe dominante e chacal dos trabalhadores e dos pobres em geral, sejam eles “marginais” ou não, como no caso dos cinco jovens negros inocentes mortos dentro de um carro por PM´s, que, diga-se de passagem, não ocupou um décimo do destaque da mídia como o “estupro coletivo” de agora. Guardada as proporções, é como o caso do “Helicoca” (500 kg de cocaína pura e de alto teor de qualidade apreendida no helicóptero da quadrilha Perrella) trazida para saciar o vício da decadente burguesia e sua elite política, a mesma que diariamente manda a PM aos morros, favelas e bairros das periferias para supostamente perseguir os “traficantes” e reprimir o conjunto da população pobre destas comunidades quando, na verdade, os maltrapilhos traficantes expostos à exaustão na mídia não passam de meros elos da cadeia de distribuição controlada pelos barões do tráfico de drogas, gente como os Parrella, Aécio e Sérgio Cabral. Os genuínos Marxistas Leninistas sabem muito bem diferenciar um crime sexual produto da barbárie capitalista da campanha desatada pela burguesia, sua mídia e seu aparato de repressão para criminalizar a juventude pobre e negra dos morros e favelas de conjunto. Não nos somamos à frente política com a Rede Globo, Bolsonaro e ao arco da esquerda pedindo “punição exemplar” para os acusados, perseguição que vai representar mais incursões policiais nas comunidades pobres cariocas e o endurecimento da legislação contra o povo trabalhador como um todo. Ao repudiar publicamente o “estupro coletivo” ocorrido no Rio alertamos que as taras e as doenças da sociedade capitalista só podem ser eliminadas por meio da destruição revolucionária dessa sociedade de classe senil e apodrecida, que violenta diariamente a vida de milhões de homens e mulheres, trabalhadores que vivem em condições aviltantes, sub-humanas e que sofrem a opressão e a exploração além da violência policial própria do capitalismo decadente!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

LEIA A ÚLTIMA EDIÇÃO DO JORNAL LUTA OPERÁRIA, Nº 308, MAIO/2016


EDITORIAL
Combater a "máfia temerária" mirando a luta de massas no alvo do Bonaparte da "República de Curitiba"

ONDA DOS VAZAMENTOS JÁ AFUNDARAM TEMER E SUA ANTURRAGEM PEMEDEBISTA
Pavimentado o caminho para a entrada em cena de um governo bonapartista da “casta pura”...

DIÁLOGOS ENTRE JUCÁ E MACHADO APONTAM
Lava Jato é o caminho para Moro (nova “casta pura”) assumir o Planalto

“TOMANDO EMPRESTADO” O AJUSTE NEOLIBERAL DE DILMA
Quadrilha Temer anuncia duro ataque, desmantelo da Petrobras e rapina no BNDES

SAI O BRADESCO “ALIADO” DA FRENTE POPULAR... ENTRA O ITAÚ
Golpista troca de banco para aprofundar a submissão aos rentistas!

ASSUME A QUADRILHA TEMER
Meirelles, homem de confiança de Lula, na linha de frente do gabinete “golpista” para aprofundar a receita neoliberal

PT ANUNCIA QUE É “OPOSIÇÃO” AO GOVERNO TEMER MAS...
Vai apoiar a CPMF, votar pela Reforma da Previdência e até fazer aliança com o PMDB

DIRCEU CONDENADO À PRISÃO PERPÉTUA, VACCARI A 9 ANOS... O PRÓXIMO SERÁ LULA
Lava Jato avança contra lideranças históricas do PT mirando no conjunto da esquerda

PSTU COMEMORA AFASTAMENTO DE DILMA COMO UMA VITÓRIA DA ESQUERDA RUMO AO “FORA TODOS”
Mais uma vez de mãos dadas com a direita e o imperialismo!

GRUPO PARLAMENTAR DO “ALIADO” COLLOR É O ÚLTIMO A TRAIR
O destino de Dilma já foi selado definitivamente!

O “ALIADO” RENAN TRAI MAIS UMA VEZ O AGONIZANTE GOVERNO DILMA
Presidente do Senado dá seu aval ao impeachment, Maranhão recua na Câmara e a “Greve Geral” não passa de farsa

LICENÇA REMUNERADA DE CUNHA
Frente Popular e revisionistas comemoram o 2º ato do golpe institucional

“DIRETAS JÁ”
Dilma “ecoa” proposta da antecipação das eleições presidenciais, “golpista” também?

1º de MAIO SEM LUTA
Manifestações em São Paulo pelo “fica Dilma” e “fora Dilma” não serviram para organizar o combate revolucionário por uma alternativa de poder dos trabalhadores

NESTE 1º DE MAIO NO ANHANGABAÚ
Nenhum apoio ao governo burguês da Frente Popular que atacou direitos e conquistas dos trabalhadores!

A “METAMORFOSE AMBULANTE” DO MRT/LER
Após romper com o direitista “Fora Todos” do PSTU, agora elogia 1º de maio de colaboração de classes da CUT “contra o golpe”!

NA LUTA DAS ESCOLAS OCUPADAS
JB na linha de frente da ocupação da ALESP contra Alckmin e sua corja de ladrões

REPRESSÃO POLÍTICA
Lutadora do MTST baleada durante manifestação em SP!

PROFESSORES/CEARÁ
Radicalizar a greve para derrotar o arrocho salarial e o golpe do governo Camilo (PT) contra a educação pública

PROFESSORES DE FORTALEZA
Na luta contra a ofensiva da direita e os ataques de Roberto Cláudio, “filhote” da oligarquia Gomes

O “13 DE MAIO” OU OS ALICERCES DA COLONIZAÇÃO MERCANTILISTA DO BRASIL
A escravidão como elemento central da gênese da acumulação capitalista semicolonial

APROVADA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA NA GRÉCIA
Governo “social-democrata de esquerda” parceiro do PSOL no Brasil impõe ajuste neoliberal exigido pelo imperialismo

VIVA OS 71 ANOS DA VITÓRIA DO EXÉRCITO VERMELHO SOBRE OS NAZISTAS
Uma lição heroica de como a classe operária deve enfrentar a atual ofensiva reacionária

OBAMA EM HIROSHIMA
Cinismo pacifista do imperialismo ianque a serviço de uma nova ofensiva contra a China com a ajuda do Japão

AVANÇA A ORQUESTRAÇÃO DO GOLPE DE ESTADO NA VENEZUELA
Maduro sinaliza com a dissolução do parlamento burguês reacionário, bravata do nacionalismo Chavista ou tarefa histórica que só o proletariado pode assumir?

MAIO FRANCÊS “ONTEM E HOJE”
Abstrair as lições de 68 para transformar as lutas econômicas em ações revolucionárias para derrotar o Estado de Exceção e o governo “socialista” neoliberal de Hollande

terça-feira, 31 de maio de 2016

O Blog da LBI em referência à véspera das "míticas Jornadas de Junho" completarem três anos reproduz um artigo histórico, elaborado em julho de 2013, onde de forma absolutamente precisa aponta um prognóstico acerca dos desdobramentos políticos que este movimento de massas provocaria na conjuntura brasileira. O pleno acerto teórico do prognóstico realizado pela LBI, a despeito de todas as caracterizações impressionistas da esquerda revisionista nesta ocasião, nos faz mencionar o "velho" Trotsky quando afirmava que os êxitos de avaliação dos marxistas se aproximam de uma "profecia revolucionária", termo que o historiador Isaac Deutscher irá tomar emprestado para escrever algum tempo depois a biografia do grande dirigente bolchevique. Os Comunistas Leninistas rejeitam de cara em suas perspectivas de ação militante o "impressionismo mítico", erro gravíssimo que marcou todos os balanços históricos da esquerda revisionista sobre as multitudinárias mobilizações de junho de 2013 e que produzem sérios equívocos programáticos  de como enfrentar a atual conjuntura nacional no quadro da profunda crise política da Frente Popular (longe de ser terminal) e da emergência do neobanapartismo no país.


AS JORNADAS DE JUNHO MOSTRARAM QUE O CICLO ESTATAL DO PT ESTÁ ESGOTADO? 

Hoje um debate cruza o meio político, da extrema-esquerda à direita todas as análises lançam o “enigma”, as multitudinárias jornadas de junho revelaram o esgotamento do ciclo petista na gerência do Estado capitalista? Candidato a responder esta questão, o decano Tucano José Serra em conferência nacional realizada ontem (24/07) assevera o seguinte: “Me lembra os últimos seis meses do governo Jango e os últimos dias do governo Collor”, para depois concluir: “O ciclo do lulismo acabou, e o pior é que o governo não está apresentando uma alternativa para a superação desse modelo”. Caracterização semelhante a esta é compartilhada pelo conjunto da esquerda revisionista argentina (e seus respectivos apêndices brasileiros). Para este segmento político é correto afirmar que o: “Gigante acordou” (o mesmo mote da reação tupiniquim!) e que em: “Junho: um novo país surgiu das maiores mobilizações” (Site da LER, afiliada ao PTS argentino). Já para o Partido Obrero (PO) e seu consultor “brargentino” Osvaldo Coggiola, a crise mundial teria finalmente chegado ao Brasil e encerrado o “milagre Lulista” ancorado na China. Mas, será mesmo que o móvel das mobilizações populares que cortaram o país teria sido uma conjuntura econômica de “caos”, como tentam demonstrar a oposição burguesa conservadora e seus “colegas” da esquerda revisionista? Que “novo” país teria surgido após junho, estaríamos enfim vivendo os últimos estertores do governo da Frente Popular?

segunda-feira, 30 de maio de 2016

MAIO FRANCÊS “ONTEM E HOJE”: ABSTRAIR AS LIÇÕES DE 68 PARA TRANSFORMAR AS ATUAIS LUTAS ECONÔMICAS DEFENSIVAS EM AÇÕES POLÍTICAS REVOLUCIONÁRIAS DE MASSA PARA DERROTAR O ESTADO DE EXCEÇÃO E O GOVERNO “SOCIALISTA” NEOLIBERAL DE HOLLANDE


Uma onda de greves e mobilizações tomou conta da França neste mês de Maio. São paralisações e bloqueios contra a reforma trabalhista do neoliberal “socialista” Francois Hollande. Essa lei precariza as condições de trabalho com o aumento da jornada de trabalho e amplia as atividades laborais flexibilizadas, o que facilita demissões e elimina a negociação coletiva. O rechaço à medida levou o governo a recorrer ao artigo 49.3 que permitiu implantar a reforma sem contar com os votos necessários da Assembleia Nacional, passando assim também por cima da não só vontade de 70% da população, que se manifestou contra a proposta mas da própria legislação ordinária. A dura repressão gerou uma grande indignação pela violento política antidistúrbios da polícia, especialmente à juventude, um dos principais motores da primeira fase da mobilização. As cenas de violência e repressão contra os estudantes secundaristas e universitários são cotidianas, como também a utilização massiva de gás lacrimogêneo durante as mobilizações. Ocorreram mais de 1300 detenções desde o início das manifestações. O fato novo é que na última semana, foram bloqueadas refinarias, portos e vias ferroviárias na zona industrial de Marsella, Touluse, Rennes e Nantes. Controladores e técnicos foram obrigados a cancelar 15% dos voos do Aeroporto Paris-Orly. Em Le Havre, milhares de trabalhadores e ativistas fecharam os ingressos à zona portuária e industrial. Metade dos trens de média e larga distância foram paralisados. Esta ofensiva patronal ocorre pouco mais de 06 meses depois dos atentados a Boate Bataclan, que abriu caminho para o governo francês impor o Estado de Exceção. Apesar das lutas em curso serem radicalizadas e importantes elas são ações defensivas da classe contra o corte de direitos, tem um caráter abertamente economicistas, mas não são lutas para derrubar o poder político da burguesia como era o Maio de 1968. Em 68, o ímpeto revolucionário da juventude esteve intimamente conectado com a ascensão do movimento operário que, desde o ano anterior, vinha produzindo uma intensa onda de greves por toda a França, refletindo a resistência da classe operária às medidas que atacavam os salários, geravam desemprego e atentavam contra as conquistas sociais do proletariado, tais como a previdência social e o direito de greve, política adotada pelo governo do general Charles De Gaulle diante da crise decorrente do esgotamento da relativa prosperidade econômica do breve período do pós-guerra, caracterizado pela reorganização da indústria francesa destruída durante a guerra. A fusão das lutas estudantis com as greves espontâneas, com piquetes e ocupações de fábricas, transformou a revolta estudantil numa insurreição de massas, levando 10 milhões de trabalhadores a se colocarem em greve em todo o país, rompendo com a política de colaboração de classes das direções sindicais controladas pelo stalinismo. As principais fábricas e os setores estratégicos da economia foram colocados sob o controle operário através dos Comitês de Greve, que organizavam a autodefesa dos manifestantes, controlavam a produção, preparavam as barricadas e abasteciam de alimentos os operários das fábricas em greve. Estabeleceu-se uma dualidade de poderes que colocou em xeque o domínio da burguesia. O grande diferencial entre o “ontem e o hoje” é que em 1968, desde o início o movimento assumiu uma clara perspectiva revolucionária, com manifestações que exigiam a derrubada do governo De Gaulle e questionavam os valores e a moral da sociedade burguesa. A consciência revolucionária, expressa nas manifestações da juventude francesa, refletia uma etapa de ascenso revolucionário mundial, marcada pela vitória da Revolução Cubana em 1959, as greves operárias que sacudiam toda a Europa, a descolonização da África e a bem sucedida ofensiva norte-vietnamita do TET, prenúncio da derrota e expulsão do exército ianque do Vietnã. O estado de espírito da juventude e dos trabalhadores no Maio Francês era também excitado pela existência da URSS e dos Estados operários do Leste europeu que, apesar da degeneração burocrática stalinista, exerciam uma forte referência ideológica sobre o proletariado mundial. A existência dos Estados operários significava que a burguesia havia sido expropriada em quase 1/3 do planeta e, em conseqüência, os trabalhadores nessa parte do mundo haviam realizado conquistas históricas jamais alcançadas pelo proletariado em qualquer país capitalista. As conquistas sociais do proletariado nos Estados operários (pleno emprego, habitação, saúde e educação gratuitas, erradicação do analfabetismo, elevação do nível cultural das massas) obrigavam a burguesia nos países capitalistas, temendo ser expropriada pela revolução proletária, a fazer significativas concessões aos trabalhadores. Já as manifestações atuais, ocorrem em um quadro de ofensiva burguesa depois dos ataques terroristas de 2015 e em uma etapa de profundo retrocesso ideológico, aberta a partir da queda dos Estados operários do Leste e da URSS. Apesar da magnitude e radicalização das manifestações do Maio atual, não há no horizonte ideológico a luta pelo comunismo e pela destruição do capitalismo. Por esta razão, a resposta do governo Hollande tem sido aumentar a escala repressiva e a extensão do “Estado de Exceção”, medida aprovada na Assembleia Nacional: “Permanecerei firme porque é uma boa reforma”, disse o calhorda no que foi acompanhado pelo primeiro-ministro, Manuel Valls “Um texto foi discutido, gerou compromissos com as partes sociais, foi adotado pela Assembleia Nacional, considero que minha responsabilidade é ir até o fim”. Se a intensa onda revolucionária que sacudiu a França em Maio de 68 não pôde conduzir à vitória da revolução proletária, abortada pela política de traição das direções stalinistas, diante da ausência do partido da vanguarda do proletariado, isso significa que hoje, numa etapa histórica de reação e retrocesso ideológico, é necessário mais do que nunca que a vanguarda consciente do proletariado redobre seus esforços para construir um autêntico partido revolucionário internacionalista no país, único instrumento capaz de levar a classe operária a desfechar um golpe mortal contra os capitalistas, com a destruição do Estado burguês imperialista, abrindo caminho para uma nova etapa revolucionária mundial.


sexta-feira, 27 de maio de 2016

ONDA DOS VAZAMENTOS JÁ AFUNDARAM TEMER E SUA ANTURRAGEM PEMEDEBISTA: PAVIMENTADO O CAMINHO PARA A ENTRADA EM CENA DE UM OUTRO GOVERNO BONAPARTISTA DA “CASTA PURA”...

O prazo de validade do governo Temer já está prestes a vencer, antes mesmo de ser efetivado com a conclusão do processo de impeachment pelo Senado Federal. A onda midiática de vazamento das gravações que já derrubaram o ex-ministro Jucá agora avança como um tsunami atingindo o “senhor dos anéis”, Renan Calheiros, e o chefe absoluto da máfia pemedebista: Michel Temer. É óbvio que a potencialidade da nova crise política dos "diálogos gravados" está sendo produzida por encomenda, e não tem por objetivo reverter o golpe institucional sofrido pelo governo da Frente Popular. A dinâmica desta nova etapa da operação de retirada da presidente Dilma do Planalto, coordenada pela Casa Branca, foi caracterizada em seu conjunto pela LBI que apontou desde sua gênese seu norte: Empoderar no Estado Nacional o justiceiro Sérgio Moro e sua "casta pura" da famigerada "Lava Jato"! A desmoralização precoce do governo interino segue este cronograma, Temer permanecerá na presidência somente na medida de finalizar o ajuste neoliberal das contrarreformas, que Dilma não concluiu em função da apetite voraz dos seus "aliados fiéis". Temer será expulso do Planalto assim que o Congresso Nacional aprovar as primeiras medidas que o "Deus Mercado" exige, e nem precisamos de "adivinhação" para saber porque método será "flagrado" em crime. O esgotamento prematuro do "golpe" tem alimentado ilusões na Frente Popular de que ainda é possível reverter o quadro do impeachment no marco do Senado Federal, afinal são necessários apenas obter três votos no campo dos que apoiaram a admissibilidade do "crime de responsabilidade" da presidenta. O PT e seus acólitos de segunda linha, como o PCdoB e o PCO, afirmam que é possível uma vitória no Senado, enquanto desmontam a possibilidade de uma mobilização de massas contra o golpe institucional. Os reformistas caudatários da Frente Popular não conseguem compreender a essência política da conjuntura que atravessa o país, ou seja, o curso imposto pelo imperialismo forçando a burguesia nacional para que estabeleça um governo de características bonapartistas no Brasil. Neste quadro não devem sobreviver os velhos aliados fisiológicos e corruptos (PMDB, PP, PR etc..) da Frente Popular no interior do novo regime, apenas os "puros togados" serão aceitos para gerenciar o aparelho de Estado, em tímida aliança com os tucanos de "alta plumagem", o que também descarta figuras "queimadas" como Aécio Neves. O PT não tem como ser eliminado por completo deste novo cenário que está prestes a emergir no país, controla a maioria das entidades sindicais e populares da nação, porém lideranças históricas como Lula, serão desmoralizadas à exaustão pelos farsantes da "Lava Jato", Dilma deverá ser resguardada pelos "serviços prestados". A equação política da crise tende a ser resolvida, do ângulo da burguesia nacional, com a convocação de novas eleições gerais e a provável eleição de um Moro...que a frente do governo levará a cabo todo o programa econômico da Lava Jato, que só para os tolos se resume ao "combate à corrupção da Petrobras". Desgraçadamente a plataforma estratégica da "Lava Jato" que consiste na desnacionalização completa da economia brasileira também é apoiada por amplos setores da esquerda social-democrata, por esta razão a Frente Popular se mostra impotente para combater o golpe institucional em pleno curso e que terá como desaguadouro o surgimento político do "Bonaparte Tupiniquim", teleguiado por Washington! O movimento social deve elevar a mira do seu rifle político, preparando desde já a resistência direta não somente para abater o bandido Temer, mas contra o bonapartismo togado que está sendo gestado em plena luz do dia, digo da mídia...

Equivocam-se os incautos que pensam ser a "Lava Jato" apenas uma operação jurídico e policial contra o PT, sua "engenharia" representa bem mais do que simplesmente sua sanha reacionária. A "República de Curitiba", assim como foi nos anos 50 a do "Galeão", foi engendrada como um novo embrião de poder, que diante da fragilidade de um Temer golpista já apressa-se para debutar como um novo governo bonapartista de força. É verdade que os planos de "sangramento" do governo Dilma tiveram que ser encurtados, gerando um abominável mostrengo de vida curta. Era bem mais interessante para o imperialismo que o desgaste da Frente Popular atingisse seu ponto máximo de ebulição, para neste momento ser "decapitado", porém a tibieza de Dilma em concluir o ajuste iniciado pela equipe de Levy causou um impasse (uma espécie de vácuo político) logo aproveitado pelas ratazanas do PMDB. A alternativa Temer, mesmo que temporária, foi a pior saída que a burguesia tinha para lançar mão no centro da crise econômica e política. Diante de um governo tão frágil e repugnante socialmente é óbvio que o PT tem condições de reconstruir parcialmente seu prestígio eleitoral. Por esta soma de elementos contraditórios será necessário para as classes dominantes agilizar a gestação de uma via estável e estratégica para dar início a  um novo ciclo histórico de poder estatal, em uma etapa mundial de retrocesso das forças produtivas do capital.

Se foi esgotado o "time" da Frente Popular no gerenciamento do Estado Burguês, durando mais de uma década no lastro da "bolha de crédito e consumo", o que esperar de um governo de chacais e hienas da política mais corrupta deste exaurido regime, pouquíssimo fôlego! O neobanapartismo emerge como uma necessidade diante da falência das opções de governo para substituir a Frente Popular. Não se trata de um golpe militar para impor um regime dos quartéis, mas de um manobra institucional para remodelar o regime democratizante, dotando-o de características de força e exceção sob o manto da legitimidade de um judiciário seduzido pelas benesses de assumir poder.  É o que Marx definiu como um "governo da burguesia aparentemente agindo contra os burgueses". Isto inclui prender e humilhar líderes empresariais e dirigentes políticos que sempre serviram as classes dominantes, este é exatamente apenas o "start" da Lava Jato.

O governo Temer foi concebido desde sua gênese como uma transição, uma "ponte" denominada assim mesmo pelo "autor" plagista de uma plataforma neoliberal em plena execução. O que a burguesia não teve a capacidade de aferir foi o momento exato em que esta "ponte" começaria a "cobrar pedágio". Com a extrema precipitação dos acontecimentos Temer assume no golpe palaciano "temporão", com a ajuda da escória parlamentar que ceiava na véspera com Dilma. Neste contexto de profunda crise do regime o governo "golpista" se sustenta exclusivamente pelo suporte dos rentistas e parcialmente da mídia, que só o apoia na execução do "ajuste" inconcluso, pela via do "primeiro ministro" Henrique Meirelles. A "corte" parlamentar de Temer reúne o pior esgoto da política nacional e por isso mesmo não pode ser tolerada por muito tempo pelos estrategistas de Washington, devendo ser sistematicamente enxovalhada pela mídia "murdochiana", este é o "segredo" da tempestade de vazamentos contra os principais caciques do PMDB.

Ainda é cedo para precisar se a "República de Curitiba" toma de assalto o Planalto por meio de eleições diretas ou indiretas (Congresso Nacional), a variante está condicionada a evolução da recessão capitalista e o cumprimento da missão "temerária", ou seja, aprovação das contrarreformas pelo parlamento. Também falta definir no útero da "Lava Jato" se o "salvador da pátria" será mesmo Moro ou se o jovem procurador Dallagnol aglutina condições para cumprir a "tarefa". O importante mesmo para os Marxistas é projetar o cenário que se avizinha, organizando a classe operária para uma etapa histórica muito parecida com o final do "Estado Novo" (guardado as proporções), onde Getulio atuou não mais como um simples ditador reacionário e sim como um Bonaparte contra as todos seus velhos "aliados de classe", em favor dos interesses ianques no país. Porém o futuro governo Moro não terá um único aspecto progressista, a estagnação capitalista não permite mais a burguesia brasileira inflexões nacionalistas, devemos nos preparar então para uma tática de vigorosa resistência a subtração das liberdades democrática e acúmulo de forças do proletariado para derrotar o bonapartismo emergente.
OBAMA EM HIROSHIMA: CINISMO PACIFISTA DO IMPERIALISMO GENOCIDA IANQUE A SERVIÇO DE UMA NOVA OFENSIVA MILITAR CONTRA A CHINA COM A AJUDA DO SUBMISSO JAPÃO


Barack Obama, em visita a cidade japonesa de Hiroshima nesta sexta-feira (27.05), cinicamente afirmou “Há 71 anos a morte caiu do céu, e o mundo mudou. Não somos obrigados a repetir os erros do passado”. Como “lobo na pele de cordeiro”, ele depositou uma coroa de flores no local onde foi jogada a primeira bomba atômica do mundo em agosto de 1945. Mesmo fazendo demagogia e declarando-se contra o uso de armas nucleares, Obama sequer fez um pedido oficial de desculpas ao povo japonês. Demagogia a parte, a visita de Obama ao Japão tem objetivo militar preciso: estreitar os laços com os países do sudeste asiático como parte da sua “doutrina” voltada para cercar a China. Japão e Filipinas reivindicam para si, entenda-se para os EUA, o domínio colonial das centenas de ilhotas no Mar da China, desabitadas, porém ricas em jazidas de petróleo e gás natural. A estratégia de defesa do Pentágono tem a China como alvo e por isso intensifica suas manobras políticas e militares no Oceano Pacífico. Evidentemente que as “intenções” ianques não se resumem à questão meramente petrolífera. Trata-se da expansão de seu domínio geopolítico e militar na região em litígio, ou seja, visa não só minar a influência chinesa nesta parte do globo, como principalmente “ganhar terreno” em direção a Coreia do Norte a fim de enfraquecer a todo custo o Estado operário. De quebra, pressiona militarmente a China visando neutralizá-la diante da futura agressão imperialista ao Irã. Como se observa nada tem de pacifista a ronda que Obama foi fazer no Japão, a pauta da reunião do G7 e a retomada das relações políticas e diplomáticas com o Vietnã, onde ele anunciou que “Os Estados Unidos encerram a proibição da venda de equipamentos militares ao Vietnã, em vigor há quase 50 anos”. Toda a movimentação do imperialismo na região tem como o objetivo estratégico a guerra de rapina e não o contrário. Por esta razão, os revolucionários denunciam as “lágrimas de crocodilo” de Obama e recordam que os mesmos interesses colonialistas que levaram os EUA a lançarem as bombas em Hiroshima e Nagasaki estão agora voltados contra a China, contando com o submisso Japão para esta nova investida belicista da Casa Branca.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

“TOMANDO EMPRESTADO” O AJUSTE NEOLIBERAL DE DILMA: QUADRILHA COMANDADA POR TEMER ANUNCIA DURO ATAQUE AOS SALÁRIOS, SAÚDE E EDUCAÇÃO, DESMANTELO DA PETROBRAS ALÉM DA RAPINA NO BNDES E BB PARA ALIMENTAR ORGIA DOS RENTISTAS

A quadrilha golpista comandada por Temer, cujo “homem forte” é Henrique Meirelles, anunciou as primeiras medidas de ataque aos trabalhadores e ao patrimônio nacional tendo como lema o “corte de gastos públicos”, receita que já vinha sendo aplicada por Dilma e agora está sendo aprofundada. A mais importante é o teto para os gastos públicos, proposta semelhante à que vinha sendo estudada pela equipe econômica da presidente afastada Dilma Rousseff em seu “ajuste fiscal”. Com isso, o limite do crescimento do gasto público seria equivalente à inflação do ano anterior, o que significa cortes de despesas em educação, saúde e arrocho nos salários do funcionalismo: “É parte fundamental e componente estrutural dessa PEC que as despesas de saúde e educação sejam parte desse mesmo processo de mudança das regras de crescimento das despesas públicas no Brasil. É uma medida muito forte que sinaliza um programa de controle de despesa para os próximos anos. Ela é abrangente, forte e que tem efeito continuado” declarou o Ministro da Fazenda. A equipe de ladrões de colarinho branco também anunciou que irá agilizar a abertura da exploração do Pré-Sal para empresas estrangeiras, apoiando na Câmara o projeto aprovado no Senado em fevereiro com o aval da gerente petista, na época denunciado pela LBI como um conchavo imundo celebrado entre Serra e Dilma para entregar nosso petróleo ao imperialismo e apunhalando a combalida Petrobras. O projeto retira da Petrobras a exclusividade das atividades no Pré-sal e acaba com a obrigação de a estatal a participar com pelo menos 30% dos investimentos em todos os consórcios de exploração da camada. Foi anunciada a devolução pelo BNDES ao Tesouro Nacional de pelo menos R$ 100 bilhões para pagar os juros da dívida pública, ou seja, engordar os bolsos dos rentistas e tirar os subsídios da chamada “indústria nacional” como vinha fazendo a Frente Popular. Além disso, será extinto o chamado “Fundo Soberano” criado no marco da política dos BRICS para ser usado em “situações de emergência”. Seus 2 bilhões serão sacados do BB para saciar os “credores privados”,  o que já vinha sendo feito a conta-gotas pela gestão da Frente Popular que no final de 2015 tinha feito o saque de R$ 855 milhões.  Por fim, a Reforma da Previdência será anunciada nos próximos dias. O objetivo da gang neoliberal é apresentar uma proposta de mudança nos critérios para se requerer o benefício da aposentadoria e a idade mínima de 65 anos até meados de junho, tendo para isso o apoio das centrais sindicais alinhadas com os golpistas (UGT, Força). Em resumo, “mais do mesmo” da plataforma neoliberal comum às duas gestões palacianas, tanto que com a queda de Jucá foi mantido provisoriamente no Ministério do Planejamento Dyogo Oliveira. Ele era secretário-executivo do ministro anterior, Nelson Barbosa. Quando houve a troca na gestão Dilma (Barbosa foi para a Fazenda) Dyogo foi junto, na mesma função. Agora tinha voltada à secretaria-executiva do Planejamento com a chegada de Jucá no governo Temer. Como dissemos, essa “interseção” demonstra que a quadrilha de Temer só irá aprofundar o ajuste neoliberal levado a cabo pela gerentona petista. Cabe aos trabalhadores participar dos atos pelo “Fora Temer” com um programa de luta que denuncie essa transição acordada, para derrotar os golpistas nas ruas sem ficar refém do programa de colaboração de classes da Frente Popular, nem das alternativas democratizantes e institucionais das correntes revisionistas do Trotskismo, como “eleições gerais” (PSTU, MES) versus “Assembleia Constituinte” (CST, MRT) ou mesmo do “Plebiscito por Diretas já” (PCdoB, Insurgência). Embora todas maquiadas com o “Fora Temer” são desprovidas de qualquer conteúdo revolucionário e se inserem nas tentativas de salvaguardar o regime da democracia dos ricos em plena decadência histórica. O eixo de agitação e propaganda dos Comunistas Leninistas neste período de instabilidade do regime burguês, no marco geral da ofensiva imperialista neoliberal, deve ser o da construção de uma alternativa independente do proletariado rumo ao seu próprio governo, demarcando vigorosamente com todos os atalhos democratizantes ardorosamente defendidos pelo arco da esquerda reformista!

terça-feira, 24 de maio de 2016

AVANÇA A ORQUESTRAÇÃO DO GOLPE DE ESTADO NA VENEZUELA: MADURO SINALIZA COM A DISSOLUÇÃO DO PARLAMENTO BURGUÊS REACIONÁRIO, BRAVATA DO NACIONALISMO CHAVISTA OU TAREFA HISTÓRICA QUE SÓ O PROLETARIADO PODE ASSUMIR?


Nas últimas semanas o quadro de crise política e econômica aprofundou-se na Venezuela. A oposição de direita capitaneada pelo MUD colheu assinaturas além das necessárias para exigir do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a convocação de um referendo revogatório para retirar Nicolás Maduro da Presidência da República ainda este ano, mas que não foram conferidas em sua autenticidade pelo órgão. Em caso de uma eventual consulta, a revogação do mandato precisaria ser aprovada por número de eleitores maior do que os 7,5 milhões de votos obtidos por Maduro em 2013. O mandato chavista vai até janeiro de 2019. Caso ele seja afastado até o começo de 2017, haveria uma nova eleição, do contrário, o vice-presidente assumiria até o final do exercício. A cúpula do MUD é diretamente ligada à Casa Branca e aos grandes grupos capitalistas que controlam a economia do país. Como resposta a pressão da direita, Maduro lançou mão nesta semana do Estado de Exceção e Emergência Econômica no país e colocou as FFAA de prontidão, com exercícios militares tendo inicio nesta sexta-feira, 20 de Maio. A medida também adia a possível convocação do referendo revogatório por 60 dias e dá poderes adicionais a presidência sem consultar o parlamento controlado pela direita. Além disso, sinaliza com a dissolução do parlamento burguês. O pano de fundo desta aguda polarização política está não somente na crise econômica que assola o país com a queda sistemático do preço do barril de petróleo (que representa mais de 95% das receitas do Tesouro) mas do próprio quadro de esgotamento dos governos da centro-esquerda burguesa no continente, como vimos na Argentina com a vitória de Macri e com o impeachment de Dilma no Brasil. O isolamento de Maduro facilita as investidas da direita. Com a fragilização de sua base social e política o chavismo recorre cada vez mais as FFAA, que podem de fato assumir o controle político do país. Maduro ordenou à Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) que se mobilize para responder a eventuais agressões externas, em meio a um aumento dos conflitos sociais e das tentativas da oposição conservador de tirá-lo do governo central através do referendo revogatório: “Este referendo é para gerar as condições para esquentar as ruas e justificar um golpe de Estado ou uma intervenção estrangeira, para isso estão tentando ativá-lo, com muito pouco apoio”, afirmou em um ato do PSUV. De fato, desde março de 2015 Barack Obama declarou a Venezuela como uma “ameaça” à segurança dos Estados e não está descartado um golpe de estado orquestrado pela direita com o apoio do imperialismo ianque, o que deve colocar o país em uma guerra civil. O próprio Henrique Capriles, porta-voz do MUD e da direita declarou “Não quero dizer se tem alta ou pouca possibilidade. Mas está no ambiente. As Forças Armadas são a garantia da Constituição. Nesse cenário, elas têm que decidir: estão com a Constituição ou com Maduro. Se Maduro ordenar a tomada de uma fábrica à força [prevista no estado de exceção], as Forças Armadas terão que tomar uma decisão se seguem Maduro ou se dizem: ‘Nós não vamos acatar ordens que estejam à margem da Constituição’”. Por enquanto o MUD usa o referendo para mobilizar contra o governo do PSUV e construir as condições para um golpe de estado de direita: “Temos que obrigar essas instituições [CNE e Tribunal Supremo de Justiça] a respeitar a Constituição. Há alguns meses o referendo tinha 40% de apoio [popular]. Agora tem 70%. Se o governo tranca a via democrática com esse controle institucional, o que vai acontecer? Parece um cenário de violência. Trancar a via democrática é jogar gasolina no fogo”. Neste contexto, o Secretário-Geral da Organização dos Estado Americanos (OEA), Luis Almagro, reuniu-se com parlamentares da oposição venezuelana admitindo a aplicação da Carta Democrática Inter-americana contra o país, seguindo assim o script de desestabilização montado pela Casa Branca para possibilitar uma intervenção militar no país. O quadro social, político e econômico reflete a investida do imperialismo e da direita golpista contra o governo Maduro. Frente a esta situação defendemos a unidade de ação com o “chavismo” para derrotar a reação burguesa pró-imperialista, forjando uma alternativa de direção revolucionária para os trabalhadores! Por esta razão reafirmamos que é preciso derrotar com os métodos de luta da classe operária a direita golpista sem capitular ao “chavismo” e seu projeto nacionalista burguês!  Os Marxistas Revolucionários não nutrem ilusões na capacidade revolucionária do Chavismo ultrapassar suas limitações históricas de um movimento radicalizado da burguesia nacionalista, combatemos na mesma trincheira antiimperialista porém somos conscientes de sua incapacidade programática de romper seus vínculos materiais com o capitalismo. Devemos acompanhar a própria experiência das massas e da vanguarda classista com o Chavismo, sem a cooptação das benesses estatais do regime e apontando sempre o caminho do enfrentamento revolucionário com a burguesia nativa e subordinada aos interesses do “grande Amo do Norte”. O fundamental é que o proletariado venezuelano possa construir sua própria independência de classe, erguendo no curso da luta política sua genuína bandeira socialista. As bravatas de dissolução da reacionária Assembleia Nacional feitas por Maduro não passam de uma barganha com a direita golpista, ligada diretamente a Casa Branca. O Chavismo como uma expressão radicalizada do nacionalismo burguês, historicamente é incapaz de levar adiante a tarefa de construção dos conselhos operários de poder, os Soviets. A demagogia Chavista da formação dos conselhos populares e do armamento da população para enfrentar a ofensiva imperialista se mostrou como mais uma falácia da burguesia “bolivariana”, agora diante do aprofundamento da crise social Maduro se apoia exclusivamente nos militares “fiéis”. Porém a história mundial da luta de classes já demonstrou que a “traição” é o principal motor dos golpes de Estado patrocinados pelo “Tio Sam”. A tarefa prioritária da classe operária venezuelana nesta conjuntura de gestação da guerra civil, passa necessariamente pela construção do seu próprio poder estatal (com todas suas instituições embrionárias) para derrotar tanto a direita golpista como a iminente capitulação do Chavismo frente a reação.