quinta-feira, 1 de maio de 2014


Primeiro de Maio: LBI delimitou-se
com os dois atos revisionistas convocando a construção de uma alternativa revolucionária

A cidade de São Paulo foi palco das principais manifestações que marcaram este Dia Internacional dos Trabalhadores no Brasil. O grosso da burocracia sindical dividiu-se entre apoiadores do governo Dilma e dos candidatos da oposição burguesa (Aécio-Eduardo Campos). Através de seus showmícios milionários bancados pelos grupos capitalistas a CUT fez campanha pela reeleição da “gerentona” petista e a Força Sindical (FS) engrossou o coro do tucanato. Os revisionistas também trataram de fazer atos políticos separados competindo em seu programa de reformas do capitalismo a fim de democratizar o regime político burguês. PSTU, PSOL e seus satélites (LER, POR) realizaram uma manifestação esvaziada na Praça da Sé junto com as Pastorais Sociais da reacionária Igreja Católica. O PCO reuniu-se na Quadra do Sindicato dos Bancários-SP (controlado pela máfia da Articulação) em uma panaceia despolitizada e amorfa formada por uma pequena plateia de “delegações”, com direito a ônibus fretados e diárias pagas, sem qualquer relação real com o movimento de massas e sua vanguarda mais combativa. Além de denunciar a farsa pró-patronal montada pela CUT e a FS, a LBI delimitou-se com os dois atos revisionistas que ocorreram na capital paulista. A pequena, porém, aguerrida militância de nossa corrente política distribuiu nestas duas atividades o manifesto “Nem levantar o ‘fantasma’ da ameaça do golpe, Nem apoiar o eleitoralismo de ‘esquerda’! Por um Primeiro de Maio internacionalista de luta contra a ofensiva imperialista sobre os povos!”, abrindo um importante debate com vários ativistas que representam os setores mais conscientes dos trabalhadores. Como nos ensinou Trotsky um debate político se ganha com a “justeza das ideias e não com o número de pessoas que um aparato possa juntar”, neste sentido a LBI pode-se considerar “vitoriosa” neste Primeiro de Maio apontando o único caminho estratégico correto para a classe operária derrotar a brutal ofensiva imperialista em curso na conjuntura mundial.

Candido Alvarez, Secretário Geral da LBI, na banca do JLO
na Praça da Sé junto à militância da regional de São Paulo


O principal ato político da “esquerda” contou com apenas cerca de mil pessoas. PSOL e PSTU estavam dividindo o palanque controlado por “suas” centrais sindicais (Conlutas e Intersindical) em uma pífia medição de força de aparatos que refletem as disputas sindicais e eleitorais em curso, como professores de São Paulo e Químicos do Vale do Paraíba. No campo eleitoral da democracia dos ricos ambos partidos devem sair separados na disputa presidencial, como “dois lados da mesma moeda”. Não por acaso, o que se viu no programa defendido por estes agrupamentos neste Primeiro de Maio foi uma total unidade em defesa dos neonazistas na Ucrânia, saudados por estes revisionistas como a vanguarda da “revolução” contra os “resquícios do stalinismo” na antiga república soviética. Já no Brasil, o PSOL e seu candidato a presidente, Randolfe Rodrigues, segue apoiando as iniciativas da direita demo-tucana contra o governo do PT, no que é acompanhado pelo PSTU como uma sombra disciplinada, tanto que os morenistas denunciam a “grande novidade” de haver “corrupção na Petrobras” com o único objetivo de conseguir uma vaguinha no parlamento burguês diante da queda de Dilma e dos candidatos da frente popular nas pesquisas. Diante dos ativistas presentes na Praça da Sé, o núcleo de militantes da LBI de São Paulo defendeu a necessidade de dotar as manifestações contra a Copa do Mundo de um programa revolucionário denunciando o grande negócio capitalista em curso que beneficia a mafiosa FIFA e as quadrilhas de todos os partidos burgueses, sejam ligadas ao PT ou a oposição burguesa (PSDB, PSB-Rede). Por seu turno, nos postamos em defesa da luta contra o fascismo na Ucrânia, que hoje ataca os trabalhadores das cidades do Leste do país por estes desejarem através de suas “repúblicas populares” se unificar com a Rússia. Nesse sentido, aproveitamos a atividade para vender dezenas de Jornais Luta Operária que aborda esta questão, assim como para denunciar o bloco revisionista (PSTU-CST-LSR-LER-TPOR) que se coloca no campo da contrarrevolução, repetindo a conduta vergonhosa que tiveram quando da queda do Muro de Berlim e da URSS! Estes são os mesmos que saudaram as bombas da OTAN na Líbia ou os ataques dos “rebeldes” na Síria em nome da chamada “Primavera Árabe” que só levou barbárie social a estes países! Por fim, fizemos o chamado aos lutadores presentes em somar-se a campanha nacional que a LBI desenvolverá neste segundo semestre contra o circo eleitoral da democracia dos ricos, chamando não só o boicote ativo, mas a organização de um encontro nacional para organizar este combate que denunciará não somente a frente popular e a oposição conservadora, mas também o cretinismo parlamentar da “esquerda” revisionista em todas suas variantes!

Da esquerda para a direita: Roberto Bergoci,
dirigente do CR SP/LBI, Candido Alvarez, SG/LBI
e Marco Queiroz, Porta Voz nacional/LBI


A militância da LBI em São Paulo também foi ao ato do PCO para denunciar sua falsa política “contra o golpismo e a direita”. Distribuímos nosso manifesto para uma “plateia” completamente despolitizada e sem qualquer ímpeto de defesa das posições distracionistas de Causa Operária. Não era para menos! Os que saudaram a “revolução” que impôs a restauração capitalista na URSS comemoraram a queda do Muro de Berlim, festejaram a derrubada de Kadaffi pela OTAN e chegaram a vibrar com os “rebeldes” na Síria, agora dizem que no Brasil Dilma pode ser vítima de um “golpe da direita”! O PCO que se emblocou com golpistas reacionários no mundo afora (e acaba de fazê-lo na Argentina ao comemorar a deflagração de uma greve reacionária contra Cristina Kirchner), de repente descobriu que supostamente a reação burguesa deseja derrubar o governo do PT, que o golpe está em curso! Chamam a formação de uma “frente única antifascista” justamente quando a burguesia nativa aposta todas suas fichas na continuidade do projeto de colaboração de classes do governo da frente popular através da reeleição da “gerentona” petista, usando as candidaturas de Campos e Aécio apenas para chantagear Dilma em busca de um segundo mandato ainda mais servil aos interesses do capital! O mais tragicômico é que Causa Operária coloca entre os “golpistas” e “a serviço da direita” o movimento “Não vai ter copa” que por mais limitado que seja agrupa a juventude radicalizada em importantes manifestações de rua que questionam a farra bilionária do mundial da FIFA. Também não por acaso, longe de defender a destruição do aparato repressivo pela via revolucionária, os revisionistas do PCO se colocam pela “dissolução da PM”... talvez acreditando que o governo burguês do PT e seus aliados possam tomar tal medida para inibir os supostos “golpistas”! No campo internacional o núcleo de militantes da LBI denunciou que os que agora se dizem contra os fascistas na Ucrânia foram os mesmos que festejaram a dissolução da URSS e a transformação das repúblicas soviéticas em colônias capitalistas. Por tudo isso, a proposta do PCO contra o “golpismo” soa como uma piada de salão! Longe de representar uma delimitação com o ato da Praça da Sé organizado pela “frente de esquerda”, a atividade do PCO é a demonstração de simples autopreservação completamente artificial, própria de um partido incapaz de dar um vivo combate de princípios contra seus “primos” do PSTU com quem até ontem estavam unidos saudando a queda de kadaffi pelos “revolucionários” pró-OTAN. Todos esses elementos só reafirmam no terreno nacional o que declaramos em nosso manifesto distribuído no ato do PCO sem que ninguém se atrevesse contestar a militância da LBI: “Combater vigorosamente a atual ofensiva reacionária das classes dominantes nada tem a ver com levantar o ‘fantasma’ do golpe, que deve ser compreendido na dinâmica concreta da correlação de forças entre as classes sociais e nunca como a necessidade do ‘rebaixamento’ de nosso programa comunista para possibilitar a suposta ‘derrota da direita’”.


Diante da completa carência de um verdadeiro ato de Primeiro de Maio, classista e internacionalista, que agrupe a vanguarda na luta contra a ofensiva imperialista sobre os povos assim como para levar a frente o combate contra o recrudescimento do regime político da democracia dos ricos em nosso país, a LBI convoca o ativismo classista, os coletivos e as organizações que se reclamam revolucionários a somarem esforços para que o próximo Dia Internacional dos Trabalhadores seja marcado pela construção de uma alternativa política e organizativa revolucionária para agrupar um polo de vanguarda anticapitalista e anti-imperialista. A LBI conseguiu em 2009 junto com outros agrupamentos realizar com pleno êxito na Praça Ramos no centro da capital paulista um combativo ato com o eixo político “Primeiro de Maio classista e independente do Estado, dos patrões, dos pelegos e da frente popular”. Neste momento, faz-se urgente retomar aquela importante e histórica iniciativa para que os marxistas proletários possam dar o combate sem trégua, a fim de manter a independência política de classe diante da burocracia sindical “chapa branca”, da oposição burguesa e dos revisionistas da “frente de esquerda” e do PCO. Nesta tarefa desde já a militância da LBI em São Paulo e em nível nacional, dentro de suas modestas forças, está empenhada neste desafio, seguindo o exemplo que o velho Trotsky no deixou em sua rica e perseverante batalha pela construção do partido revolucionário, a IV Internacional!