Obama anuncia plano de guerra contra o EI no Iraque: Mais
uma vez os revisionistas do marxismo se aliam ao imperialismo ianque contra os
“bárbaros fundamentalistas islâmicos”
Às vésperas de se completar 13 anos do “11 de Setembro” de
2001, data em que a Al Qaeda atacou as Torres Gêmeas (onde se encontrava um
escritório da CIA) e o Pentágono em pleno território norte-americano, em uma
resposta militar por meios militares não convencionais à guerra sistemática que
o imperialismo ianque desencadeava no Oriente Médio, Obama anunciará um plano
de ação contra o Estado Islâmico (EI) no Iraque. O “falcão negro” declarou que
“Essa administração vem sistematicamente desmantelando a al-Qaeda. Acabamos de
anunciar a morte do principal líder do al-Shabaab, a organização terrorista que
atua na Somália. O Estado Islâmico é uma grande ameaça por causa de suas
ambições territoriais no Iraque. O que vamos fazer com nosso plano de ação é
similar aos tipos de campanhas anti-terroristas nas quais estivemos envolvidos
consistentemente nos últimos cinco, seis, sete anos. E a boa notícia é que, por
causa da liderança dos Estados Unidos nesse processo, eu acredito que uma
coalizão internacional ampla regional e internacional será capaz de lidar com
esse problema” (BBC, 07/09). Apesar disso, a “esquerda” volta a repetir com
relação ao EI a mesma cantilena utilizada contra a Al-Qaeda há 13 anos agora no
Iraque. Alegam que os jihadistas são uma “criação do imperialismo” para
justificar seu silêncio vergonhoso diante dos novos bombardeios do imperialismo
ianque ao EI no Iraque e sua negativa de estabelecer uma frente única com as
“bárbaras” forças islâmicas contra a ofensiva militar desencadeada pelo
Pentágono no país.
Desde o PCB até o PCO, passando por outros grupos
revisionistas do trotskismo, há quase um consenso dentro da “esquerda” em
declarar que o EI, antes denominado ISIS, é uma “criação da CIA” para negar-se
a repudiar os bombardeios imperialistas no Iraque e estabelecer a unidade de
ação com os “fanáticos” do EI no país quando estes são atacados pelas bombas
das potências capitalistas. O PCB é explícito nesta posição ao declarar: “O
ISIS é o novo 11 de Setembro” (06/09). Por sua vez, Causa Operária proclama que
“Estado Islâmico é mais um resultado do imperialismo na região” (CO, 08/09).
Existem grupos que de tão desorientados chegam a pregar a frente de ação com o
governo do Iraque (Agente da Casa Branca), alegando que o EI é uma cria da CIA
e do Mossad, em uma posição de unidade militar com Obama! Pior, alguns destes
canalhas dizem mesmo, como os stalinistas do PC da Turquia (de quem o PCB
copiou a posição), que “O ISIS não está fora de controle. Podemos
tranquilamente dizer que o ISIS, com o seu novo nome de Estado Islâmico, tem
estado a atuar maravilhosamente para os interesses dos EUA”. Em resumo, o grupo
jihadista atuaria sobre as ordens de Obama para controlar o Iraque! Felizmente, a realidade desmente a “tese” furada destes reformistas porque Obama e o
Pentágono vem bombardeando impiedosamente as bases do ISIS no Iraque! Porque o
imperialismo atacaria seu aliado? Simplesmente porque neste momento o EI não
está em “missão sob as ordens da CIA”, ao contrário voltou as mesmas armas que
chegou às suas mãos através das potências capitalistas com a finalidade de
derrubar Assad e para combater o governo títere da Casa Branca no Iraque.
Somente bucéfalos reformistas ignoram a possibilidade de em “circunstâncias
excepcionais” (pressão da luta de classes, espoliação nacional, guerra de
ocupação), para usar as palavras de Trotsky, grupos anteriormente financiados
pelo imperialismo para combater a URSS na década de 80 e mais recentemente
governos nacionalistas burgueses (como Assad na Síria) se voltarem circunstancialmente
contra seus antigos patrocinadores. A pressão política das massas e seu
sentimento anti-imperialista obrigam as direções islâmicas a adotarem uma
postura “radical” contra alvos imperialistas, mas sem a consequência de uma
luta internacional proletária contra o capitalismo mundial. Por isso, essas
direções nacionalistas burguesas oscilam em momentos históricos, ora combatendo
os interesses do proletariado, como no caso da ocupação soviética em 79, ora
combatendo o imperialismo, como na Guerra do Golfo, ou no atual enfrentamento
militar com os EUA. Esta possibilidade teórica, que se transformou em realidade
no “11 de Setembro” de 2001, com a guerra do Afeganistão e agora no Iraque,
exige dos revolucionários usar o “guia para ação” que é o Marxismo para adotar
uma posição de unidade de ação com estes grupos bárbaros e reacionários que são
nossos adversários políticos, mas que se chocam com as forças do
imperialismo, o principal inimigo dos povos como dizia Lênin.
Ainda segundo o PCB, “O ISIS é uma operação encoberta dos
EUA. É uma operação nova e melhor planejada do que o ataque do 11 de Setembro.
É o resultado da estratégia do ‘caos criativo’... A aliança com o imperialismo
contra forças reacionárias e a aliança com forças reacionárias contra o
imperialismo têm de ser severamente condenadas” (06/09). Em resumo, devemos
adotar o derrotismo em todos os dois casos. Desta forma, estes reformistas
rompem com o mais elementar do leninismo, que defende a unidade de ação com
forças não revolucionárias quando estas se postam em confronto com o
imperialismo. Qual a posição do PCB frente aos bombardeios dos EUA ao EI no
Iraque? O PCB está pela vitória militar dos EUA ou do EI no país? Lembremos que
em setembro completou-se um mês que se iniciaram os bombardeios aos jihadistas
no Iraque. Desesperado com a iminência da perda de sua influência no Iraque,
Obama ordenou o ataque a estes grupos islâmicos que foram inclusive treinados e
financiados no passado pela CIA e o Mossad, mas que agora ocupam de forma dispersa
o papel de resistência militar às tropas da Casa Branca. No momento em que o
Pentágono não controla seu próprio “feitiço” e a “hidra raivosa” se volta
contra o amo imperialista, novamente a LBI se coloca pela derrota militar do
imperialismo, mesmo que seja pelas mãos bastardas reacionárias do
fundamentalista EI. Como Marxistas-Leninistas mantemos a posição que adotamos
quando dos ataques de setembro de 2001. Naquele dia, os mesmos “terroristas
islâmicos” (também anteriormente treinados pela CIA) atacaram o coração do
imperialismo ianque utilizando-se de meios militares não convencionais como
resposta a sistemática guerra de rapina levada a cabo pelos EUA no Oriente
Médio, acontecimento que muitos revisionistas com sua teoria da conspiração
“made in CIA” recorreram para desconsiderarem a capacidade de “contraofensiva”
dos povos oprimidos. Agora que o EI (como foi na época a Al-Qaeda) também é
apresentado pelos papagaios da família revisionista e mesmo pelos
neo-stalinistas do PCB como verdadeiros agentes do Mossad e da CIA como
pretexto para estes canalhas não se colocarem contra os bombardeios
imperialistas e os ataques de seus capachos do exército iraquiano.
Novamente, muitas vozes dentro da esquerda e das correntes
pseudotrotskistas alegam para não defender a unidade tática com o EI contra o
imperialismo que seus líderes foram treinados pela CIA ou mesmo o Mossad, assim
como combateram na Líbia e na Síria contra os regimes nacionalistas. Como
Marxistas da LBI, estivemos na linha de frente na defesa dos governos da Líbia
e Síria contra as milícias fundamentalistas islâmicas, apoiadas diretamente
pelos EUA para defenestrar os regimes nacionalistas burgueses da região árabe e
muçulmana, enquanto estes mesmos canalhas revisionistas (desde a LIT até o
PCO!) saudavam a farsesca “revolução árabe”. Também fomos muito firmes no
alinhamento militar com o regime de Saddam Hussein em 2003 quando toda a
esquerda revisionista bradava a falta de democracia no Iraque, para logo
justificar seu apoio político envergonhado à intervenção militar do facínora
Bush. Por esta razão temos toda a moral política de afirmar que a trajetória
reacionária destes grupos islâmicos não impede os leninistas de se postarem
pela sua vitória militar quando atacam alvos imperialistas ou são atacados pela
Casa Branca, pois mantemos nossa independência política no curso da guerra. O
mesmo PCO que apoiou a “revolução árabe” na Líbia se colocando ao lado da OTAN
contra Kadaffi, afirma agora no Iraque que “O EI foi financiado e treinado
diretamente por aliados do imperialismo na região, como a Arábia Saudita e os
Emirados Árabes Unidos. Há também denúncias de que o próprio Al Baghdadi teria
recebido treinamento do Mossad, serviço secreto de Israel. O imperialismo
estimula a violência sectária entre xiitas e sunitas (e outras frações do islã)
para dividir a luta contra a presença do próprio imperialismo” (Idem).
Novamente perguntamos: porque Obama e o Pentágono estão bombardeando o EI?
Simplesmente porque a “cria se voltou contra o mestre” no Iraque. Os mesmos que
combatem Assad na Síria lutam contra o títere imperialista no Iraque! A
dinâmica da mudança dos “papéis” do Taleban, da Al Qaeda e do próprio EI no tabuleiro
da política mundial e dos interesses do imperialismo é produto direto da
própria evolução da luta de classes, dos desdobramentos sociais do fim da URSS
e do tremendo retrocesso político das organizações frentepopulistas e
nacionalistas. Por isso refutamos a tese de “colar” mecanicamente a figura
política dos talebans e do EI como uma simples “criação da CIA”.
O conflito militar no Iraque aponta que os EUA vão
aprofundar sua ofensiva bélica na região, abrindo mais uma perigosa frente de
batalha. Foi esta realidade que forçou Israel a interromper sua operação
militar genocida na Palestina antes do previsto. Grupos ligados ao EI na
Palestina estavam se fortalecendo e pregando a unidade militar contra o enclave
sionista, outro patrocinador do mesmo EI na Síria, chamando inclusive a
conformar uma frente com o Hezbollah, adversário do EI na Síria! A Casa Branca
sabia que esta unidade é incendiária e ordenou que Netanyahu recuasse
temporariamente para ambos se concentrarem no Iraque. Tanto que Obama vai
anunciar nesta semana plano para começar uma nova ofensiva contra o EI. O
falcão negro declarou, ligando os atuais ataque no Iraque ao 11 de setembro que
“Quero que todos entendam que não temos nenhuma informação da inteligência
sobre alguma ameaça imediata a nosso país por parte do grupo Estado Islâmico”
(G1, 07/09), disse Obama. Aviões de guerra americanos lançaram neste domingo
(7) novos ataques contra o grupo Islâmico que ameaçam controlar a represa de
Haditha. O líder de uma força paramilitar pró-governo iraquiano no oeste do
Iraque disse que os ataques aéreos dizimaram uma patrulha do Estado Islâmico
que estava tentando controlar a represa, a segunda maior usina hidrelétrica do
Iraque: “Eles (os ataques aéreos) foram muito precisos. Não houve danos colaterais...
Se o Estado Islâmico conseguisse controlar a represa muitas áreas do Iraque
teriam sido seriamente ameaçadas, até mesmo (a capital) Bagdá”, disse à agência
de notícias Reuters o Sheik Ahmed Abu Risha. Tais fatos revelam a verdadeira
“unidade de ação” entre o governo do Iraque e o Pentágono, sob o aplauso dos
revisionistas e reformistas de plantão que apesar de todas as evidências mantém
o cínico discurso que o EI é aliado dos EUA no Iraque!
A LBI tem demonstrado que sabe diferenciar cada situação da
luta de classes (como estar do lado oposto dos talebans na ocupação soviética
do Afeganistão) e determinar a função concreta que as forças políticas
burguesas que se enfrentam com o imperialismo cumprem em cada momento da
história, sem nunca ocultar seu caráter de classe e seus objetivos estratégicos
opostos ao proletariado e sua organização independente. Agora no Iraque temos
um lado: Estamos pela vitória militar do EI contra o governo fantoche do
Iraque, “sucursal” da Casa Branca e pelo fim dos bombardeios ordenados por
Obama! Por isso defendemos que o EI deve vingar o ato terrorista dos EUA no
Iraque e nos declaramos pela unidade de ação com as forças que estão em luta
contra o imperialismo neste país. Na Síria nos mantemos ao lado de Assad e contra
o EI, repudiando qualquer bombardeio imperialista ao país. Nesse combate
consideramos legítima toda e qualquer ação de resistência armada das massas à
dominação belicista das metrópoles capitalistas sobre os povos oprimidos e
nunca como “atos terroristas”, porque os verdadeiros assassinos estão na Casa
Branca e na luxuosa sede da OTAN em Bruxelas!