terça-feira, 11 de outubro de 2011

Regime militar egípcio reprime violentamente minoria cristã copta, são os ventos da “revolução” made in USA

A saída forçada do corrupto Mubarak no Egito no início deste ano suscitou um importante debate no interior da esquerda marxista, afinal o que teria acontecido no antigo país dos faraós, uma "revolução democrática" como sustenta a Casa Branca e o conjunto da esquerda revisionista ou uma transição ordenada “por cima” do regime político, como afirmam os trotsquistas da LBI? Os violentos acontecimentos posteriores vão demonstrar cabalmente que a junta militar que assumiu o governo após a queda de Mubarak está muito distante de representar uma “revolução” seja democrática ou o que diabo for!
Os generais que controlam o Egito, todos pertencentes ao antigo staff de Mubarak, vem desencadeando ações de brutal violência contra as massas e minorias opositoras, como o verdadeiro genocídio perpetrado pelos militares contra os cristãos coptas no último domingo e segunda-feira (10/10), deixando um sinistro saldo de vinte e cinco mortos e mais de trezentos feridos. Os cristãos coptas (a palavra significa egípcio) que representam cerca de 10% da população, convivem harmonicamente por mais de treze séculos com os muçulmanos, maioria religiosa nacional, vem sendo alvo de ataques de grupos armados sunitas, organizados pelo governo militar com o objetivo de se mostrar “fiel” ao Islã. Em um massivo protesto, que contou inclusive com o apoio de lideranças muçulmanas, os coptas foram barbaramente reprimidos por batalhões especiais do exército, os mesmos que atuaram na desocupação da embaixada de Israel no Cairo. A ação assassina do governo provocou a renúncia do vice primeiro ministro, Hazem Beblaui, que qualificou como “desastrosa” a repressão do exército contra a minoria cristã.
A monstruosa chacina organizada contra os coptas ocorre às vésperas das eleições parlamentares, que ocorrerão para a elaboração de uma nova constituição no país. A junta militar busca uma aproximação com a organização “irmandade muçulmana” no sentido de emplacar a candidatura a presidência da república do representante da ONU, El Baradei, ungida desde Washington por Obama. O ataque a uma minoria considerada “ocidental" como os coptas, representa uma cortina de fumaça na política pró-imperialista dos generais, tão corruptos e entreguistas quanto Mubarak, mas apresentados pela esquerda revisionista como “paladinos da liberdade”. O proletariado egípcio precisa construir suas próprias ferramentas políticas, para realmente protagonizar uma genuína revolução socialista, que se estenda para todo o Oriente árabe. No momento as manobras da burguesia para conter o ascenso de massas, como a constituinte e as próprias eleições presidenciais, não passam de mais um capítulo da transição institucional “por cima” avalizada pelo imperialismo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PS francês escolhe um neoliberal para concorrer à presidência, enquanto o NPA segue apoiando a política imperialista de Sarkozy na Líbia

Cerca de dois milhões de franceses pagaram um euro para participar das eleições primárias do Partido Socialista que elegeu o neoliberal François Hollande para disputar pelo partido as próximas eleições presidenciais. Hollande um “socialista” moderado, pela ótica da burguesia francesa, derrotou esmagadoramente nas prévias a ex-candidata presidencial do PS, Ségolène Royal, em uma demonstração de que o imperialismo francês em plena crise econômica não admitirá nenhuma demagogia de “esquerda” nas próximas eleições, onde a derrota de Sarkozy é praticamente certa. O ex-diretor do FMI, Strauss Kahn, abatido em pleno vôo pelo “colega” Obama, participou das internas “socialistas” apoiando o nome derrotado de Martine Aubry, que tinha lhe prestado solidariedade no período de sua prisão em Nova York.

A França tem atravessado a atual crise financeira da Europa com relativa estabilidade social, ao contrário de seus vizinhos imperialistas Itália e Inglaterra. A derrota da prolongada greve geral francesa no ano passado deixou raízes políticas profundas na consciência do proletariado, levando a uma certa letargia em sua ação na atual conjuntura. Em 2010 na época da greve geral contra a reforma da previdência, alguns estúpidos revisionistas chegaram a afirmar delirantemente que Sarkozy não governava mais, enquanto as centrais sindicais como a CGT e FO praticavam o mais puro economicismo, muito distante de qualquer horizonte de poder para a classe operária. Agora as expectativas de ação direta do proletariado se transferiram paras as próximas eleições presidenciais, onde equivocadamente apostam no “castigo” ao governo Sarkozy.

No campo da esquerda revisionista, que foi cúmplice do sindicalismo corporativista na greve geral passada, as chances de colherem um bom resultado eleitoral é quase nula. O NPA, ex-LCR seção do SU, passou todo o último semestre a felicitar a política imperialista de Sarkozy na Líbia, apoiando o fornecimento de armas aos “rebeldes” made in OTAN. A cada bombardeio das forças imperialistas contra uma nação semicolonial, os calhordas do NPA festejavam como a “conquista da liberdade” para o povo líbio. Olivier Besancenot, ex-candidato à presidência pelo NPA, chegou a reivindicar as ações da OTAN como necessárias contra o que qualificou de uma “ditadura sangrenta”. Desgraçadamente, todo o Trotskysmo revisionista francês se perfilará na sombra do NPA, uma verdadeira ala de “esquerda” do seu próprio imperialismo doméstico. A exceção deverá ficar por conta mesmo do Lambertismo, hoje nem mesmo uma parca sombra do que já foram no passado recente, uma legenda oca alugada a parlamentares “socialistas” dissidentes. Sem uma opção classista e anti-imperialista, a vanguarda mais consciente do proletariado deverá convocar o boicote ativo à farsa das eleições presidenciais, que ganhe quem ganhar em nada mudarão o cenário de ataque às conquistas históricas da poderosa classe operária francesa.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sarah Palin do Tea Party desiste da disputa à presidência, uma gentileza para o “neo”falcão Obama

A corrida eleitoral pela Casa Branca parece estar se afunilando mesmo antes das prévias partidárias que começarão ano que vem. O fato novo foi a decisão do Tea Party em abrir mão da disputa à presidência dos EUA, anunciando prematuramente a desistência da “badalada” Sarah Palin. O anúncio do TP corresponde na verdade ao fortalecimento do presidente Obama que mesmo desgastado com a crise econômica que castiga o país teve o seu “reconhecimento” no plano internacional com o “sucesso” da intervenção militar ianque na Líbia. A chamada “revolução árabe”, uma operação política engendrada no Pentágono conseguiu galvanizar a esquerda reformista no apoio à ocupação da OTAN, a um país oprimido semicolonial, com a fachada de “ajuda humanitária”.

Com este trunfo na “manga” Obama, antes considerado um “banana” pela extrema-direita republicana, passa a ser tratado como opção preferencial do imperialismo para enfrentar os próximos “desafios” dos EUA. As intervenções imperiais na Síria, Irã e Cuba deverão seguir o mesmo roteiro “democrático” do que ocorreu na Líbia. Neste sentido, as candidaturas republicanas que restaram, a do governador do Texas Rick Perry e do ex-governador de Massachussetts Mitt Rommey, não devem estabelecer uma grande ameaça à “estratégia” Obamista considerada mais adequada em tempos de profunda crise capitalista. No plano interno do próprio partido Democrata, a oligarquia Clinton também já se deu por convencida a “engolir” o “ banana” em troca da manutenção do controle do Departamento de Estado por mais uma gestão.

O surgimento de uma oposição pequeno-burguesa, com características “antineoliberal”, não deverá tirar o sono de Obama. Fenômenos sociais como este da “ocupação de Wall Street” são incapazes de estabelecer um vínculo mais orgânico com a poderosa classe operária norte-americana, pela absoluta ausência de uma perspectiva revolucionária. O recente exemplo da dinâmica política dos “indignados” espanhóis já demonstrou as profundas limitações de movimentos desta espécie. A tentativa de buscar a substituição do proletariado por novas “vanguardas”, feita pela esquerda revisionista no passado recente, já se mostrou completamente falida. Somente a construção de um verdadeiro partido operário com influência de massas poderá representar uma real alternativa ao embuste que significou a eleição do “negro” Obama e que agora ameaça se repetir sob a forma de desastre.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Morreu Steve Jobs: Ladrão que rouba ladrão e é roubado por outro... esta é a história do “empreendedorismo” yanki

A morte do “CEO” da Apple, para usar um termo “modernoso” que identifica agora o chefão de uma grande corporação, Steve Jobs, centralizou a atenção da mídia mundial nesta última quinta-feira (06/10). Sítios de poderosas transnacionais se desmanchavam em lágrimas para lamentar a perda do “deus” da criatividade siliciana, ressaltando o velho jargão de sua “história pessoal de superação”, hoje uma verdadeira febre do “marketing” da crise capitalista. Mas também alguns bucéfalos da esquerda revisionista não perderam muito tempo e logo saíram para reverenciar o legado de Jobs, glamorizando-o em oposição ao “ladrão” e “cinzento” Bill Gates da Microsoft. Mas a história de uma mega empresa imperialista, como a Apple e seu “capo” Jobs, está muito distante de ser um romance protagonizado por “mocinhos e bandidos”, assemelhasse mais a uma operação real de pirataria moderna onde a única “ética” possível é a da maximização do lucro e o acúmulo de capital, afinal não foi por “criatividade” que Jobs morreu deixando um patrimônio pessoal declarado de mais de dez bilhões de dólares.

A verdadeira história da Apple, quando os jovens Steve e Wozniak resolveram formar a empresa em 1976, já começa com o roubo do logo e da marca “Apple”, empresa fundada pelos Beatles em 1968. Wozniak aportou os recursos para a produção da primeira “engenhoca” artesanal da Apple e Jobs tratou de buscar seu “aprimoramento” tecnológico, logo na direção de “copiar” um protótipo do PC que a Xerox pretendia desenvolver. Realizado com êxito o segundo roubo, a Apple deslancha no embrionário mundo da informática, capitalizando-se no mercado de grandes investidores acionários tornando-se assim também uma corporação capitalista sem fronteiras. O “poderoso” Jobs tenta assumir traços da personalidade de Lenon (o uso dos óculos e outros “trejeitos”) de quem no passado fora fã e ladrão e relaxa no comando da Apple até ser roubado pela IBM e Gates. A Apple amarga dias difíceis com a perda da hegemonia do mercado de PC's e Jobs é obrigado a sair do controle da empresa. Passado mais de uma década fora da Apple, onde cria as empresas Pixar e Next, Jobs é procurado por dois jovens cientistas japoneses da Sony que lhe apresentaram a idéia do iPod, Jobs pediu um tempo para analisar o projeto dos ingênuos nipônicos e logo o apresentou a própria Apple como trunfo de barganha de seu retorno a presidência da empresa. De volta a sua transnacional e com o sucesso de vendas do iPod, Jobs agora é entronado como o rei da inventividade moderna, deixando no ostracismo seu desafeto Bill Gates e seu “superado” Windows.

Mas a consagração “eterna” viria mesmo com o lançamento do iPhone, a “revolução da revolução", só para não perder o costume também roubado de uma grande empresa sueca. Dai foi só aumentar o tamanho do iPhone e lançar o atual tablet da Apple, que voltou a hegemonizar o mercado da informática mundial até ser roubada por outro “criador genial”. Como marxistas leninistas não reivindicamos a “obra” pessoal de Steve Jobs e tampouco de sua transnacional capitalista como referência progressista para a classe operária. Pelo contrário suas “descobertas” tecnológicas (se é que realmente existiram) estiveram voltadas para a lógica da circulação do capital e nunca a serviço da libertação humana deste regime da propriedade privada, que ameaça nossa existência. Por isso contra a “consternação dos idiotas” afirmamos em alto e bom som: Jobs não é um dos nossos mortos!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Em tempo de escassez política "ninho" tucano se transforma em "rinha de gavião"

Os capítulos da profunda crise política em que está submersa a oposição burguesa e pequeno-burguesa seguem em ritmo acelerado. Diante da consolidação da hegemonia do "projeto de poder" da frente popular no Brasil, principal partido deste "campo", o PSDB vem se desfazendo nacionalmente. No estado do Ceará foram literalmente engolidos pela oligarquia dos Ferreira Gomes (três deputados estaduais tucanos sobreviveram de uma bancada de cerca de quarenta parlamentares na legislatura anterior), cujo "patriarca" Ciro Gomes, hoje travestido de socialista, até bem pouco tempo atrás não passava de um filhote "lambe botas" do ex-poderoso coronel da industria,Tasso Jereissati, que sequer conseguiu sua reeleição ao Senado da república. Mas o caso emblemático mesmo ocorre no estado "ninho" dos tucanos, onde o governador Alckmin resolveu liquidar de uma vez por todas a "fatura" de seu concorrente interno, José Serra.

O governador paulista mandou retirar da propaganda eleitoral do PSDB simplesmente os nomes do senador Aluisio Nunes e do próprio Serra. Mas Alckmin não ficou só por aí, também fechou as portas do partido para possíveis candidaturas serristas à prefeitura, lançando os nomes dos seus secretários Bruno Covas e José Aníbal para a pré-disputa tucana. Indagado se não tratava-se de uma vingança pessoal contra Serra, Alckmin sugeriu ao seu desafeto procurar legenda no PSD do "pupilo" Kassab. Acontece que o "prefeitinho" criou vida própria e seu partido pensado originalmente por Serra como um "plano B" do naufrágio tucano, transformou-se rapidamente em "partido sim Dilma", abrigando-se na frondosa árvore da frente popular. Assim como Tasso, Serra viu sua criatura escorregar entre os dedos e parar nas mãos do "sapo barbudo", como "carinhosamente" Lula era tratado pelo caudilho Brizola que ainda em vida já perdera a conta da longa lista dos "traíras" que tinham passado pelo PDT, em sua trajetória política.

O esfacelamento das "oposições" deve prosseguir por um longo e tenebroso inverno, até que sob ameaça de extinção completa jogue a toalha e implore pela aplicação da cláusula da "renovação democrática", afinal nem mesmo os vorazes e gananciosos dirigentes do PT pretendem transformar o país em uma Venezuela do "ditador" Chávez, seguindo é claro as orientações da família Marinho. Mas ceder mesmo a gerência do estado burguês só pra depois das olimpíadas no Rio, quando a "burra" já estiver tão cheia que a prudência os aconselhar a ceder a vez! Enquanto isso, o povo trabalhador e oprimido, a vítima efetiva deste regime da democracia dos ricos, assistirá o circo eleitoral em novas temporadas, com novos palhaços e atrações "espetaculares"..., até o momento da construção de uma alternativa realmente revolucionária para acabar com a "grande festa" dos capitalistas decadentes em toda a linha da potencialidade que a humanidade ainda pode realizar.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ofensiva imperialista no Oriente exige fim do regime da oligarquia Assad, enquanto mercenários made in CIA formam seu “Conselho Nacional Sírio”

“A queda do regime sírio do presidente Bashar al-Assad, que reprime há meses uma mobilização opositora, é questão de tempo”, afirmou nesta segunda-feira, 03/10, em Tel Aviv, o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, também anunciando novas sanções comerciais ao país, impedindo que empresas norte-americanas vendam equipamentos de telecomunicações para a Síria. Não por acaso, no mesmo dia, grupos de oposição de direita agrupados no “Revolução Síria 2011” se reuniram em Istambul, na Turquia, e anunciaram a criação do Conselho Nacional Sírio (CNS) nos mesmos moldes do CNT formado pelos mercenários “rebeldes” líbios. Seus membros, exilados na Europa, exigiram uma intervenção “humanitária” internacional: “O Conselho demanda que governos e organizações internacionais assumam as suas responsabilidades no apoio à população síria, que a protejam e interrompam os crimes e as violações de direitos humanos cometidos pelo regime atual ilegítimo”, diz o comunicado (G1, 03/10). Usando mais uma vez cinicamente seu discurso humanitário, o representante do imperialismo ianque respondeu aos seus parceiros da oposição afirmando que “Está claro que é questão de tempo. Quando se mata seu próprio povo de um modo tão indiscriminado como tem sido feito nos últimos meses, fica bem claro que o governo perde toda sua legitimidade" (Idem), declarou Panetta em coletiva conjunta com o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak. No mesmo tom, a ONU informou que a suposta repressão do regime Assad já havia provocado a morte mais de 2.700 pessoas desde que teve início dos conflitos em março passado.

Neste contexto, soa como patético a esquerda revisionista apresentar as ações das arquirreacionárias tribos sírias da oposição de direita como mobilizações espontâneas por “democracia”. O Mossad e a Arábia Saudita têm apoiado grupos islâmicos Salafi, os quais se tornaram ativos no Sul da Síria no início do movimento de protesto em Daraa em meados de março. Já o governo turco do primeiro-ministro Recep Tayyib está apoiando grupos de oposição sírios no exílio e ao mesmo tempo também “rebeldes” armados da Fraternidade Muçulmana no Norte da Síria. A Fraternidade Muçulmana síria, cuja liderança encontra-se exilada no Reino Unido está por trás dos protestos, tendo apoio do M16 britânico. Todos esses grupos integram o chamando Conselho Nacional Sírio (CNS) anunciado não por acaso em Istambul, Turquia!

Dominar o Oriente Médio, debilitar ao máximo ou derrubar os regimes que tem fortes fricções com Washington e controlar os povos que lutam contra o imperialismo: esses são os verdadeiros objetivos da “revolução árabe” saudada por Obama e apoiada pelos revisionistas do trotskismo. A LIT mal consegue esconder seu verdadeiro desejo de ver o imperialismo agredir a Síria quando declara que “apesar de ameaçar com sanções, o imperialismo norte-americano não retira seu embaixador do país, nem pressiona para a uma ação internacional contra Assad, incluindo seu indiciamento pelo Tribunal Penal Internacional; ou ainda não busca convencer a Liga Árabe, que expulsou a Líbia a fazer o mesmo com a Síria” (sítio PSTU, 12/08). Além disso, apóia as forças burguesas arquirreacionárias vendendo-as como "revolucionárias", declarando que “Saudamos as organizações populares que, com coragem e desapego as suas próprias vidas, enfrentam ao ditador Assad. Entre elas, destacamos o aparecimento e a atuação das Comissões de Coordenação Local da Síria, redes que coordenam os protestos e que surgiram ao calor da luta revolucionária, compostas basicamente de jovens e setores populares que jogam um papel independente.” (Declaração LIT, 25/08). A própria imprensa burguesa informa amplamente que “O Conselho Nacional Sírio (CNS) reúne todas as tendências políticas, em particular os Comitês Locais de Coordenação (LCC), que dirigem as manifestações no país, os liberais, a Irmandade Muçulmana, que está proibida há muito tempo na Síria, além de curdos e assírios. A organização conta com um secretariado geral de 29 pessoas, representantes de sete correntes da oposição: seis representantes dos LCC, cinco da Irmandade Muçulmana e das tribos, quatro pela Declaração de Damasco, quatro pela corrente liberal dirigida por Ghalioune, quatro curdos, um cristão e cinco independentes” (G1, 03/10). 

Está colocado frente a escalada política e militar do imperialismo em apoio aos "rebeldes" made in CIA na Síria e na Líbia combater para que a luta dos povos do Oriente Médio não sirva para o imperialismo debilitar os regimes que têm fricções com a Casa Branca (Irã e Síria), ou mesmo como cínico pretexto para justificar intervenções militares “humanitárias” como a que ocorre atualmente na Líbia. Cabe aos marxistas leninistas na trincheira da luta contra o imperialismo e pelas reivindicações imediatas e históricas das massas árabes postarem-se em frente única com os governos atacados pelas tropas da OTAN e combater os planos de agressão das potências capitalistas sobre as nações semicoloniais da região.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

“Indignados” são duramente reprimidos nos EUA quando marchavam por regular Wall Street contra a “avareza dos mais ricos”

A mídia burguesa tem dado grande destaque aos “indignados” norte-americanos agrupados no movimento “Ocupar Wall Street”. Neste sábado, 1º de Outubro, mais de 700 manifestantes foram presos durante um protesto que bloqueou a ponte do Brooklyn, em Nova York, enquanto centenas de ativistas mantém um acampamento no Zucotti Park, na Praça Liberdade, no centro de Manhattan. No domingo, 02/10, a maioria dos manifestantes detidos foi liberada, porém 20 ativistas permanecem encarcerados no quartel da polícia por “perturbação da ordem pública”. A mobilização critica principalmente o sistema financeiro, a chamada ganância corporativa, a ajuda do governo Obama aos bancos privados. Propõe a “taxação dos ricos”, uma “economia justa” e a “paz mundial”. O movimento é uma reedição, em forma ainda mais ordeira e pacífica, das manifestações que ocorreram em 1999 a partir da cidade de Seattle contra a globalização mundial e a OMC, que inspiraram a criação do Fórum Social Mundial, hoje completamente desmoralizado por sua completa inutilidade política. Protestando contra a “avareza dos mais ricos”, os manifestantes levam à frente o slogan “We the People” (Nós, o Povo), as primeiras palavras do preâmbulo da Constituição dos EUA, o que por si só aponta os limites do movimento. Tais reivindicações revelam o caráter pequeno-burguês desse movimento e a recusa em admitir o princípio científico marxista de que o Estado burguês é essencialmente uma máquina a serviço dos interesses dos capitalistas, um balcão de negócios comuns da burguesia e como tal não deve ser regenerado para dar continuidade à exploração capitalista, mas destruído pelo proletariado revolucionário através de uma revolução socialista. Como marxistas revolucionários nos colocamos contra a repressão estatal ianque ao movimento “Ocupar Wall Street”, mas não vemos nele nenhuma expressão revolucionária da luta direta da classe trabalhadora norte-americana contra os ataques as suas conquistas.

Toda a formulação do “Ocupar Wall Street” visa amenizar as mazelas capitalistas e não combater sua causa. É uma plataforma programática própria das ONGs financiadas por fundações privadas mantidas por conglomerados imperialistas através de fundos sociais. As ONGs, ao patrocinarem a assistência não-estatal e a regulação do mercado, criticando a “avareza dos ricos” e, obviamente, não defendendo a destruição do capitalismo, acabam minando a resistência das massas aos ataques oriundos da crise do capitalismo e de seus governos, contribuindo para a preservação do regime. Por isso, os “indignados”, sejam na Europa ou nos EUA para não falar dos arquirreacionários de Israel, rechaçam o comunismo como alternativa a barbárie capitalista, como explica um dos manifestantes, Robert Cammiso, para a BBC: “Não somos anarquistas. Não somos vândalos. Sou um homem de 48 anos de idade. Este não é um protesto contra a polícia de Nova York. É um protesto de 99% da população contra o poder desproporcional de 1% que controla 50% da riqueza do país”. Para o bom entendedor meia palavra basta...

O centro da proposta do movimento é a implantação de "taxas sobre os ricos", uma espécie de imposto sobre os fluxos financeiros especulativos para criar um fundo de desenvolvimento social nos EUA, ou seja, a migalha capitalista serviria para amenizar a condição de pobreza das massas norte-americanas, amortecendo as lutas sociais e a revolta dos explorados que poderiam jogar pelos ares a ordem burguesa no coração do monstro imperialista. Seguindo essa lógica, a tarefa dos “indignados” não seria derrotar pela via da ação direta os planos de ajuste do imperialismo e do FMI em nível mundial e organizar-se para derrubar os governos burgueses de plantão, sejam eles “socialistas” ou “conservadores”, através da luta revolucionária sob a direção de um partido comunista, abrindo desta forma o caminho para a construção de uma alternativa própria de poder do proletariado e do campesinato. A alternativa reside em simplesmente reafirmar alegoricamente que são homens e mulheres a favor de uma “cidadania planetária”, de “referendos vinculantes” e da “paz mundial”, o que significa ir a fundo na lógica do aperfeiçoamento do próprio regime democrático-burguês, substituindo o enfrentamento entre as classes sociais pela “pressão das praças sem sindicatos e partidos” para que os governos capitalistas sejam sucedidos por gestores supostamente éticos e não corrompidos “que cumpram o que prometeram”, como esperam até hoje de Obama e seu “Yes We Can”. Já a “paz” defendida pelos “indignados” resume-se a ocas palavras contra as “guerras”, enquanto se colocam de fato a favor dos “rebeldes” apoiados pela OTAN na Líbia, já que são entusiastas da fantasiosa “revolução árabe” que não passa de uma transição ordenada controlada pela Casa Branca. Também são ferozes inimigos dos atos de resistência militar dos povos árabes contra o império, os quais chamam de “terrorismo” e apóiam as “Damas de Branco” em Cuba que seriam porta-vozes da democracia contra a “ditadura comunista”.

Exigimos a imediata libertação dos ativistas presos, defendemos seu direito de expressão e manifestação impedido pela farsesca democracia ianque e nos colocamos pelo fim de todos os processos judiciais contra os participantes do movimento mesmo não considerando o “Ocupar Wall Street” uma expressão conseqüente da luta direta da classe trabalhadora norte-americana contra os ataques as suas conquistas. Como o próprio nome “indignados” expressa, para esse movimento inexiste trabalhadores com interesses de classe antagônicos aos da burguesia, mas sim cidadãos com interesses comuns básicos, como saúde, educação, habitação. Seria então necessário aplicar um programa de inclusão social, mantendo de fato o modo de produção capitalista intocável, recorrendo a políticas compensatórias e adotar uma forma com aparência democrática para gerir o Estado burguês para rumar na resolução de todos os problemas sociais da população do planeta. A partir desse programa, na prática, impõe-se aos explorados a lógica de aceitar o ônus da crise capitalista, amenizá-la a partir de ações assistencialistas e “humanitárias”, opondo-se assim a defender que a única estratégia capaz de gerar um mundo livre, sem explorados e exploradores, é a luta pela revolução proletária mundial e pela construção do socialismo em todo planeta a partir da luta insurrecional dos explorados da cidade e do campo.

domingo, 2 de outubro de 2011

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 223, Segunda Quinzena de Setembro/2011


EDITORIAL
Em meio à onda de greves economicistas, popularidade de Dilma aumenta


DISPUTA PELO BOTIM ESTATAL
“Neocomunista” Aldo Rebelo leva rasteira da oligarquia “socialista” dos Arraes e perde “boquinha” no TCU


FARSA DEMOCRÁTICA
Uma comissão de mentira montada pela ex-guerrilheira convertida a gerente do capital para encobrir crimes da ditadura militar


AGROEXPORTADORES E RENTISTAS SÃO ATENDIDOS
BC libera a disparada do Dólar e “ferra” trabalhadores


POLÊMICA – ELEIÇÕES 2012
PSTU implora por “frente classista” com PSOL, enquanto Marcelo Freixo se alia à “tropa de elite” da burguesia para concorrer à prefeitura do Rio de Janeiro


AUMENTO DO IPI PARA CARROS IMPORTADOS
CUT, CTB e CONLUTAS apóiam medida de Dilma para beneficiar o “bando das quatro” grandes montadoras transnacionais (WW, Ford, GM e Fiat)


PROFESSORES - CEARÁ
Oposição de Luta impulsionada pela LBI defende manutenção da greve até a vitória!


BANCÁRIOS EM LUTA
Derrotar os banqueiros, o governo e a burocracia vendida da Contraf/CUT!


GREVE NOS CORREIOS
Superar a política de traição da Fentect e enfrentar pela ação direta os ataques privatistas do governo Dilma


ENTREVISTA
“Fomos derrotados pela política de submissão ao governo Dilma imposta pela direção ‘chapa-branca’ da Fasubra”


HAITI OCUPADO
Lutemos pela derrota e expulsão das forças de ocupação da ONU comandadas pelo exército brasileiro, todo apoio as forças da insurgência haitiana! Lobby para governo Dilma "retirar as tropas" é política ditracionista e pró-imperialista!


A SERVIÇO DA CASA BRANCA
Após reconhecer o governo fantoche dos “rebeldes” pró-OTAN na Líbia, Dilma quer enviar tropas ao Líbano para impedir a chegada de armas ao Hezbollah


OBAMA EMITE O PRIMEIRO SINAL DE ATAQUE
“Ya ha llegado la hora de que suceda algo en Cuba”


O NOVO ALVO DA OFENSIVA IMPERIALISTA
Depois dos “rebeldes” na Líbia agora é a vez das “damas” da OTAN entrarem no cenário da agressão a Cuba


“SOCIALISMO DO SÉCULO XXI” A SERVIÇO DO CAPITAL
Governo Evo Morales, a serviço das transnacionais, reprime covardemente marcha indígena


MAIS UM CRIME NO CORAÇÃO DO IMPÉRIO
Execução de Troy Davis, uma expressão macabra e assassina do Estado racista norte-americano


TRAIÇÃO APRESENTADA COMO ATO DE SOBERANIA
Abbas pede que ONU reconheça “bantustões” cercados pelo enclave sionista como sendo o Estado palestino


AGRESSÃO IMPERIALISTA A LÍBIA
Bombardeio genocida da OTAN deseja fazer de Sirte uma nova Guernica!


DERROTA DA OCUPAÇÃO IMPERIALISTA EM SIRTE E BANI WALID
Sem a ajuda das bombas da OTAN a “revolução na Líbia” não avança um quilômetro sequer!


CARTA ABERTA ÀS ORGANIZAÇÕES DE ESQUERDA QUE NÃO APOIARAM NEM SILENCIARAM DIANTE DOS COVARDES BOMBARDEIOS DA OTAN A LÍBIA
Organizar um ato nacional em defesa da resistência líbia contra a ocupação imperialista!


LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA
http://www.lbiqi.org

sábado, 1 de outubro de 2011

A tragédia grega abre caminho para o fortalecimento da direita frente à ausência de uma genuína alternativa comunista

Nos últimos meses tem sido comum ler em várias publicações de “esquerda” que a crise econômica grega se arrasta a um nível tão profundo que estaríamos à beira de uma explosão capaz de colocar abaixo, por si só, a própria ordem capitalista no país, afetando o conjunto da União Europeia. Em meio a esses delírios catastrofistas ocorreu neste mês de setembro em Atenas, na Grécia, um seminário internacional promovido pelo Partido Comunista da Grécia (KKE) em que participaram várias correntes que se reivindicam comunistas em nível mundial, inclusive o PCB. O que chama atenção é que essa articulação política apresenta a luta do povo grego como o principal exemplo de resistência à ofensiva imperialista, mas encobre o papel nefasto que a direção do próprio KKE teve neste processo. O KKE levou durante os últimos combates uma política sindicalista e ultrarrebaixada, tanto que em nenhum momento teve como eixo político a derrubada do governo Papandreu, limitando-se à pressão sobre o parlamento burguês. O resultado desta orientação foram às seguidas derrotas das greves gerais, a desmoralização de um amplo setor de vanguarda e fortalecimento da direita que já se prepara para assumir o governo através de uma nova maioria parlamentar que deve conquistar nas próximas eleições, seguindo o exemplo de Portugal.

O próprio informe do representante do PCB no seminário, assim como o artigo do KKE sobre as últimas mobilizações na Grécia revelam o que afirmamos. Apesar da defesa genérica do socialismo, própria dos dias de festa, o texto elaborado pelo PCB não aponta nenhuma estratégia comunista de luta contra o governo burguês do Pasok (que sequer é citado), limitando-se a crítica rebaixada de que “as elites econômicas em sincronia com os ditames das burguesias internacionais seguem as orientações do FMI” (site PCB, 29/9). Já o KKE nos aponta que a alternativa a essa realidade seria “que uma forte aliança popular seja formada por trabalhadores, auto-empregados na cidade e zonas rurais, juventude, mulheres para o derrube do poder dos monopólios, retirada da UE com poder do povo” (idem, 01/10). Em resumo, depois de negaram-se a chamar a derrubada do governo burguês durante a greve geral de junho, agora apresentam como alternativa “revolucionária” a saída da Grécia da União Europeia.

A proposta de “saída da UE” está mais para uma medida protecionista que poderiam chegar a recorrer desesperadamente às burguesias mais frágeis no velho continente, opção que tem a simpatia de setores da própria direita europeia. A entrada da Grécia na chamada zona do Euro a colocou em um colapso previamente anunciado. O rombo em suas contas públicas, produto de uma incapacidade de acumular reservas cambiais em uma moeda “forte”, foi potenciado pela própria retração do mercado “comprador” internacional. A única “saída possível” para a burguesia grega seria a renúncia ao Euro e o rompimento com o receituário draconiano do Banco Central europeu (BCE), mas isso seria impossível no marco estatal de uma classe dominante associada às burguesias imperialistas europeias, em especial a alemã, que se beneficia das exportações primárias da Grécia. Diante da covardia da burguesia nativa, o KKE assume a tarefa... dando-lhe uma maquiagem de esquerda, mas sem questionar em nenhum momento o próprio poder burguês!

Prova disso é que a chamada “Nova Democracia”, o tradicional partido de direita grego, votou contra as medidas exigidas pelo BCE para se cacifar eleitoralmente, soliticando inclusive a antecipação das eleições: "Eleições são a única solução. Desse modo o desejo da população será expressado" (OESP, 17/09), disse o líder do partido da oposição conservadora, Antonis Samaras. De lá e do KKE partiram os votos contra o pacote de ajuste imposto por Papandreu. Como parte desse circo, a direita tem ao seu lado a bancada de deputados “comunistas” do KKE, liderada por Aleka Papariga. Para a classe operária mundial que acompanha atenta o desenrolar dos combates na Grécia fica a lição de que as energias dos trabalhadores não podem ser desperdiçadas no jogo da pressão institucional sobre o corrupto parlamento burguês. As lutas proletárias devem ter como estratégia revolucionária a construção de uma alternativa de poder proletário sobre os escombros das instituições do Estado burguês e de seus governos fantoches.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Carta Aberta às organizações de esquerda que não apoiaram nem silenciaram diante dos covardes bombardeios da OTAN a Líbia: Organizar um ato nacional em defesa da resistência líbia contra a ocupação imperialista!

Dia após dias seguidos bombardeios dos caças da OTAN atacam a resistência nacional líbia. As milícias populares leais ao coronel Kadaffi lutam heroicamente, como em Sirte, contra a ocupação do país pelas potências capitalistas que atuam em aliança com os “rebeldes” financiados diretamente pelas transnacionais petrolíferas. Cidades inteiras, hospitais, escolas e estradas são destruídas na tentativa desses verdadeiros abutres controlarem a Líbia para que o país, sob o tacão do governo títere do CNT manietado pelo imperialismo ianque e europeu, passe a exportar petróleo barato a seus novos amos, entregando diretamente suas riquezas naturais nas mãos das grandes companhias e impondo ao povo líbio barbárie, exploração e miséria.

Frente à genocida agressão imperialista é uma tarefa elementar denunciar os bombardeios da OTAN e promover ações públicas de apoio e solidariedade à resistência armada líbia a ocupação imperialista sobre uma nação oprimida. Ainda que se tenha diferenças de caracterização sobre o regime nacionalista de Kadaffi, o curso da guerra impõe as organizações políticas de esquerda que não apoiaram nem silenciaram diante dos covardes bombardeios da OTAN a Líbia a tarefa de organizar um ato nacional em defesa da resistência nacional líbia, se postando claramente por sua vitória militar frente às forças estrangeiras abutres. Assim nos ensinou Lenin e trataremos de honrar essa lição elementar de combate ao principal inimigo dos povos, o imperialismo, como fazemos no Iraque, no Afeganistão e no Haiti, lutando ombro a ombro ao lado da resistência nestes países ocupados!

Trata-se de apoiar incondicionalmente os que lutam contra a ofensiva neocolonisalista na Líbia, investida que o imperialismo pretende “globalizar” atacando outros regimes ou países que tenham fricções com seus interesses políticos e econômicas (Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, Irã, Síria), assim como as organizações da esquerda armada como as FARC colombianas. Mesmo que não tenhamos acordo nem com o programa, nem com a estratégia destas forças ou regime, é um dever elementar da esquerda que se reivindica anti-imperialista lutar em frente única com os que se enfrentam com as tropas abutres do império. Só desta forma, na mesma trincheira da resistência, os marxistas revolucionários poderemos ter autoridade política para defender o socialismo como alternativa de classe para esses povos em luta. Nesse sentido, a LBI lança publicamente esta Carta Aberta e desde já conclama outras correntes políticas que se reivindicam anti-imperialistas e revolucionárias a se jogarem na concretização deste ato internacionalista, que deve ser antes de tudo uma construção coletiva de unidade de ação.

É vergonhoso que correntes como o PSTU/LIT, CST-PSOL, PCO e outros grupos menores, em nome do combate a uma suposta “ditadura sanguinária na Líbia”, apóiem os bombardeios da OTAN ou finjam que eles não existem, vendendo a fantasiosa cantilena que o governo Kadaffi foi derrubado por uma verdadeira “revolução de massas” promovida por “rebeldes”, que segundo estes delírios seriam os verdadeiros representantes do povo líbio. Para estes canalhas não foram as bombas da OTAN que abriram caminho por terra para o avanço “rebelde” e sim o suposto apoio popular espontâneo. Trata-se de um completo embuste, já que o fantoche CNT, órgão que representa os supostos “insurretos” não passa de um bando de mercenários a serviço das transnacionais, como publicamente se viu quando receberam com festa em Trípoli os carniceiros Sarkozy e Cameron, os “amigos-abutres da Líbia” que não passam de verdadeiras aves de rapinas ávidas a explorar a preço de banana os recursos naturais do país no norte africano, destruindo as conquistas sociais que ainda sobreviviam oriundas do movimento nacionalista que derrubou a monarquia em 1969. Vergonhosamente, essas correntes estão do outro lado da barricada de classe e são aliadas úteis ao imperialismo na cruzada que a Casa Branca impõe seus interesses econômicos e políticos travestidos cinicamente da defesa dos “direitos humanos” e da “democracia”.

Esta grande farsa está sendo avalizada pela escória da esquerda revisionista como os pilantroskos da LIT, corrente corrompida que recebeu uma “pontinha” do Departamento de Estado norte-americano pela via do ILAESE (Instituto Latino-Americano de Estudos Sócioeconômicos), “instituto” que tem como lema “formação para ação” (e que ação pró-imperialista!), para “formar” e escrever artigos pró-imperialistas escandalosos com uma fachada de esquerda. O responsável pela tal ONG (um canal de entrada para a captação de fundos “democráticos” internacionais), Américo Astuto (o nome já diz tudo!), é autor de textos em que afirma pérolas como: “A Líbia é palco de uma revolução que acaba de ter uma vitória de caráter democrático” (sítio LIT, 21/09).

Estamos em meio a uma guerra de rapina na Líbia, cujos enfrentamentos estão em curso nas areias do deserto norte-africano. Frente a esse quadro dramático, que exige uma firme posição da esquerda anti-imperialista, a direção nacional da LBI propõe publicamente através desta Carta Aberta que as organizações políticas que não apoiaram nem silenciaram diante dos covardes bombardeios da OTAN convoquem o mais rápido possível uma reunião de trabalho para que elaboremos uma convocatória comum chamando à realização de um ato nacional em defesa da resistência líbia a ocupação imperialista! Não há tempo a perder, mãos a obra!

LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Obama emite o primeiro sinal de ataque: “Ya ha llegado la hora de que suceda algo en Cuba”

Em uma conferência de imprensa destinada ao público hispânico que reside nos EUA, realizada ontem (28/09) na Casa Branca, o presidente Obama afirmou que “já é chegada a hora de que aconteça algo em Cuba”. O chacal, animado com os “resultados” obtidos na Líbia, ainda que não possa declarar a derrota da resistência nacional à ocupação militar da OTAN, defendeu a continuidade do bloqueio a Ilha operária: “não se vislumbra em Cuba um verdadeiro espírito de transformação que nos anime a suspender o embargo”. As declarações de Obama estão em um primeiro momento destinadas a chantagear politicamente o governo Stalinista cubano, no sentido de acelerar o processo das “reformas democráticas”, leia-se a restauração capitalista. Como fica cristalino no ultimato dado desde a Casa Branca: “Estou disposto a mudar a política com Cuba se identifico que o governo está disposto a outorgar a liberdade a seu povo” (El País, 28/09).

A burocracia Castrista instalada na cabeça do Estado operário cubano optou por um caminho de sucessivas concessões políticas ao imperialismo ianque, ainda que mantendo as principais bases da economia socializada. Com a eleição da ala “democrata” do império em 1992 (Clinton), o próprio Fidel Castro alimentou enormes expectativas na melhoria do relacionamento político com os ianques, o que resultou em um retumbante fracasso, levando inclusive ao relaxamento de normas de segurança que facilitaram a prisão de militantes dos serviços de inteligência cubana em Miame, como atesta o recente livro do escritor “progressista” Fernando Morais (Os últimos soldados da Guerra Fria). Com a posse de Obama, o “fenômeno” da empatia dos Stalinistas cubanos com os carrascos “democratas” se repetiu. Nunca é demais lembrar que Cuba chegou a demonstrar inicialmente simpatia com os “rebeldes” monárquicos da Líbia. Somente quando se delineou a intervenção militar da OTAN, Raul percebeu que o “conto” da tal “revolução árabe” estava voltado a dar uma cobertura “humanitária” a mais uma invasão ianque, e o que é pior, o próximo alvo “democrático” do imperialismo poderia ser a própria Cuba!

Os “ziguezagues” do Castrismo diante da ofensiva mundial do imperialismo ianque colocam em risco a defesa das conquistas históricas da revolução cubana, que mesmo debilitadas por um bloqueio criminoso, permanecem socialmente vigentes para o proletariado da ilha operária. Os próximos passos da Casa Branca estão bastante claros: primeiro a chantagem “democrática”, utilizando a dissidência contrarrevolucionária como as “Damas de Branco”; depois a tradicional agressão militar apoiada na colossal superioridade bélica do Pentágono. Somente a mobilização internacionalista da classe operária poderá fazer frente aos planos do império para aniquilar totalmente a enorme referência mundial da revolução cubana, não devemos depositar nenhuma confiança nos “acordos” amistosos com os chefes “democratas” dos estados terroristas. A trágica lição abstraída da guerra da Líbia, onde Kadaffi “confiou” nos abutres imperiais que logo em seguida devastaram seu país, deve servir como um farol revolucionário para a vanguarda classista do proletariado mundial.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

“Neocomunista” Aldo Rebelo leva rasteira da oligarquia “socialista” dos Arraes e perde “boquinha” no TCU

O Senado da república ratificou ontem (27/09) o nome da deputada federal Ana Arraes (PSB) para a vaga aberta no TCU, com a aposentadoria do tucano Ubiratan Aguiar. Ana já tinha vencido anteriormente a eleição na Câmara dos Deputados, derrotando com uma margem de cerca de 50 votos a fortíssima candidatura do deputado Aldo Rebelo do PCdoB, ex-presidente da casa e considerado imbatível no início da disputa pela “boquinha” no TCU.

A “zebra” aconteceu em função da entrada em cena de dois atores políticos de peso no “time” de Ana Arraes, nada menos que seu próprio filho o governador de Pernambuco Eduardo Campos e do ex-presidente Lula que determinou a vitória da matriarca “socialista”. Mesmo prestando valiosos serviços “sujos” à burguesia, como a recente aprovação do Código Florestal no Congresso Nacional, o “Neocomunista” Aldo não conseguiu granjear apoio político suficiente para sua “aposentadoria” confortável em um dos órgãos mafiosos do Estado capitalista. Agora fica o ressentimento com a “base aliada”, que seguiu a orientação de Lula de votar na “mãe do governador”, gerando inclusive especulações sobre a entrada de Aldo no novo partido do prefeito Kassab, o PSD.

Mas a derrota de Aldo começou mesmo quando seu próprio partido apoiou com reservas sua postulação ao TCU. Comenta-se nos bastidores de Brasília que a “cúpula” dos ex-stalinistas convertidos à ordem burguesa, sinalizou a Lula que não via com bons olhos a “generosa” aposentadoria precoce de seu dirigente “rebelde”. Aldo teria caído em “desgraça” junto a direção maior do PCdoB não por nenhuma dissidência de “esquerda” ou mesmo crítica do atrelamento do partido ao governo da frente popular, mas por defender internamente o abandono formal da referência comunista, que leva o PCdoB a um certo “engessamento” no mapa da política burguesa que desenvolve.

Para a cúpula do PCdoB, não há como se desligar da herança “comunista” sem perder o vínculo com os aparatos sindicais que dirige como a UNE e CTB. Afinal, não querem incorrer no erro político do velho “partidão” que ao se transformar em PPS (sem nenhuma referência ao passado “comunista”) perdeu toda sua base militante de apoio, ficando refém das oligarquias dominantes para sobreviver. A lição dada com a eleição da matriarca “socialista” no TCU, serve como alerta para a direção PCdoB, que mesmo sendo uma legenda de capachos da burguesia não podem confiar integralmente na elite capitalista para a manutenção de sua existência partidária.
Após reconhecer o governo fantoche dos “rebeldes” pró-OTAN na Líbia, Dilma quer enviar tropas ao Líbano para impedir a chegada de armas ao Hezbollah

O governo Dilma acaba de aprovar na Câmara dos Deputados o envio de 300 militares brasileiros para integrar a chamada Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL), instalada no sul do país justamente para impedir que a guerrilha armada xiita possa lançar novos ataques contra o enclave sionista. Depois de servilmente reconhecer o governo fantoche dos “rebeldes” pró-OTAN na Líbia, agora a frente popular liderará as forças marítimas da UNIFIL cujo objetivo é evitar que armas e munições cheguem à resistência libanesa pelo Mar Mediterrâneo, tanto que serão enviadas também embarcações brasileiras para reforçar o bloqueio naval!

Na mensagem remetida ao parlamento, os ministros de Relações Exteriores, Antonio (nada) Patriota e o da Defesa, Celso Amorim, apresentados como expoentes “progressistas” do governo Dilma e os quais os revisionistas do trotskismo como “O Trabalho” e PSTU pedem respeitosamente que “retirem as tropas do Haiti”, defendem agora o envio de equipamentos e militares ao Líbano para “reforçar a liderança brasileira no ambiente marítimo da UNIFIL e dar suporte e autonomia ao comandante da missão, o almirante brasileiro Luiz Henrique Caroli” (O Estado de S.Paulo, 27/10). Como se vê, a própria realidade rapidamente desmascarou os revisionistas que, dentro e fora do PT, vendem ilusões de que o governo Dilma e particularmente o ministro Celso Amorim poderiam ordenar a retirada das tropas brasileiras do Haiti, fazendo-lhes para isto apelos patéticos e inofensivos. Os lambertistas e morenistas não fazem mais que patrocinar pela “esquerda” uma política distracionista e pró-imperialista frente ao governo petista capacho de Washington.

Os ministros afirmaram ainda que o envio de tropas ao Líbano “demonstraria o compromisso do Brasil com a promoção da paz no Oriente Médio”, a mesma paz dos cemitérios que os caças da OTAN estão impondo ao povo líbio, buscando eliminar a resistência popular que apóia o coronel Kadaffi e heroicamente luta contra os abutres imperialistas. Com o apoio do governo brasileiro, os EUA e Israel, através das tropas da ONU, já estacionadas no sul do Líbano, podem a qualquer momento armar uma provocação e intervir militarmente no país, buscando desarmar as milícias do Hezbollah e isolar ainda mais o regime sírio e iraniano, que estão claramente na mira do Pentágono. Lembremos mais uma vez que as potências capitalistas estão fazendo exatamente isto neste exato momento na Líbia em nome do apoio à “revolução árabe” saudada pelos mesmos revisionistas que vendem ilusões no governo da frente popular! Não por acaso, o ministro (nada) Patriota e assim como Celso Amorim, ao defenderem a mensagem, afirmaram que a diplomacia brasileira esteja desempenhando um papel chave nas “negociações” da ONU com o Irã e a Síria, ou seja, está apoiando as sanções imperialistas a esses dois países para debilitá-los antes que o imperialismo promova uma agressão militar direta.

Frente ao papel vergonhoso do governo brasileiro, que não passa de um “emergente” agente do imperialismo ianque no Líbano e Haiti, lutemos pela derrota e expulsão das forças da ONU pela insurgência nestes países e prestemos todo apoio às forças da resistência armada líbia em luta contra os abutres da OTAN e seus “rebeldes”!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Governo Evo Morales, a serviço das transnacionais, reprime covardemente marcha indígena

O governo “bolivariano” de Evo Morales, na tarde do dia 25 de setembro, ordenou que a polícia reprimisse exemplarmente um protesto indígena cujos militantes marchavam há aproximadamente 40 dias rumo à capital La Paz. As centenas de manifestantes, em sua maioria mulheres e crianças, descansavam em um acampamento à beira da estrada, na região de Yucumo (300 quilômetros da capital andina), quando foram repentinamente surpreendidas por bombas de efeito moral, balas de borracha e perseguições às lideranças do movimento, cuja reivindicação passava pela autodeterminação dos povos indígenas e contra a construção da estrada Villa Tunari-San Ignacio de Moxos, uma via de 300 quilômetros que cortará a Floresta Amazônica ao meio em direção ao Oceano Pacífico. Os indígenas foram arrancados de seu acampamento e atirados à força em caminhões e ônibus que seguiram em rumo desconhecido, houve dezenas de prisões e feridos. De acordo com o Comitê da Marcha dos povos indígenas, cerca de 40 ativistas estão desaparecidos até o momento.

Esta é mais uma clara evidência do esgotamento do chamado “Socialismo do Século XXI” desde Chávez na Venezuela. A referida obra beneficiará apenas os exportadores de produtos in natura como o petróleo, o gás, madeira e minérios por empresas transnacionais. A empreiteira brasileira OAS é que se locupletará com as gordas verbas públicas destinadas às obras da estrada – o Brasil “emprestou” à Bolívia a “bagatela” de 332 milhões de dólares para este fim! A via “bolivariana”, por ser uma alternativa burguesa com corte demagógico “socialista” que se nega a atender as demandas populares mais elementares, na Bolívia começou a “fazer água” já na conhecida crise das nacionalizações em 2006, durante a qual Evo efetivou um pacto com as oligarquias regionais e os imperialismos ianque e europeu para “estabilizar” o regime político e arrefecer os ânimos das massas através da repressão estatal. A repressão aos indígenas nada mais é do que a expressão deste vergonhoso pacto oligárquico. As “nacionalizações” do governo de frente popular do MAS foram uma benesse para as transnacionais alemãs (companhia Logística de Hidrocarboneto), a Shell, British Petroleum, Repsol YPF, cujo aríete para todo este processo vem sendo a Petrobras, ontem de Lula, hoje de Dilma Rousseff. Ou seja, às transnacionais foram concedidos bilhões de dólares, enquanto 1/3 da população passa fome e outros 1/3 ganham apenas o suficiente para não morrer de inanição.

A COB demagogicamente convocou uma manifestação em protesto a esta brutal repressão, no entanto até agora nada organizou de concreto neste sentido. A ação violenta da polícia de Evo Morales contou com a cumplicidade das direções sindicais ligadas ao MAS e ao PCB que se calaram diante do fato. A cada confronto das massas exploradas bolivianas fica patente a ausência de uma direção revolucionária dos trabalhadores, onde a COB joga todo seu peso para isolar e dispersar as lutas em curso. Para romper com este quadro de dispersão e engessamento ao governo Evo é necessário que as massas estejam orientadas por uma clara plataforma revolucionária que defenda a ocupação dos campos petrolíferos, os gasodutos, os canteiros de obras das transnacionais e coloquem-nos sob seu controle, o qual deve estender-se para o latifúndio produtivo, às minas, às águas e aos bancos como parte fundamental da luta pela conquista do poder proletário.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Depois dos “rebeldes” na Líbia agora é a vez das “damas” da OTAN entrarem no cenário da agressão a Cuba

A operação política “revolução árabe” comandada pelo aprendiz negro de carniceiro, Obama, está chegando ao seu “happy end” na Líbia. Como a cidade de Sirte decidiu resistir até suas últimas forças a ocupação imperialista, a OTAN diante da impotência dos “rebeldes” resolveu por eliminá-la do mapa, assim como o império romano aniquilou Cartago na mesma região africana há mais de dois mil anos atrás. Dando “posse” ao governo títere do CNT na assembleia geral da ONU, Obama afirmou que os bombardeios da OTAN irão prosseguir até que o último combatente anti-imperialista tombe resistindo ao saque promovido pelos abutres da Casa Branca. A grande “sacada” do Pentágono é que desta vez a ocupação imperialista de uma nação oprimida foi realizada sob o manto de apoiar uma “revolução”, avalizada inclusive pela escória da esquerda revisionista como os pilantroskos da LIT, que não deixaram de receber uma “pontinha” do Departamento de Estado norte americano.

Agora os chacais do decadente império do norte dizem que é chegado o momento de aplicar a mesma tática “revolucionária” em Cuba, para remover uma velha e sanguinária “ditadura estalinista” e já contam com “a cabeceira de ponta” para  promover a contra-revolução. Trata-se do movimento denominado “Damas de branco”, uma versão latino-americana dos rebeldes monarquistas da Líbia. Em uma cerimônia solene, a “dissidência” cubana confirmou hoje o seu papel como a ponta de lança de uma invasão imperialista da ilha operária. Porém, o evento para anunciar essa nova “fase” de denúncias e ativismo, inspirada na “Primavera árabe”, na qual participarão as “Damas de Branco”, não foi realizada em Havana: se não no Capitólio, em Washington, sob os auspícios da congressista republicana, Ileana Ros-Lehtinen, uma filhote bastarda do Tea Party. As declarações de Ileana Ros-Lehtinen estão em sintonia com as que Obama deu recentemente acerca da “primavera árabe”, durante um encontro com jornalistas hispânicos, quando o assunto Cuba veio à tona, e também confirma a afirmação feita recentemente na mídia “murdochiana” onde ficou claro que as ações das chamadas “Damas”, apenas pretendem transformar a ilha operária em uma nova Líbia ocupada e saqueada.

O que realmente chama a atenção dos Marxistas revolucionários foi a rapidez do processo de cooptação da chamada esquerda revisionista “moderna” aos planos políticos da ala “democrática” do imperialismo ianque. Salivando um ódio de classe pequeno-burguês pelas “ditaduras” da Líbia, Coréia do Norte, Síria, Irã e Cuba, os “modernosos” da LIT e congêneres passaram velozmente a admirar as democracias dos modelos ocidentais capitalistas como “progressistas” frente aos regimes nacionalistas dos “velhos” caudilhos populistas. Por isso, admitem uma “aliança política pontual” com Obama e Sarkozy em Cuba e na Líbia, enquanto defenestram os “demônios” autoritários como Castro e Kadaffi. Afinal para os senhores da “reforma” que já abandonaram o legado leninista, o imperialismo não é mais o pior inimigo dos povos. O “foco” socialista para os revisionistas de todos os matizes passa a ser a “democracia como valor universal”, portanto a luta revolucionária pela ditadura do proletariado passa a ser uma peça teórica de museu, devendo ser “exorcizada” em conjunto com os regimes que ainda ousam se enfrentar de alguma maneira com o “império civilizatório” da modernidade “democrática”.

domingo, 25 de setembro de 2011

Execução de Troy Davis, uma expressão macabra e assassina do Estado racista norte-americano

Na quarta-feira (21/09), o sistema judiciário norte-americano promoveu mais um ritual macabro de terror racista. Pouco depois da Suprema Corte dos Estados Unidos negar um pedido de suspensão da sentença, o americano Troy Davis foi executado por injeção letal, às 23 horas, na penitenciária de Jackson, na Geórgia. Este é um caso similar ao que vem se submetendo o ativista e militante negro Mumia Abu Jamal, preso há 30 anos nas masmorras ianques aguarda pelo “julgamento” até hoje, acusado através de “provas” forjadas e grotescas falsificações de “matar” um policial branco.

Troy Davis ficou preso durante mais de 20 anos, acusado e condenado à morte, num processo judicial completamente viciado, pelo suposto assassinato de um policial. A principal prova do crime pelo qual o negro Troy Davis foi acusado, a arma que matou o policial branco Mark McPhail, nunca foi encontrada e não há qualquer outro registro que ateste sequer sua presença no local do crime. Desde que foi sentenciado, em 1991, sete das nove testemunhas de acusação se retrataram e disseram que foram coagidas e intimidadas pela polícia para prestarem depoimentos incriminando Troy Davis. Entre as duas testemunhas que não mudaram de opinião, está Sylvester Coles, o homem que denunciou Troy à polícia no dia do assassinato e que foi apontado por outras testemunhas como o verdadeiro autor do crime.

A execução de Troy Davis engrossa as estatísticas que atestam as características reacionárias da sociedade e do Estado norte-americano, como crescimento do racismo, da intolerância e desrespeito aos diretos das minorias. Cerca de 40% dos condenados a morte nos EUA são negros, muito embora estes representem apenas 13% da população do país. Apesar dos vícios e contradições no processo judicial e da campanha que mobilizou mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo pedindo a libertação de Troy Davis, o presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama, se recusou a intervir para impedir a execução. Segundo seu porta-voz Jay Carney, “Obama tem trabalhado para garantir eficiência e justiça no sistema judiciário, especialmente nos casos de pena capital, mas não é apropriado que o presidente dos Estados Unidos se envolva em casos específicos como este, que são da justiça estadual”. Antes de ser uma “aberração da justiça” como todo o conjunto da esquerda revisionista domesticada pela “democracia” dos ricos apresenta o caso Troy Davis, esta demonstra cristalinamente como funciona o sistema capitalista para conduzir um trabalhador pobre e negro à pena capital, no qual o Estado burguês é detentor do monopólio da violência repressiva contra os oprimidos e a classe operária. A luta contra o racismo, portanto, é parte indissociável do combate de classe contra o capitalismo.

Desta forma, o negro Barack Obama, enquanto se declara incompetente para intervir em seu próprio país para impedir a execução de um negro condenado fraudulentamente à morte na Geórgia, um dos estados mais racistas dos EUA, prega em nome da “democracia” norte-americana, o direito do imperialismo ianque intervir em qualquer país do mundo semicolonial, promovendo massacres e ações terroristas, como nas ocupações do Iraque, Afeganistão e os criminosos bombardeios sobre o povo líbio para substituir o governo nacionalista burguês de Kadaffi por um governo fantoche conformado pelo CNT. A histórica luta dos negros norte-americanos contra a opressão e o racismo é, portanto, inseparável da luta de todos os povos oprimidos pela derrota do imperialismo e a edificação de um novo modo de produção.

sábado, 24 de setembro de 2011

Uma comissão de mentira montada pela ex-guerrilheira convertida a gerente do capital para encobrir crimes da ditadura militar

Nesta semana, a Câmara dos Deputados aprovou a chamada “Comissão da Verdade”. Ela em tese irá apurar os assassinatos políticos, tortura e atentados cometidos durante a ditadura militar (1964-1985) e contará com sete membros nomeados pelo governo Dilma, “notáveis” representantes do regime burguês. Esta comissão é uma farsa já que está impedida de julgar ou criminalizar os torturadores e assassinos políticos da ditadura, que são protegidos pela “Lei de Anistia” e pela interpretação vigente que acatou sua proteção aos chamados “crimes conexos”, ou seja, as atrocidades comedidas pelos gorilas. Em nome da estabilização do regime, os autodenominados “setores progressistas” do governo, ligados aos movimentos dos direitos humanos, cederam diante da pressão dos generais e do STF para que não fosse revista a Lei de Anistia. Diante desta completa impotência, os próprios ministros militares deram carta branca ao governo para a instalação da Comissão que não será da verdade, mas de mentirinha, um embuste montado para dar uma satisfação aos organismos internacionais, em especial à facínora OEA, que cobra do governo brasileiro uma manifestação pública em relação à matéria. A “cobrança” da OEA, organismo imperialista responsável por apoiar golpes militares e invasões genocidas, por si só revela a necessidade de utilizar uma cobertura democrática para tentar dissimular suas próprias monstruosidades.

Apesar de todo alarido sobre a aprovação da “Comissão da Verdade”, como o promovido pelo portal Vermelho, do PCdoB, o texto elaborado pelo governo nem sequer cogita revisar a Lei de Anistia, pois significaria quebrar o acordo firmado com os militares desde a crise do regime militar nos estertores da década de 70. A denominada “transição” da ditadura para o regime “democrático” burguês, elaborada pelo general Golbery tinha como estratégia manter intacta a estrutura e os métodos de repressão política como monopólio do Estado capitalista. A “Lei de Anistia”, promulgada em 1979, inocentou os carrascos dos militantes e ativistas sociais, cujo “vespeiro” a burguesia e seus gerentes e ex-gerentes de farda ou civis não querem abrir, pois traria à tona a imensa podridão do regime capitalista e seus serviçais militares. Todos os documentos relativos a este período estão guardados a sete chaves por exigência das FFAA como ultra-secretos.

Outro aspecto dessa farsa seria o próprio condenado aplicar a pena contra si mesmo e seus pares. O governo Dilma é apenas o atual gestor do Estado burguês, um comitê dos negócios comuns da mesma classe reacionária que promoveu o golpe de 1964 e patrocinou o regime sanguinário. Sob o capitalismo, seja qual face expresse, o Estado não perde seu caráter ditatorial de classe. Portanto, Dilma não pode e nunca irá voltar-se contra os senhores aos quais servem tão dedicadamente. Hoje, sob os signos da democracia, os reformistas armados de ontem administram bilionários negócios em favor de grupos econômicos nacionais e internacionais. Os neo-stalinistas do PCdoB, por exemplo, engalfinham-se junto aos partidos burgueses tradicionais na divisão do botim estatal e dos negócios da Copa do Mundo, defendendo ardentemente todas as instituições do Estado capitalista, a mesma máquina assassina que seus ex-militantes da Guerrilha do Araguaia combateram. Essa é, sem dúvida, a maior ofensa à memória dos que tombaram na luta contra a ditadura militar. Um verdadeiro crime político a ser denunciado energicamente pelos revolucionários.

A criminalização dos movimentos sociais, as torturas cotidianas nas delegacias de polícia contra o povo pobre, a ocupação de favelas pela polícia e Exército, o massacre pelas tropas brasileiras do povo haitiano, são as consequências inequívocas do recrudescimento do aparato repressivo e terror sobre as massas, caudatário do regime militar. A verdade e a punição dos autores dos crimes cometidos pela ditadura militar somente será exposta com a abolição da Lei de Anistia para os torturadores e assassinos durante o regime que seguiu o golpe de 1964. Passa pela abertura imediata dos sinistros arquivos dos órgãos de inteligência dos militares de ontem e de hoje. A criação de tribunais populares para julgar e condenar os militares assassinos é parte integrante de uma tarefa democrática transicional da revolução socialista para pôr a termo o Estado capitalista e seu aparato repressivo. Somente a paciente construção de organismo de classe que aponte para a construção de um governo operário e camponês poderá revelar todos os arquivos secretos da repressão e punir os responsáveis pelas torturas e assassinatos cometidos no período do regime gorila, assim como os crimes que continuam sendo praticados contra os trabalhadores sob o governo da ex-guerrilheira agora convertida a serviçal do imperialismo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Agroexportadores e rentistas são atendidos: BC libera a disparada do Dólar e “ferra” trabalhadores

Enfim as “preces” dos exportadores de commodities agrominerais foram ouvidas pela equipe econômica do governo Dilma que ordenou ao BC a flexibilização, para cima, na cotação do “deus” Dólar. A “reivindicação” era antiga diante da desvalorização da moeda norte-americana frente ao nosso Real. Os grandes exportadores de soja e minério de ferro, por exemplo, dois elementos fundamentais em nossa pauta do comércio externo, alegavam enormes prejuízos com a valorização do Real e passaram a exigir de Dilma medidas drásticas para “socorrer” a moeda ianque em queda livre mundial. Até os economistas “progressistas” simpáticos à frente popular, que se diziam em oposição “teórica” ao neoliberalismo, se queixavam da alta do Real e prognosticavam uma crise cambial caso permanecesse o quadro. Quase uma “unanimidade nacional” se formou afirmando que um país semicolonial como o Brasil não poderia ter uma moeda forte se pretendesse uma forte inserção no mercado mundial. Agora a especulação do cassino das bolsas internacionais forneceu a “desculpa” necessária para atender a demanda os novos “barões” exportadores, fazendo que o dólar chegue a subir algo em torno de 5% em um único dia!

Acontece que o “modelo” capitalista de desenvolvimento “sonhado” desde a esquerda reformista até os rentistas neoliberais, não pressupõe uma verdadeira independência brasileira frente à divisão internacional do trabalho, imposta pelo imperialismo logo em seguida ao término da Primeira Guerra Mundial. Qualquer tentativa econômica nacional que fuja do modelo “exportador” logo é satanizada como uma lembrança dos tempos de “autarquia” soviética. Logo, um país submisso ao mercado mundial jamais poderá ter uma moeda “forte”, assim reza a cartilha dos economistas burgueses de todas as cepas. O resultado histórico de nosso “modelo” econômico colonial é um país sem produção tecnológica independente e refém da venda de “grãos” e “pepitas” para o mercado capitalista mundial.

A brusca elevação do Dólar, chegando perto da casa de dois reais em apenas um mês, elevará substancialmente todos os insumos da produção, gerando a espiral inflacionária tão desejada pelos especuladores do mercado financeiro. Os trabalhadores que têm seus rendimentos no FGTS “valorizados” em menos de meio ponto percentual ao mês, assistem atônitos a “orgia” do Dólar se sobrevalorizando em 5% em apenas um dia! Isto sem falar no aumento de todos os gêneros alimentícios e nos custos dos transportes balizados na alta da gasolina e do óleo diesel. Os banqueiros e exportadores já podem festejar a chegada do novo ciclo do “fantasma da crise”, mas que curiosamente só fortalece a moeda norte-americana, ou seja, a economia mais atingida pela crise capitalista mundial, que deveria ter sua moeda abalada com a chegada do “crash” e não o contrário. O “deus” Dólar, que vinha andando “acabrunhado” no último período, até o ameaçavam com a criação de uma “cesta de moedas” para realizar as transações comerciais internacionais, agora já pode comemorar a chegada da “crise” onde ganha muita “gente” e perde o conjunto da classe operária carente de uma perspectiva socialista e revolucionaria.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

CUT, CTB e CONLUTAS apóiam medida de Dilma para beneficiar o bando das quatro grandes montadoras transnacionais (WW, Ford, GM e Fiat)

O aumento do IPI para carros importados, anunciado no começo da semana pela equipe econômica do governo Dilma, vem sendo apresentado pelas centrais sindicais chapa branca e também pela  "oposicionista " CONLUTAS, como uma medida "nacionalista" e em "defesa do emprego no Brasil", uma verdadeira falácia! O objetivo de Dilma ao elevar o IPI, que poderá representar um aumento de até 30% no preço do veiculo importado, não tem absolutamente nada de "nacionalista", pelo contrário, visa beneficiar as grandes montadoras multinacionais imperialistas, instaladas em vários países do mundo para remeter seus lucros para as matrizes centrais. A tal medida "nacionalista" não atingirá os carros importados trazidos do México, país que por coincidência as quatro grandes montadoras (WW, Ford, GM e Fiat) tem verdadeiras fábricas de "maquiagem", onde importam de suas matrizes os veículos e "maquiam" na região para passar como produto "latino". Isto sem falar na isenção de importação já dada aos veículos produzidos na área do MERCOSUL (a Argentina é infestada por "maquiladoras" japonesas como a Toyota). Acontece que o "bando das quatro" impôs já há algum tempo ao governo brasileiro um acordo automotivo com o México, que faz parte da zona de livre comércio com os EUA, no qual considera os veículos "maquiados" no país de Zapata como nacionais. Como a nova medida de Dilma não irá interferir na prática na importação do "bando das quatro", somente as montadoras chinesas e coreanas terão suas taxas de importação elevadas.

Somente tolos e burocratas sindicais corrompidos podem supor que a medida de Dilma representa uma defesa de nossos empregos, quando fica absolutamente cristalino o fato de se tratar de um claro "dumping " estatal para beneficiar os "amos do norte". Como em toda disputa capitalistas pelos mercados, os grandes burgueses contam com seus "aliados" nos governos "gerentes" de plantão, neste caso os trustes imperialistas do velho mundo e EUA foram buscar a valorosa " ajuda" de Dilma, já as montadoras coreanas em franca ascensão pediram o apoio da oposição Demo-Tucana, que rapidamente entrou com um recurso no STF contra a medida considerada "protecionista" do governo da frente popular. Neste "cabo de guerra" inter-burguês, o "santo" mercado já anunciou um aumento geral de preços do conjunto dos veículos, importados ou não, para "celebrar" o boom nas vendas do setor automotivo, ao contrário dos anúncios da chegada do "fantasma da crise".

As centrais sindicais governistas CUT e CTB, se desmancharam em elogios para a falsa "guinada" nacionalista de Dilma, ignorando inclusive as intenções de demissão do "bando das quatro" em suas fábricas no Brasil, em função das facilidades dadas para a via da importação mexicana e argentina. A "surpresa" ficou por conta da oposicionista CONLUTAS, que dirigindo um Sindicato de Metalúrgicos na base de produção da GM (São José dos Campos) foi politicamente a reboque da empresa na bajulação ao governo da frente popular. Para a classe operária a luta consequente pela defesa do emprego e reposição salarial não passa por apoiar um capitalista "ianque" contra outro capitalista asiático. Somente a mobilização permanente, independente do governo e dos patrões, poderá infringir uma derrota real nos planos de arrocho e desemprego levados a cabo pelo governo pró-imperialista do PT e seus aliados da oposição de "esquerda".