Lista de Janot enviada ao STF "joga merda" no
ventilador para todo lado retirando do PT sua "exclusividade
criminal" na Lava Jato. PMDB e PSDB prometem "vingança" na CPI
da Câmara!
Enfim o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, enviou
ao STF sua famosa lista de indiciados (ou investigados ainda não se sabe com
precisão) no processo aberto com os escândalos das "comissões" na
Petrobras. Espera-se que nesta sexta-feira (06/03) o ministro Teori Zavascki,
responsável pelo primeiro trâmite do processo no STF, decida se revela
publicamente a lista entregue pelo Procurador-Geral. Porém a imprensa
corporativa já divulgou, como de praxe, em "primeira mão" (não se tem
conhecimento de como sempre os "barões" da comunicação tem acesso a
estas informações privilegiadas) alguns dos nomes que foram incluídos na lista
de Janot. Entre os "homenageados" por Janot estão os presidentes da
Câmara e do Senado, respectivamente Cunha e Calheiros, senadores do PT como
Lindhberg Farias e Gleisi Hoffmann, Collor de Mello do PTB e possivelmente o
tucano Aécio Neves. Segundo a imprensa Janot teria recomendado o "arquivamento"
no caso do presidente do PSDB. Entre governadores envolvidos estariam o do Rio
de Janeiro, Acre e até o finado Eduardo Campos. Em resumo a temida lista de
cerca de 45 parlamentares engloba praticamente todo o arco político burguês do
país, "democratizando" assim o escândalo de corrupção da Petrobras
que até então concentrava na "criminalização exclusiva" do PT
privilegiado no foco da chamada operação Lava Jato, chefiada pelo juiz federal
Sérgio Moro. A reação dos novos "sócios" do PT (incluídos a força por
Janot) na crise política aberta com o "Petrolão" foi violenta e
imediata. Renan recusou votar no Senado uma Medida Provisória que retirava
benefícios fiscais de empresas, Cunha "puxou o tapete" do PT ao
mandar criar várias sub-relatorias na CPI da Câmara e por último Aécio acusou o
governo de mandar a PGR incluir o seu nome na famigerada lista. O certo mesmo é
que "atirando pra todo lado" Janot estimulou intensificar a crise
política em curso, retirando o centro das iniciativas de Moro e possivelmente
colocando nos braços da CPI o grande "balcão de negócios" para
chantagear o governo Dilma. Se Dilma ganha fôlego neste primeiro momento por
estar fora da tal lista, ficará refém ainda mais do PMDB agora "ferido"
diretamente pelo envolvimento nas "delações premiadas" da Lava Jato.
Mas se engana redondamente quem pensa que o governo está "morto", ao
contrário segue bem vivo na plataforma do "ajuste" e acaba de
sinalizar aos rentistas que continuará firme na escalada de aumento dos juros.
Aplaudida pelos "mercados" a equipe econômica palaciana assiste
passiva o ataque especulativo ao país com o Dólar na casa dos 3 Reais. O
resultado imediato desta política neoliberal de "câmbio livre" será
intensificar a disparada dos insumos básicos da economia e de
"quebra" agilizar a falência da Petrobras. Enquanto o governo Dilma
prepara sua própria sepultura política com o ataque às conquistas sociais,
fomentando a recessão e arrocho salarial, as massas esboçam os primeiros passos
de auto defesa, como a greve geral dos professores no Paraná e as iniciativas
sociais do MST e do MTST. Ainda é prematuro projetar um final institucional
para a atual crise política do governo e agora do próprio Congresso Nacional,
embora a alternativa parlamentar do impeachment esteja descartada neste
momento. O "sangramento" de Dilma deve prosseguir até que se complete
todo o cronograma do "ajuste", existindo inclusive a possiblidade da
falência parcial da Petrobras e também da abertura do mercado nacional para a
entrada de grandes construtoras ianques.
Com a centralidade das investigações da "Lava
Jato" agora a cargo do STF e da Procuradoria Geral da República deve
perder força a chamada "República de Curitiba" comandada pelo juiz
federal Sérgio Moro. Este fato deixou a cúpula tucana bastante irritada, já que
Moro dirigia suas denúncias exclusivamente na direção das lideranças petistas.
Para a mídia "murdochiana", que apostou pesado na mitificação da
figura "justiceira" Moro, se coloca com muita urgência a missão de
produzir o novo "Joaquim" no STF, um ministro da corte que deve
impingir ao PT a pecha de partido mais corrupto de toda a história do Brasil.
A CPI da Câmara, atuando em paralelo ao STF e ao que ainda
resta para Moro "extrair" sob tortura de seus presos em Curitiba
contra o PT, terá como eixo inocentar os caciques do PMDB dos escândalos de
corrupção na Petrobras. Ainda que esta seja quase uma missão impossível, posto
que tudo aponta para Renan considerado o maior cobrador de
"comissões" das empreiteiras. O presidente do Senado foi acusado
inclusive de "estourar" o teto do percentual das
"comissões" cobradas, isto na contramão da orientação de Lula, que
quando chegou ao governo central conseguiu baixar todos os percentuais das
"comissões", anteriormente bem elevadas na era FHC.
No clima de "Lama Geral" instaurado no Congresso
será quase impossível avançar em qualquer processo de cassação seja de
presidente ou mesmo de parlamentares, mas este elemento não significa que o
governo Dilma retome as iniciativas políticas no Congresso Nacional. A
tendência mais geral é que somente as medidas de "ajuste" contra as
massas consigam transitar sem maiores obstáculos da oposição e também da base
aliada. O proletariado deve se preparar para uma etapa obscura, onde as classes
dominantes decadentes sob a farsa da busca da ética e do combate a corrupção
pretendem descarregar o ônus da crise estrutural do capitalismo na costas dos
trabalhadores e do povo oprimido.