quinta-feira, 1 de junho de 2017

TENDÊNCIA “ESQUERDA MARXISTA” SOFRE UMA IMPORTANTE RUPTURA NO CURSO DE SUA ADAPTAÇÃO AO PSOL


A tendência revisionista "Esquerda Marxista", vinculada internacionalmente a corrente dirigida por Alan Woods do Socialist Appeal da Inglaterra, acaba de sofrer uma significativa ruptura em seu quadro militante, trata-se do surgimento de um novo grupo político parido de suas entranhas orgânicas. A EM, surgida há mais de uma década no processo de decomposição moral e programática do Lambertismo (Jornal "O Trabalho" no Brasil), compartilhou muitos de convivência política no interior do PT com seus antigos camaradas de organização Lambertista, porém a tentativa de delimitação pela esquerda com a plataforma de colaboração de classes da Frente Popular ficava bastante prejudicada pelo permanência nas fileiras do Lulismo. Somente em 2015 no auge da crise do governo Dilma às vésperas do processo do golpe parlamentar, a EM decide sair do PT em busca de um novo "oxigênio eleitoral" na sombra da influência do PSOL. Registre- se o fato da EM então possuir dois vereadores eleitos pelo PT (Bauru e Joinville) e muito preocupados com a possibilidade de não renovarem seus mandatos nas eleições municipais de 2016. A opção da EM foi entrar no PSOL para tentar a reeleição de seus parlamentares, apesar de contrariar a orientação internacional da corrente de Alan Woods (CMI) que nesta altura apoiava até a presidente Peronista Cristina Kirchner na Argentina. Mas a manobra oportunista de abandonar o naufrágio do PT em pleno impeachment foi mal sucedida e os dois vereadores da EM não conseguiram a reeleição na legenda do PSOL, gerando uma crise interna na tendência revisionista. Acontece que o PSOL está bastante distante de se configurar como uma potente alternativa eleitoral ao PT, fora a cidade do Rio de Janeiro onde a candidatura de Marcelo Freixo arrastou vários segmentos da classe média em seu chamado "ético" para "moralizar" o capitalismo, o partido controlado por Ivan Valente (ex-dirigente do MEP) não conseguiu um bom desempenho nacional. Nos marcos internos do PSOL a Esquerda Marxista buscou alinhamentos com grupos ainda mais degenerados programaticamente do que os Lambertistas de "O Trabalho" (PT), como o MES de Luciana Genro que apoia o justiceiro Sérgio Moro e sua caçada reacionária contra Lula, neste quadro de instabilidade de rumo político (rompem com o PT e acabam nos braços dos "moristas" do PSOL) Serge Goulart (principal liderança da EM) só aguça a desagregação de sua própria tendência revisionista. E no início de maio passado vem a público o racha da EM, Miranda, ex-dirigente do Movimento Negro Socialista anuncia sua ruptura com o grupo de Goulart e a criação de sua própria corrente o M-LPS (Movimento Luta pelo Socialismo). O M-LPS divulgou o seguinte comunicado sobre sua saída da EM: "Na preparação de uma Conferência Nacional (23 de abril 2017) da Esquerda Marxista seção da CMI (Corrente Marxista Internacional), houve uma ruptura desta organização. Tal fato se deu no dia 28 de março quando 5 membros do Comitê Central foram declarados “hostis” e, portanto, considerado pela maioria do CC “fora do quadro” daquela organização." Para depois concluir com graves acusações: "Durante meses travamos uma dura batalha por nossas posições políticas no interior da organização Esquerda Marxista. Mas a sua continuidade se tornou impossível, pois a compreensão totalitária da maioria da direção da EM de democracia operária impediu a continuidade do debate." A direção da EM ainda não se posicionou sobre os motivos políticos do racha e tampouco acerca das acusações do M-LPS, embora o militantes do sindicato dos vidreiros de São Paulo que pertenciam a EM tenham aderido ao novo grupo formado por Miranda. O norte programático do M-LPS parece ser ainda mais oportunista do que sua tendência progenitora, segue os mesmos passos de diluição no PSOL e abandono da estratégia revolucionária Trotskista, não por coincidência convidaram os anti-Leninistas do grupo MAIS para sua conferência de fundação. Tanto Serge como Miranda são antigos quadros revisionistas formados teoricamente por Lambert em suas teses de apologia a democracia como "valor universal" em uma suposta superação a Ditadura do Proletariado, postulada como plenamente vigente no Programa de Transição. Na adesão ao CMI de Woods esta vertente revisionista se aprofunda ainda mais, já que esta tendência internacional representa historicamente uma ala de esquerda do Partido Trabalhista inglês que chegou a apoiar o país imperialista na guerra das Malvinas contra a Argentina no início dos anos 80. O M-LPS provavelmente não venha a se vincular a nenhum agrupamento mundial, assim como o MAIS que "exortou" a LIT, esta posição os deixa "livres" para trafegarem independentes nos corredores eleitorais do PSOL em busca de alguma vaga parlamentar (também serve assessoria de deputado ou vereador). O futuro político da EM será bastante incerto no próximo período, posto que as linhas programáticas de Woods e Goulart não são congruentes, enquanto o primeiro dirigente prefere navegar em fenômenos burgueses mais tradicionais (Peronismo, Trabalhismo etc..), o segundo se mostra mais simpático a surfar na "modernidade" da classe média (Podemos, PSOL etc..). Os Comunistas Leninistas da LBI continuam firmes e convictos da necessidade da revolução socialista e da edificação da Ditadura do proletariado, mesmo pagando o "custo político" do isolamento eleitoral. Por isso mesmo não nos sentimos atraídos pelo "canto de sereia" do PSOL e sua ode política em defesa de um "capitalismo sustentável e socialmente responsável".