sexta-feira, 17 de junho de 2016

DELAÇÕES INDUZIDAS DE MACHADO FAZEM PARTE DO PLANO DE PODER DA “REPÚBLICA DE CURITIBA”: DIANTE DA CRISE DO REGIME “LAVA JATO” JÁ É O EMBRIÃO POLÍTICO DO FUTURO GOVERNO BONAPARTISTA DE MORO


Antes de mais nada é preciso esclarecer o termo marxista "bonapartista", confundido pela esquerda revisionista com sinônimo de "autoritário e antidemocrático". Para o próprio Marx um regime bonapartista significa bem mais do que um governo "ditatorial", representa em síntese um poder estatal burguês que aparentemente pode atuar contra os interesses de sua própria classe social. Por exemplo, a prisão dos maiores empreiteiros do país, fato inédito na história do Brasil, foi um típico ato de um poder bonapartista, neste caso, ainda um embrião de governo liderado pelo juiz Sérgio Moro e sua anturragem do MPF. Retomando ao outro Sérgio, o Machado, sua espetaculosa delação é apenas um peça na engrenagem da estratégia da "República de Curitiba" em desmoralizar politicamente o núcleo pemedebista do golpista Temer. Machado não sofria ameaça alguma de prisão (nem sequer processado pela Lava Jato estava) tampouco seus filhos morando bem longe do Brasil poderiam ser implicados pelos crimes do PMDB na Transpetro, gerenciavam um fundo financeiro sob legislação britânica, portanto as justificativas para a delação de Machado, com requintes de ópera bufa, são todas risíveis e não se sustentam diante de uma análise mais rigorosa dos fatos que abalaram mortalmente o governo "tampão". Machado está atuando friamente sob as ordens de Moro tendo a prometida perspectiva de fortalecer seu grupo econômico (empresas de comunicação, TV e rádio) em um futuro regime bonapartista que destroçaria seus concorrentes regionais (emissoras ligadas ao senador Tasso Jereissati, ex-sócio de Sérgio). Esta por sinal será a "especialidade" do próximo governo bonapartista de Moro, liquidar grandes monopólios capitalistas para beneficiar outros... As "revelações" de Machado são uma obviedade ululante, somente parvos e idiotas se escandalizam com o fato de que no modo de produção capitalista todas as transações comerciais que envolvem o Estado (no sentido amplo do termo) são adicionadas das comissões para cada "gestor" político que celebrou o contrato (a mídia corporativa costuma apelidar equivocadamente de propinas). Desde a compra de um simples lápis escolar pela prefeitura do interior do Amazonas, passando pela reforma do prédio da justiça federal de Brasília ou a construção de uma grande refinaria da Petrobras, as comissões são pagas para os "gestores" na mesma certeza que o sol nascerá e se porá no dia seguinte. As "comissões" são um mecanismo de reprodução do capital para aquecer a cadeia da economia, além de serem apropriadas em parte para o patrimônio pessoal dos "gestores". Não existe uma só economia capitalista do planeta onde não se exerça a prática das "comissões" no âmbito do Estado, a diferença é que em países imperialistas esta prática é regulamentada pela legislação para escapar da pecha da "corrupção". No Brasil o governo da Frente Popular "democratizou" a cobrança das comissões, tanto baixando seus percentuais como ampliando o leque de partidos que dela se beneficiaram. Este movimento do governo petista acabou desagradando parcelas do establishment político que pretendiam manter a antiga estrutura tucana das comissões, bem mais seletiva e muito mais cara. O fato é que todos os partidos que possuem registro institucional, do PSOL (oposição de esquerda) ao DEM (oposição de direita) acabaram abocanhando um naco das comissões obtidas sob a égide dos governos da Frente Popular. Agora que Machado detalha o funcionamento do esquema das comissões da Transpetro ("a mais honesta madame dos cabarés do Brasil") fingem estar chocados os falsos vestais do PMDB, PT, PSDB, PCdoB, PSOL etc... A cara de pau não tem limites quando é encenada para um público de "Homer Simpson". Porém o foco deste artigo não é a abordagem das históricas "comissões" republicanas, parte inerente a qualquer regime capitalista e sim a espetacularização  destas pela mídia, vocalizadas agora pelo marionete Sérgio Machado. A quem interessa e a serviço de que movimento político estão as "bombásticas denúncias" do filho do Ministro janguista da Viação, exilado após o golpe militar de 64? Claro como uma manhã nordestina que Machado opera como um simples peão no tabuleiro da luta pelo poder do Estado, travado pelos "intocáveis" de Curitiba, seu alvo: mostrar ao país que a quadrilha de Temer é tão corrupta ou mais do que o bando petista apeado do governo. Próximo passo da Lava Jato será definir os prazos de validade do interino Temer, ou seja, se o golpista tem condição política de concluir o ajuste neoliberal iniciado por Dilma ou terá que ser retirado por meio de "acordão nacional" que antecipe a realização das eleições presidenciais. Nesta segunda alternativa Moro já costura um acordo com a REDE, forçando Marina a ceder a cabeça da chapa, não por coincidência a Lava Jato resolveu expor a irregularidade nas contas "suspeitas" da campanha eleitoral da ex-senadora petista. Com o agravar da crise política, impulsionada pela aliança titânica entre a "República de Curitiba" e a mídia "Murdochiana", não nos surpreenderíamos se Dilma e Temer abraçarem conjuntamente a "tese" de novas eleições, tudo dependerá daqui para a frente do nível dos "esgotos republicanos", caso transbordem não restará outro caminho a não ser a convocação de novas eleições, já que ironicamente tanto PT como PMDB juram fidelidade absoluta com a Lava Jato. Quanto a Moro, que inocula seu "veneno ético" mortal em todo o espectro da política nacional (da esquerda a extrema direita), só resta compassar seus movimentos para instaurar um regime de "salvação patriótica" para livrar o Brasil de "todos os políticos corruptos", erigindo um governo bonapartista em parceria com novos agentes capitalistas (muitos dos quais sediados nos centros imperialistas), que de certa forma estão marginalizados nas estruturas de poder do PT, PMDB e PSDB.


A burguesia nacional coloca suas fichas em duas apostas para atenuar a crise gerada pelo esgotamento do "modelo de gestão estatal" de colaboração de classes, inaugurado pela Frente Popular em 2003. A primeira aposta é redirecionar a combalida economia para um novo eixo internacional, avaliando que os BRICS não oferecem mais o suporte de absorver a exportação das commodities nacionais. A segunda aposta, fruto da decisão anterior, vai no sentido de reajustar o regime político na medida de adequar as reformas neoliberais internas e garantir um governo bonapartista para celebrar os novos "pactos" com outros setores das classes dominantes (alijadas dos governos petistas) e o imperialismo ianque. Nesta etapa de transição turbulenta, onde se rompeu o cronograma eleitoral, a função da Lava Jato é "lembrar" a Temer que sua "ponte para o futuro" deve ser breve, inclusive já tendo nome e sobrenome: Sérgio Moro. Por isto mesmo o interino golpista está sendo chantageado sistematicamente no Planalto pela "República de Curitiba" antes mesmo de iniciar seu "pacote de bondades" no Congresso Nacional. As "confissões" de Machado (homem cooptado para o esquema de Moro) são apenas um aperitivo do que ainda está por vir.

Como uma alternativa de poder já constituída a "República de Curutiba" debutou em 2015 com sua plataforma de governo bem delineada: obstruir o crescimento industrial da Petrobras, nos setores do refino e fabricação de plataformas. A "iniciativa" criminosa da Lava Jato foi favorecida pela conjuntura negativa do preço mundial do barril de petróleo, o resultado foram  as paralisações nas obras das novas refinarias do Rio e Recife e a desarticulação das empresas subsidiárias na construção de novas sondas e plataformas. O beneficiário direto desta operação foi o truste petrolífero das multinacionais do setor, já que o Brasil é grande importador de derivados refinados do óleo cru e recém retomava o funcionamento da indústria naval no país, totalmente solapada na era FHC. Para resumir, a Lava Jato apenas usou o pretexto da "corrupção" existente na Petrobras para debilitar a estrutura da estatal, seguindo desta forma o primeiro item de sua plataforma de governo: favorecer a desnacionalização da economia brasileira. Interromper o mandato de Dilma, pela via de um golpe institucional, não significa para a "República de Curitiba" apoio incondicional a Temer e a quadrilha do PMDB. Se Moro se utilizou de figuras como Cunha, Temer e Renan para apear o PT do Planalto, foi por um pragmático cálculo político e não se pode descartar que a própria Lava Jato venha ser a algoz destes bandidos de Brasília. 

Nos frios e imundos cárceres de Curitiba até agora só estão "alojados" dirigentes petistas e empresários que estabeleceram "parcerias" comerciais  com o governo da Frente Popular, nenhum cacique pemedebista foi preso, a não ser o ex-senador Sérgio Machado que ficará "detido" em sua suntuosa mansão em frente ao belíssimo mar de Fortaleza. Porém o coadjuvante de Moro na PGR, Rodrigo Janot, não para de enviar ao STF pedidos de investigação e até mesmo prisão contra os dirigentes da máfia palaciana e pemedebista, uma barganha permanente que facilita a vida de Moro e sua anturragem curitibana. Ainda é muito cedo para finalizar um prognóstico preciso acerca do desenlace dos golpes da Lava Jato e sua " cavalgada" até o Palácio do Planalto, existe um Temer no meio do caminho e uma Dilma "pendurada" no Alvorada. Por outro lado o calendário eleitoral oficial só será reaberto em 2018, e não se sabe ainda se o  "apetite" de Moro pode esperar até lá, entretanto o mercado exige a conclusão do "ajuste" e para os barões do cassino financeiro a política não deve atrapalhar a economia, neste ponto o ministro Meirelles está aferrado ao cargo.


O movimento operário e popular não pode estar subordinado as variantes burguesas que se postulam como alternativas de governo diante da crise estrutural do regime capitalista. A vanguarda classista do proletariado deve começar a debater e organizar sua própria alternativa de poder em oposição frontal ao bonapartismo que surge para ocupar o espaço vazio da falência política da Frente Popular. O PT já demonstrou que não tem nenhum interesse em derrocar o governo golpista de Temer, quando muito acena com a proposta de antecipação de novas eleições, um verdadeiro "presente de natal" para os planos nefastos de Moro e sua famigerada Lava Jato. Somente o combate ideológico por um poder revolucionário, produto da luta direta do proletariado e não das viciadas eleições burguesas, poderá apontar um norte socialista para a catástrofe em curso do regime capitalista.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

CARTA AO SENADO: DILMA REÚNE-SE COM PARLAMENTARES E MOVIMENTOS SOCIAIS PARA COSTURAR “ACORDÃO NACIONAL” POR ELEIÇÕES ANTECIPADAS, LULA RESISTE... PROPOSTA DE PLEBISCITO GERA DIVERGÊNCIAS NO CRETINO PLANO DO CÁLCULO ELEITORAL DA FRENTE POPULAR


A presidenta afastada Dilma Rousseff participou, nesta terça-feira (14), de encontro com representantes de movimentos sociais e senadores. Ela já teria inclusive o esboço de uma “Carta ao Senado”, na qual assume uma série de compromissos, caso retorne ao cargo com a suspensão do impeachment. Na reunião, ela apresentou a proposta de realização de um plebiscito para que a população decida se quer ou não convocar novas eleições. Além de Dilma, participaram da reunião os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), Jorge Viana (PT-AC) e Armando Monteiro Neto (PTB-PE), assim como integrantes das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e dirigentes partidários. No encontro, Dilma reiterou que houve no país uma ruptura democrática e que a saída para a crise política passa por "devolver ao povo a prerrogativa de decidir os rumos do país". Os representantes da CUT, MST, MTST ouviram os argumentos da presidenta e dos senadores que apoiam a proposta também defendida pelo PCdoB. Não por acaso, o portal 247, em editorial “Que o povo aponte a saída” de 13.06 aponta: “A presidente Dilma Rousseff, por sua vez, embora tenha um mandato legítimo para cumprir até 31 de dezembro de 2018, tem ciência plena de que, hoje, não reúne condições para governar com o Congresso que aí está. Portanto, a saída mais sábia será transferir à população brasileira não apenas o direito de escolher, mas o dever de apontar saídas para o impasse atual por meio de um plebiscito. A democracia passa por sua volta, mas ela terá que exercitar o desapego. Se, no plebiscito, a população decidir por sua permanência, que assim seja”. Segundo o plano dessa ala da Frente Popular, Dilma através de uma “Carta ao Senado” conseguiria barrar o impeachment, mas alerta-se que a convocação de um referendo ou plebiscito é prerrogativa exclusiva do Congresso. Segundo seus cálculos, o decreto legislativo marcando a consulta pode ser apresentado por apenas um terço dos senadores, ou seja, 27, número que o bloco anti-impeachment comandado por Requião pode conseguir.  Mas depois, só um grande “acordão nacional” garantiria a aprovação por maioria absoluta em votações nas duas Casas do Congresso. No campo da Frente Popular, o grande empecilho até agora é o próprio Lula que resiste a ideia. Do outro lado, os setores "golpistas" e a Rede Globo desejam ver Temer aprovar logo a Reforma da Previdência antes de qualquer mudança no Planalto. Na verdade, Lula sequer defende o “Fora Temer”, como ouvimos de sua boca no ato do dia 10 na Av. Paulista, devido ao cretino cálculo eleitoral dessa ala da Frente Popular de corroer ao máximo o governo “tampão” prevendo uma vitória em 2018. Assim também argumenta Valter Pomar, da AE: “Novas eleições, neste momento? Um erro. Meu motivo para ser contrário a proposta de novas eleições segue sendo fundamentalmente o seguinte: não devemos abrir mão da legalidade e da legitimidade do mandato conquistado em 2014... Estes setores estão fazendo imensa pressão para que a presidenta Dilma aceite a proposta de antecipação das eleições. Na sua entrevista a Nassif, a presidenta deu uma resposta confusa acerca do tema do plebiscito, refletindo a contradição entre esta pressão e a necessidade de defender o mandato...Fora Temer, vamos reconquistar a presidência!” (14.06). A crise no bloco dilmista é tamanha que o PCO chega a denunciar que “Plebiscito é tentativa de ocultar o golpe” e afirma: “A imprensa chegou a colocar palavras na boca da presidenta Dilma Rousseff, ao afirmar que na entrevista que ela concedeu ao jornalista Luís Nassif ela teria dito que se for reconduzida ao cargo, ou seja, se o impeachment não passar no Senado, ela realizaria eleições ou plebiscito. Dilma falou sobre uma consulta popular, mas essa consulta pode ser qualquer coisa; desde eleições ou plebiscito, como quer um setor da burguesia diante do impasse atual com o governo Temer; ou até mesmo na convocação de uma Assembleia Constituinte”. Rui Pimenta conclui: “Eleições ou plebiscito são a aceitação do golpe. Qualquer medida que não seja a derrota dos golpistas significa ocultar e aceitar o golpe. Mesmo porque seriam as mesmas instituições golpistas que realizariam uma ou outra” (DCO, 12.06). Em resumo, as duas alas da frente popular são reféns do jogo institucional, divergem quanto ao “time” de quando melhor seria a realização das eleições presidenciais. Em todo o caso, para o PT e seus apêndices somente estão na “mesa do jogo” institucional duas cartas: novas eleições e a “compra” de uma nova “base aliada” no Senado. As duas tentativas da Frente Popular podem afundar juntas, na completa ausência do protagonismo do movimento operário, atado a uma política criminosa de colaboração de classes diante da brutal ofensiva da direita pró-imperialista, podendo abrir o caminho para Moro e sua corte de procuradores da “República do Paraná” assumir o Planalto legitimada pelas eleições diretas. O que está claro é que o “Fora Temer” para as duas alas da Frente Popular não passa de eixo de mobilização eleitoral, visando desgastar o governo golpista para catapultar a candidatura Lula, seja com eleições antecipadas seja em 2018. Como já alertamos, esse “movimento” não serve como ponto de apoio para as lutas dos trabalhadores contra o ajuste neoliberal em curso levado adiante por Temer (vide a Reforma da Previdência), copiando e aprofundando o receituário aplicado por Dilma. Desde a LBI declaramos “Nem eleições gerais, nem a defesa da democracia”, duas variantes da democracia burguesa que não servem para a revolução. O desenlace progressista da atual crise de dominação burguesa repousa exclusivamente na possibilidade da classe operária começar a construção de seu embrião de poder revolucionário em denuncia aberta das armadilhas eleitorais e do regime da democracia dos ricos! Cabe aos trabalhadores participar dos atos pelo “Fora Temer” com um programa de luta que denuncie essa transição acordada, para derrotar os golpistas nas ruas sem ficar refém do programa de colaboração de classes da Frente Popular, nem das alternativas democratizantes e institucionais das correntes revisionistas do Trotskismo, como “eleições gerais” (PSTU, MES) versus “Assembleia Constituinte” (CST, MRT, PCO) ou mesmo do “Plebiscito por Diretas já” (Dilma, PCdoB, Insurgência). Embora todas maquiadas com o “Fora Temer” são desprovidas de qualquer conteúdo revolucionário e se inserem nas tentativas de salvaguardar o regime da democracia dos ricos em plena decadência histórica. O eixo de agitação e propaganda dos Comunistas Leninistas neste período de instabilidade do regime burguês, no marco geral da ofensiva imperialista neoliberal, deve ser o da construção de uma alternativa independente do proletariado rumo ao seu próprio governo, demarcando vigorosamente com todos os atalhos democratizantes ardorosamente defendidos pelo arco da esquerda reformista, que não servem como ponto de apoio para a luta direta contra a plataforma neoliberal de Temer, “copiada” do ajuste até então levado a cabo por Dilma!    

terça-feira, 14 de junho de 2016

POLÍCIA DA OLIGARQUIA GOMES PERSEGUE PROFESSORES GREVISTAS QUE OCUPARAM A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO CEARÁ, ENQUANTO ISSO CIRO É BAJULADO PELO PT, PCdoB E PCO COMO "HERÓI DA DEMOCRACIA"


Os companheiros Ronaldo Rogério e Arivalto Alves foram intimados a depor em inquérito aberto na Polícia Civil do Ceará sobre a ocupação da Assembleia Legislativa na greve dos professores ocorrida em 2011, quando Cid Gomes era governador. A intimação chegou “por coincidência” no momento em que os trabalhadores em educação estão novamente paralisados, há mais de 50 dias, agora em luta contra os ataques do governo Camilo (PT), filhote e capacho dos irmãos Gomes. Os dois companheiros professores agora intimados pela polícia foram brutalmente agredidos em 2011 na desocupação da Assembleia Legislativa pela PM ocorrida há 5 anos atrás, mas de vítimas da repressão estatal passaram a perigosos “criminosos”. Na imagem que ficou conhecida nacionalmente, Ronaldo protegia Arivalto, que saiu ferido pela brutal repressão desferida por policiais durante a manifestação. Agora eles são cinicamente acusados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) de danos ao patrimônio público. À época, os professores estaduais declararam greve de fome para pressionar o Governo Cid quanto à execução de um plano de cargos e carreiras e pelo cumprimento da Lei Federal do Piso. Esse é o método fascista com que Ciro e Cid (paladinos contra o golpe) tratam os professores em luta no Ceará. Apesar disso, o PT, PCdoB e PCO apresentam o reacionário oligarca Ciro como o mais fiel combatente do “golpe”, um democrata exemplar. Nesta farsa grotesca de embelezar o clã Gomes é seguido pelo corrupto PCO e por seu seguidor no estado, o Paulo Érico Pontes Cardoso um ex-militante da esquerda que hoje presta serviços políticos para a oligarquia Gomes. Rui Pimenta anuncia “Em uma conferência nos EUA, o ex-ministro, Ciro Gomes (PDT), denunciou o golpe e Eduardo Cunha, um dos principais articuladores do impeachment. Ciro denuncia que o deputado peemedebista não chegou à presidência por acaso. Para que Cunha chegasse, foram comprados 250 deputados para apoiá-lo, diz ele. De fato, Ciro está certo” (DCO, 27 de abril). O PCO limpa a cara de Ciro, um dos políticos mais corruptos do Brasil e do Ceará, envolvidos em escândalos milionários quando ministro de Itamar Franco e governador. Já o vigarista Paulo Érico vende seus serviços no Ceará para a oligarquia Gomes divulgando nas redes sociais vídeos de Ciro em que o apresenta como o melhor “combatente do fascismo”. Este protótipo de ex-militante revisionista tem a cara de pau de elogiar um canalha burguês que junto com seu irmão Cid persegue covardemente os professores em greve, PCO e sua corja de apoiadores venais fazem esse serviço sujo em troca de favores e benesses materiais, como por exemplo um mísero "emprego" no governo do estado do Ceará. Os militantes do núcleo dos professores da LBI que não se corromperam diante das verbas estatais e dos cargos comissionados distribuídos pelo governo Camilo e a oligarquia Gomes convocam o movimento de massas a se mobilizar contra a perseguição aos companheiros Ronaldo Rogério e Arivalto Alves. Denunciamos que o “capitão da oligarquia”, Ciro Gomes, apesar de bajulado pelo PT, PCdoB e PCO e seus satélites corruptos não passa de um inimigo de classe dos trabalhadores, um  político burguese que não vacila em reprimir as greves e perseguir os lutadores da vanguarda classista com sua polícia e justiça a serviço da classe dominante!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

ATAQUE A BOATE “GAY” NOS EUA: TERRORISMO DOMÉSTICO DE UMA SOCIEDADE “DOENTE” A SERVIÇO DA OFENSIVA IMPERIALISTA CONTRA OS POVOS!


O ataque a tiros de fuzil AR-15 em uma boate LGBT em Orlando, nos EUA, na madrugada de domingo (12.06) deixou pelo menos 50 mortos e dezenas de feridos. A maioria das vítimas tinha origem latina, como cubanos e caribenhos, como o atentado ocorrendo no final de semana em que boa parte do país celebra o chamado dia do “Orgulho Gay”. Logo a imprensa estadunidense tratou de apresentar o assassino, Omar Mateen, nascido nos EUA mas filho de pais afegãos, como um simpatizante do Estado Islâmico (EI) apesar dele está sendo monitorado e ter sido interrogado pelo FBI desde 2013 sem que qualquer ligação tenha sido provada. Tanto que ele não estava na lista oficial de suspeitos por “terrorismo” e legalmente estava autorizado a ter licença para portar armas, de acordo com os registros oficiais da Florida. As redes de TV anunciaram que o EI havia reivindicado o ataque, como parte dos “lobos solitários” que são simpatizantes do grupo. Na verdade Mateen, de 29 anos, além de assassino, era mais uma vítima da sociedade doente gerada no coração do monstro imperialista. Instável emocionalmente, homofóbico, admirador da polícia (chegando ter fotos com camisetas com o nome e emblema da polícia de Nova York nas redes sociais -ver abaixo), ia muito à academia por ser segurança privado que trabalhava em um centro de prisão de jovens infratores, um ambiente de violência, abuso e repressão. A esposa separou-se dele em 2011 após sofrer anos de violência física. Ela disse a repórteres que Mateen era bipolar e que, apesar de muitos ligarem sua ação a religião ou ao EI, as razões estariam ligadas a problemas de saúde mental e social. Pelo que disse o pai, ele estava irritado por ter presenciado um beijo gay em Miami e planejou o ataque a boate “Pulse”, uma das casas noturnas mais emblemáticas da causa da comunidade LGBT na Flórida e nos Estados Unidos. O estabelecimento foi fundado em 2004, após um drama familiar: a morte, em 1991, do irmão da coproprietária do local, vítima da Aids. A Pulse faz parte de uma rede comunitária dinâmica na Flórida para “despertar as consciências” sobre a homossexualidade. O ataque em Orlando faz parte de uma onde de violência doméstica nos EUA, aguçada pela própria disputa presidencial. Um país que tem Trump e Hillary como candidatos a presidentes, ambos belicistas, racistas, pró-sionistas e patrocinadores do terrorismo de estado tende a gerar psicopatas como Omar. Trump aproveitou para pedir a restrição temporária de muçulmanos estrangeiros nos Estados Unidos, para proteger o país de “ameaças potenciais” e Hillary defendeu o  guerra contra o terror e o controle na venda de armas. No distrito de West Hollywood, reduto LGBT de Los Angeles, preparava-se para começar a Parada do Orgulho Gay quando policiais encontraram um carro com munição e explosivos. O proprietário do veículo, James Howell, de 20 anos, foi detido em Santa Mônica neste domingo. Ele tinha intenção de usar o material contra a parada gay. A prisão ocorreu horas após o atentado em Orlando. Na madrugada do sábado, 11, uma cantora lésbica foi assassinada em Orlando. Ex-participante do programa de TV The Voice, Christina Grimmie, de 22 anos, foi atacada após um show por um atirador que se matou em seguida. Apesar de estarmos solidários com os mortos e seus familiares lembramos que o ataque em Orlando vem ocupando desde domingo as manchetes de jornais e TV pelo mundo afora, o que não ocorre quando os EUA matam diariamente em seus ataques militares dezenas de pessoas no Afeganistão ou Iraque, assassinatos que ocorrem sem a menor cobertura dos meios de comunicação. Além disso, o atentado doméstico vem servindo como móvel midiático para aprofundar a ofensiva imperialista contra os povos e recrudescer as normas internas que cerceiam as mais elementares liberdades democráticas do povo estadunidense. Obama logo saiu a condenar o ato como o “mais mortal da história americana” e declarou “Nós sabemos o suficiente para dizer que foi um ato de terror e um ato de ódio”, insinuando que era um atentado terrorista, quando é público que foi um ataque racista e homofóbico de uma besta humana gerada no seio da sociedade ianque. Este genocídio covarde muito utilizado por hordas fascistas contra as comunidades homossexuais nos EUA e no mundo afora deve ser amplamente repudiado pela esquerda classista e revolucionária como um ataque ao conjunto do movimento operário e as liberdades democráticas do povo trabalhador! Os revolucionários nunca defendem a “democracia” para a burguesia e seus setores mais reacionários poderem livremente organizar ofensivas reacionárias contra o povo trabalhador e as chamadas “minorias”! Ao contrário, intervém nos protestos e manifestações contra a homofobia para apresentar uma plataforma revolucionária que una a luta pelas liberdades democráticas do povo trabalhador no sistema capitalista ao combate para derrotar a burguesia e seu regime senil de conjunto, demonstrando que as posições reacionárias e preconceituosas são as expressões mais cruentas de seu desejo de “eliminar” os trabalhadores por meio da fome, miséria, do desemprego e da exploração capitalista! Fazemos um combate de classe ao racismo, à homofobia e ao preconceito social, racial e de gênero. Nesse sentido, apoiamos a marcha em solidariedade as vítimas de Orlando ocorrida em frente ao icônico Stonewall Inn. Em 1969, o bar foi palco de manifestações que marcariam o início da luta pelos direitos LGBT, quando homossexuais que frequentavam a casa noturna entraram em combate com a polícia durante mais de uma semana, exigindo seus direitos civis, data que deu origem ao chamado “Orgulho Gay” nos EUA. Apesar disso, nos delimitamos das paradas gay que são eventos cada vez mais exclusivamente festivos, policlassistas e que mais estão para um desfile hedonista de culto a “beleza” e ao “exótico” do que propriamente pela luta emancipatória de um setor brutalmente oprimido da sociedade. Denunciamos que o ataque em Orlando, assim como outros atos de terror doméstico nos EUA, tem o claro conteúdo fascista e estão em consonância com a época de ofensividade bélica e de reação ideológica preconizada pelo imperialismo norte-americano. Estamos vendo a volta, com força, do neonazismo ianque em escala interna e planetária. Para se opor a essa escalada arquirreacionária deve-se ter claro que ela é uma expressão da dura etapa de contrarrevolução e profunda ofensiva imperialista em curso, onde ao lado dos mortos de Orlando estão os cadáveres de mais de 200 mil líbios trucidados pelos bombardeios da OTAN ou as vítimas dos mercenários “rebeldes” na Síria, ao melhor estilo dos jogos de guerra vendidos às crianças norte-americanas. Para que não se repitam novas cenas sanguinárias dentro e fora dos EUA, somente a ação revolucionária do proletariado mundial poderá reverter estas tendências nefastas, se valendo da luta pela liquidação do modo de produção capitalista e tendo como estratégia a imposição de seu próprio projeto de poder socialista.

sábado, 11 de junho de 2016

BALANÇO DOS ATOS DO DIA 10: NEM O “FORA TEMER” LULA FOI CAPAZ DE DEFENDER EM FUNÇÃO DO CRETINO CÁLCULO ELEITORAL DA FRENTE POPULAR


“Quanto mais eles me provocarem, mais eu corro o risco de ser candidato à Presidência em 2018”. Esse foi o “ponto alto” e principal mensagem da fala de Lula na manifestação da Av. Paulista que reuniu cerca de 80 mil pessoas. Além do “descaramento” de afirmar que “não poderia defender o Fora Temer”, por ser o “golpista” um antigo aliado do PT, mas também pelo cretino cálculo eleitoral da Frente Popular de corroer ao máximo o governo “tampão” prevendo uma vitória em 2018. Outros atos pelo país concentraram milhares de pessoas neste dia 10 de junho. O que se viu nas manifestações desta sexta-feira foi um claro movimento de cunho eleitoral. O “Fora Temer” para a Frente Popular não passa de eixo de mobilização eleitoral, visando desgastar o governo golpista para catapultar a candidatura Lula, seja com eleições antecipadas seja em 2018. Foi uma demonstração da retomada parcial da força política e eleitoral do PT, mas que não serve como ponto de apoio para as lutas dos trabalhadores contra o ajuste neoliberal em curso levado adiante por Temer, copiando e aprofundando o receituário aplicado por Dilma. Apesar de ter entre seus eixos “Nenhum Direito a Menos” as manifestações não apontaram para a luta direta contra os ataques do Planalto, tanto que a única categoria que parou parcialmente foi a dos petroleiros. Nenhuma assembleia de base foi convocada pelos sindicatos cutistas pelo país, ao contrário, o ato foi palanque para aliados burgueses da Frente Popular, com o Ciro Gomes (PDT) no Ceará, enquanto o governo do PT no estado, aliado a oligarquia Gomes anuncia “reajuste zero” para os servidores públicos. Não houve também chamado para a construção da greve geral por parte da maioria dos dirigentes políticos e sindicais. Um fato importante a destacar é que nem Lula, nem a CUT defenderam o plebiscito ou a antecipação das eleições pregado por Dilma na entrevista na TV Brasil. Tanto que Lula declarou “Não vou dizer Fora Temer, não pega bem. Temer é um advogado constitucionalista, deve devolver o poder para uma presidenta legitimamente eleita. Digo para ele, se você quiser participe das eleições em 2018 para vê se você se elege presidente ”, sustentando a tese que a presidente afastada deve continuar seu governo (e o ajuste neoliberal) até 2018. Por sua vez, a CUT ressaltou a “unidade” em torno do “Fora Temer” entre a FBP e a Frente Povo Sem Medo que participa setores ligados ao PSOL, o que significa na prática a base para a formação de um comitê eleitoral comum dos movimentos sociais de apoio a Lula para uma disputa presidencial futura. Vagner Freitas, presidente da CUT, afirmou “a coisa mais importante que foi construída nesse processo todo foi essa linda unidade da esquerda e dos movimentos sociais para impedir o impeachment e retomar a democracia”. Da nossa parte, intervimos neste dia 10 denunciando o caráter eleitoralista do “Fora Temer” e delimitando com as supostas saídas democráticas (eleições gerais, assembleia constituinte, plebiscito por diretas) que na verdade visam fortalecer o regime da democracia dos ricos e de fato abre caminho para a chegada de Moro e do seu séquito da “República de Curitiba” ao Planalto. Longe de ser um ponto de apoio para as lutas em curso contra os ataques do golpista Temer, o que se viu foi uma mobilização para reagrupar a base social e eleitoral do PT. Nesse sentido os revolucionários comunistas defendem que é necessário intervir nas lutas e nos atos pelo “Fora Temer” para forjar uma alternativa própria dos trabalhadores, independente da direita e da Frente Popular.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

ENTREVISTA A TV BRASIL: DILMA ACENA COM ANTECIPAÇÃO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS E CONVOCAÇÃO DE PLEBISCITO... SETORES DA FRENTE POPULAR DENUNCIAM A PROPOSTA COMO “GOLPISMO ENVERGONHADO”.  SERIA A PRESIDENTA AGORA TAMBÉM “GOLPISTA”?


A presidenta afastada Dilma Rousseff defendeu a convocação de novas eleições presidenciais, desde que o processo seja levado a frente após a derrota do impeachment no Senado. Desta forma o “Fora Temer” ou o “Volta Dilma” teria como base um acordo intra burguês para a convocação de novas eleições. Em entrevista a TV Brasil ela declarou “Eu sempre fui a favor de eleições. Se não, fica parecendo que eu era a favor de ditadura e não de eleições. A solução democrática passa pela minha volta. Mas num segundo momento, vamos ter que discutir: o que rompeu no Brasil? Nós rompemos o pacto político que sustentou o Brasil desde a Constituição de 1988. As forças políticas que se uniram naquele momento tiveram uma ruptura. Aquele dia 17 de abril foi um momento de ruptura. O que significa isso? Muito dificilmente haverá uma repactuação por cima. Isso traz a necessidade de uma nova repactuação via eleições diretas, pelo voto. O pacto que vinha desde a Constituição de 1988 foi rompido e não acredito que se recomponha esse pacto dentro de gabinete. Acredito que a população seja consultada... Só tem um jeito, diante da contradição: recorrer à população. Eu acho que pode ser o plebiscito, essa é uma coisa que está sendo muito discutida”. Pelo que se percebe no staff dilmista, a realização de novas eleições seria feita a partir da convocação de um plebiscito, como defende o PCdoB e os 30 senadores que se reuniram com Requião no começo da semana, como ele declarou “Num jantar com 30 senadores esta noite, estupefatos com últimos acontecimentos, convergimos para eleições diretas muito logo. Povo decide!... Nós queremos dar uma oportunidade ao país, e essa oportunidade se transforma no fim do impeachment, no compromisso de um plebiscito de novas eleições e na abertura de uma grande discussão sobre o sistema econômico, partidário e político do Brasil”.  Os parlamentares desejam fechar um pacto com Dilma e Lula para a convocação do plebiscito ou a aprovação no parlamento de uma PEC por novas eleições, pelo visto a presidente afastada já se declarou favorável. Essa proposta sofre resistência de setores do PT como Lula e Valter Pomar e das entidades ligadas aos movimentos sociais, como a CUT. Vejamos o que diz o dirigente da Articulação de Esquerda: “E há, por outro lado, os que defendem que para derrotar o impeachment, deveríamos defender a convocação de novas eleições. Falando claro, esta segunda posição defende que, para conquistar/reverter o voto de alguns senadores que no dia 12 de maio votaram pelo impeachment, a presidenta Dilma deveria assumir o compromisso de renunciar a parte do seu mandato... Uma destas soluções mágicas é a ideia de convocar um plebiscito, sobre se teríamos ou não novas eleições. Esta proposta, como já foi explicado antes, propõe uma troca: alguns senadores prometem que votariam contra o impeachment, desde que a presidenta se comprometesse a convocar um plebiscito em que o povo decidiria se anteciparemos ou não as eleições. Já dissemos antes e repetimos: este tipo de proposta supõe a gente abrir mão da legalidade/legitimidade do mandato, em troca de uma promessa. E, ainda que eles cumpram a promessa e o impeachment seja derrotado, que alternativa teríamos no plebiscito? Vamos defender que não haja novas eleições? É óbvio que, caso seja proposto o plebiscito, a única posição que nos restaria seria apoiar a antecipação. Na prática, portanto, defender o plebiscito é uma forma disfarçada de defender que abramos mão de parte do mandato conquistado em 2014, o que tornaria absolutamente inócua nossa eventual vitória no Senado. Com um agravante: o golpismo receberia um banho de loja e seria apresentado como um 'rearranjo democrático'”. Lula e setores da esquerda petista sonham com a reversão no Senado mas que Dilma continue no governo, o que tem chance zero de ocorrer. Lula, que ainda não se pronunciou publicamente sobre o tema, deseja ser candidato só em 2018 mas a realidade política está forçando-o encurtar esse prazo, ainda mais com a Lava Jato batendo a sua porta. Em todo o caso, para o PT e seus apêndices somente estão na “mesa do jogo” institucional duas cartas: novas eleições ou a “compra” de uma nova “base aliada” no Senado. As duas tentativas da Frente Popular podem afundar juntas, na completa ausência do protagonismo do movimento operário, atado a uma política criminosa de colaboração de classes diante da brutal ofensiva da direita pró-imperialista, podendo abrir o caminho para Moro e sua corte de procuradores da "República do Paraná" assumir o Planalto legitimada pelas eleições diretas. O mais hilário é a política transloucada do PCO. Este acusa a proposta de novas eleições levantada por petistas, seus apoiadores no Senado e a própria presidente afastada de golpista, ou seja, Dilma estaria tramando um golpe contra ela mesma! No artigo “O bloco do golpismo envergonhado” o Sr. Pimenta declara: “Na medida que o golpe avança, um setor político da burguesia, que até então se apresentava como oposição aos golpistas, começa a aparecer em cena com a mesma proposta de eleições. Há no Senado a conversa de que o impeachment de Dilma poderia não passar caso o PT e a própria presidenta chegassem ao acordo de convocar novas eleições... Esse é o significado da palavra de ordem de “eleições gerais”. Ao defenderem essa posição, o PCdoB e setores do próprio PT estão sendo porta-vozes esquerdistas desse bloco burguês que não representa de fato nenhuma luta contra o golpe. O que o movimento contra o golpe deve compreender é que esse bloco não é nada mais do que um bloco golpista envergonhado”. Por essa lógica, a própria Dilma, o PCdoB, setores do PT, Requião seriam agora membros do “bloco do golpismo envergonhado”. O PCO, membro do bloco corrupto do governista empedernido, deseja o “volta Dilma” para que ela continue aplicando sua plataforma neoliberal porque se deve respeitar a legalidade burguesa acima de tudo e para preservar a "democracia". Desde a LBI declaramos “Nem eleições gerais, nem a defesa da democracia”, duas variantes da democracia burguesa que não servem para a revolução. O desenlace progressista da atual crise de dominação burguesa repousa exclusivamente na possibilidade da classe operária começar a construção de seu embrião de poder revolucionário em denuncia aberta das armadilhas eleitorais e do regime da democracia dos ricos! Cabe aos trabalhadores participar dos atos pelo “Fora Temer”, como o que ocorre neste dia 10 de junho, com um programa de luta que denuncie essa transição acordada, para derrotar os golpistas nas ruas sem ficar refém do programa de colaboração de classes da Frente Popular, nem das alternativas democratizantes e institucionais das correntes revisionistas do Trotskismo, como “eleições gerais” (PSTU, MES) versus “Assembleia Constituinte” (CST, MRT) ou mesmo do “Plebiscito por Diretas já” (Dilma, PCdoB, Insurgência). Embora todas maquiadas com o “Fora Temer” são desprovidas de qualquer conteúdo revolucionário e se inserem nas tentativas de salvaguardar o regime da democracia dos ricos em plena decadência histórica. O eixo de agitação e propaganda dos Comunistas Leninistas neste período de instabilidade do regime burguês, no marco geral da ofensiva imperialista neoliberal, deve ser o da construção de uma alternativa independente do proletariado rumo ao seu próprio governo, demarcando vigorosamente com todos os atalhos democratizantes ardorosamente defendidos pelo arco da esquerda reformista!

quinta-feira, 9 de junho de 2016

AS LIÇÕES DO GOLPE NO PARAGUAY

O Blog da LBI publica uma série de artigos sobre o golpe parlamentar no Paraguay, ocorrido há 4 anos atrás, em junho de 2012. O processo tem similaridade como o impeachment da presidente Dilma em curso no Brasil porque demonstra não só a covardia política e pessoal de Lugo (um protótipo de Frente Popular) mas também a orientação geral do imperialismo para o continente, assim como a capitulação vergonhosa dos governos da centro-esquerda burguesa, principalmente do próprio PT. Como Marxistas consideramos necessário abstrair as lições políticas e programáticas deste episódio fundamental para a esquerda revolucionária brasileira. Inclusive entre os textos publicados polemizamos com a tese da “defesa da democracia” burguesa levantada à época por toda sorte de reformistas, o que se repete agora em nosso país para encobrir a plataforma neoliberal capitalista do governo da Frente Popular, tanto aqui, no Paraguay e em toda a América Latina.


PARAGUAY: APLASTAR A TENTATIVA DE GOLPE MOBILIZANDO AS MASSAS COM INDEPENDÊNCIA DO GOVERNO

Mal tinha finalizado a brutal repressão aos camponeses que lutam contra a ofensiva dos latifundiários da soja (sojeros), o presidente Fernando Lugo recebeu de "agradecimento" por parte da oligarquia um fulminante processo parlamentar de impeachment, equivalendo a um verdadeiro golpe de estado. Ainda não sabemos se a tentativa de derrubar Lugo irá contar com o apoio aberto da cúpula militar ou se restringirá a elite civil, representada na totalidade das cadeiras do Parlamento paraguaio. O governo de Lugo, eleito sob a base de uma composição (Aliança Patriótica) com o tradicional Partido Liberal, um dos braços políticos da oligarquia fundiária, vinha sofrendo um forte esgarçamento social no último período. Os trágicos acontecimentos ocorridos em Curuguaty, a duzentos quilômetros da fronteira com o Brasil, serviram como estopim para os sojeros alertarem a burguesia em seu conjunto para a incapacidade do governo Lugo conter o movimento dos camponeses sem-terra, carperos. Sob a acusação de conivência com os carperos e até com Exército do Povo Paraguaio (EPP) a Câmara dos Deputados aprovou hoje (21/06) por 73 votos a favor e apenas um contra a abertura de um processo sumário de impeachment, que culminará com a votação final no senado na sexta-feira ou no máximo no sábado. Lugo não conta com o apoio de um único senador sequer e terá apenas duas horas para sua defesa. Agora a noite a igreja católica, da qual Lugo é bispo, emitiu um comunicado exigindo sua renúncia para "evitar um confronto nacional". Sem apoio parlamentar, Lugo conta com o relativo apoio da UNASUL, que enviou uma delegação a Assunção para mediar o conflito. Por outro lado o movimento camponês anunciou a chegada a capital do país de delegações de todas as regiões em apoio ao presidente, que encerraria seu mandato no ano de 2013, sem direito constitucional a reeleição. Assim que soube da movimentação no Congresso, Lugo disse que não deixaria a presidência: "Não renunciarei ao cargo para o qual fui eleito pelo voto popular".

terça-feira, 7 de junho de 2016

RUPTURA POLÍTICA NO INTERIOR DA LIGA COMUNISTA INTERNACIONAL, LCI (SPARTACIST LEAGUE)

O Blog da LBI publica os principais trechos do documento de ruptura política de uma fração partidária no interior da LCI (Liga Espartaquista, EUA). Esta fração, agora já externa, denominada “Antes tarde do que nunca”, dirigida pelos camaradas Ines e Wright, levanta uma série de questões políticas e programáticas importantes para o debate principista no seio do movimento trotskista internacional. Embora não tenhamos concordância programática integral com as posições expressas no documento abaixo, tomamos a iniciativa de traduzir em primeira mão o texto para o português por compreendermos que os temas em discussão tem muita relevância para o reagrupamento dos revolucionários trotskistas em nível mundial rumo à reconstrução da IV Internacional. Reconhecemos na LCI um marco de referência no campo dos trotskistas defensistas, ou seja, aqueles que consideraram o fim da antiga URSS como o maior passo político da contrarrevolução mundial do século passado. Porém a corrente internacional liderada por Robertson apresenta hoje traços de profunda paralisia, tanto no terreno da elaboração teórica como no da ação prática, favorecendo desta forma claras tendências de capitulação ao revisionismo que tanto combateu no passado.



DECLARAÇÃO DA FRAÇÃO "ANTES TARDE DO QUE NUNCA"
RETORNAR PARA O CAMINHO DO GENUÍNO ESPARTAQUISMO!

A liderança da LCI dobrou-se sob as pressões do imperialismo, arrastando o nome do espartaquismo pela lama de capitulação política para a burguesia e perda de confiança na capacidade revolucionária do proletariado.

O primeiro parágrafo do projeto de documento de fevereiro 2016 afirmou que a força ‘centralmente responsável’ para a destruição contrarrevolucionária da DDR [República Democrática Alemã, a Alemanha Oriental um Estado operário deformado] foi a burocracia stalinista na DDR e ‘acima de tudo’, da União Soviética. Esta última repetição da concepção errada de que os stalinistas 'levaram' a contrarrevolução nega a orientação política correta que fez possível a luta orgulhosa da LCI no combate à contrarrevolução na RDA, e sobre o qual lutas futuras para a revolução política na China e de outros estados operários deformados também deve ser baseadas..

Então, o que fez LCI, de acordo com esta linha: alertar os trabalhadores do DDR que o Kremlin estava conduzindo a contrarrevolução? Absolutamente não! Essa mentira venenosa dos pseudotrotskistas destina-se a mobilizar os trabalhadores pelo chamado para uma retirada das tropas soviéticas do DDR. A LCI tomou uma posição muito clara contra esta linha stalinofóbica, insistindo que a retirada das tropas soviéticas abriria a porta aos imperialistas.

Muitos militantes da  LCI acreditam erroneamente que havia uma correção posterior esclarecendo que era equivocado dizer que esta impressão equivocada é produto da seguinte pseudo-correção aprovada na conferência da LCI de 2003. Se olharmos mais de perto, eles podem ver que a ‘correção’ 2003 não foi uma mudança que ‘stalinistas levaram a contrarrevolução’ para ‘os stalinistas não levaram a contrarrevolução’, mas apenas uma mudança de afirmar  ‘os stalinistas DDR levaram a contrarrevolução’ para ‘os stalinistas soviéticos levaram a contrarrevolução. Este pseudo-correção serviu a dois propósitos: 1) para pacificar aqueles na parte que pode opor-se à ideia de que ‘os stalinistas levaram a contrarrevolução’ com a ilusão de que a ‘correção’ foi uma reafirmação do entendimento de Trotsky sobre a natureza dual da burocracia stalinista, e 2) para continuar, entretanto, no mesmo curso revisionista da liderança, e de fato consolidá-la por entorpecer qualquer oposição potencial. Isto permitiu que a LCI adotasse a dubiedade para falar de "ambos os lados de sua boca" sobre esta questão para melhor atender às suas finalidades.
O NEFASTO PAPEL DE BERNIE SANDERS NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NOS EUA: UM PRÉ-CANDIDATO IMPERIALISTA DE “ESQUERDA” QUE DEU FÔLEGO AO DESGASTADO PARTIDO DEMOCRATA PARA AO FINAL DAS PRIMÁRIAS SER CABO ELEITORAL DA VÍBORA CLINTON


Hillary Clinton já conta com um número suficiente de delegados comprometidos com sua candidatura para se proclamar como a candidata democrata à Casa Branca. A notícia foi dada pela agência Associated Press, depois de atualizar sua contagem de delegados. A víbora Clinton já é a candidata “oficial” mesmo sem fechar os resultados da jornada das primárias desta terça-feira (07.06), quando votaram delegados da Califórnia e de Nova Jersey, entre outros Estados.  A vitória nas primárias de Porto Rico, no domingo, deixaram Clinton a 23 delegados da marca de 2.383, segundo a contagem da AP. Novos apoios por parte de superdelegados, aqueles que não estão condicionados pelo voto dos militantes, a fizeram chegar à cifra necessária para garantir a nomeação. Durante todo o processo das primárias que começou em janeiro, a imprensa mundial e amplos setores da esquerda, inclusive grupos que se dizem trotskistas, deram destaque à campanha de Bernie Sanders, principalmente quando sua postulação cresceu alguns estados, batendo inclusive a víbora Hillary Clinton, candidata preferencial do imperialismo para as eleições presidenciais de novembro de 2016. No final das primárias, a Madame Clinton vai disputar as eleições contra o republicano Donald Trump (apoiado pela Tea Party) e ser eleita a “primeira presidente mulher dos EUA”. Sanders serviu até agora para aparentar que existe uma disputa real no seio dos democratas. Não por acaso Sanders declarou “Eu devo dizer a vocês que, pessoalmente, teria uma enorme satisfação de disputar (as eleições presidenciais) com Donald Trump”. O senador pelo estado de Vermont se auto-intitulou durante a campanha como um “socialista democrático” apesar de ter apoiado a ocupação do Afeganistão e de ser abertamente simpático a Israel. Ele afirmou que “Socialismo democrático significa que nós devemos criar uma economia que funcione para todos, não apenas para os muito ricos”. Até mesmo essa limitada plataforma populista galvanizou setores da classe média “progressista”, dos trabalhadores e a da juventude precarizada, que não tem voz na corrida eleitoral, apesar do país ser palco de graves conflitos como as lutas pelo salário mínimo de 15 dólares a hora, com as revoltas dos trabalhadores precários nas cadeias de fast-food, além das rebeliões negras que atravessaram os EUA, de Ferguson a Nova Iorque, de Los Angeles a Baltimore, contra a repressão policial. No marco dessa onda, setores da esquerda começaram a apresentar a candidatura de Sanders como uma “alternativa socialista”, como a LSR-CIT (nos EUA são da coalizão Socialist Alternative, da vereadora de Seattle), o MES e até mesmo a chamada “esquerda petista”. Tratou-se de uma farsa! Apesar de criticar pontualmente as grandes corporações e defender um sistema universal de saúde, ele apoiou a política militarista dos EUA desde os bombardeios na Iugoslávia em 1999 e na guerra do Afeganistão. Nomeadamente na Líbia em 2011, ele também votou pela ação militar para derrubar Kadaffi. O principal é que Sanders é um dos sustentáculos no Senado do apoio ianque ao enclave terrorista de Israel, inclusive defende a criação de uma “nova OTAN” para combater o que chama de “terror”. Não por acaso, na Síria reivindica a derrubada de Assad. Em uma comparação mundial a candidatura de Bernie Sanders segue a mesma lógica do Podemos espanhol e do Syriza grego, sendo que bem aquém até mesmo dessa “nova” social-democracia a serviço do capital, porque ao final das primárias o tal “socialista” vai se limitar a ser um cabo eleitoral da víbora imperialista Hillary Clinton, como já se comprometeu em caso de derrota da “disputa” interna democrata.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

MORRE O FACÍNORA JARBAS PASSARINHO, ELOGIADO POR TEMER, MARINA E COM TRÂNSITO JUNTO AO PT: DE ORGANIZADOR DO GOLPE MILITAR E DO AI-5 À ARTICULADOR DA DIREITA NA REDEMOCRATIZAÇÃO BURGUESA


Morreu neste domingo (05/06) aos 96 anos o tenente-coronel, hoje general da reserva, Jarbas Passarinho. Seu funeral contou com honrarias militares, como execução de marchas, tiros de fuzil, de canhão e com o lamento do atual golpista Temer “Quero expressar meus sentidos pêsames pela perda desse grande brasileiro”. Passarinho, com atividade intelectual intensa desde a juventude, foi um dos legionários da UDN na sua pregação "contra a corrupção" e nos ataques virulentos a Getúlio Vargas já na década de 50. Conseguiu destaque na legenda liderada por Carlos Lacerda cuja trama envolvendo seu "atentado" levou ao suicídio de Vargas em 54. Foi um dos conspiradores no quartel-general da 8ª Região Militar no Pará, atuando de 62 a 64 no Estado-Maior do Comando Militar do Norte (Amazônia) pela derrubada de João Goulart. Com esse longo histórico golpista foi alçado ministro da ditadura militar dos generais Costa e Silva, Médici e Figueiredo, além de governador “biônico” do Pará imposto entre 64-66 pelos generais genocidas, quando se integrou a Arena, o partido oficial dos milicos. O facínora articulador do golpe militar de 64 passou para a história pelo fundamento de seu voto dentro da cúpula do governo Costa e Silva a favor do Ato Institucional nº 5 em 1968, na funesta reunião dos 24 membros do Conselho de Segurança Nacional realizada em 13 de dezembro que mergulhou o Brasil no terrorismo de Estado aberto, dando aos agentes da repressão política carta branca para torturas, assassinatos, estupros, ocultação de cadáveres e outros crimes contra a militância de esquerda: “A direita quando está no poder não mede escrúpulos. Às favas, Sr. presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência!”. Na linha inescrupulosa de alinhar o Brasil ao imperialismo ianque, em 69 assumiu a pasta da Educação no governo do gorila Médici e implantou a “reforma universitária” conhecida como MEC-Usaid, por causa do apoio do governo norte-americano. Na chamada redemocratização defendeu a Lei da Anistia que preservou os militares genocidas e depois como Senador na década de 80 atuou como líder do PDS (antiga Arena) na Constituinte, também prestou seus serviços como ministro de Collor de Melo nos anos 90. Deixou o senado em 1995 e foi cinicamente nomeado por FHC em 96 como consultor do “Programa Nacional de Direitos Humanos”. Passarinho recentemente foi uma das principais testemunhas de defesa do coronel torturador Brilhante Ustra ao lado de Sarney. Sua reconhecida trajetória reacionária de articulador do golpe militar e do famigerado AI-5 não impediu que Marina Silva fizesse rasgados elogios a Passarinho: “Mais um importante personagem da história do Brasil se despede, o acreano-paraense Jarbas Passarinho. Tenho um reconhecimento pessoal a fazer: mesmo com todas as críticas pertinentes às suas ideias sobre Educação, foi no Mobral - criado por ele, quando ministro - que aprendi a ler e escrever. Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas. Essa sabedoria do povo é o oposto da polarização que domina a cena brasileira nos dias de hoje, em que se julga um lado totalmente certo e outro totalmente errado. Jarbas Passarinho será, certamente, lembrado por seu alinhamento com a ditadura militar. Mas também terá, na história, o destaque e a ressalva de suas evidentes qualidades intelectuais e habilidades políticas, com as quais se tornou um interlocutor das oposições de grande ajuda em momentos críticos”. As asquerosas palavras da evangélica pentescostal Marina mostram seu alinhamento com o imperialismo ianque. Ainda assim a repugnante ecocapitalista é cortejada pelo PSOL, que vai fazer várias alianças com a Rede, como em São Paulo. As “qualidades” descritas por Marina são compartilhadas também por petistas, como Jorge Viana, Senador pelo PT do Acre. Segundo ele “Passarinho foi referência na vida política brasileira durante décadas, especialmente no período do regime militar.Político influente, deixou longa biografia. Independente de concordarmos ou não, ele é parte da história do Brasil” (Valor Econômico, 06.06).  Aloísio Mercante (filho de general) e José Genoíno também tem “boas recordações” do militar falecido. Desde a Assembleia Constituinte de 1987 Passarinho tinha transito livre com estes dois dirigentes do PT por conta dos acordos em torno da redemocratização burguesa, relação que continuou quando Genoíno foi assessor do Ministério da Defesa (Nelson Jobim) no governo Lula. Não devemos esquecer que quem enterrou a investigação dos torturadores do regime militar foi Lula e o PT, ao não questionarem a Lei da Anistia aprovada pelo próprio regime militar com o apoio de Jarbas. A presidente Dilma, apesar de ex-presa política, patrocinou uma “Comissão da Verdade” que não gerou qualquer consequência para os chacais fascistas. Em oposição de classe a este arco de direita e da esquerda domesticada ao capital, os Marxistas Leninistas, apesar de não cremos na punição de facínoras após a morte, nos somamos ao justo ódio das honradas vítimas do golpe militar e do AI-5 tramado por Jarbas Passarinho que neste momento devem estar comemorando com o ditado popular: “já vai tarde para o inferno”! O acerto de contas que o proletariado necessita realizar com os facínoras da ditadura militar, deverá inevitavelmente vir na esteira do implacável combate ao regime capitalista e sua forma mais aperfeiçoada de “estabilidade democrática”, a democracia dos ricos que depois da ditadura militar foi costurada por acordos entre figuras do PDS como Jarbas Passarinho, os líderes do PMDB e até setores do PT, PCdoB, PCB e MR-8. Para a classe operária o verdadeiro julgamento de seus covardes algozes e articuladores do Golpe Militar, como Passarinho, só acontecerá quando for capaz de construir seus próprios organismos de poder, estabelecendo tribunais operários e populares de julgamento e de julgamento e punição, como instrumentos da histórica justiça de classe do proletariado. Como vemos no exemplo de Jarbas Passarinho (enterrado com honras pelo Exército), no regime democratizante vigente em nosso país os militares são “intocáveis” e gozam de toda proteção jurídica que lhes confere completa impunibilidade, a chamada “Lei da Anistia” que serviu apenas para proteger os torturadores. Para enfrentar esta “proteção” é necessário lutar pela abertura imediata dos arquivos dos órgãos de inteligência dos militares de ontem e de hoje. A construção de tribunais populares, no bojo de um ascenso do movimento operário, para julgar e condenar os militares assassinos é parte integrante da tarefa democrática transicional da revolução socialista para pôr abaixo o Estado capitalista e seu tenebroso aparato repressivo que Jarbas Passarinho ajudou a montar tanto como militar como "civil"! 

domingo, 5 de junho de 2016

HÁ DOIS ANOS DO FIASCO “CANARINHO” NA  COPA DO MUNDO: IMPERIALISMO IANQUE QUER POR FIM AO “IMPÉRIO” DAS EMPREITEIRAS BRASILEIRAS EM TODA AMÉRICA LATINA


Na véspera de completar dois anos da realização da Copa do Mundo da FIFA no Brasil, depois de mais de cinquenta anos da inauguração do majestoso “Maracanã", o Blog da LBI reproduz uma série de artigos históricos que marcaram uma análise marxista dos ácidos momentos da luta de classes que precederam tanto a abertura da Copa na cidade de São Paulo em 12 de Junho de 2014, como o seu “trágico” encerramento em meados julho no Rio de Janeiro.

DIANTE DA HOLANDA O ÚLTIMO FRACASSO EM CAMPO: A SELEÇÃO BRASILEIRA NÃO É A PÁTRIA DE CHUTEIRAS!

O genial reacionário Nelson Rodrigues, “pó de arroz” e apaixonado pelo futebol brasileiro certa vez afirmou que a seleção canarinho era a “pátria de chuteiras”. Esta “compreensão” transformou-se quase em unanimidade nacional em tempos de Copa do Mundo, e como toda “unanimidade é burra” este falso “consenso” mais além é completamente equivocado. A realização da Copa do Mundo no Brasil colocou a nu a profunda crise do futebol brasileiro e os péssimos resultados da seleção em campo apenas refletiram este momento. A expectativa da conquista da Taça para o Brasil se desfez “tragicamente” na humilhante goleada sofrida no jogo contra a Alemanha e agora se confirmou com a perda da terceira colocação em função da derrota para a compacta seleção holandesa. No calor dos debates políticos sobre a Copa não faltaram setores da esquerda, para não falar das análises patrioteiras da direita tradicional, que insistiram em “repercutir” o enorme equívoco de mixar a seleção canarinho com a nação brasileira. Em primeiro lugar é necessário esclarecer que hoje a seleção de futebol brasileira é um “produto” administrado por uma entidade privada a CBF, empresa capitalista que organiza o campeonato brasileiro e a copa do Brasil, além da promoção de eventos esportivos diversos. A CBF tem o monopólio da convocação das seleções masculinas e femininas de futebol, pelo fato de sua filiação a FIFA, sendo que seus dirigentes não estão submetidos a nenhuma subordinação do estado brasileiro. Apesar de seu caráter de empresa privada, auferindo espetaculares lucros a seus proprietários, a CBF recebe “generoso” aporte do Estado sem que tenha que prestar contas das verbas recebidas. Mas diante dos fiascos no gramado membros do governo Dilma aventaram a possibilidade de alguma inferência na gestão da CBF, o que foi drasticamente logo combatido pelos arautos do neoliberalismo. O Tucano Aécio acusou o PT de querer “estatizar” o futebol, defendendo a total autonomia da máfia da CBF (“engordada” com o dinheiro público) frente a tênue ameaça de investida do governo. Como era de se esperar diante da pressão da mídia “murdochiana” e da Tucanalha, o governo Dilma já recuou de suas pálidas intenções de pelo menos auditar a CBF. Não podemos negar a inequívoca decepção popular com o fraquíssimo desempenho da seleção nesta Copa, um time sofrível escalado por empresários movidos por interesses comerciais. Porém, como Marxistas Revolucionários, respeitando a “afetividade” do proletariado nacional acerca do futebol, devemos declarar vigorosamente: Esta seleção brasileira não é a pátria de chuteiras, nossa nação deve ser sim representada pelas lutas dos trabalhadores e de seu povo oprimido!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

DA GLOBO AO PSTU... FRENTE ÚNICA EM DEFESA DE PENAS RIGOROSAS DO ESTADO CAPITALISTA CONTRA O “ESTUPRO COLETIVO”: QUANDO UM CRIME BÁRBARO SERVE DE PRETEXTO PARA INCREMENTAR A PERSEGUIÇÃO POLICIAL E MIDIÁTICA A JUVENTUDE POBRE E NEGRA DAS PERIFERIAS


Um grande consenso formou-se em torno do caso do “estupro coletivo” de uma jovem de 16 anos ocorrido no final de maio no complexo de favelas São José Operário, zona oeste do Rio de Janeiro e divulgado em vídeos na internet pelos que abusaram sexualmente da vítima. Desde a Rede Globo e o fascista Bolsonaro até o PSTU e o MRT-LER, passando pelo PT e o conjunto da Frente Popular a indignação é geral: esse arco “eclético”, de mãos dadas e em voz única diz que não se pode tolerar o crime brutal de “estupro coletivo” e todos juntos pedem repressão dura aos mais de 30 acusados. Brada-se pela prisão dos bárbaros delinquentes, exige-se caçada pública e policial aos estupradores, apontados à exaustão pela mídia como jovens negros, envolvidos com o tráfico de drogas, portadores de fuzis e armas no morro do Barão em Jacarepaguá. Manifestações feministas saem às ruas reivindicando penas mais duras para os criminosos, unindo todo o espectro da esquerda aos moralistas de plantão do “politicamente correto”, donos de um cinismo próprio dos valores “éticos” decadentes da burguesia. Figuras asquerosas como o fascista Bolsonaro e o ultra-neoliberal governador fluminense Francisco Dornelles exigem aprovação da castração química ou a pena de morte. O líder o governo Temer no Senado, o Tucano Aluísio Nunes, já desengavetou nesta semana o projeto para redução da menoridade penal. O PSTU pede “punição rigorosa para os agressores”, “exigimos justiça já diz o MRT-LER e, por fim a CST, prega sem rodeios “Penas mais duras para estupradores e cumprimento rigoroso da lei que tipifica feminicídio como crime hediondo! Delegacias da mulher em todos os bairros!”. Em suma, os apologistas da democracia como valor universal (oposta pelo vértice à ditadura do proletariado), como o PSTU, CST e MRT correm sempre a reboque da pauta reacionária da “opinião pública”, a serviço dos interesses capitalistas e dos valores morais da burguesia. Para além das versões do ocorrido que tem pouca importância nesse debate, onde os agressores “acusam” a vítima de ser “habitué” das orgias e festas no morro do Barão e que levada ao local pelo namorado ela inicialmente teria consentido as relações sexuais (como se isso os inocentasse de forçar depois a realização do sexo grupal com a garota que disse ter sido dopada), o que está claro para o Marxistas Revolucionários é que esta seção de estupro faz parte da prática cotidiana da cultura da barbárie capitalista, onde ninguém pode ser considerado “inocente”, nem mesmo a vítima. Seja em um baile funk em uma comunidade pobre carioca, seja nas festas em mansões ou motéis de luxo promovidas pela “High Soçaite” regadas a uísque e cocaína, a mulher “bonita, sarada e loira” no modo de produção capitalista é vendida (e se vende!) como uma mercadoria cara a ser usufruída pelo seu “comprador” (ou compradores, como parece ser no caso em questão), seja ele um grande empresário e sua corte ou um traficante e seu bando. A diferença é que quando isso vem a público são exclusivamente sobre os fatos ocorridos na favela ou no morro, com os charlatões midiáticos, os políticos burgueses e os defensores da moral pregando a punição exemplar para os criminosos, via de regra, jovens pobres e pretos. As orgias da elite dominante com todas as suas taras sexuais e desejos pedófilos são guardadas a sete chaves e o mesmo aparato policial que caça a pobreza “criminosa” é o que encobre o crime do rico, forja álibis e relaxa prisões ocasionais de “playboys e mauricinhos” em troca de propina graúda para preservar os nomes das famílias burguesas nos jornais ou intimidades “sujas” da classe média alta expostas em noticiários da TV. Em resumo, até no caso do “estupro coletivo” em questão - que repudiamos vigorosamente - está embutida a diferença de classe social e do papel do Estado capitalista de defensor da classe dominante e chacal dos trabalhadores e dos pobres em geral, sejam eles “marginais” ou não, como no caso dos cinco jovens negros inocentes mortos dentro de um carro por PM´s, que, diga-se de passagem, não ocupou um décimo do destaque da mídia como o “estupro coletivo” de agora. Guardada as proporções, é como o caso do “Helicoca” (500 kg de cocaína pura e de alto teor de qualidade apreendida no helicóptero da quadrilha Perrella) trazida para saciar o vício da decadente burguesia e sua elite política, a mesma que diariamente manda a PM aos morros, favelas e bairros das periferias para supostamente perseguir os “traficantes” e reprimir o conjunto da população pobre destas comunidades quando, na verdade, os maltrapilhos traficantes expostos à exaustão na mídia não passam de meros elos da cadeia de distribuição controlada pelos barões do tráfico de drogas, gente como os Parrella, Aécio e Sérgio Cabral. Os genuínos Marxistas Leninistas sabem muito bem diferenciar um crime sexual produto da barbárie capitalista da campanha desatada pela burguesia, sua mídia e seu aparato de repressão para criminalizar a juventude pobre e negra dos morros e favelas de conjunto. Não nos somamos à frente política com a Rede Globo, Bolsonaro e ao arco da esquerda pedindo “punição exemplar” para os acusados, perseguição que vai representar mais incursões policiais nas comunidades pobres cariocas e o endurecimento da legislação contra o povo trabalhador como um todo. Ao repudiar publicamente o “estupro coletivo” ocorrido no Rio alertamos que as taras e as doenças da sociedade capitalista só podem ser eliminadas por meio da destruição revolucionária dessa sociedade de classe senil e apodrecida, que violenta diariamente a vida de milhões de homens e mulheres, trabalhadores que vivem em condições aviltantes, sub-humanas e que sofrem a opressão e a exploração além da violência policial própria do capitalismo decadente!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

LEIA A ÚLTIMA EDIÇÃO DO JORNAL LUTA OPERÁRIA, Nº 308, MAIO/2016


EDITORIAL
Combater a "máfia temerária" mirando a luta de massas no alvo do Bonaparte da "República de Curitiba"

ONDA DOS VAZAMENTOS JÁ AFUNDARAM TEMER E SUA ANTURRAGEM PEMEDEBISTA
Pavimentado o caminho para a entrada em cena de um governo bonapartista da “casta pura”...

DIÁLOGOS ENTRE JUCÁ E MACHADO APONTAM
Lava Jato é o caminho para Moro (nova “casta pura”) assumir o Planalto

“TOMANDO EMPRESTADO” O AJUSTE NEOLIBERAL DE DILMA
Quadrilha Temer anuncia duro ataque, desmantelo da Petrobras e rapina no BNDES

SAI O BRADESCO “ALIADO” DA FRENTE POPULAR... ENTRA O ITAÚ
Golpista troca de banco para aprofundar a submissão aos rentistas!

ASSUME A QUADRILHA TEMER
Meirelles, homem de confiança de Lula, na linha de frente do gabinete “golpista” para aprofundar a receita neoliberal

PT ANUNCIA QUE É “OPOSIÇÃO” AO GOVERNO TEMER MAS...
Vai apoiar a CPMF, votar pela Reforma da Previdência e até fazer aliança com o PMDB

DIRCEU CONDENADO À PRISÃO PERPÉTUA, VACCARI A 9 ANOS... O PRÓXIMO SERÁ LULA
Lava Jato avança contra lideranças históricas do PT mirando no conjunto da esquerda

PSTU COMEMORA AFASTAMENTO DE DILMA COMO UMA VITÓRIA DA ESQUERDA RUMO AO “FORA TODOS”
Mais uma vez de mãos dadas com a direita e o imperialismo!

GRUPO PARLAMENTAR DO “ALIADO” COLLOR É O ÚLTIMO A TRAIR
O destino de Dilma já foi selado definitivamente!

O “ALIADO” RENAN TRAI MAIS UMA VEZ O AGONIZANTE GOVERNO DILMA
Presidente do Senado dá seu aval ao impeachment, Maranhão recua na Câmara e a “Greve Geral” não passa de farsa

LICENÇA REMUNERADA DE CUNHA
Frente Popular e revisionistas comemoram o 2º ato do golpe institucional

“DIRETAS JÁ”
Dilma “ecoa” proposta da antecipação das eleições presidenciais, “golpista” também?

1º de MAIO SEM LUTA
Manifestações em São Paulo pelo “fica Dilma” e “fora Dilma” não serviram para organizar o combate revolucionário por uma alternativa de poder dos trabalhadores

NESTE 1º DE MAIO NO ANHANGABAÚ
Nenhum apoio ao governo burguês da Frente Popular que atacou direitos e conquistas dos trabalhadores!

A “METAMORFOSE AMBULANTE” DO MRT/LER
Após romper com o direitista “Fora Todos” do PSTU, agora elogia 1º de maio de colaboração de classes da CUT “contra o golpe”!

NA LUTA DAS ESCOLAS OCUPADAS
JB na linha de frente da ocupação da ALESP contra Alckmin e sua corja de ladrões

REPRESSÃO POLÍTICA
Lutadora do MTST baleada durante manifestação em SP!

PROFESSORES/CEARÁ
Radicalizar a greve para derrotar o arrocho salarial e o golpe do governo Camilo (PT) contra a educação pública

PROFESSORES DE FORTALEZA
Na luta contra a ofensiva da direita e os ataques de Roberto Cláudio, “filhote” da oligarquia Gomes

O “13 DE MAIO” OU OS ALICERCES DA COLONIZAÇÃO MERCANTILISTA DO BRASIL
A escravidão como elemento central da gênese da acumulação capitalista semicolonial

APROVADA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA NA GRÉCIA
Governo “social-democrata de esquerda” parceiro do PSOL no Brasil impõe ajuste neoliberal exigido pelo imperialismo

VIVA OS 71 ANOS DA VITÓRIA DO EXÉRCITO VERMELHO SOBRE OS NAZISTAS
Uma lição heroica de como a classe operária deve enfrentar a atual ofensiva reacionária

OBAMA EM HIROSHIMA
Cinismo pacifista do imperialismo ianque a serviço de uma nova ofensiva contra a China com a ajuda do Japão

AVANÇA A ORQUESTRAÇÃO DO GOLPE DE ESTADO NA VENEZUELA
Maduro sinaliza com a dissolução do parlamento burguês reacionário, bravata do nacionalismo Chavista ou tarefa histórica que só o proletariado pode assumir?

MAIO FRANCÊS “ONTEM E HOJE”
Abstrair as lições de 68 para transformar as lutas econômicas em ações revolucionárias para derrotar o Estado de Exceção e o governo “socialista” neoliberal de Hollande