terça-feira, 10 de maio de 2016

O “ALIADO ” RENAN TRAI MAIS UMA VEZ O AGONIZANTE GOVERNO DILMA: PRESIDENTE DO SENADO DÁ SEU AVAL AO IMPEACHMENT, MARANHÃO RECUA DA ÚLTIMA MANOBRA NA CÂMARA E A “GREVE GERAL” DA CUT NÃO PASSA DE UMA FARSA


Esta segunda-feira, 09 de maio, foi marcada pela derradeira tentativa do governo Dilma reverter o processo de impeachment no âmbito do parlamento. Todas as manobras fracassaram neste roteiro rocambolesco da disputa intra-burguesa. Primeiro, Waldir Maranhão (PP-MA), presidente interino da Câmara dos Deputados, anunciou que estava anulando a sessão que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment na Casa e solicitava que o Senado remetesse a decisão de volta para a Câmara. Aparentemente Maranhão estaria movido pela promessa de Flávio Dino (PCdoB-MA) lhe garantir o controle de postos importantes no secretariado do estado e a vaga de vice-governador em 2018. Dilma esperava com essa manobra de última-hora que o “aliado” Renan Calheiros paralisasse o andamento do impeachment na condição de presidente do Senado. O que se viu foi justamente o contrário: Renan celeremente e com mão de ferro, ao melhor estilo Eduardo Cunha, engavetou o pedido de Maranhão sob os aplausos da oposição demo-tucana e o protesto patético dos senadores governistas. No final do dia, para fechar a novela com um “gran finale” o próprio Maranhão anunciou que recuava de sua decisão. Em resumo, os “aliados” do governo “bateram mais um prego no caixão” do governo Dilma, que deve ser afastada por 180 dias no Senado no próximo 11 de Maio. Com o recuo de Maranhão, sequer o STF vai analisar a questão como desejava o governo em seu último ato de desespero, acreditando que as instituições do regime político poderiam reverter o Golpe Institucional em curso quando na verdade são de conjunto cúmplices e operadoras da trama. Com a decisão da dupla Renan-Maranhão restou a CUT, que não moveu um dedo em mobilizar para o seu “dia nacional de luta” neste 10 de Maio, porque todas as expectativas do governo da Frente Popular estavam focadas na consecução desta manobra parlamentar, declarar “CUT reafirma convocatória a todos os sindicatos, ramos, Estaduais e a todos aqueles que defendem a democracia. E é nas ruas que a gente vai impedir definitivamente este golpe”. Trata-se de mais uma piada sobre a “Greve Geral” que o PCO e a “esquerda do PT” apresentavam como medida de força para barrar o impeachment mas que na verdade não foi organizada, não passando de uma paródia, uma farsa completa onde não estava em pauta paralisar os transportes e a produção, sequer convocando assembleias de base de sindicatos importantes. O MRT (ex-LER), que vendeu o dia 10 como capaz de “barrar o golpe” e patrocinou ilusões na Frente Popular, demonstrou que mudou de lado mas continua com sua política oportunista de embelezar as direções burocráticas. No máximo estamos vendo fechamentos de avenidas, estradas e rodovias por parte do MST e MTST, além de estarem ocorrendo atos esvaziados pelo resto do país, a CUT e o PT não convocaram nada de peso nos dias que precedem a votação do dia 11. De nossa parte, como Marxistas Revolucionários, a LBI denunciou que a Frente Popular nunca iria colocar o movimento de massas em luta contra o Golpe Institucional porque está completamente comprometida com a estabilidade do regime político, mesmo que isso custe a perda da Presidência da República pela via do impeachment. Até porque o pauta neoliberal imposta pelo governo Dilma impede uma verdadeira mobilização operária contra o golpe, com os protestos concentrando-se em setores da pequena burguesia na defesa abstrata da “democracia”, eixo completamente limitado e que não serve como ponto de apoio para a luta direta pelas reivindicações operárias e populares. O fracasso das manobras parlamentares da Frente Popular na véspera da votação do afastamento por 180 dias de Dilma pelo Senado e o fiasco do “dia nacional de luta” da CUT revelam que a burguesia e o imperialismo, mesmo a contra-gosto, aposta no governo Temer como saída imediatada para a crise política, aguardando melhores condições para um desenlace mais estratégico e seguro, que passa por preferencialmente impor o neobonaparte Sergio Moro como Presidente da Republica ou mesmo como segunda opção uma alternativa fascistoide como Alckmin em 2018.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

APROVADA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA NA GRÉCIA: GOVERNO “SOCIAL-DEMOCRATA DE ESQUERDA” PARCEIRO DO PSOL NO BRASIL, IMPÕE AJUSTE NEOLIBERAL EXIGIDO PELO IMPERIALISMO EUROPEU

O governo SYRIZA por meio do primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, defendeu neste domingo (8 de Maio) no parlamento do país a Reforma da Previdência e Fiscal, uma exigência do imperialismo através das metas estipuladas pelo FMI e BCE. As contribuições para as aposentadorias aumentarão consideravelmente e haverá cortes de benefícios, tanto que a nova medida foi denunciada como a “Lei Guilhotina” que reduz conquistas sociais. O governo SYRIZA, eleito tendo como palavra-de-ordem o cancelamento dos memorandos e com amplo apoio da chamada "esquerda mundial" como o PSOL no Brasil, chega 15 meses depois, ao ponto de implementar as políticas neoliberais anteriores da Nova Democracia e do PASOK. O interessante é que o PSOL estabelece como referência internacional o SYRIZA, não por coincidência no mesmo momento em que se converte no apêndice político do governo neoliberal do PT. Cinicamente Tsipras declarou “Nos comprometemos em reformar o sistema de previdência sem reduzir as pensões principais e conseguimos. O sistema precisa de uma reforma porque é complexo, socialmente injusto e clientelista. E não corresponde ao estado financeiro do país”. Com a medida, ele quer economizar 5,4 bilhões de euros por ano para conseguir, em 2018, um superávit primário de 3,5% do PIB, como prevê o programa do terceiro resgate financeiro firmado com os parasitas internacionais da banca financeira. A aprovação das reformas gerou protestos. Desde a sexta-feira, 06, uma greve geral paralisou os transportes na Grécia. Metrô, ônibus, trens e barcas estavam parados. Em Atenas, nenhum transporte público estava disponível e os funcionários públicos permaneceram em greve até domingo. O movimento foi convocado pelos sindicatos do setor público (GSEE), privado (Adedy) e PAME, ligada ao Partido Comunista Grego (KKE). 15 mil manifestantes saíram às ruas e muitos atiraram bombas contra a polícia, que revidou com gás lacrimogêneo. As medidas foram aprovadas por 153 votos a favor, frente a 144 contrários. O maior sindicato do país definiu as mudanças como “o último prego no caixão” para trabalhadores e pensionistas. Diz que os aumentos vão dizimar rendimentos e ameaça promover uma série de greves. A tarefa central que se mantêm neste cenário é apontar que o caminho dos trabalhadores e do povo grego para barrar os ataques impostos pela Troika e o governo do Syriza é a mobilização direta, suas greves e lutas pela nacionalização dos bancos, indústrias, portos e aeroportos sob o controle dos trabalhadores e de conselhos operários para lançar as bases para a construção de um poder de novo tipo, um Estado Operário, forjando uma alternativa revolucionária trabalhadores da cidade e do campo. Estamos pelo estabelecimento de uma frente única com KKE cabendo aos genuínos trotskistas intervir neste processo para que os ativistas combativos e militantes que se proclamem leninistas superem no curso da luta política e ideológica os limites da posição do stalinismo e avancem pela senda de um programa revolucionário que coloque na ordem do dia a expropriação da burguesia, das transnacionais e a revolução proletária combatendo a gestão neoliberal do SYRIZA.

domingo, 8 de maio de 2016

VIVA OS 71 ANOS DA VITÓRIA DO EXÉRCITO VERMELHO SOBRE OS NAZISTAS DE HITLER: UMA LIÇÃO HEROICA DE COMO A CLASSE OPERÁRIA DEVE ENFRENTAR A ATUAL OFENSIVA REACIONÁRIA


Neste dia 8 de maio completam-se os 71 anos da tomada de Berlim pelas tropas soviéticas, data que entrou para a história simbolizada com a bandeira da URSS sendo erguida no alto do Reichstag depois da vitória do Exército Vermelho na épica “Batalha de Berlim”. Era o ano de 1945 e se aproximava o fim a Segunda Guerra Mundial em um contexto de rendição incondicional da Alemanha nazista. Em quase seis anos de conflito, mais de 50 milhões de vidas foram exterminadas como consequência direta das sangrentas batalhas, dos bárbaros assassinatos nos campos de concentração nazistas e dos hediondos massacres contra a população civil, como as bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki. As comemorações dos 71 anos da derrota do nazismo hoje, celebrada particularmente com um grande desfile militar na Rússia do restaurocionista Putin com forte simbologia comunista (tanques com estrelas vermelhas e bandeiras com a foice e martelo), são crivadas pela retorno do fascismo na Ucrânia patrocinado pelo “democrático” imperialismo ianque e a resistência das repúblicas populares no Leste ucraniano. Apesar dos “historiadores” a soldo do capital buscarem falsificar a história, a derrota do nazismo foi efetivamente uma vitória militar do Exército Vermelho fundado por Trotsky. A campanha militar de Hitler não havia sofrido um só revés até dezembro de 1941, quando fracassou a tentativa de conquistar Moscou. Porém, a batalha decisiva da Segunda Guerra só ocorreu no ano seguinte, na famosa Stalingrado. Em agosto os alemães fizeram a primeira investida contra a cidade com pesados bombardeios. Mas os combates que determinaram a derrota nazista ocorreram a partir de novembro. Em 30 de janeiro de 1943, no décimo aniversário de sua ascensão ao poder, Hitler, fazendo um solene pronunciamento pelo rádio, declarou: “Daqui a mil anos os alemães falarão sobre a Batalha de Stalingrado com reverência e respeito, e se lembrarão que a despeito de tudo, a vitória da Alemanha foi ali decidida”. Três dias depois o marechal Von Paulus assinava a rendição do 6º Exército alemão diante do General Chuikov, comandante das tropas do Exército Vermelho em Stalingrado. A vitória soviética, como era de se esperar fortaleceu enormemente o stalinismo como principal direção política para o proletariado mundial, reduzindo a influência da IV Internacional a um pequeno círculo de propaganda. A orientação do Kremlin, em nome dos acordos com as potências imperialistas celebrados em Yalta e Potsdam, conduziu a derrota de vários processos revolucionários ocorridos no pós-guerra. Na Itália e na França, os PCs, que haviam alcançado um enorme prestígio na organização da resistência partisans, foram orientados a conformar governos de unidade nacional com os partidos burgueses. Na Grécia, a traição do stalinismo, permitiu a derrota da insurreição operária em Atenas, sufocada pelos pesados bombardeios da aviação britânica. Porém, na Iugoslávia e na China, onde as orientações de Stálin não foram seguidas, a luta de libertação nacional resultou na expropriação da burguesia, independente da presença militar do Exército Vermelho. Apesar das traições stalinistas, a onda revolucionária que se abriu no pós-guerra era uma evidência de que a heroica resistência do Estado operário soviético, ainda que burocratizado, foi um colossal estímulo para a luta de classes do proletariado mundial. Nos dias atuais, é fundamental resgatar o legado da vitória da resistência soviética sobre o nazismo, ainda que sob o comando de Stálin, para combater a atual ofensiva imperialista, postando-se no campo político e militar das “repúblicas populares” do Leste da Ucrânia para derrotar o governo nazifascista imposta em Kiev (como fizeram os trabalhadores do país na Segunda Guerra Mundial) a fim de avançar para a construção de um nova União das Repúblicas Socialistas Soviéticas!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

LICENÇA REMUNERADA DE CUNHA: FRENTE POPULAR E REVISIONISTAS COMEMORAM O 2º ATO DO GOLPE INSTITUCIONAL


A Frente Popular está comemorando a decisão do pleno do STF (11 a 0) pelo afastamento provisório do deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados. A deliberação de suspender Cunha aconteceu após o ministro Teori Zavascki acolher tardiamente o pedido apresentado em dezembro de 2015 pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, a partir de um requerimento formulado pela Rede de Marina Silva. Em resumo, seis meses após a solicitação da PGR e somente depois de Cunha comandar com mão de ferro e usando todas as artimanhas possíveis a admissibilidade do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, o “lento” Teori decidiu dar uma “licença remunerada” para Cunha, no que foi seguido por todos os demais pares! Cunha vai continuar com direito a salário de 33 mil, uso da residência oficial, mandato parlamentar, foro privilegiado e todas as mordomias milionárias, até mesmo a utilizar jato da FAB para viajar pelo país com sua família de peruas deslumbradas. Mesmo assim, PT, PCdoB e PSOL aplaudiram como uma “grande vitória” a decisão do STF, o mesmo tribunal que depois de condenar Dirceu e outros dirigentes petistas avalizou recentemente o 1º ato do Golpe Institucional perpetrado pelo próprio Cunha contra Dilma! A esse coro de apologistas da justiça burguesa, somou-se o revisionista PSTU que apesar de bradar pelo “Fora Todos” apoia entusiasticamente as decisões do STF e a Operação Lava Jato comandada pelo Juiz "nacional" Sérgio Moro, instituições burguesas reacionárias do regime político que ao lado da PF apresentam-se como paladinos da “ética na política” quando na verdade não passam de quadrilhas encasteladas no aparelho do Estado negociando segundo os interesses das frações burguesas suas decisões, investigações e prisões. Ao dar “férias de luxo” para Cunha, o STF tira de cena temporariamente o aliado indesejado de Temer para facilitar a ascensão do vice-presidente canalha ao Planalto. É significativo que a primeira iniciativa para julgar Cunha só tenha sido tomada após a aprovação do processo de impeachment na Câmara. Essa “inação” demonstra que o STF é um dos participantes do golpe institucional em marcha, não por acaso deixou Cunha de mãos livres até agora enquanto impediu a posse de Lula como ministro e aprisionou dirigentes petistas, recorrendo a nazi-fascista “teoria do domínio do fato” onde as provas materiais ou testemunhais legítimas foram absolutamente dispensáveis em nome das “evidências factuais” da autoria de supostos crimes cometidos pelo PT. Depois de Eduardo Cunha ter feito todo o trabalho sujo para aprovar o impeachment, a liminar concedida por Teori Zavascki e acolhida pelo pleno do STF pavimenta o caminho para o rato-canalha Temer negociar com todo leque burguês sem ser acusado pela mídia de cúmplice do presidente afastado da Câmara. Essa artimanha busca dar uma cobertura “ética” a trama golpista em curso que inclui os grandes grupos de TV e jornais, o parlamento e o STF. A LBI denuncia vigorosamente que não há nada a comemorar nem a festejar na decisão do STF, o mais importante tribunal da reacionária justiça burguesa que invariavelmente julga contra o povo trabalhador e representa com toga as distintas frações da classe dominante! Estamos diante na verdade do 2º ato do “Golpe Institucional” na medida em que a decisão do STF visa quebrar a resistência da “opinião pública” à presença de Cunha na presidência da Câmara depois da votação do impeachment na Câmara para facilitar os próximos passos do golpismo, uma exigência da própria burguesia como expressou claramente os editoriais de O Globo e da Folha de São Paulo, expoentes do PIG. De forma tragicômica, a Frente Popular que não tem coragem sequer de convocar uma greve geral para o dia da votação no Senado recorre ao distracionismo para comemorar a “licença remunerada” de Cunha, entretanto sua direção capituladora sabe que essa medida pode gerar a estabilidade política necessária para a transição rumo a um futuro governo do PMDB com ministros de peso do PSDB e outras legendas burguesas de aluguel como o PP. A presença de Cunha no comando da Câmara mesmo depois de aprovado o impeachment na casa vinha contaminando esse processo até porque ele estava fazendo cada vez mais exigências a Temer na composição do futuro ministério apesar de concentrar um nítido ódio popular, sendo rejeitado comodamente agora pelos próprio setores que defendem o impeachment. A vanguarda classista deve denunciar o conjunto do corrupto parlamento burguês e o STF como serviçais dos grandes grupos econômicos capitalistas, alertando inclusive que os “ilustres” ministros desta instituição considerada o sustentáculo “ético” do atual regime na verdade tomam suas decisões em função das pugnas políticas existentes nas entranhas do poder republicano. Por isso declaramos: nenhuma ilusão nas instituições do regime político, no parlamento e no judiciário, construir uma alternativa de poder operário e popular baseado na democracia operária dos trabalhadores em luta contra a Frente Popular e a direita! 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

NA LUTA DAS ESCOLAS OCUPADAS: JUVENTUDE BOLCHEVIQUE NA LINHA DE FRENTE DA OCUPAÇÃO DA ALESP CONTRA ALCKMIN E SUA CORJA DE LADRÕES

O Plenário da ALESP (Assembleia Legislativa de São Paulo) encontra-se ocupado por estudantes secundaristas desde o dia 03 (terça-feira) contra os planos de Alckmin para o fechamento das escolas e denunciando o desvio de verbas da merenda escolar pelo PSDB. A ocupação da ALESP ocorreu na sequência de várias escolas que foram ocupadas em todo o estado, demonstrando a disposição de luta dos estudantes. Esse movimento também vem ocorrendo em outros estados como Rio de Janeiro e Ceará. A Juventude Bolchevique (SP) que recentemente conquistou o Grêmio da Estudantil da Escola Estadual Odete Fernandes, em Guarulhos-SP, está na linha de frente do corajoso protesto, inclusive com companheiros militantes ocupando o parlamento paulista. O fascista Alckmin mais uma vez responde as reivindicações estudantis com repressão. Enviou a tropa de Choque a FATEC Centro Paula Souza e agora ameaça junto com os canalhas deputados fazer o mesmo na ALESP. A entrada do plenário em que estão acampados continuava bloqueada por policiais militares e nem a imprensa estava autorizada a falar com os manifestantes. Os jovens lutadores, contudo, seguem firmes. Já enfrentaram o corte da energia elétrica, a proibição de entrada de alimentos, roupa e água no espaço, a agressão de parlamentares e assessores. É hora de cobrir de ampla solidariedade a luta do movimento estudantil paulista e dos demais cantos do país. Trata-se de unificar a luta dos secundaristas com a dos professores e demais setores da educação, como as universidades estaduais. Novas escolas e mais cinco ETECs estão sendo ocupadas neste momento! A mobilização ocorre com luta direta apesar da política da UBES (PCdoB) ser apenas por pressionar pela instalação da CPI da Merenda visando somente o desgaste eleitoral de Alckmin e da tucanalha para a disputa pela prefeitura no final do ano e o próprio embate coma Frente Popular em torno do impeachment de Dilma. Fernando Capez (PSDB) é o presidente da ALESP e principal envolvido no escândalo da merenda. A JB convoca todo o movimento operário, popular e estudantil a prestar a mais ampla solidariedade a luta dos estudantes paulista, defendendo a deflagração de uma greve estadual da educação para barrar os planos de Alckmin e dos tucanos, chamando desde já a manutenção da ocupação da ALESP e o fortalecimento do movimento nas escolas rumo a vitória, seguindo o exemplo que fizemos no ano passado! A vitória da ação direta dos estudantes paulistas é um importante passo para a derrota da ofensiva reacionária que infesta o país inteiro, também se constitui em um exemplo concreto de luta para a Frente Popular que capítula abertamente diante da escalada direitista da tucanalha e seus sócios da máfia pemedebista.

Militantes da JB no plenário da ALESP
LUTADORA DO MTST BALEADA DURANTE MANIFESTAÇÃO EM SP!


A sem-teto Edilma Aparecida Vieira dos Santos, de 36 anos, acabou de ser baleada durante manifestação da Ocupação João Goulart (MTST) rumo à Prefeitura de Itapecerica da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo. A marcha do MTST seguia com mais de 500 pessoas quando o motorista de um carro atirou contra os sem-teto, atingindo Edilma na barriga. O carro é um Corsa preto, de placa EQZ 8730. O Movimento está indo neste momento registrar ocorrência e exige das autoridades do Estado de São Paulo providências imediatas contra o agressor. Edilma está sendo neste momento atendida pelo SAMU e seguirá para o PS Municipal de Itapecerica.

Não passarão! A Marcha Segue! A luta seguirá!
Coordenação do MTST

terça-feira, 3 de maio de 2016

DILMA “ECOA” PROPOSTA DA ANTECIPAÇÃO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS, “GOLPISTA” TAMBÉM?


Após o Primeiro de Maio onde “esbanjou” sua estratégia de colaboração de classes com a burguesia, sendo ovacionada pela esquerda corrupta como o PCdoB e PCO traidores da independência de classe do proletariado, Dilma mobilizou seu staff político para “ecoar” nos circuitos dos movimentos sociais sua proposta de antecipação das eleições presidenciais. A presidente pode encaminhar ao Congresso a proposta de emenda constitucional que prevê o encurtamento de seu mandato e novas eleições em outubro, juntamente com as disputas para as prefeituras para “emparedar” Temer, avaliam setores do PT simpáticos à iniciativa. Na última sexta-feira, Dilma despachou Wagner e Berzoini para São Paulo com o objetivo de ouvir as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo sobre a ideia. Mesmo que a proposta seja enviada ao Congresso Nacional pelo Planalto sua aprovação é considerada dificílima pelo que restou da “base aliada”. Uma PEC precisa ser votada em dois turnos tanto na Câmara como no Senado e só é aprovada se obtiver apoio de três quintos dos deputados (308) e dos senadores (49). A anturragem Dilmista já considera perdida a disputa no Senado, caracterização completamente oposta a de Lula e do núcleo duro da tendência “Articulação” do PT. O ex-presidente tem bastante clareza de que apesar do isolamento político do governo nos bastidores podres do Congresso, onde Temer já foi até empossado informalmente, a burguesia nacional ainda não “bateu o martelo” em favor do impeachment. A prova deste fato é a própria correlação atual de forças no Senado Federal, onde a cassação definitiva de Dilma ainda está bem longe de alcançar o quórum qualificado. PT e PC do B somam somente onze votos, mas já aglutinam diante mão mais dez senadores de outras legendas, isto apesar da maioria da bancada do PDT ter se posicionado a favor do impeachment. Faltam apenas o governo cooptar mais cinco senadores, somando vinte e seis votos, contando que o presidente da Casa, Renan Calheiros declarou que não votará no julgamento da presidente (são necessários vinte e sete votos para derrotar o impeachment). Ora qualquer analista político, mesmo dos mais inexperientes, sabe que para um governo que ainda tem base social (potencial eleitoral aferido pelos próprios institutos de pesquisa) e “caneta na mão” obter cinco votos no Senado não é das missões mais impossíveis... Porém a incapacidade política de Dilma em perceber o tamanho do cerco montado pela oposição de direita (grande parte oriunda de sua própria base parlamentar) já lhe custou um “vexame” na Câmara dos Deputados. Os cinco votos que o governo necessita no Senado hoje estão agrupados em um bloco parlamentar liderado pelo ex-presidente Collor, que rompeu com o PTB para montar a chamada “Ala Moderadora”, já contando com dez adesões. Collor até pouco tempo um fiel escudeiro de Dilma no Senado, não quer declarar como seu bloco parlamentar se posicionará na votação definitiva do impeachment, por enquanto apoiam que o processo desemboque no afastamento temporário de Dilma, para depois negociarem com os dois setores da burguesia nacional em aberta disputa política, mas não dispostos a protagonizar um enfrentamento de classe, ou seja, um Golpe de Estado. A política neoliberal “convicta” de Dilma agudizou tanto a crise política e econômica, levando a uma situação que nem mesmo a burguesia mais reacionária poderia prever: um esfacelamento vertiginoso da base aliada no Congresso que “despertou” o apetite voraz da máfia do PMDB. Agora Lula e Dilma pensam de forma distinta sobre a melhor saída tática para a profunda crise política da Frente Popular, a ausência do ex-presidente no ato do Anhangabaú não foi simplesmente por “falta de voz” e sim por “falta de acordo”. As pífias medidas (pacote de bondades) anunciadas por Dilma no último domingo estão muito longe de reverterem o curso neoliberal de seu governo, as lideranças dos movimentos sociais sabem disto e por isso flertam com a proposta de encurtamento do mandato presidencial, antes considerado como “manobra golpista”. A suposta inciativa de convocação de uma greve geral pela CUT, para barrar o impeachment, se perdeu nas calendas gregas, a máscara da Frente Popular caiu e agora não se fala mais em impulsionar mobilizações populares, sequer os atos com artistas e intelectuais estão na pauta. Para o PT e seus apêndices somente estão na “mesa do jogo” institucional duas cartas: Eleições Gerais em outubro ou a “compra” de uma nova “base aliada” no Senado. As duas tentativas da Frente Popular podem afundar juntas, na completa ausência do protagonismo do movimento operário, atado a uma política criminosa de colaboração de classes diante da brutal ofensiva da direita pró-imperialista.

domingo, 1 de maio de 2016

1º de MAIO SEM LUTA: MANIFESTAÇÕES EM SÃO PAULO PELO “FICA DILMA” E “FORA DILMA” NÃO SERVIRAM PARA ORGANIZAR O COMBATE REVOLUCIONÁRIO POR UMA ALTERNATIVA DE PODER DOS TRABALHADORES. LBI INTERVÉM EM AMBOS PUBLICITANDO UMA PLATAFORMA INDEPENDENTE

Dilma no ato da CUT defende a covarde
política da colaboração de classes
Neste 1º de Maio ocorreram em São Paulo os dois principais atos políticos da esquerda. O do Anhangabaú convocado pela CUT e o da Av. Paulista chamado pela Conlutas. O primeiro proclamava-se “Contra o Golpe, Em defesa da Democracia”, o segundo pelo “Fora Todos, Eleições Gerais”. Tanto a manifestação pelo “Fica Dilma” com a do “Fora Dilma”, organizadas sem uma perspectiva de luta, não serviram como ponto de apoio para construir uma alternativa de poder dos trabalhadores, muito menos, para organizar o combate direto das massas contra a ofensiva neoliberal da direita. A limitação de ambos foi a política de colaboração de classes de suas direções que apesar de estarem em campos políticos opostos não apontaram medidas de luta direta contra a reação burguesa. Delimitando com as duas orientações reformistas, a militância da LBI interveio nos atos com milhares de panfletos e o Jornal Luta Operária, publicitando uma plataforma independente em defesa de forjar um Poder Operário e Camponês. Em primeiro lugar deve-se destacar que caiu a máscara alimentada pela esquerda revisionista, como PCO, “O Trabalho” e “Articulação de Esquerda”, de que a direção nacional da CUT iria aproveitar as manifestações do 1º de Maio para convocar uma Greve Geral contra a aprovação do impeachment no Senado, marcada para o próximo dia 11. Longe disso, a Frente Popular dedicou integralmente a atividade no Anhangabaú para que Dilma fizesse demagogia eleitoral anunciando um pequeno reajuste do Bolsa Família e da Tabela do Imposto de Renda, medidas já previstas anteriormente no Orçamento de 2016 mas adotadas somente apenas na véspera do impeachment de olho nas próximas eleições, já que a estratégia da direção nacional do PT e do PCdoB voltou a ser costurar um “acordão nacional” para a antecipação das eleições presidenciais, com os neostalinistas defendendo inclusive a convocação em um “plebiscito por diretas já”. Não foi deliberado no ato de 1º de Maio a realização de nenhuma “Greve Geral” e muito menos assembleias nos sindicatos na próxima semana, apenas convocado mais um “dia nacional de luta” como os tradicionalmente realizados pela CUT com um caráter midiático e sem qualquer organização efetiva na base das categorias. Até porque a presidente Dilma não anunciou nem no ato e, muito menos, no curso de seus mandatos medidas reais que pudessem servir como base para a mobilização dos trabalhadores em defesa de seu mandato. Ao contrário, a gerente petista levou a cabo um duro ajuste neoliberal com o congelamento do salário dos servidores públicos, redução das pensões do INSS, restrição do seguro desemprego e cortes no orçamento na saúde e educação, além de um amplo pacote de privatizações e concessões, como portos, aeroportos e estradas. A prova da ausência de disposição para as massas saírem em defesa do governo Dilma foi o próprio ato no Anhangabaú extremamente esvaziado, apesar da presença ostensiva da burocracia sindical “chapa branca”. A ausência de trabalhadores de base e de setores da chamada “classe média progressista” foi um fato marcante, como a intervenção da presidente Dilma apelando para a burguesia vir ao seu socorro diante do golpe parlamentar da direita. 

Candido Alvarez, dirigente nacional da LBI, polemiza no Anhangabaú
com o deputado Paulo Teixeira, ex-líder do governo Dilma na Câmara Federal
Por sua vez, o ato político nacional convocado pelo PSTU na Av. Paulista contou com pouco mais de 2 mil pessoas, o grosso formado pelo aparato sindical ligado a Conlutas e os sindicatos a ela filiados, que levaram delegações de vários estados para fortalecer artificialmente a atividade com quase nenhuma participação espontânea. Nesta manifestação, a palavra de ordem “Fora Todos, Eleições Gerais” dominou a fala do PSTU e setores do PSOL (MES, PSTU, LSR). Entretanto, como esta política se aproxima das posições da direta e da oposição demo-tucana que prestigiou o ato de 1º de Maio do mafioso Paulinho da Força Sindical, o próprio ativismo presente não demonstrava grande disposição de leva-la à frente, ainda mais com a direção do PSTU aplaudindo o impeachment de Dilma. Trata-se de uma aproximação aberta com a direita que deve ser rechaçada ativamente pelo ativismo classista, como defendeu a LBI na própria atividade da Conlutas.


Zé Maria, presidente nacional do PSTU, na Av. Paulista contestado politicamente
pela defesa de eleições gerais por Marco Queiroz, porta-voz oficial da LBI
A militância da LBI distribuiu amplamente milhares de seu manifesto e o jornal em ambas as atividades, não temendo delimitar publicamente e “olho no olho” com a política do PT e da CUT assim como da Conlutas e do PSTU. Nosso chamada a combater a ofensiva golpista da direita e um possível governo Temer não esteve em nenhum momento desvinculado da denúncia do pauta neoliberal levada a cabo pela governo Dilma com o aval da direção petista e a paralisia da CUT. Nesse sentido, a LBI fez o oposto do PCO e do MRT que capitularam a política de conciliação de classes da Frente Popular  participando do 1º de Maio da CUT e embelezando a sua suposta oposição ao “golpe”. 

Frente Popular não organizou luta contra ofensiva golpista da direita

sábado, 30 de abril de 2016

NESTE 1º DE MAIO NO ANHANGABAÚ: NENHUM APOIO AO GOVERNO BURGUÊS DA FRENTE POPULAR QUE ATACOU DIREITOS E CONQUISTAS DOS TRABALHADORES!


sexta-feira, 29 de abril de 2016

PROFESSORES/CEARÁ: RADICALIZAR A GREVE PARA DERROTAR O ARROCHO SALARIAL E O GOLPE DO GOVERNO CAMILO (PT) CONTRA A EDUCAÇÃO PÚBLICA

Militantes da Oposição em ato da greve estadual.
Em destaque, de camisa vermelha, Antônio Sombra da TRS-LBI
Desde o dia 20 de abril os professores da rede pública do Ceará estão em greve por tempo indeterminado. As condições para a deflagração da paralisação já estavam caindo de maduras pelos ataques promovidos pelo governo Camilo (PT) contra a categoria e a educação pública. O maior obstáculo para a vitória da luta é política de colaboração de classes da direção da APEOC controlado pela Articulação (PT), que vem enrolando os trabalhadores em educação para seguir negociando às escondidas com seu chefe petista. Nossa greve não é motivada apenas por salário. Os professores reivindicam 15% de reajuste e também que entre na pauta a revogação das portarias de matrícula, lotação e de liberação para estudos, por um ISSEC sem limites de consultas e atendimentos, pelo pagamento imediato dos salários atrasados dos professores temporários, salário e direitos iguais para esses/as professores/as e o aumento das verbas orçamentárias para a educação. Por outro lado combatemos a PLC 257 que congela os salários dos servidores públicos, impede a realização de novos concursos, aprofunda a terceirização e precarização do trabalho, aumenta a contribuição previdenciária de 11% para 14% e, inclusive, ameaça a estabilidade no emprego e o direito de greve do funcionalismo público. A greve geral dos professores do Estado, para ter chances de vitória e enfrentar, inclusive, uma possível ilegalidade precisa ser construída de maneira democrática, radicalizada e pela base. Essa é a única maneira de unir a categoria e fazer com que ela se fortaleça para derrotar o governo neoliberal do PT e a Justiça burguesa. A diretoria da APEOC, mesmo obrigada a encaminhar a greve aprovada na assembleia do dia 20, faz de tudo para enfraquecê-la, para derrotá-la e depois culpar a categoria por não ter aderido ao movimento grevista. Por isso, essa diretoria burocrática impediu a participação dos estudantes da assembleia do dia 20, mas estiveram presentes em massa no protesto realizado no Palácio da Abolição neste último dia 28, convocado pela Oposição de Luta dos Professores e a TRS. Na próximo quarta-feira, 4 de Maio, os professores farão uma nova Assembleia Geral da categoria para discutir os primeiros dias de greve e radicalizar a mobilização. Nessa batalha a militância da LBI joga todas suas forças para derrotar os ataques covardes governo da Frente Popular pela via da luta direta rechaçando no curso da mobilização dos trabalhadores as investidas da direita (Tasso Jereissati - PSDB, Capitão Wagner - PR, Morini- DEM) que desejam capitalizar eleitoralmente a crise das gestões burguesas petistas a nível nacional e em nosso estado, onde o PT é aliado da oligarquia Gomes (PDT). Por isso militamos na greve para construir uma alternativa de Poder Operário, uma luta que vai além do economicismo, apontando uma saída revolucionária para a crise capitalista e de seus governos patronais de "direita" ou "esquerda".

A “METAMORFOSE AMBULANTE” DO MRT/LER: APÓS ROMPER COM O DIREITISTA “FORA TODOS” DO PSTU, AGORA ELOGIA O 1º DE MAIO DE COLABORAÇÃO DE CLASSES DA CUT “CONTRA O GOLPE”!


O MRT (ex-LER) acaba de anunciar que não participará do ato de 1º de Maio da Conlutas, PSTU e EUA (Espaço Unidade de Ação) na Av. Paulista em defesa do “Fora Todos”. Os ex-Morenistas estavam literalmente até menos de um mês atrás, com o 1º de Abril, junto com PSTU, CST, MES e MNN nos atos em defesa desta política abertamente direitista reivindicada pela “família” morenista simpática às manifestações verde-amarelo da horda fascistoite, urrando pelo impeachment de Dilma. Como em um passe de mágica, só agora o MRT “descobriu” que estava em curso no Brasil um “Golpe Institucional” contra o governo do PT. Logo passou de malas e bagagens para o campo “Contra o Impeachment”, é verdade que antes mesmo de “pular de lado” já vinha elogiando rasgadamente os atos convocados pela Frente Popular, como o ocorrido no Rio de Janeiro em 11 de abril com a presença de Lula e Chico Buarque. Tanto que o MRT saiu a convocar entusiasticamente o ato de 1º de Maio da CUT no Anhangabáu: “Vamos construir um forte bloco no único ato que vai se posicionar contra o golpe, o ato chamado pela CUT, Frente Povo Sem Medo, PSOL e MTST, às 10h no Vale do Anhangabaú”, sem ao menos denunciar que as entidades “chapa branca” não tomam nenhuma medida de luta concreta e de massas contra o “golpe”, sequer recorrem à demagogia de convocar uma “greve geral” de fachada porque o PT não deseja polarizar ainda mais a conjuntura já que voltou a tentar costurar um “acordão nacional” para ter a antecipação das eleições presidenciais. Que metamorfose sofreu o MRT! De apoiador do “Fora Todos” para satélite da trincheira cutista e da Frente Popular! Definitivamente, o MRT está totalmente perdido em meio à complexa situação nacional, tanto que mesmo agora se declarando “contra o golpe” ainda levanta a palavra de ordem “Assembleia Constituinte”, uma saída nos marcos do próprio regime político que fortalece a direita e a reação burguesa, a mesma proposta que levantava quando era a favor do “Fora Todos”! Não por acaso, antes o MRT se emblocava com o PSTU, CST e MES elogiando o Juiz Sergio Moro e a Operação Lava Jato e só recentemente... descobriu (copiando a LBI) que Moro é um agente de CIA. A LBI já vinha apontando os zigs-zags do MRT/LER, que chegou a pedir ingresso no ultra-reformista PSOL mas ainda tem a cara-de-pau de se apresentar como defensor da “ortodoxia trotskista”. O MRT até então vinha criticando a conduta do PSOL em legitimar a governabilidade do PT em nome da política “mal menor”, porém mudou bruscamente sua posição passando a reconhecer a “importância estratégica” do PSOL diante do agravamento da crise nacional. Os partidários desta “metamorfose ambulante” são os mesmos que apoiaram a “Primavera Árabe” na Líbia e depois fingem que estavam contra a intervenção da OTAN contra Kadaffi, os cínicos que saudaram a queda do Muro de Berlim e o fim da URSS pelas mãos da direita e do imperialismo, mas hoje “lamentam” os efeitos da barbárie social que se abateu no Leste Europeu, chegando a balbuciar lamúrias contra a restauração capitalista que apoiaram e festejaram! Definitivamente, a coerência na análise não é a marca do MRT em seu revisionismo frenético! De forma hilária o MRT exige tal critério do NOS, grupo centrista carioca que rompeu com o PSTU criticando pontualmente a linha abertamente direitista morenista oficial. Veja a pérola que afirma o MRT a respeito da posição do NOS sobre os atos de 1º de Maio: “Em meio a toda essa bancarrota, o MAS, corrente que se originou de uma ruptura do PSTU adotou em um primeiro momento uma orientação correta, de se colocar abertamente contra o impeachment e contra os ajustes que estão sendo descarregados nas costas dos trabalhadores. Em base a isso queremos abrir um debate com os companheiros do NOS. Apesar de terem defendido uma posição essencialmente correta no momento anterior da crise política, agora estão buscando fazer confluir várias organizações de posições distintas, através da constituição do que se denominou ‘frente de esquerda’. A questão é que ao contrário de avançar nesse sentido, essa frente tem se lançado a promover ações sem o aprofundamento desse debate. O resultado é que suas expressões concretas, como o ato do 1 de Maio, terminam apresentando um conteúdo que expressam amálgamas com organizações que defendem posições opostas, como o MES. Uma ‘unidade’ que não resistirá frente às duras provas que a realidade nacional está impondo. Como parte dessa lógica foi proposto ao próprio PSTU, integrar o ato do 1 de Maio, o que foi negado por aquela organização publicamente, já que defende o ‘Fora Todos’. O problema é que a política de lutar contra o impeachment, e a de ‘Fora Todos’ são irreconciliáveis. A realidade, e os destinos dos trabalhadores e da juventude, exigem uma política claríssima de combate ao golpe institucional, e não de diluição dessa posição em meio a uma série de outras que até podem ser corretas abstratamente, mas que são secundárias hoje em relação à luta contra o avanço dos ataques bonapartistas que se abrem” (Esquerda Diário, 29.04). Parece piada o MRT ensinar que “a realidade exige uma política claríssima de combate ao golpe” criticando o NOS por fazer o mesmíssimo malabarismo oportunista que ele mesmo fazia ao lado do PSTU quando se opunha a seus “exageros” direitistas apesar de postar-se no mesmo campo político simpático à direita demo-tucana, ou seja, participando dos atos pelo “Fora Todos” como foi o de 1º de Abril da Conlutas! Parafraseando Raul Seixas, o “eclético” MRT prefere ser uma “metamorfose ambulante” do que ter o Marxismo como bússola com suas “velhas opiniões formadas sobre tudo”! Os “modernos” jovens do MRT que abominam conceitos como “Ditadura do Proletariado” e “centralismo democrático” em sua senda oportunista é mais um agrupamento a ceder as fortes pressões do chamado “campo democrático” (como já havia feito o corrompido PCO), incapaz de combater de forma consequente e coerente a linha direitista do PSTU sem cair nos braços da Frente Popular e capitular a sua política de colaboração de classes!

quinta-feira, 28 de abril de 2016

LEIA A ÚLTIMA EDIÇÃO DO JORNAL LUTA OPERÁRIA, Nº 307, 2ª QUINZENA DE ABRIL/2016



EDITORIAL
Por um 1º de maio de combate revolucionário a ofensiva da direita golpista e de firme oposição a pauta neoliberal do governo Dilma! Nem a “defesa da democracia”, nem “eleições gerais” e, muito menos, “Assembleia Constituinte”! Lutar por uma alternativa de Poder Operário e Camponês!

GOLPE DE ESTADO E “GOLPE” PARLAMENTAR REPRESENTAM O MESMO RECURSO PARA AS CLASSES DOMINANTES?
Os Marxistas afirmam categoricamente que não!

“ELEIÇÕES GERAIS” E “ASSEMBLEIA CONSTITUINTE”
Panaceias da esquerda revisionista para não lutar por uma alternativa de Poder Operário

PSTU COMEMORA O IMPEACHMENT
“Tiramos Dilma agora só falta Temer, Eleições Gerais já!”... só falta responder quem tirou Dilma e afirmar que torce por moro no planalto

A PATÉTICA COVARDIA DO PT
Dilma vai à ONU, covil do imperialismo e não denuncia o “Golpe Institucional” contra a Frente Popular

BASE ALIADA DO GOVERNO DILMA FOI PROTAGONISTA DO 1º ATO DO GOLPE INSTITUCIONAL
Os “companheiros” burgueses do PT “roeram a corda” para aliar-se ao rato Temer

OS "TRAIDORES" DE HOJE SÃO OS HERÓIS DE ONTEM
Frente Popular semeou o terreno de sua própria derrota política

FAZER CAMPANHA PARA CASSAR O MANDATO PARLAMENTAR DO NEONAZISTA BOLSONARO OU DEFENDER O JUSTIÇAMENTO DESTE COVARDE FASCISTA PELO MOVIMENTO OPERÁRIO ORGANIZADO?
Um debate necessário para a esquerda revolucionária que não acredita na democracia burguesa como valor universal

BLOG DA LBI ALCANÇA 600 MIL ACESSOS!
Uma tribuna diária de combate à ofensiva reacionária da direita, na vigorosa denúncia da esquerda reformista “amante” da democracia!

CAMALEÕES DO PCO – PARTE I
Atentados na Noruega: PCO do delírio oportunista a quinta coluna do neofascismo europeu

ESTUDANTES/SP
Juventude Bolchevique vence eleições do grêmio com um programa revolucionário de luta contra Alckmin

42 ANOS DA REVOLUÇÃO DOS CRAVOS
Transição “não pactuada” do regime fascista para a democracia burguesa, reivindicada pelo PS para defenderem o “estado de bem estar social” 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

POR UM 1º DE MAIO DE COMBATE REVOLUCIONÁRIO A OFENSIVA DA DIREITA GOLPISTA E DE FIRME OPOSIÇÃO A PAUTA NEOLIBERAL DO GOVERNO DILMA! NEM A “DEFESA DA DEMOCRACIA”, NEM “ELEIÇÕES GERAIS” E, MUITO MENOS, “ASSEMBLEIA CONSTITUINTE”! LUTAR POR UMA ALTERNATIVA DE PODER OPERÁRIO! 

Os atos de 1º de Maio deste ano, dia internacional de luta dos trabalhadores, ocorrem no Brasil após a aprovação da admissibilidade do impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados e a votação do processo para cassar seu mandato no Senado. Nesse interregno entre os dois atos do “Golpe Institucional” vimos a Frente Popular arrefecer o ânimo da luta das massas contra a direita, com o PT optando por jogar formalmente suas fichas na votação no Senado e depois em um recurso ao STF, mas sem grandes ilusões de reverter o quadro desfavorável à Dilma. Ao que tudo indica Lula e a direção petistas já trabalham com a ascensão de um impopular governo Temer para tentar capitalizar o desastre eleitoralmente em 2018. Essa estratégia é completamente suicida. Além de abortar a resistência de massas contra o “Golpe Institucional” aposta em uma nova gestão neoliberal do PT via a improvável eleição de Lula. Todos os elementos apontam no sentido contrário: a burguesia e o imperialismo devem preparar as condições para a ascensão de Moro ao Planalto para impor uma gerência bonapartista diante da crise do regime, um comando que discipline as frações burguesas em luta no marco de um quadro político-institucional ainda mais fragilizado com o canalha e odiado Temer assumindo a Presidência da República por dois anos. Há ainda a possibilidade da cassação de chapa Dilma-Temer no TSE e a convocação de eleições (diretas ou indiretas) em 2017. O certo é que as classes dominantes e suas frações políticas (oposição demo-tucana, Frente Popular, Rede-PSB) preparam-se para construir uma saída para a crise do governo e do regime político no marco de formulas que estejam dentro da institucionalidade burguesa, todo esse processo tendo aval do PT. Do ponto de vista dos interesses imediatos e históricos dos trabalhadores, desgraçadamente a “esquerda” também comunga dessa estratégia democratizante, tanto que mesmo em campos políticos opostos acusando-se mutuamente de “apoiarem ou não o golpe” convergem na defesa de propostas como “Eleições Gerais” e “Assembleia Constituinte”. Na condição de Comunistas Revolucionários, a militância da LBI se opõe a escalada da direita, ao governo da Frente Popular e a ascensão de Temer apontando a necessidade de forjar uma alternativa de Poder Operário! Trata-se de justamente, como nos ensinou Lênin, de aproveitar a crise dos “nas alturas” para preparar as condições futuras de uma saída dos “de baixo”, ou seja, construir estrategicamente uma alternativa de poder dos trabalhadores da cidade e do campo, uma saída anticapitalista e anti-imperialista em oposição à democracia dos ricos.


CANDIDO ALVAREZ – JORNALISTA, EDITOR DO BLOG DA LBI
MARCO QUEIROZ – ADVOGADO, PORTA-VOZ DA LBI
HYRLANDA MOREIRA – SECRETÁRIA NACIONAL DA TRS
AUGUSTO CÉSAR - OPOSIÇÃO BANCÁRIA - MOB/CE
CIDA ALBUQUERQUE - OPOSIÇÃO DE LUTA FORTALEZA/CE
ANTONIO SOMBRA - COMANDO DA GREVE EM CURSO PROFESSORES/CE
TOINHA SILVA - SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS/CE
AUGUSTO FILHO - DELEGADO SINDICAL BANCO DO BRASIL/RN
AURIMAR FEITOSA - OPOSIÇÃO PETROLEIRA/RN
ROBERTO CALDEIRA – OPOSIÇÃO RODOVIÁRIOS GUARULHOS/SP
ISABEL TEIXEIRA - OPOSIÇÃO METALÚRGICA GUARULHOS/SP
BEATRIZ BERGOCI – PRES. GRÊMIO ESTUDANTIL GUARULHOS/SP
RICARDO FABIO - OPOSIÇÃO DOS GRÁFICOS/RS 
CAMALEÕES DO PCO PARTE I



Vejam o que falavam os camaleões da Causa Operária há pouco tempo atrás no campo internacional, saudando as investidas do imperialismo e da direita como “revoluções”. Depois de apoiarem a contrarrevolução na URSS e a intervenção da OTAN na Líbia, o PCO chegou ao cúmulo de apresentar os atentados da extrema-direita na Noruega como um acontecimento revolucionário! No artigo que reproduzimos logo abaixo, a LBI denunciou essa posição escandalosa do grupúsculo gangsteril de Rui Costa Pimenta, que volta a ameaçar seus oponentes programáticos com agressões físicas e calúnias. 

ATENTADOS NA NORUEGA: PCO DO DELÍRIO OPORTUNISTA A QUINTA COLUNA DO NEOFASCISMO EUROPEU 
(24 DE JULHO DE 2011)

“Em primeiro lugar, é evidente que se trata de um ataque ao governo, uma vez que os dois atentados se dirigiram contra organizações ligadas a ele. Por isso, o ataque é parte das ações das massas europeias que estão enfrentando o regime político de seus países como resposta à crise, principalmente nos países onde os capitalistas estão impondo seus planos de austeridade contra a classe operária”. Acreditem se possível for! A citação acima foi retirada da declaração feita pelo Partido da Causa Operária, PCO, logo após os atentados neofascistas que vitimaram mais de cem pessoas em Oslo, na Noruega. Com o seguinte título em seu artigo: “Crise européia se torna explosiva”, o PCO segue na linha de um delírio oportunista que agora serve para justificar as ações terroristas da extrema-direita europeia : “O ataque é parte da ação de massas européias que está se levantando contra governos” (Site do PCO, 22/07). Esta seita revisionista que até há pouco tempo era afiliada ao PO argentino, tenta a todo custo caracterizar a iminência da revolução na atual etapa de reação mundial, agora enxerga nos atentados monstruosos do fascismo uma “ação de massas”, ou seja, para encaixar sua “teoria” delirante de que a revolução dobra a próxima esquina, agora vale se emblocar com a direita terrorista para “combater os governos”! A evolução política das teses catastrofistas da esquerda revisionista a levou a uma completa perda de referência no marxismo revolucionário, e o que é pior ultrapassaram a fronteira de classe ao apoiarem a extrema direita em ações terroristas contra os governos sociais-democratas europeus, como o trabalhista norueguês.

terça-feira, 26 de abril de 2016

“ELEIÇÕES GERAIS” E “ASSEMBLEIA CONSTITUINTE”: PANACEIAS DA ESQUERDA REVISIONISTA PARA NÃO LUTAR POR UMA ALTERNATIVA DE PODER OPERÁRIO


Um amplo arco de forças políticas que se reivindicam trotskistas, mesmo atuando em campos opostos, tem defendido fórmulas aparentemente “democráticas radicais” como saídas progressivas para a crise do governo Dilma e do próprio regime político burguês. Estamos falando particularmente das consignas “Eleições Gerais”, “Fora Todos” e “Assembleia Constituinte”. No primeiro caso, junto com a bandeira de “Fora Todos”, PSTU, CST e MES agitam “Eleições Gerais Já!”. No outro extremo, o PCO, escudeiro corrompido de primeira hora da Frente Popular “contra o Golpe de Estado”, reivindica a convocação de uma “Assembleia Nacional Constituinte”. “Perdido no meio do tiroteiro” encontra-se o “incomodado” MRT (ex-LER). No início das manifestações contra o governo Dilma, o grupo ex-Morenista defendeu o “Fora Todos”, mais recentemente vem proclamando-se “Contra o Impeachment”. O fundamental é que agita desde o começo da crise do governo do PT a palavra de ordem de “Constituinte Livre e Soberana”, ora de forma mais tímida ora mais aberta. Desde a LBI nos opomos a todas estas receitas pretensamente democratizantes que visam reorganizar o regime político burguês, mas que de fato favorecem a reação burguesa. Denunciamos que qualquer palavra de ordem institucional para a agitação imediata voltada a pressionar o parlamento, mesmo recorrendo a adereços de aparência radical, fortalecem as pretensões “golpistas” da direita reacionária, que detém ampla maioria no Congresso Nacional, são na verdade feitas sob medida para um recrudescimento ainda maior do regime político vigente. Compreendemos que para forjar uma saída progressista à debacle do governo Dilma, sem abrir espaço para a direita e suas manobras “golpistas” parlamentares e mesmo eleitorais, faz-se necessário forjar a luta direta e revolucionária por um Poder Operário e Camponês, recorrendo à tática da Frente Única de Ação Antifascista quando necessário. Os Marxistas Revolucionários devem intervir nesta conjuntura de extrema polarização política com uma consigna de poder com um claro corte de classe, onde as reivindicações democráticas sejam acaudilhadas pelo proletariado em combate direto, denunciando a escalada reacionária da direita assim como a conduta de colaboração de classes do PT. Esse é o papel dos leninistas neste momento onde se prepara o 2º ato do Golpe Institucional com a votação no Senado. Ao contrário desta perspectiva proletária e de independência de classe, os revisionistas de todos os matizes (PSTU, CST, MRS, MES, PCO, MRT...) que se criticam mutuamente por “apoiar ou não o golpe” de forma tragicômica convergem na defesa de armadilhas parlamentares e eleitoralistas que jogam água no moinho do “golpe parlamentar”. Inclusive, de forma risível, seus chamados a “Greve Geral” estão a serviço desta política de construir “saídas democráticas” que de fato fortalecem a direita e a reação burguesa! Não por acaso, tanto o PCO como PSTU levantam neste momento esta mesma bandeira (Greve Geral) como forma de pressionar o parlamento contra a aprovação do impeachment ou por eleições gerais. Não se trata de mera coincidência mas de uma linha política comum que rechaça combater de forma militante e consciente pela intervenção da classe operária e do campesinato pobre por fora da influência dos campos burgueses em disputa e para edificar seu próprio poder de novo tipo!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

GOLPE DE ESTADO E “GOLPE” PARLAMENTAR REPRESENTAM O MESMO RECURSO PARA AS CLASSES DOMINANTES? OS MARXISTAS AFIRMAM CATEGORICAMENTE QUE NÃO!


1 A esquerda reformista como um todo, desde os setores revisionistas do Trotsquismo recém convertidos a defesa da Frente Popular até os mais carcomidos neostalinistas velhos apologistas da política de colaboração de classes, vem há algum tempo sustentando a “tese” de que está em marcha um Golpe de Estado no Brasil. Com a agudização da crise política do regime democratizante e o triunfo da primeira etapa do impeachment da presidente Dilma, a pseudo-tese do Golpe de Estado ganhou contorno de verdade fática, sendo utilizada como principal bandeira política do bloco governista contra a oposição direitista, que hoje congrega desde as raposas da privataria tucana até os antigos caciques da chamada "base aliada" do governo petista, hoje qualificados de “golpistas”. De fato está em pleno curso político uma inflexão da classe dominante em direção a um novo governo (gerente de seus negócios), pela via de um golpe parlamentar, que se vale do instrumento constitucional do impeachment. Este movimento institucional da burguesia contra seu antigo gestor estatal "despertou" forças sociais conservadoras, reacionárias e até fascistas que ameaçam o conjunto das liberdades democráticas e a esquerda como um todo (reformistas e revolucionários) e que portanto não pode ser apoiado pelo movimento dos trabalhadores de forma alguma.

2  Para os Marxistas Leninistas que não advogam nenhuma fidelidade à democracia burguesa e tampouco ao "Estado de Direito" não se trata de embarcar no "senso comum" do bordão da esquerda reformista "Não vai ter golpe", mas sim caracterizar cientificamente e de um ângulo da classe operária o processo da correlação de classes vigente. O esgotamento precoce do governo Dilma e o desenvolvimento posterior que parece desaguar no seu impedimento, não parte de uma necessidade da burguesia nacional em desfechar um Golpe de Estado, ou seja, alterar radicalmente as linhas fundamentais do regime democratizante (uma paródia de democracia burguesa) instaurado com o advento da “Nova República” no Colégio Eleitoral em 1985. Esta variante (Golpe de Estado) se coloca diante de uma situação de absoluta radicalização da luta de classes, onde a liberdade de organização da classe operária (direitos democráticos) pode se transformar em avanços revolucionários que ameacem a dominação capitalista. Nenhum destes ingredientes está presente na atual crise política do regime. Recapitulando, o default prematuro da quarta gerência petista é produto do fim de um ciclo econômico mundial, no qual a política de conciliação de classes da Frente Popular foi extremamente útil para os negócios da burguesia nacional. Encerrado o “boom” das commodities e da fartura do crédito para introduzir no mercado de consumo a chamada “classe C” e financiar a expansão das grandes empresas, o governo petista perde sua utilidade para os reais donos do poder, o capital.

3 É óbvio que o pretexto encontrado para tipificar o crime de responsabilidade da presidente Dilma, as “pedaladas fiscais” é completamente torpe, entretanto para a necessidade econômica da classe dominante em trocar de gerente pouco importa se a desculpa é um “Fiat Elba” do Collor ou uma manobra contábil de Dilma. Fenômeno político totalmente distinto ocorreu com o presidente João Goulart, onde a organização revolucionária do proletariado avançava a passos largos por cada “brecha” (como as Reformas de Base) que o governo nacionalista burguês abria, nesta situação a burguesia precisava derrotar o conjunto das forças de esquerda (Jango, CGT, Ligas Camponesas, Prestes) com métodos de guerra civil: o Golpe de Estado se impunha. As reformas neoliberais de Dilma e seu draconiano “ajuste fiscal” foram uma exigência do capital imperialista, em nada ameaçavam a dominação burguesa... muito pelo contrário! Porém houve um "óbice" na lentidão do cronograma da austeridade financeira do governo Dilma, o incremento da recessão econômica paralisava a rentabilidade dos negócios da burguesia, e um de seus segmentos mais representativo resolveu por não aguardar as eleições presidenciais de 2018, era necessário por em marcha um golpe institucional lastreado na paralisia estatal da Frente Popular. Não é verdade que a totalidade da burguesia nacional esteja fechada politicamente com o “golpe”, condição “Sine qua non” para o triunfo de um genuíno Golpe de Estado, pior ainda representa uma tremenda “ingratidão” por parte da esquerda “chapa branca” afirmar que foi “traída” por toda a classe dominante. Será que esqueceram da lealdade do maior empreiteiro do país, Marcelo Odebrecht, preso na famigerada operação “Lava Jato”, ou do mega agroprodutor Carlos Bumlai também encarcerado pelo protótipo de bonaparte, Sérgio Moro. Não faltou o apoio da “família Bradesco”, na figura de seu presidente Trabuco, a permanência de Dilma no Planalto, ou mesmo da oligarquia burguesa retrógrada dos Gomes que agora controlam o PDT. É certo que o grosso da burguesia está do outro lado da trincheira: os rentistas Setúbal, a “famiglia” Marinho irmanada ao bispo Edir Macedo da Record, os bandidos da FIESP, toda a quadrilha da mídia “murdochiana” e, por último, as corruptas oligarquias regionais que vociferam o impeachment como unguento da “moralidade e da família”. A esquerda somada detém 76 deputados na Câmara (60 PT, 10 PCdoB e 6 PSOL), Dilma obteve 137 mais 7 abstenções e 2 ausências contra seu impedimento, quase o mesmo número de votos da bancada da esquerda reformista foram os 70 deputados oriundos do PDT e de parlamentares “avulsos”  que seguiram seus “chefes” burgueses locais leais ao governo. No Senado a situação é muito parecida, PT e PCdoB somam 11 senadores (o PSOL não tem representação) e já contam com mais 10 votos de outras legendas contra o impeachment, apesar da maioria dos senadores do PDT (3) ter declarado apoio aos "golpistas" da oposição.

4 Em síntese podemos aferir que o “isolamento” do governo Dilma não é uma unanimidade absoluta no seio da burguesia, embora esteja severamente “condenado” por seus setores mais dinâmicos socialmente. Por outro lado, no campo das massas proletárias não existe qualquer “sintoma” político que indique uma disposição em ultrapassar as fronteiras do capitalismo, as mobilizações contemporâneas dirigidas pela burocracia sindical ainda representam um esforço de resistência economicista aos duros ataques da ofensiva neoliberal. Não existem sequer na conjuntura política traços embrionários de dualidade de poder que possam precipitar a burguesia na aventura de um Golpe de Estado. Se o governo Dilma se “desmancha” prematuramente diante da ofensiva parlamentar direitista, contrariando até os planos mais conservadores da burguesia que desejava que a presidente concluísse a primeira fase do “ajuste”, é por absoluta incompetência das lideranças do PT, crentes até o último momento na lealdade de sua “base aliada” fisiológica. Diante da sórdida manobra parlamentar e jurídica da oposição conservadora para cassar o mandato de Dilma, setores importantes da classe média e de parcela dos trabalhadores se levantaram em “defesa da democracia”, resgatando um certo cabedal político do desmoralizado PT. Mas a covardia política da Frente Popular sequer soube aproveitar a “virada” no ânimo do movimento e continuou apostando suas fichas na vitória parlamentar, que a priori para o PT parecia bastante fácil frente a potência da “caneta palaciana”. O resultado do cretinismo parlamentar da Frente Popular foi desastroso, acelerando o impeachment que parecia ainda distante de ser aprovado pelo crivo de 2/3 da Câmara e do Senado.


5 A tendência hegemônica da etapa política aponta quase que inexoravelmente para o “debut” do governo Temer/PSDB, o golpe institucional está às vésperas de sua conclusão, o PT atua como cúmplice impotente de seu próprio achacamento político, admitindo até indicar nomes de “confiança” para o novo ministério golpista, como Henrique Meirelles muito próximo a Lula. A alternativa de uma “saída honrosa” para Dilma, seja via da convocação de novas eleições presidenciais este ano, foi descartada pela cúpula do PT, que optou por sustentar indiretamente Temer (sabendo de seu inevitável desgaste com o ápice da recessão) e aguardar que Lula vença o pleito natural de 2018. O que nem o PT e tampouco a esquerda reformista conseguem enxergar é o fluxo de uma corrente bonapartista sendo fortemente gerada a partir da operação “Lava Jato” e da implantação da "República de Curitiba" em todo país. O sonho de Lula voltar ao Planalto em 2018 talvez se transforme no pesadelo de sua prisão após o impeachment, mas desgraçadamente a esquerda reformista continua apoiando a “Lava Jato”, enquanto denúncia hoje um Golpe de Estado inexistente. Trotsky definiu magistralmente em seu livro “A Revolução Traída” a dinâmica política de um Golpe de Estado, ao caracterizar a mudança do regime político soviético, solapado pelo bonapartismo stalinista. Temer está muito distante de ser um novo Stalin, representam classes sociais distintas, porém Moro não está muito longe de converter em um neo Mussolini, iniciando sua cavalgada por um governo bonapartista sobre os escombros dos atuais partidos “tradicionais” de esquerda e direita. 

6 Os Marxistas Revolucionários devem ter a nítida clareza do momento que atravessamos, para não focarem sua mira em alvos inexistentes, deixando passar pela fresta da colaboração de classes o espectro do neofascismo. O movimento operário não deve se deixar corromper pela cantilena da democracia burguesa, chancelando este governo neoliberal da Frente Popular com a desculpa esfarrapada da iminência do “Golpe de Estado”, não respeitamos o circo eleitoral do capital financeiro e tampouco os "sagrados" resultados de suas urnas!

domingo, 24 de abril de 2016

42 ANOS DA REVOLUÇÃO DOS CRAVOS: EXEMPLO DE TRANSIÇÃO “NÃO PACTUADA” DO REGIME FASCISTA PARA A DEMOCRACIA BURGUESA, REIVINDICADA PELO PS E BLOCO DE ESQUERDA PARA DEFENDEREM O “ESTADO DE BEM ESTAR SOCIAL” COMO ALTERNATIVA À INSURREIÇÃO PROLETÁRIA E SOCIALISTA


42 anos depois da Revolução dos Cravos, os trabalhadores portugueses voltaram a ser governados pelo PS sob o comando de Antônio Costa depois de vários mandatos de gestão de direita PSD/CDS. O Bloco de Esquerda integrou-se ao governo socialista e apresenta este gabinete da centro-esquerda burguesa como herdeiro legítimo do 25 de abril de 1974: “O Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), já promulgado pelo Presidente da República, respeita a posição conjunta firmada entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista para a viabilização de um governo: repõe rendimentos a trabalhadores e pensionistas, aumenta a taxação ao capital, não inclui novos programas de privatizações e defende os serviços públicos e o Estado Social. No momento em que se comemoram os 40 anos da Constituição da República Portuguesa, conquista das lutas sociais e filha da revolução de abril, fica ainda mais valorizada a constitucionalidade agora alcançada com um Orçamento de Estado para 2016” (Resolução Política do BE, 02/04). Neste marco, as comemorações desse fato histórico que marcou o fim da ditadura de Salazar e o retorno da democracia burguesa em Portugal ocorrem em um clima de patrocinar ilusões na gestão burguesa do PS, neste sentido deve ser compreendida a Revolução dos Cravos e seus efeitos ainda hoje sobre a luta de classes não só em Portugal, mas como parte integrante da crise por que passa o continente europeu como um todo. Foi chamada de Revolução dos Cravos porque as tropas lideradas pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), em vez de baionetas, saíram às ruas com cravos na ponta dos fuzis para simbolizar solidariedade com a população. Mas, ao contrário do que afirmam os arautos da conciliação de classes, esse movimento resultou numa profunda derrota para proletariado português, confirmando a inviabilidade histórica de uma transição pacífica para o socialismo. O movimento de 25 de abril de 1974, ao pôr fim ao regime fascista de Salazar-Caetano, que durante 46 anos oprimiu o proletariado português e os povos as colônias de Portugal na África, se constituiu em um golpe militar preventivo para evitar que uma insurreição popular destruísse as bases da ordem capitalista. Um “convidado” inesperado, o proletariado, surge no processo desta transição política que foi operada inicialmente “por cima”, mas a ausência do partido revolucionário no cenário português impede que se transforme a crise política da “agitada” transição em revolução socialista.