sábado, 30 de novembro de 2019

OFENSIVA IMPERIALISTA SOBRE A CHINA: UMA VEZ MAIS RESSURGE A “SANTA ALIANÇA” CONTRA O AUTORITARISMO STALINISTA...


O ultrarreacionário governo Trump sancionou, na semana passada, um projeto de lei Denominado “Lei de Direitos Humanos e de Democracia de Hong Kong”, uma versão diplomática imperialista de uma sinistra provocação à soberania da nação chinesa, pelo caráter abertamente belicoso e de interferência nos assuntos internos de um território que pertence legitimamente à China, e que portanto está sob a gestão estatal do governo do Partido Comunista Chinês, que apesar de estar muito longe do genuíno Marxismo, não confere aos ianques o “direito internacional” de intervir em outra parte do planeta para impor seus interesses geoestratégicos. Para aqueles da esquerda revisionista que defendem a “democracia do capital” contra o autoritarismo do “socialismo chinês” (que repetimos de socialismo não tem muito a ver), seria oportuno verificar as reais intenções do Pentágono em apoiar a suposta “rebelião popular” em Hong Kong, vejamos o decreto de Trump: “A legislação exige que o governo dos EUA examine minuciosamente se Hong Kong aplica as leis de controle de exportação e a política comercial dos EUA em relação à China, com o objetivo de “proteger as empresas dos Estados Unidos em Hong Kong contra a coerção econômica e o roubo de propriedade intelectual”. Nada mais franco e claro oriundo das corporações imperialistas ianques muito preocupadas em garantir a hegemonia do mercado mundial, sob a maquiagem política da defesa do regime democrático no território nacional chinês. Por sua vez, a burocracia do Partido Comunista adverte dos “perigos” da descarada investida imperialista, através do Ministério das Relações Exteriores  declarou  que os EUA “devem arcar com as consequências das contramedidas de Pequim se continuarem a agir arbitrariamente em relação a Hong Kong; e que a interferência de Washington nas questões internas chinesas está fadada ao fracasso”. São os primeiros sintomas de que uma guerra comercial já deflagrada ente a maior potência imperialista e o gigante nacional do ex-Estado Operário, podem extrapolar dos limites econômicos. Não por coincidência, em  Hong Kong, alguns milhares de manifestantes orientados pela Casa Branca, com profusão de bandeiras norte-americanas, comemoraram o recente feriado ianque de ação de graças e a assinatura por Trump da lei de ingerência sobre a China. Os “protestos populares” de Hong Kong começaram em maio, coincidentemente com o agravamento da guerra tarifária de Trump, sob pretexto de um projeto de lei de extradição, apresentado depois do “clamor” gerado pelo assassinato de uma jovem de Hong Kong pelo namorado durante viagem a Taiwan, com a qual não existia legislação de extradição, permitindo a impunidade do criminoso. Hong Kong, ex-colônia britânica arrancada a canhonaços da China para impor o tráfico de ópio, vive desde 1997 sob um estatuto de autonomia, em que está mantido o sistema ultraliberal e o número recorde de bilionários, enquanto boa parte da população mora em cubículos. Também continua sendo um centro de especulação internacional, mas sua importância diminuiu muito desde 1997, caindo de uma economia equivalente a quase um quinto daquela da China continental para apenas 3% atualmente. Como Marxistas Leninistas não podemos coabitar uma “coalizão democrática” com o imperialismo ianque contra os burocratas ex-maoístas, por maior que sejam nossas diferenças programáticas com o Partido Comunista da China. A verdadeira ficção política criada pela esquerda revisionista, de que a “revolta da juventude” em Hong Kong tem uma orientação socialista não se sustenta minimamente diante da análise dos fatos reais. É a mesma fraude “teórica” que apresentava a “primavera árabe” como essencialmente revolucionária, mas que terminou com a devastação imperialista da nação Líbia, ou com a fracassada intervenção militar da OTAN contra o regime nacionalista da Síria. Agora a já conhecida “santa aliança mundial” entre o revisionismo e o imperialismo, que atuou em conjunto para destruir a URSS sob o pretexto de combater os “crimes do stalinismo”, pretende desmembrar a China para impor a “democracia ocidental” dos monopólios do capital financeiro.
LULA EM UM LAPSO DE SINCERIDADE: FACILITAMOS BOLSONARO PARA NA SEQUÊNCIA VOLTARMOS AO PLANALTO...


Em entrevista à TV do portal 247, um porta voz oficioso da Frente Popular, o ex-presidente Lula em um raro lapso de sinceridade confessou o que toda a esquerda revolucionária já vinha afirmando há muito tempo, o PT teria facilitado a eleição do neofascista Bolsonaro para valorizar politicamente seu retorno ao Palácio do Planalto em 2022. A estratégia dos reformistas está absolutamente focada nas eleições de 2022, onde “sonham” voltar a gerência geral dos negócios da burguesia. Desta forma, após sofrerem o golpe institucional em 2016, o PT vem sabotando diretamente qualquer tentativa de resistência das massas via ação direta, que extrapole o calendário eleitoral imposto pelo regime. Foi assim com o movimento “Fora Temer”, desarmado pela Frente Popular quando atingia seu pico maior de mobilização, depois o “Ele Não!” seguiu a mesma sina de boicote para impedir sua continuidade que ameaçava a realização das eleições fraudadas. Consumada a eleição do governo neofascista, o PT e seus apêndices estão na linha de frente para desmontar a rebelião latente do proletariado contra as medidas neoliberais ditadas pelo mercado a este Congresso fantoche dos rentistas. Foram aprovadas as (contra)reformas trabalhista e da Previdência sem que o PT e a CUT desse um passo concreto no sentido da greve geral para barrar o desastre social que já se anuncia, coube a Frente Popular o tradicional discurso demagógico para que os parlamentares da direita votassem “segundo sua consciência”, ou seja inutilidade derrotista que reforçou ainda mais a ofensiva imperialista contra as conquistas históricas da classe operária. Com a liberdade conseguida por um frágil acordo no STF, inclusive ameaçado de reversão na próxima etapa, Lula está seguro que voltará a comandar o país e prega abertamente a “expiação” da população pobre nas mãos deste governo neofascista, vejamos o que afirmou na entrevista a TV 247: “Eu acho que a sociedade vai aprendendo, de porrada em porrada a gente vai aprendendo como são as coisas. Quem sabe o Brasil precisasse de um Bolsonaro para valorizar um pouco a democracia”. Mais claro impossível, este é o papel nefasto para trabalhadores com que atua com maestria e sem máscara o campeão da conciliação de classes, Lula da Silva. Em um dramático apelo para que a burguesia lhe aceite novamente como gerente estatal, Lula com toda a “cara de pau” promete que evitará a todo custo em seu possível futuro governo revoltas populares como as que ocorrem hoje no Chile, Colômbia: “Encontre um gesto meu em que houve qualquer bagunça neste país”, e com todo cinismo finaliza: “Participei de todos os protestos, inclusive na campanha de impeachment do Collor e você não viu nenhum quebra-quebra”. É a declaração reformista que confessa o objetivo central da Frente Popular neste período de profunda instabilidade do modo de produção capitalista, será o “bombeiro” para tentar apagar a chama da revolução socialista que cruza o continente. Resta saber se as condições objetivas da luta de classes permitirão que a burguesia nacional aceite ou não a prestação de serviços oferecida pela Frente Popular, no atual cenário as tendências apontam muito mais para o recrudescimento do regime bonapartista do que para um retorno do pacto social com os reformistas. Para seguir esta estratégia de “pacificação” proposta Lula e o PT, somente correntes de esquerda completamente degeneradas e corrompidas, como o PCO e PCdoB, para não falar da social democracia do PSOL. É urgente a reorganização da vanguarda classista para a construção de um genuíno partido Marxista-leninista, que reoriente a senda da revolução socialista para a derrota cabal da ofensiva neofascista!

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

29 DE NOVEMBRO - DIA INTERNACIONAL DE SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO: LUTAR PELA DESTRUIÇÃO DO ENCLAVE SIONISTA E EM DEFESA DE UMA PALESTINA SOVIÉTICA BASEADA EM CONSELHOS OPERÁRIOS E CAMPONESES!


A recém-fundada Organizações das Nações Unidas, substituta da antiga Liga das Nações, através da iniciativa dos Estados Unidos, e com o apoio entusiástico da URSS, decretou em 29 de novembro de 1947 a divisão definitiva da Palestina entre um Estado judeu e outro árabe palestino. O stalinismo, após os acordos de Yalta, deixará o Oriente como uma área de influência do imperialismo ianque, além da consideração do sionismo, em sua versão trabalhista como um aliado político, com o qual desenvolverá uma frente popular em Israel. O velho partido comunista palestino logo mudará seu nome para israelense por considerar as massas árabes e palestinas como atrasadas e feudais. Antes mesmo da oficialização do Estado de Israel, as tropas do Irgun retomam os massacres aos palestinos, como a chacina da aldeia de "Deir Yassin". Era o prenúncio do terrorismo sionista que irá assolar o povo palestino até hoje. Exatamente no dia da proclamação oficial do Estado de Israel, 15 de maio de 1948, é declarada a Iª guerra aos países árabes. O novo exército de Israel, agora batizado "Tzahal", é abastecido belicamente pela Thecoslováquia (membro do Pacto de Varsóvia) e Estados Unidos. Conseguindo uma triunfal vitória, alarga, desta forma, em três vezes o seu território traçado inicialmente pela ONU. O Estado árabe palestino estipulado pelo plano de partilha não consegue sair do papel, já estava morto antes de nascer. Restando ao Egito à anexação da faixa de Gaza e à Jordânia a anexação da Cisjordânia. Um milhão e meio de palestinos deixam o agora chamado Estado de Israel, expulsos de suas terras sob o bombardeio da aviação sionista, espalham-se pelo Líbano, Egito, Jordânia, Síria. 600 mil palestinos permanecem no Estado sionista, sem nenhum direito civil, tratados como cidadãos de segunda categoria em seu antigo território nacional, servindo de mão de obra barata que irá mover a engrenagem capitalista do enclave militar de Israel.
199 ANOS DO NASCIMENTO DE FRIEDRICH ENGELS: NOSSA HOMENAGEM AO GRANDE COMBATENTE E MESTRE DO PROLETARIADO MUNDIAL, O FUNDADOR DO SOCIALISMO CIENTÍFICO E AUTOR DO MANIFESTO COMUNISTA AO LADO DE KARL MARX


Em momentos de profundo retrocesso político e ideológico entre a vanguarda militante, a LBI faz essa justa homenagem a Engels no dia de seu nascimento, um verdadeiro farol teórico e político para o proletariado mundial em sua luta pela Revolução Comunista e a Ditadura do Proletariado! Reproduzimos abaixo trechos de um artigo de Lênin em homenagem a Friedrich Engels elaborado em 1895.

Engels foi o mais notável sábio e mestre do proletariado contemporâneo em todo o mundo civilizado. Desde o dia em que o destino juntou Karl Marx e Friedrich Engels, a obra a que os dois amigos consagraram toda a sua vida converteu-se numa obra comum. Assim, para compreender o que Friedrich Engels fez pelo proletariado, é necessário ter-se uma ideia precisa do papel desempenhado pela doutrina e atividade de Marx no desenvolvimento do movimento operário contemporâneo. Marx e Engels foram os primeiros a demonstrar que a classe operária e as suas reivindicações são um produto necessário do regime económico atual, que, juntamente com a burguesia, cria e organiza inevitavelmente o proletariado; demonstraram que não são as tentativas bem intencionadas dos homens de coração generoso que libertarão a humanidade dos males que hoje a esmagam, mas a luta de classe do proletariado organizado. Marx e Engels foram os primeiros a explicar, nas suas obras científicas, que o socialismo não é uma invenção de sonhadores mas o objetivo final e o resultado necessário do desenvolvimento das forças produtivas da sociedade atual. Toda a história escrita até aos nossos dias é a história da luta de classes, a sucessão no domínio e nas vitórias de umas classes sociais sobre outras. E este estado de coisas continuará enquanto não tiverem desaparecido as bases da luta de classes e do domínio de classe: a propriedade privada e a produção social anárquica. Os interesses do proletariado exigem a destruição destas bases, contra as quais deve, pois, ser orientada a luta de classe consciente dos operários organizados. E toda a luta de classe é uma luta política.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

MÁFIA TOGADA DO TRF-4 AMPLIA PENA DE LULA NO CASO DO SÍTIO DE ATIBAIA: DECISÃO ARBITRÁRIA DO JUDICIÁRIO GOLPISTA BUSCA CHANTAGEAR AINDA MAIS O PT PARA QUE MANTENHA O MOVIMENTO OPERÁRIO PARALISADO DIANTE DOS ATAQUES NEOLIBERAIS DO NEOFASCISTA BOLSONARO 


Os 3 membros da máfia togada do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) votaram, por unanimidade, para manter a condenação do ex-presidente Lula no caso do sítio de Atibaia. O relator João Pedro Gebran Neto elevou a pena de Lula para 17 anos, 1 mês e 10 dias em regime fechado, no que foi seguido pelos dois outros desembargadores. Lembremos que antes, em mais um capítulo da farsa jurídica montada pela operação “Lava Jato” contra Lula, a juíza federal Gabriela Hardt, substituta e marionete de Sérgio Moro, havia condenado o ex-presidente petista a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo sobre o sítio em Atibaia. A acusação é de que Lula teria recebido R$ 1 milhão em propinas referentes às reformas do imóvel, que está em nome de Fernando Bittar, filho do amigo de Lula e ex-prefeito de Campinas, Jacó Bittar. Segundo a sentença, as obras foram custeadas pelas empreiteiras OAS, Odebrecht e Schahin. As acusações de corrupção contra Lula acerca do sítio chegam a ser ridículas e passam muito longe do verdadeiro processo de composição entre o Estado burguês e os grandes grupos capitalistas. A “simbiose perfeita” entre a chamada iniciativa privada e seus negócios com todas as instituições estatais não foi “inventada” pelo PT, nos governos da Frente Popular apenas se reproduziu a secular prática recorrente do capitalismo de “pagar” comissões a seus gerentes de turno. O TRF-4 encarregou-se, na falta de um acórdão publicado pelo STF, de fazer, ele próprio, a modulação da decisão do Supremo proposta cinicamente por Tofolli, decretando, por João Gebran, que ele só vale para novos casos e alegou cinicamente que não há prejuízo ao réu pelo desrespeito à ordem de apresentação de alegações finais. Não apenas mantém-se uma sentença que é gritantemente montada à base do “cópia e cola” e processualmente nula por decisão do STF como se estabelece um apenamento gigantesco. É quase o dobro do que Sergio Moro fixou-lhe no já escandaloso caso do Triplex. Porque tanta “truculência” dos membros do TRF-4? A resposta para os Marxistas é óbvia: com essa decisão arbitrária o judiciário golpista e seu regime bonapartista de exceção buscam chantagear ainda mais o PT para que a frente popular mantenha o movimento operário paralisado diante aos ataques neoliberais do neofascista Bolsonaro. 
POR BOLIVIANO ATACA LBI E SEGUE COMEMORANDO A QUEDA DE EVO PELAS MÃOS DA DIREITA: BALANÇO DA SEITA REVISIONISTA É QUE NÃO HOUVE GOLPE DE ESTADO E SIM UMA “REBELIÃO POPULAR” QUE DERRUBOU O GOVERNO DE COLABORAÇÃO DE CLASSES DO MAS


Em uma tentativa desesperada de encobrir sua traição histórica a luta do proletariado boliviano ao se emblocar com a direita e o fascismo contra o governo de colaboração de classes do MAS, o POR boliviano resolveu atacar os “impostores que se fingem como trotskistas” (Jornal Masas, 29/11) em uma referência indireta e furiosa a LBI que tratou de polemizar desde o início da crise boliviana com as posição dos Loristas na Bolívia e no Brasil, inclusive identificando um certo “desconforto” da TPOR brasileira em aceitar a linha escandalosa do POR da Bolívia de caracterizar como uma “rebelião popular” as manifestações reacionárias e neofascistas que desembocaram no Golpe de Estado apoiado pelo imperialismo ianque e Bolsonaro. A seção brasileira do CERCI defende a existência do golpe, ainda que de forma centrista colocou o termo entre aspas em sua primeira declaração sobre a Bolívia. Segundo o POR boliviano “Son los estalinistas, los derrocados masistas y algunos impostores que fungen como trotskistas, que hacen circular la falacia de que el POR habría conspirado, bajo las mismas banderas, con la derecha tradicional para acabar con un ‘gobierno progresista y antiimperialista’ que ha llevado adelante un interesante y novedoso 'proceso de cambio' y ha transformado radicalmente la estructura económica de este país”.  Como a LBI defendeu o Voto Nulo nas eleições de 20 de outubro (a mesma posição do POR boliviano) e denunciou duramente as alianças de Evo com a burguesia em seus 14 anos de governo de aberta conciliação de classes, não perderemos tempo na calúnia de explicar que jamais consideramos a gestão da centro-esquerda burguesa do MAS como "anti-imperialista que transformou radicalmente a estrutura econômica da Bolívia". Iremos direto ao ponto: a seita revisionista nega que houve um Golpe de Estado! Os Loristas têm essa caracterização anti-Marxista porque participaram ativamente das marchas reacionárias caracterizando que havia uma “rebelião popular” em curso. Essa é a razão do POR afirmar que disputava com a direita a orientação política das marchas, vejamos com nossos próprios olhos “Durante la última rebelión popular que ha terminado tumbando al gobierno del MAS, nos hemos diferenciado de la vieja derecha señalando que el objetivo no es luchar por una inexistente democracia que es una forma de administrar el Estado burgués, sino por la defensa de los derechos y libertades democráticas entendido como el derecho que tienen los bolivianos a pensar y expresarse libremente, a organizarse, a vivir en condiciones humanas, a tener acceso al agua, a la educación, a la salud, etc.”. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

HÁ 108 ANOS... NASCIA MÁRIO LAGO, O ÚLTIMO “STALINISTA BOÊMIO”


Mario Lago, ator, compositor, radialista, poeta, autor teatral foi um militante comunista, na verdade um stalinista de vida boêmia, talhada pelas músicas, os cabarés, enfim foi produto do ambiente malandro da Lapa carioca onde nasceu e da influência política da vitoriosa Revolução de 1917, que iria marcar os debates políticos e culturais de sua adolescência. Também neste caso, a exceção confirma a regra e nem por esses ricos traços culturais Lago rompeu com a política de colaboração de classes do velho Partidão. Ao contrário, seguiu-a disciplinadamente apesar de toda a “heterodoxia” pessoal que acompanhou sua vida, quando morreu em 30 de maio de 2002. Um tempo vivido em sua plenitude política, artística e boemia. Não foi casual esse pulsar de vida pelo simples fato de que nascera no centro do furacão político da luta de classes e cultural do país nas décadas de 20 a 50. Há exatos 108 anos, Mário Lago nasceu no Rio de Janeiro, capital federal, em 26 de novembro de 1911, na histórica Rua do Resende, bairro da Lapa, região à qual confluía toda a boemia carioca e a nata da “malandragem”. Carioca típico, absorveu profundamente a verve de sua época, a de um país que emergia para a industrialização capitalista, a economia que aos poucos suplantava a monocultura cafeeira. Por todos os poros emergiam os aspectos de uma nova cultura voltada para consumo de massa, tais como a música que desce da marginalidade dos morros para a cidade, ou seja, o samba outrora criminalizado rapidamente se populariza através de grandes menestréis como Chiquinha Gonzaga – a grande precursora desta nova “elite” intelectual que compôs já em 1899 a marchinha “Ô abre alas” – Noel Rosa, Mario Lago, Cartola, Pixinguinha, Lamartine Babo e muitos outros. Tratava-se da ascensão de uma nova classe média urbana gerada pelo crescente processo de industrialização que tinha como canal de expressão de suas ideias e novos costumes os cafés, os botequins e cabarés, nos quais eram “elaborados” (vividos) e discutidos entre a intelectualidade novos padrões estéticos e comportamentais.
FUP TEATRALIZA GREVE “FAZ DE CONTA” ENQUANTO FNP EM ABERTA PELEGAGEM SEQUER MOBILIZA SUAS BASES NA PETROBRAS: RESPONDER AOS ATAQUES DE GUEDES E DO TST COM UMA VERDADEIRA GREVE NACIONAL COM PIQUETES QUE PARALISEM A EXTRAÇÃO, REFINO E ABASTECIMENTO!


Os petroleiros ligados a FUP deliberaram pela greve por tempo determinado, de 25 a 29 de novembro, desgraçadamente trata-se de uma “greve de faz de conta”. Esta foi a tímida e midiática resposta da burocracia sindical cutista ao não cumprimento do acordo de trabalho (ACT), que mesmo rebaixado, não foi cumprido sequer pela direção privatista da Petrobras. A paralisação de mentirinha visa em tese alertar a própria empresa para os riscos da política de demissões e de transferência de pessoal implementada. A FNP, ligada ao PSTU, PSOL e setores da chamada “esquerda petista”, teve uma conduta ainda mais pelega, não mobilizaram e sequer paralisaram as atividades em suas bases na Petrobras, como no Rio de Janeiro, apostando em negociações a porta fechada com a direção da empresa! Uma traição aberta a luta dos petroleiros! A Petrobras descumpriu os termos do acordo coletivo de trabalho, assinado no dia 4 depois de negociação mediada pelo próprio TST, efetuando demissões e transferências, além de incluir metas de segurança, saúde e meio ambiente como critérios para pagamento de bônus. Apenas nos cinco últimos anos, a empresa cortou quase 23 mil postos de trabalho. Tinha 86.111 no final de 2013 e fechou 2018 com 63.361, sendo 47.556 na controladora e os demais nas subsidiárias. Em represália patronal, a empresa recorreu mais uma vez à Justiça, pedindo que o TST impusse multas ainda mais elevadas e punições mais rígidas, reivindicação acatada pelo reacionário e ultra-neoliberal “ministro” Ives Gandra, que classificou a paralisação como “afronta”. Gandra determinou hoje a suspensão das mensalidades pagas pelos empregados para sustentar os sindicatos até que seja alcançado o valor das multas. Determina também o bloqueio de R$ 2 milhões das contas dos 13 sindicatos envolvidos na greve e da FUP. A última vez que a Justiça autorizou um bloqueio desse tipo foi na greve de 1999, a única em que houve desabastecimento de combustível. Por sua vez, o ministro da Economia, Paulo Guedes sugeriu que demitiria os grevistas da Petrobras se a estatal fosse uma empresa privada comandada por ele. “Você tem excelentes salários (na Petrobras), bons benefícios, quase estabilidade de emprego e tenta usar o poder político para extrair aumento de salário no momento em que há desemprego em massa? Se fosse uma empresa privada e eu fosse o presidente, sei o que faria. Cheio de gente procurando emprego e tem gente fazendo greve?". Na paralisação desta semana, no entanto, os sindicatos escandalosamente garantiram que o atendimento à população estaria garantido, cedendo a chantagem da empresa e do TST. Segundo a bucrocracia cutista, “Para a FUP, a decisão do TST de bloquear as contas e os repasses à entidade e aos sindicatos é arbitrária. Afinal, a mobilização, como a entidade fez questão de ressaltar desde a semana passada, não irá afetar a produção de petróleo, ou o abastecimento de combustíveis do país e por isso não prejudicará a população”. Essa política defensiva e pelega da FUP visa sempre buscar um acordo com o governo, somente pressionar por um acatamento do ACT proposto pelo próprio TST. Diante da ofensiva reacionária de Guedes e do TST que atacam a greve dos petroleiros da FUP é paralisar a Petrobras de verdade (extração, refinarias e abastecimento) para derrotar a ofensiva privatista e policialesca do governo Bolsonaro, sendo necessário as bases da paralítica FNP ingressarem imediatamente na paralisação, superando a disputa dos aparatos sindicais burocráticos que sequer conseguem fazer uma greve nacional conjunta enquanto a Petrobras é destruída e privatizada!

terça-feira, 26 de novembro de 2019

RECRUDESCIMENTO DO REGIME BONAPARTISTA COM AMEAÇA DE NOVO AI-5, EXCLUSÃO DE ILICITUDE NA REPRESSÃO AOS PROTESTOS E LEGALIZAÇÃO DE ASSASSINATO PARA DEFENDER A PROPRIEDADE PRIVADA DOS MEIOS DE PRODUÇÃO: NOSSA RESPOSTA DEVE SER CONSTRUIR COMITÊS ARMADOS DOS TRABALHADORES PARA DERROTAR A OFENSIVA NEOFASCISTA!


O governo Bolsonaro vem atuando no sentido de recrudescer o regime político burguês, buscando inclusive alterar a legislação burguesa para criminalizar ainda mais a luta dos trabalhadores do campo e da cidade. Tais medidas do neofascista visam aprofundar a perseguição as lideranças políticas e sindicais ligadas ao movimento operário além de criminalizar as ocupações urbanas e rurais. Ele vai encaminhar ao Congresso um projeto de lei para dar garantia de matar sem punição aos proprietários de áreas urbanas e rurais que tenham suas propriedades ocupadas por MST, por exemplo. “Queremos dar a garantia absoluta de que dentro da sua casa você pode tudo contra um invasor, tá certo? Quando marginais invadem propriedades rurais, e o juiz determina a reintegração de posse, como é quase como regra que governadores protelam, poderia, pelo nosso projeto, ter uma GLO do campo para chegar e tirar o cara”. Trata-se do direito de matar para defender as propriedades privadas dos meios de produção capitalista. Essa medida trata da ampliação do direito dos latifundiários e da classe média de portar armas, uma realidade que já era comum no meio social pequeno-burguês abastado devido ao mercado paralelo de autorização do “porte de arma” que a PF distribuía a seu bel prazer. Na semana passada, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei para isentar de punição militares e policiais que cometerem excessos durante operações de garantia da lei e da ordem (GLO). Desta forma, dá-se licença para matar, estabelecendo-se o conceito de presunção de legitima defesa. Traduzindo: atire primeiro e avalie o risco letal depois. Na proposta esta escrito: “Esta Lei estabelece normas aplicáveis aos militares em operações de Garantia da Lei e da Ordem (…) Aplica-se ainda aos integrantes dos órgãos a que se refere o caput do art. 144 da Constituição e da Força Nacional de Segurança Pública, quando prestarem apoio a operações de Garantia da Lei e da Ordem.". Lembremos que recentemente o neofascista Jair Bolsonaro declarou “Caso houver no Brasil manifestações radicais como as que estão acontecendo na América Latina, as Forças Armadas estão preparadas para agir”. Por sua vez, em entrevista nos EUA, Guedes declarou “Não se assustem se alguém pedir o AI-5”, arrematando “Sejam responsáveis, pratiquem a democracia. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo para quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente? Levando o povo para a rua para quebrar tudo. Isso é estúpido, é burro, não está à altura da nossa tradição democrática”. Trata-se de uma clara chantagem ao movimento operário: repressão em toda linha se houver resistência de massas ao ajuste neoliberal em curso. 
VITÓRIA DA DIREITA NAS ELEIÇÕES URUGUAIAS: FRENTE AMPLA JÁ SE COLOCA COMO UMA “OPOSIÇÃO CONSTRUTIVA”... AS FRENTES POPULARES SÃO O CAMINHO DA DERROTA PARA AS MASSAS


A coalizão política da Frente Ampla, uma variação política de Frente Popular brasileira, mas com a mesma “carga” programática colaboração de classes, está no governo do Uruguai há 15 anos. O atual presidente, Tabaré Vázquez, governou o país entre 2005 e 2010 pela primeira vez, foi sucedido por José Pepe Mujica, também da FA, de 2010 a 2015 e retornou à presidência novamente com mandato até 2020. Porém no último domingo (24/11) esta sequência de gestões estatais da FA foi quebrada pela vitória do candidato da direita neoliberal, Luis Lacalle Pou, dirigente do Partido Nacional. Lacalle Pou, apoiado eleitoralmente por uma coligação com a direita fascista (Cabildo Aberto) obteve 48,7%  dos votos e Daniel Martínez, da Frente Ampla, conseguiu 47,5%, segundo dados  da apuração primária, que ainda não confirmou oficialmente a vitória do Partido Nacional em virtude da apertada diferença de votos, menos de 2%. As urnas revelaram um eleitorado muito polarizado, Montevidéu e Canelones, que representam o Uruguai urbano, votaram majoritariamente pela Frente Ampla e o interior dominado pelas reacionárias oligarquias fundiárias foi favorável à coligação da direita. Entretanto já reconhecendo o triunfo de Lacalle Pou, o presidente nacional da  “Frente Ampla”, Javier Miranda, afirmou em uma entrevista coletiva concedida na tarde desta segunda-feira(25/11): "Si la Corte Electoral (…) decide que nuestro lugar sea el de la oposición tengan la certeza que el Frente Amplio va a ser una oposición constructiva”. (Se a Corte Eleitoral decide que nosso lugar é o de oposição tenham certeza que a Frente Ampla vai ser uma oposição construtiva). Como já tínhamos caracterizado em artigo anterior publicado no Blog da LBI, a Frente Ampla foi derrotada eleitoralmente sem esboçar qualquer iniciativa de luta ou resistência política diante da ofensiva neofascista no país, que iniciará todo um processo de retirada de direitos sociais e ataques as liberdades democráticas de organização popular, à semelhança do que ocorre hoje no Brasil. No sentido inverso do caminho da luta contra a direita, a Frente Ampla anuncia que será uma “oposição construtiva”, talvez Pepe Mujica a maior liderança política da FA, tenha se espelhado no exemplo de Lula no Brasil que se recusa a defender o “Fora Bolsonaro” em nome da estabilidade institucional. O “pequeno” Uruguai teve seus índices de concentração agrária ainda mais ampliados nos governos da Frente Ampla, e o “agradecimento” político das oligarquias rurais foi o de apoiar o candidato da oposição reacionária, também neste caso qualquer semelhança com o PT no Brasil não é mera coincidência... Com o novo eixo político estabelecido no Mercosul, onde a direita neoliberal já governa o Brasil e Paraguai, a esquerda peronista agora comandando a Argentina sofrerá um sério cerco econômico, o que necessariamente trará muita instabilidade na região. As massas proletárias do Cone Sul, não devem nutrir a menor ilusão na capacidade das Frentes Populares de seus respectivos países esboçarem qualquer tipo de resistência combativa diante da ofensiva imperialista em pleno curso no nosso continente, sua vertente social e programática é o da capitulação e não a da luta revolucionária. Somente a construção de partidos Marxistas Leninistas terá a capacidade em conduzir o levante espontâneo de massas contra o “ajuste” rentista na senda da expropriação do capital e instauração da Ditadura do Proletariado.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

HÁ 3 ANOS NOS DEIXAVA O COMANDANTE FIDEL CASTRO: TROTSKISTAS DEFENDEM O ESTADO OPERÁRIO CUBANO CONTRA O IMPERIALISMO, LUTANDO PELA SUPERAÇÃO DA BUROCRACIA STALINISTA ATRAVÉS DA REVOLUÇÃO POLÍTICA!


Há exatos 3 anos, na noite de 25 de novembro de 2016, morria o comandante Fidel Castro, dirigente máximo da revolução social Cubana. Seu irmão, Raul, anunciou o falecimento “Com profunda dor compareço para informar ao nosso povo, aos amigos da nossa América e do mundo que hoje, 25 de novembro do 2016, às 22h29, faleceu o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz. Em cumprimento da vontade expressa do companheiro Fidel, seus restos serão cremados nas primeiras horas deste sábado” prosseguiu o irmão. Fidel Castro tinha completado 90 anos recentemente, em agosto. Uma história de combate anticapitalista marca a vida do velho comandante, que já não está fisicamente entre nós fazem 3 anos, mas que aos 32 anos dirigiu ao lado de Che Guevara a Revolução Cubana vitoriosa em 1959. De forma premonitória, em um discurso proclamado durante o VII Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC) em abril de 2016, Fidel falou com voz entrecortada “Logo devo fazer 90 anos, nunca me ocorreu tal ideia e não foi fruto de esforço, mas um capricho da sorte. Logo serei como todos. Para todos chega a vez... Talvez seja uma das últimas vezes que fale nesta sala”. Como Trotskistas respeitamos sua heroica trajetória militante mesmo nos delimitando publicamente de suas posições políticas e programáticas, cujo limite é desgraçadamente sua adesão posterior ao stalinismo e sua estratégica de coexistência pacífica com o imperialismo. Reconhecemos que tenha havido conflitos pontuais importantes de Fidel com a burocracia soviética, mas nunca uma ruptura com sua orientação, ao contrário, nas questões fundamentais Castro esteve ao lado de Moscou e inclusive atacou o Trotskismo e seu camarada de trincheira, Che Guevara. A Direção Nacional da LBI aproveita as reflexões em torno do aniversário de morte do comandante para reafirmar a defesa incondicional da ilha operária e de suas conquistas históricas rechaçando a ofensiva imperialista através do bloqueio econômico e da política de “reação democrática” levada acabo pela Casa Branca e, ao mesmo tempo, polemiza com a orientação programática adotada pela burocracia castrista, em que ataca uma série de direitos históricos dos trabalhadores com o objetivo de avançar o processo de restauração capitalista. Mantemos a vigência programática da revolução política em Cuba para que o proletariado possa efetivamente ingressar na etapa histórica do genuíno socialismo. A melhor forma dos revolucionários honrarem Fidel, que apesar de todos os seus erros manteve-se com um combatente anti-imperialista e anticapitalista é responder as investidas do imperialismo ianque que agora se incrementa com Trump, é chamando a classe operária em nível mundial a derrotar o imperialismo e não apoiando a política de “coexistência pacífica” com a Casa Branca e a Igreja Católica.

domingo, 24 de novembro de 2019

LANÇAMENTO DO LIVRO BOLÍVIA ‘ROJO VIVO’ EM CONJUNTO COM A POLÊMICA BIOGRAFIA SOBRE RAUL SEIXAS DE JOTABÊ MEDEIROS: DUAS IMPORTANTES INICIATIVAS EDITORIAIS NA TRINCHEIRA DA RESISTÊNCIA POLÍTICA E CULTURAL    


Acaba de ser lançado no Restaurante Cantinho do Frango, tradicional reduto político-cultural da intelectualidade de esquerda do Ceará, o livro “Bolívia em ‘Rojo Vivo”. Essa iniciativa da Editora Nova Antídoto registra o passo a passo do golpe de estado contra o governo Evo Morales. Condensando uma coletânea de artigos do BLOG da LBI, o livro aborda detalhadamente o papel do imperialismo ianque no putsch que derrubou o governo de Frente Popular, uma gestão da centro-esquerda burguesa que se mostrou completamente impotente para enfrentar a ofensiva reacionária da direita fascista. Esse importante livro, aborda também a intervenção da esquerda trotskista durante os dias fatais que levaram a vitória da ação golpista tramada pela OEA, denunciando inclusive a política do POR boliviano que se somou as marchas da direita contra o governo Evo, comemorando sua queda como uma vitória dos trabalhadores.


Junto com esta atividade político-cultural da Editora Nova Antídoto, tivemos também o lançamento da biografia de Raul Seixas “Não diga que a canção está perdida” escrita por Jotabê Medeiros, editor cultural da revista Carta Capital. O autor levou quase dois anos para elaborar a obra, baseada em 70 entrevistas e nos diários do próprio Raul, cujos registros foram feitos em 1988, quando o cantor ainda estava vivo. Esta obra abriu a polêmica sobre a suposta delação que Raul Seixas fez no DOPS, acusando Paulo Coelho de “colaborar com esquerda”. O fato de duas obras serem lançadas conjuntamente revelam o esforço em jogar luz do ponto de vista político e artístico de como ocorreu a queda dos governos de frente popular na Bolívia e no Brasil em diferentes épocas históricas, revelando também o papel da repressão política na perseguição a militância de esquerda em todas as arenas da atividade militante e cultural.  
LEIA A APRESENTAÇÃO DO LIVRO BOLÍVIA EM 'ROJO VIVO' 


A IMPOTÊNCIA CRÔNICA E HISTÓRICA DA BURGUESIA NACIONALISTA DE ENFRENTAR A ATUAL OFENSIVA IMPERIALISTA EM NOSSO CONTINENTE 

A colossal experiência da Revolução Socialista Russa de 1917, dirigida pelo Partido Bolchevique, demonstrou a “ferro e fogo” para os Marxistas de todo o mundo que a burguesia nacional é historicamente incapaz de levar adiante a resolução das tarefas democráticas, agrárias e anti-imperialistas que exigem a ação de um novo sujeito revolucionário, e que em face da ameaça que representa o proletariado desenvolver seu próprio projeto de nação, a burguesia diante do perigo de ser ultrapassada historicamente, alia-se à contrarrevolução golpista e abandona completamente o programa “democrático, nacional e popular” que antes orgulhava-se em esgrimir para as massas. Esta lição, abstraída em forma de programa foi elaborada na teoria da Revolução Permanente por Leon Trotsky e comprovada por todos os acontecimentos posteriores ao longo da luta de classes em todo o planeta. Os governos do tipo nacionalistas burgueses dos países semi-coloniais, que ascenderam ao controle do regime político fruto da crise capitalista, são descritos por Trotsky como possuindo um caráter bonapartista particular, ou seja, próprio da condição de sua classe dominante que, ao mesmo tempo em que subjuga o proletariado, está subordinada a ela mesma e subjugada à classe dominante dos países imperialistas. Em particular na América Latina, tanto o nacionalismo da década de 30, como as diversas manifestações do período posterior à Segunda Guerra Mundial, seguiram de maneira precisa o mesmo roteiro de capitulação ao imperialismo e seus agentes locais, cuja conclusão foram a instauração dos regimes militares dos anos 60 e 70 em quase todo continente. Mais de duas décadas da implantação de uma política econômica dita neoliberal, que se defrontou com crescente resistência das massas, provocou uma ruptura no interior do bloco burguês tradicional gerando a “ressurreição” do nacionalismo burguês com uma dose maior demagógica de “esquerda e socialista”, como foi o caso do PT brasileiro, somada a uma intensidade de moderação no enfrentamento político com o imperialismo.

sábado, 23 de novembro de 2019

DISCURSO DE LULA NO 7º CONGRESSO DO PT: UM CHAMADO A BURGUESIA PARA REESTABELECER NOVO PACTO DE COLABORAÇÃO DE CLASSES, SONHANDO COM O RETORNO AO PLANALTO EM 2022


O discurso de Lula na abertura do 7º Congresso Nacional do PT foi um verdadeiro chamado a burguesia e, em particular a Famiglia Marinho, para recompor o pacto de colaboração de classe rompido parcialmente com o golpe institucional de 2016. O petista declarou “Jamais ameacei e jamais ameaçaria cassar arbitrariamente uma concessão de TV, mesmo sendo atacado sem direito de resposta e censurado como sou pelo jornalismo da Globo. Entendo que democratizar a comunicação não é fechar uma TV, é abrir muitas”. Essa afirmação condensa toda a estratégia de Lula para o próximo período: reestabelecer os laços rompidos com a burguesia e o imperialismo, sinalizando que não deseja radicalizar, pelo contrário, se apresenta como um garante diante do quadro de instabilidade política e social que atravessa o Brasil e o continente latino-americano. Esse tem sido o papel que o maior dirigente petista vem apontando seguidamente desde que saiu da prisão, a defesa do “Fica Bolsonaro”, o “diálogo” com o golpista neoliberal Rodrigo Maia... tudo vai no sentido de demonstrar que o PT deseja voltar ao Planalto em 2022 para amortecer a luta de classes. Como afirmamos, o mais eficaz recurso da burguesia nacional para manter a “ordem social” e a estabilidade do regime bonapartista vigente, ainda vem sendo a colaboração da política de conciliação de classes da Frente Popular. A “camisa de força” que o PT e a CUT impõe ao movimento de massas, espraiando as ilusões do “mundo melhor” com a realização das eleições de 2022 e o possível retorno de Lula ao Planalto, é a verdadeira barreira de contenção para que não “exploda” no Brasil gigantescas mobilizações populares contra o “desmonte” e o “ajuste” que o governo neofascista vem descarregando nos ombros do proletariado e da juventude.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

EM 22 DE NOVEMBRO DE 1910 ESTOURAVA A “REVOLTA DA CHIBATA”: UMA FERIDA AINDA ABERTA DO RACISMO DA ELITE BURGUESA DOMINANTE


Marinheiros tripulantes a bordo do navio “Minas Geraes” da frota brasileira começaram a planejar uma revolta alguns anos antes de 1910. As condições dos militares rasos eram as piores possíveis, submetidos a humilhação e castigos físicos por parte dos oficiais da Marinha, considerados como uma elite das Forças Armadas brasileiras. João Cândido, embarcado no “Minas Gerares”, era um marinheiro experiente que mais tarde se tornaria o líder da histórica Revolta da Chibata eclodida em 22 de novembro de 1910. A revolta começou logo após as brutais 250 chibatadas dadas a Marcelino Rodrigues Menezes, um marinheiro afro-brasileiro alistado regularmente, pena aplicada por supostamente ferir deliberadamente um companheiro de mar com uma lâmina de barbear. Um observador do governo brasileiro, o ex-capitão da Marinha José Carlos de Carvalho, disse ao presidente do Brasil que as costas de Menezes pareciam "uma tainha aberta para salgar."
A Marinha servia como "depósito" para milhares de jovens negros, pobres e, às vezes órfãos, que estavam presos nas "escórias" das periferias das cidades brasileiras, e dos quais muitos tinham cometido ou eram suspeitos de cometer pequenos crimes. 
GOVERNADORES DA “OPOSIÇÃO NORDESTE”: CORRENDO ATRÁS DO CAPITAL FINANCEIRO NA IMPLEMENTAÇÃO DAS REFORMAS NEOLIBERAIS PARA A REGIÃO



A apresentação conjunta da região Nordeste a fundos de financiamento internacionais foi apresentada pelos governadores da “oposição” como o grande “feito político” do bloco que pretende implementar as reformas neoliberais em seus estados. Segundo os governadores, foi o caminho encontrado por conta da falta de recursos no país. “Imagina sentar nove vezes com nove metas e nove governadores diferentes? Quando se apresenta conjuntamente, consegue-se estabelecer e falar de uma vez só”, afirmou Rui Costa (PT), governador da Bahia e presidente do Consórcio Nordeste. O petista Rui Costa, justificou para os investidores na Europa que “Os governadores não se reuniram para confrontar o governo federal. Não colocaria essa polarização. Não estamos aqui por uma perseguição no Brasil, não é esse o ponto. Seja de ponto de vista público e privado, é nítida a restrição de opções financiamento no nosso país”. Mais claro e nítido do que estas declarações escandalosas do governador da Bahia só mesmo para quem quer enganar o povo dizendo que este bloco pretende fazer qualquer tipo de oposição ao governo neofascista de Bolsonaro. Por sinal foi contando com o apoio destes governadores da “oposição” que o Senado Federal incluiu os estados e municípios na (contra)reforma neoliberal que destruiu a Previdência Pública no país. O “bloco dos governadores da oposição” que se configura como uma versão institucional da chamada Frente Ampla, incluindo setores do PSDB, PDT, PSB e agora até mesmo o DEM de Rodrigo Maia, é um instrumento de enganação política para as massas, no sentido de manter paralisado os movimentos sociais enquanto o rentismo aprova toda sua pauta no Congresso Nacional. 
DIRIGENTE DO PSOL É COVARDEMENTE ASSASSINADO EM XAPURI: ATÉ QUANDO VAMOS TOLERAR A MORTE DE NOSSOS COMPANHEIROS?


O presidente do PSOL, na cidade de Xapuri no Acre, Josemar da Silva Conde foi covardemente assassinado nesta quarta-feira feira (20/11). Josemar também era seringueiro e foi candidato a vice-prefeito pelo PSOL nas últimas eleições municipais. Devido ao difícil acesso do local da morte, um seringal na Reserva Extrativista Chico Mendes no Acre, a polícia local teve que acionar um helicóptero para resgatar o corpo do dirigente do PSOL. Pelas informações que conseguimos obter sobre a morte do companheiro, o crime teria sido provocado por conta de um conflito de divisa de terras. Josemar teria ido a propriedade de um vizinho chamado de “Chico Doido”, com o qual travava uma disputa judicial, e logo foi alvejado por um tiro fatal de espingarda. O assassino segundo a polícia acreana fugiu para a mata fechada, relato oficial que não é absolutamente confiável, posto a série de assassinatos de ativistas no campo todos acobertados pelo aparelho de repressão estatal. O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, emitiu um comunicado lamentando a morte do companheiro de partido e “exigindo a apuração do crime”. Infelizmente o PSOL aponta que seguirá o mesmo caminho político adotado nos assassinatos de Marielle e Anderson, ou seja, que as próprias instituições do Estado Burguês procedam à apuração dos crimes contra militantes da esquerda. Nós da LBI, que desde 0 nosso Blog denunciamos mais esta sinistra ação criminosa da extrema direita, continuaremos a defender a auto-defesa armada do movimento operário e popular, assim como a construção de organismos independentes dos explorados para apuração, julgamento e punição dos criminosos fascistas.  

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS URUGUAI: OUTRO GOVERNO DE FRENTE POPULAR CAIRÁ SEM LUTA DIANTE DA EXTREMA DIREITA


Quem não se lembra do enorme prestígio político do ex-presidente uruguaio José (Pepe) Mojica, que foi considerado o “Lula dos Pampas”, com seu estilo de conciliador e ao mesmo tempo “radical” na defesa da democracia burguesa, seu partido a Frente Ampla (no governo há 4 gestões consecutivas) está muito ameaçado de ser derrotado pela extrema direita no segundo turno das eleições presidenciais que ocorrerão no próximo domingo(24/11). Na penúltima pesquisa de intenção de votos antes das eleições de domingo, a consultoria Cifra aponta uma diferença estreita entre o líder, o direitista Luis Lacalle Pou (Partido Nacional), com 47% das intenções de voto, e o candidato do atual governo da Frente Ampla, Daniel Martínez ,que tem 42%. Entre brancos e nulos, o número é de 5%, enquanto 6% ainda estão indecisos. No primeiro turno, Martínez teve 39% dos votos e Lacalle Pou, 28%, conseguindo uma virada à direita mais ou menos já previsível. Martínez afirma que quer “dialogar” diretamente com eleitores do partido Colorados, direita tradicional e com o partido da extrema direita Cabildo Aberto, apontando claramente qual será o eixo reacionário de seu governo após 15 anos de hegemonia da Frente Ampla. Como na Bolívia, onde o MAS de Evo Morales tentava sua permanência estatal após mais de uma década, ou no Brasil onde Dilma foi golpeada na quarta gestão da Frente Popular, o Uruguai seguirá o roteiro traçado pelo imperialismo ianque, que não permite que a esquerda reformista governe na América Latina consecutivamente por mais de uma geração (15 anos). 
NOVA ETAPA DO GOLPE NA BOLÍVIA: PARLAMENTARES DO MAS CELEBRAM ACORDO TRAIDOR COM A DIREITA PARA CONVOCAR “ELEIÇÕES TRUCHAS”, APUNHALANDO PELAS COSTAS A RESISTÊNCIA E LEGITIMANDO O GOVERNO TÍTERE DO IMPERIALISMO 


Os parlamentares do partido de Evo Morales, o MAS, acabam de celebrar um acordo traidor com a direita golpista, um pacto vergonhoso chancelado pelo ministério das colônias do imperialismo ianque, a OEA. Enquanto La Paz encontra-se cercada e diversos departamentos (Estados) completamente paralisados por conta da mobilização popular contra o golpe, os parlamentares do MAS na Câmara e Senado (onde são maioria) apresentaram o projeto de uma “Lei Excepcional e Transicional para a realização de Eleições Nacionais e Subnacionais” que determina a realização de eleições “truchas” que serão controladas pelo governo títere da Casa Branca e a OEA. “Consideramos dois projetos que são fundamentalmente coincidentes, nos quais os prazos devem ser reduzidos, como a eliminação de eleições primárias, prazos de qualificação e outras etapas, buscando que nesta semana, pelo menos no Senado, essa lei possa ser aprovada”, disse o Senador Óscar Ortiz, presidente da comissão que apresentou o projeto. "Saúdo as duas forças políticas (minoritárias) por terem participado hoje e chegado a um consenso”, disse a presidente do Senado, Eva Copa (MAS), anunciando a decisão de aprovar a "nova" lei eleitoral fraudulenta. Trata-se de uma legitimação dos golpista na presidência da república e uma punhalada pelas costas da resistência operária e popular, que vem heroicamente enfrentando nas ruas a repressão da polícia e das FFAA, o que já deixou dezenas de mortos e feridos. Com essa vergonhosa traição, o MAS aceita passivamente o governo parido do Golpe de Estado tramado por Camacho e Mesa, que levou impôs marionente Áñez na presidência, empossada por generais genocidas. Fizeram esse acordo mesmo após a presidente-fantoche ter assinado um decreto que dá plena impunidade para os militares assassinarem os manifestantes. A OEA, a ONU e a alta cúpula da Igreja obiviamente costuraram e avalizaram o acordo traidor! 

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

BRIGA NO INTESTINO FASCISTA: POLÍCIA DO GOVERNO WITZEL QUER “ENQUADRAR” CARLUXO NO ASSASSINATO DE MARIELLE


Acaba de “estourar” a notícia trazida pelo jornalista Kennedy Alencar (ex-Folha de São Paulo) acerca de uma informação de bastidor sobre as investigações da execução da vereadora Psosilista Marielle Franco na noite desta quarta-feira 20/19. A Polícia Civil do Rio trabalharia com uma nova hipótese, do envolvimento do vereador Carlos Bolsonaro nesta sórdida trama, que está há 616 dias sem solução por parte das investigações oficiais, seja estadual ou federal. Segundo a polícia civil do Rio de Janeiro, a investigação, aponta na direção do vereador Carlos Bolsonaro (Carluxo) que teria uma relação próxima com o Ronnie Lessa, acusado de ter disparado contra Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. Até aí nenhuma grande novidade, pois é público e notório que o clã fascista é um dos patrocinadores das milícias cariocas, há pelo menos mais de uma década. O fato revelado por Kennedy, seria a explicação do sumiço de Carlos Bolsonaro das redes sociais desde a semana passada. Também nas redes sociais não para de se divulgar que a famiglia fascista estaria com as “barbas de molho” por conta de um possível escândalo que ganharia grandes proporções na mídia corporativa. Não é segredo para ninguém da verdadeira guerra declarada entre o reacionário governador Wilson Witzel e o clã Bolsonaro, uma briga letal que se trava no próprio intestino do campo fascista. Infelizmente o PSOL e o conjunto da esquerda reformista insiste em legitimar o processo de investigação aberto por órgãos do Estado Burguês, seja a polícia de Witzel ou a PF de Bolsonaro e do justiceiro Moro. 
REUNIÃO ENTRE PT E O DEM: LULA QUER RODRIGO MAIA PARA VICE EM SUA CHAPA AO PLANALTO E O PCO SEGUE COMO UM CÃO FIEL A TRILHA DA COLABORAÇÃO DE CLASSES DO LULISMO AFIRMANDO QUE SE TRATA DE “PRINCÍPIOS PUROS DE CLASSE”...



Aumentaram os rumores nos bastidores políticos do PT que Lula pessoalmente já enviou emissários do seu partido para uma sondagem a Rodrigo Maia do DEM, acerca da possibilidade na formação de uma chapa presidencial conjunta para a disputa do Palácio do Planalto em 2022. Pode parecer absurda à disposição de Lula em estabelecer uma coligação com o reacionário e ultra neoliberal DEM (antigo PFL), mas não é bem assim...O partido que herdou grande espólio político do regime militar, e posteriormente serviu como braço direito aos governos Tucanos, vem sendo muito cortejado pela “esquerda” burguesa como PDT e PT e até o PCdoB. Como Lula só pensa nas eleições presidenciais como prioridade absoluta do PT, reafirmando esta “tática” na última reunião da Executiva Nacional do partido realizada em Salvador, não quer deixar que Ciro Gomes “abocanhe” sozinho este segmento da direita brasileira. Assim como nas eleições de 2018, o PT correu na frente para cooptar o golpista PSB, que já estava se preparando para uma aliança com o PDT de Ciro, Lula alertou ao seu partido que não “poderiam deixar escapar” Rodrigo Maia, considerado pelos petistas como uma “direita palatável”. Na presidência da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia vem impulsionando toda a pauta econômica rentista, como a destruição da Previdência Pública e as privatizações, porém vem estabelecendo críticas “contundentes” ao clã neofascista Bolsonaro, o que vem atraindo o PT para uma aliança eleitoral ainda mais ampla do que a costurada por Lula em 2002 e 2006. O PCdoB, outro parceiro fiel do PT, assim como o PCO, já sinalizou com seu apoio a esta iniciativa de trazer o DEM para o chamado campo da oposição ampla, dobrando a aposta que fizeram quando apoiaram Rodrigo Maia na disputa pela presidência da Câmara. 
20 DE NOVEMBRO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: LUTAR CONTRA O RACISMO É LUTAR CONTRA O CAPITALISMO! ORGANIZAR A RESISTÂNCIA DE TODA CLASSE TRABALHADORA AO GOVERNO BOLSORARO E SEUS ATAQUES NEOFASCISTAS, XENÓFOBOS E RACISTAS!


Todos os dias negros e pobres morrem nas favelas do Rio. As “balas achadas” do aparato repressivo do Estado burguês atingem crianças como Ágatha assim como jovens, adultos e  idosos da classe trabalhadora como denunciou o desenho de Latuf arrancado pelo canalha fascista deputado coronel Tadeu na Câmarda dos Deputados. A população pobre e trabalhadora negra está entre a maioria dos presos, dos explorados, dos desempregados, dos analfabetos, dos que têm sua religiosidade perseguida, dos que são assassinados por grupos de extermínio e dos que possuem o salário médio mais baixo dentre todos os setores da sociedade brasileira. Não por acaso, a mesma acumulação originária do capitalismo que aprisionou o negro na África e o escravizou no Brasil, joga-o nas favelas e cortiços das cidades, explorando-o nas indústrias, utilizando-o como exército de reserva para pagar menores salários. Não por acaso a decisão de “libertar os escravos” no 13 de Maio de 1888 não passou de uma formalidade baseada em uma necessidade econômica capitalista, que manteve a terra nas mãos dos grandes proprietários que conseguiram mão de obra assalariada barata face à inexistência para o escravo de uma opção que não fosse vender sua força de trabalho aos antigos senhores. Hoje, como ontem, os trabalhadores negros continuam lutando ao lado de seus irmãos de classe pela verdadeira abolição da escravidão, que só pode vir pela liquidação do modo de produção capitalista e não pela via de sórdidas campanhas hipócritas patrocinadas pela classe dominante e suas abjetas celebridades. Para o capital é necessário que o racismo continue existindo para justificar a desvalorização extremamente lucrativa para o capitalista da força de trabalho negra e parda. Basta verificar que hoje no Brasil o salário dos negros e pardos é metade ou 60% do salário médio pago aos brancos. Isto não é um mero produto de resquícios dos preconceitos escravistas ainda presentes na mentalidade das pessoas. 

terça-feira, 19 de novembro de 2019

POLÊMICA SOBRE STÁLIN: OS STALINOFÓBICOS QUE SE “ACHAM GRANDES INTELECTUAIS TROTSKISTAS”...


A figura histórica de Josef Vissariónovitch Djugashvili, mais conhecido no movimento comunista internacional sob o codinome de Stálin, requer um rigoroso balanço marxista de sua trajetória como um dos dirigentes da Revolução Russa, assim como de sua condução como Chefe do antigo Estado Operário da URSS. Não se trata de reproduzir simplesmente sua biografia política tendo como parâmetro a Secretaria de Comunicação do Departamento de Estado dos EUA, como desgraçadamente fazem uma plêiade imensa de “intelectuais” que se dizem Trotskistas. A “peste teórica” da stalinofobia vem servindo há várias décadas como instrumento aberto da contrarrevolução, sendo utilizada pelo imperialismo ianque para atacar não só os Estados Operários, mas também o conjunto de conquistas sociais históricas do proletariado em todas as partes do planeta. As duas principais vertentes que hoje debatem o chamado “legado” de Stalin, ou seja, os stalinofóbicos e os stalinofílicos, não servem como instrumento para a revolução socialista e nada tem a ver com a gigantesca herança teórica deixada por Leon Trotsky, em obras como a Revolução Traída, Stalin e Em Defesa do Marxismo, para citar só algumas elaborações magistrais. 

REVOLUÇÃO E CONTRARREVOLUÇÃO NA AMÉRICA LATINA

Atravessamos dias convulsivos na América Latina, tendo como palco principal a Bolívia e o Chile. Um Golpe de Estado derrubou Evo Morales, deixando um rastro de sangue pelos fuzis das FFAA enquanto no Chile mobilizações diárias questionam a gestão do direitista Piñera, que busca com o apoio da oposição burguesa convocar uma “reforma constituinte trucha”. Ladeando esses países irmãos, tivemos recentemente um levante popular traído no Equador pelas direções reformistas (CONAIE e Rafael Correa) além de eleições na Argentina que levaram de novo a centro-esquerda burguesa à Casa Rosada. No Brasil, o neofascista Bolsonaro segue firme na sua agenda neoliberal enquanto Lula faz caravanas em defesa da conciliação de classes, esperando o circo eleitoral de 2022 em busca de reestabelecer o “pacto social” com a burguesia. Nesse contexto de intensa luta de classes, fica evidente que a ausência de uma Partido Leninista com autoridade e peso de massas tem impedido que as revoltas populares assumam o caráter de revoluções socialistas e, ao mesmo tempo, possibilitado que as direções frente populistas (MAS, PT, Frente Ampla no Uruguay, Kirchinerismo) desgraçadamente por sua covardia política e traição abram caminho para o avanço da reação burguesa. Vimos esse quadro claramente na Bolívia, onde o Evo Morales fugiu para o México, deixando as massas sem uma direção política para resistir ao golpe genocida, ainda que estas venham protagonizando heroicamente uma luta para derrotar o novo governo títere do imperialismo ianque.
HAITI, REVOLTA EM MASSA E TERROR DO ESTADO: POR UM GOVERNO DOS TRABALHADORES E CAMPONESES!  POR UMA FEDERAÇÃO SOCIALISTA DO CARIBE! DECLARAÇÃO DA ICL (SPARTACIST LEAGUE/USA)


O Haiti está em um clima de grande revolta popular contra o regime notoriamente corrupto do presidente Jovenel Moïse, há quase um ano e meio.  Moïse, títere de Washington em Porto Príncipe, enviou policiais e gangues paramilitares contra manifestantes, matando dezenas de pessoas e ferindo centenas.  Por trás da revolta está um fato simples: a vida para a maioria dos haitianos se tornou cada vez mais insuportável neste país profundamente empobrecido, em meio à escassez de alimentos e combustíveis, falta de energia, desemprego em massa e inflação desenfreada.  Estas condições desumanas são um resultado direto da dominação neocolonial pelos imperialistas dos EUA, sob as administrações Democratas e Republicanas, e seus parceiros no crime, especialmente no Canadá e na França. Os protestos começaram em julho de 2018, quando o Moïse aumentou acentuadamente os preços da gasolina e de outros combustíveis em resposta as ordens do Fundo Monetário Internacional, dominado pelos EUA.  Os abutres imperialistas exigiram o fim dos subsídios de combustível como parte da conformidade com o acordo climático de Paris em 2016.  Enquanto a “caminhada de gás” foi arquivada, os protestos se intensificaram novamente.  Em novembro, bandidos paramilitares, com a ajuda de altos funcionários do governo, realizaram um massacre particularmente hediondo em La Saline, um bairro pobre de Porto Príncipe, onde muitos manifestantes moravam.  Cerca de 73 homens, mulheres e crianças foram torturados, cortados com facões e incendiados.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

LEIA A MAIS RECENTE EDIÇÃO DO JORNAL LUTA OPERÁRIA Nº 343, 1ª QUINZENA DE NOVEMBRO/2019


domingo, 17 de novembro de 2019

NA TRINCHEIRA DA DIREITA CONTRA A FRENTE POPULAR: PARTIDO OBRERO REVOLUCIONÁRIO DA BOLÍVIA DESCONHECE O “ABC” DO LENINISMO


“Apóiem o fuzil sobre o ombro de Kerensky e disparem contra Kornilov. Depois ajustaremos as contas com Kerensky”. As lições abstraídas por Lenin e Trotsky sobre a posição assumida pelos revolucionários diante da tentativa de golpe militar do reacionário general Kornilov contra o governo de colaboração de classes de Kerensky em agosto de 1917, poucos meses antes da tomada de poder pelos Bolcheviques. O POR (Lora) organização que é a maior referência histórica de Trotskismo na Bolívia, não sabe absolutamente nada de Leninismo e desgraçadamente ingressou na trincheira da extrema direita para derrubar um governo de Frente Popular encabeçado por Evo Morales do MAS. Porém o pior ainda estava por vir para aniquilar a trajetória de uma organização que se orgulhava de ter tido um dirigente, Guilhermo Lora, que redatou as históricas “Teses de Pulacayo” (1946), um norte programático que apontava a necessidade da tomada de poder político para os mineiros e operários da Bolívia. Consumado o golpe de Estado, com a covarde renúncia do presidente Evo Morales e todo seu staff político, empossado fraudulentamente um governo títere do imperialismo ianque, se instala no país uma enorme resistência espontânea de massas que começa a ser violentamente reprimida pelos golpistas. O POR frente a uma escolha elementar para uma corrente que se reivindica trotskista, ou seja, lutar com a forças da resistência contra o golpe (por mais heterogêneas que sejam), ou juntar-se ao bloco da reação (o que obviamente incluí o governo títere), os Loristas fixaram a segunda opção. A última edição do jornal do POR, Masas (15/11/19) afirma categoricamente que: "Evo foi derrotado pela grande mobilização popular”, negando qualquer evidência da existência de um ultra reacionário golpe cívico e militar na Bolívia, e ainda por cima em um escárnio cinico, pergunta: “Há um golpe em marcha na Bolívia?”. Isto quando o governo golpista, apoiado nas forças militares, já assassinou dezenas de ativistas da imensa resistência popular que hoje cruza todo o país andino. Entretanto para os cretinos revisionistas do POR, que ignoram o ABC do Leninismo com um discurso de fachada “esquerdista” e que na verdade representou a “quinta coluna” da oposição de direita ao antigo governo de colaboração de classes do MAS, essa realidade elementar não em nenhuma importância. Se é verdade que existiram grandes manifestações contra o governo Evo, estimuladas pelas denúncias de fraude eleitoral após o escrutínio de 20 de outubro, estes atos nunca carregaram um caráter progressista, no sentido inverso as mobilizações dirigidas pelo neoliberal Carlos Mesa e o fascista Luis Fernando Camacho assumiram um caráter pró-imperialista e racista, contra os povos originários e o proletariado urbano. Ironicamente o POR que afirmava que a classe operária boliviana já tinha superado as “ilusões eleitorais”, negando-se inclusive a apresentar-se como uma alternativa neste pleito, embarcou de “corpo e alma” nas marchas contra Evo que exigiam que se realizassem um segundo turno eleitoral, exatamente o contrário do que os poristas sustentavam... os protestos aconteceram pela reivindicação de uma nova eleição! A escandalosa posição do POR tem causado inclusive um certo desconforto político no interior de sua tendência internacional, o CERCI, não por acaso a TPOR brasileira defende a existência do golpe, ainda que de forma centrista colocou o termo entre aspas em sua primeira declaração sobre a Bolívia. Sob o manto do justo combate que o proletariado travou na oposição em mais de uma década de governo reformista burguês do MAS, o POR quer acobertar sua capitulação ao movimentismo da direita que forçou a renúncia de um covarde presidente que não tinha nenhum compromisso histórico com o socialismo marxista. 

sábado, 16 de novembro de 2019

MORTOS EM COCHABAMBA: GOVERNO TÍTERE REPRIME A RESISTÊNCIA AO GOLPE ENQUANTO O MAS COSTURA UM PACTO EM NOME DE “PACIFICAR A BOLÍVIA” PARA A ESTABILIZAR O REGIME BURGUÊS. CONSTRUIR A DEFESA MILITAR DOS TRABALHADORES E TRANSFORMAR OS CABILDOS ABERTOS EM ORGANISMOS DE PODER OPERÁRIO E POPULAR!


Nos últimos dias houve um incremento da violenta repressão as manifestações populares que resistem ao golpe de estado fascista na Bolívia. Em Cochabamba a polícia atacou uma marcha popular que se dirigia ao centro da cidade, assassinando quase uma dezena de ativistas. Na medida que cresce nas ruas a resistência incrementa-se os ataques do aparato repressor do Estado burguês. Já são dezenas de mortos nas ruas, com as FFAA e a polícia atacando as marchas por ordem do fraudulento “Governo de Transição”. Enquanto desfere a repressão, os golpistas estabelecem negociações secretas com a direção do MAS. Não por acaso, em um claro acordo com a golpista Jeanine Añez, houveram seções da Câmara dos Deputados e do Senado. A bancada do MAS (majoritário no parlamento) que estava sendo barrada na entrada dos prédios parlamentares, além de ter sido permitida seu ingresso e participação nas seções, elegeu a mesa diretora das duas casas legislativas e sinalizou um acordo mais estratégico om os golpistas. Como demagogia o MAS propôs e aprovou uma lei para que as Forças Armadas retornassem aos quarteis para “evitar mais mortes”, como se isso fosse possível dentro do Estado capitalista e em meio a um golpe de estado. Essa manobra distracionista foi seguida de uma proposta do recém eleito presidente da Câmara dos Deputados, Sergio Choque (MAS), para a elaboração de uma “agenda eleitoral para pacificar o país”. Tanto que o senador Omar Aguilar, também do MAS, em entrevistas de rádio afirmou “Nosso objetivo é pacificar o país, não é bloquear essa gestão de transição. Do México, Evo Morales acaba de lançar um Twitter afirmando: “Nuestro pueblo pide paz y concertación. Reitero mi convocatoria al diálogo de alto nivel con mediadores para pacificar nuestra querida Bolivia y preservar la vida y la democracia.”. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

130 ANOS DA “PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA” NO BRASIL: GOLPE MILITAR CONTRA AS VELHAS OLIGARQUIAS SEMI-FEUDAIS LIGADAS A MONARQUIA PARA IMPOR O CONTROLE DO ESTADO PELA BURGUESIA QUE AGORA “ENTRONOU” O NEOFASCISTA BOLSONARO COMO SEU GERENTE 


A “Proclamação da República” celebrada nesse 15 de novembro foi na verdade o primeiro golpe militar no Brasil. Desde a sua origem, a classe dominante brasileira sempre procurou controlar o essencial do poder regional e viver em situação subordinada com as elites estrangeiras, desconsiderando as necessidades essenciais da população pobre e dos trabalhadores. No período da monarquia, eclodiram movimentos liberais, federalistas e separatistas (Balaiada; Cabanagem; Revolta Farroupilha, etc.). Esses movimentos foram traídos no seu nascedouro pelas elites regionais, temendo a adesão dos explorados e dos trabalhadores escravizados. As oligarquias regionais semi-feudais sempre preferiram a subordinação imperial a pôr em perigo a ordem escravista, que foi um dos pilares da unidade territorial brasileira. Em 1880, o movimento abolicionista exigia o fim imediato da escravidão, sem indenização. A luta pela abolição transformou-se no primeiro grande movimento democrático nacional, com organização de fugas de escravos, onde homens livres e trabalhadores escravizados uniam suas forças. A reforma eleitoral; a universalização do ensino; a democratização da propriedade da terra eram propostas discutidas pelos abolicionistas. A partir de 1887, aumentaram as fugas organizadas para as cidades. Logo, o movimento assumiu um caráter massivo. Com as fazendas desertadas, vendo o fim inevitável da escravidão, os cafeicultores paulistas aderiram à defesa da imigração. A abolição da escravatura saiu vitoriosa e obrigou a elite a reconhecer sua derrota, com a Lei Áurea. O Brasil estava em permanente ebulição social desde 13 de maio de 1888 com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. A Questão Militar que vinha se arrastando desde 1883, com o debate em torno da doutrina do soldado-cidadão, que defendia a participação dos oficiais nas questões políticas e sociais do país, teve uma conclusão repentina, com o golpe militar republicano de 15 de novembro de 1889. A derrubada da Monarquia, que de imediato foi sem derramamento de sangue, terminou por provocar reações anti-republicanas. Assim, em 15 de novembro de 1889, alguns soldados comandados pelo marechal Deodoro da Fonseca tomaram o Ministério da Guerra e depuseram o ministro e o presidente, o visconde de Ouro Preto. O imperador Dom Pedro II estava em Petrópolis com a família quando foi chamado com urgência à corte: o ministério Visconde de Ouro Preto tinha se exonerado. O governo tinha caído. Só quando chegou ao Palácio Imperial ficou sabendo que monarquia tinha caído.  A exoneração do ministério foi exigida pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, no comando de vários batalhões de oficiais e de soldados. Assim que a exoneração foi entregue a Deodoro ele se proclamou chefe do governo provisório e fechou a Câmara dos Deputados, para ninguém ter dúvida acerca de quem estava mandando. Estava consumado o primeiro golpe militar da história do Brasil. A monarquia caiu sem ter ninguém a defendê-la.