terça-feira, 12 de novembro de 2019

EVO ABANDONOU A RESISTÊNCIA AO GOLPE: CHEGA AO MÉXICO ENQUANTO SETORES CAMPONESES E OPERÁRIOS MARCHAM A LA PAZ SEM UMA DIREÇÃO QUE APONTE O CAMINHO DA LUTA


Após renunciar à presidência da Bolívia no último domingo (10/11), com o fracasso da vergonhosa manobra da convocação de novas eleições, Evo Morales chegou nesta terça-feira (12/11) ao México, onde foi recebido pelo chanceler, Marcelo Ebrard, que lhe concedeu asilo político em nome do governo de centro esquerda, encabeçado por Andrés Manuel Lopez Obrador. Evo já tinha se retirado da Capital La Paz, cercada por hordas fascistas lideradas pelo fanático Luis Fernando Camacho e outros similares de extrema direita. Evo tentou permanecer em um quarto mandato presidencial apoiando-se exclusivamente nas instituições do Estado Burguês, e na própria confiança do Departamento de Estado dos EUA que através da OEA sinalizou que aceitaria a decisão do MAS (partido de Morales) em concorrer novamente a presidência, apesar da decisão anterior contrária de um plebiscito nacional. Evo seguiu para as eleições de 20 de outubro convicto de que somente os “índices econômicos” positivos da Bolívia lhe garantiriam um estrondoso triunfo eleitoral. O governo do MAS afirmava que ao colocar mais de“três milhões de pessoas com acesso ao crédito e consumo” seria o suficiente para entrar para história como o presidente mais longevo da Bolívia, e num surto de ilusão com a “eterna gratidão” da burguesia por ter potenciado seus negócios e lucros com a expansão mercantil do país. Ledo engano reformista que custará muito sangue ao proletariado boliviano, “preço” muito menor que “pagará” o próprio Evo e seu grupo que está asilado em total segurança na capital mexicana. Desgraçadamente o MAS não soube abstrair as lições do golpe no Brasil, onde a burguesia rentista apesar de ter lucrado bilhões de dólares com os seguidos governos da Frente Popular, patrocinou uma trama golpista assim que os primeiros sinais da economia capitalista começaram a “patinar” como efeito da crise mundial. Ao elevar a condição de “prósperos consumidores” pesados contingentes das chamadas classes “C” e “D”, os governos da esquerda reformista pensavam contar com a “fidelidade política” destes setores sociais, outro grande equívoco letal...ter acesso ao consumo e elevar momentaneamente o padrão de vida não é o mesmo do que adquirir uma consciência de classe ou mesmo na pior das hipóteses “progressista de esquerda”, muito pelo contrário estes setores sociais ao verem ameaçador seus “novos hábitos” ao limiar de uma recessão econômica se voltam de forma violenta exatamente contra quem lhes promoveu o acesso ao consumo, no caso o governo da Frente Popular. Na Bolívia a história se repete como tragédia, o governo do MAS acreditou que não precisaria organizar os operários e camponeses de forma independente do Estado Burguês para defender um novo mandato para Evo, bastaria a “gratidão do mercado”, porém o golpe fascista veio a cavalo... e a classe operária estava mais uma vez completamente desarmada, política e belicamente falando. Evo foi “traído”, se é que possamos usar este termo nesta situação, por um motim policial generalizado que começou a receber ordens diretas dos “Comitês Cívicos” de Santa Cruz, logo na sequência o alto comando das Forças Armadas também comunicou ao governo do MAS que não estava sob sua disciplina. Esta mudança qualitativa na conjuntura, após quase um mês de conflitos e manifestações da oposição em todo o país, configurou o desfecho final do Golpe de Estado, com a bênção da OEA e da embaixada norte-americana, que postergaram até o último momento o “abandono aos leões fascistas” do presidente retirante. Sem a mínima disposição política de enfrentar o “golpe gorila” com os métodos de luta da classe operária, Evo faz um deplorável pronunciamento de renúncia, implorando aos chacais fascistas que respeitem a vida dos apoiadores do MAS, enquanto um setor das massas mais combativo e consciente estava disposto em iniciar a resistência. Fica claro que sem uma direção política que organize a luta consequente contra os golpistas, a resistência acabará sufocada, já no México Evo faz um demagógico chamado a um incerto “futuro eleitoral”, do qual estará vivo para participar... enquanto a esquerda Trotskista (POR) afirma cinicamente que “Camacho quer ocupar o vazio”, justamente cavalgando no mesmo movimento que derrubou o governo do MAS, apoiado pelos Loristas acriticamente. A tarefa imediata para as massas combativas do Altiplano é construir sua própria defesa militar, diante das atrocidades golpistas que já estão ocorrendo. Evo covarde e apologista da conciliação de classes, deve ser superado pela própria experiência dramática da classe operária boliviana. Fascistas não serão absolvidos no grande Tribunal da História revolucionária dos povos!