Duas criaturas do Império (Al Qaeda e EI) se apresentam como
patrocinadoras do atentado em Paris, será mesmo verdade?
Durante o regime nazista na Alemanha a polícia política de
Hitler não tinha muita "dificuldade" em sempre apontar os mesmos
culpados para cada crime que ocorria em Berlim: comunistas e judeus sempre eram
os responsáveis! Mesmo no atentado que quase tirou a vida do Fuhrer, organizado
por comandantes dissidentes da própria Gestapo, os comunistas que em sua
esmagadora maioria estavam presos ou mortos acabaram "assumindo" a
autoria. Na atual "era do combate ao Terror" parece ocorrer algo
parecido, ou seja, os responsáveis por ataques terroristas são sempre os
mesmos, segundo a CIA pelo menos. O fim da Guerra Fria fez com que o
imperialismo ianque produzisse outra geração de "inimigos viscerais"
da "democracia americana", agora não são mais os comunistas os "vilões"
que ameaçam o "American Way of Life", mas os bárbaros muçulmanos e
suas organizações terroristas. O Tio Sam só "esqueceu" de dizer que
os tais grupos terroristas foram criados por ele próprio para combater
militarmente a antiga União Soviética. Os "jihadistas santos" do
Afeganistão deram origem a atual Al Qaeda, foram treinados, armados e
financiados pela CIA para derrubar um governo nacionalista e laico que mostrava
simpatias pelo regime soviético. Combateram o Exército Vermelho, forçado a
ocupar Kabul diante da barbárie fundamentalista, com munição enviada
diretamente pela OTAN. Até então para o governo Reagan, Osama Bin Laden era um
herói e aliado fiel dos EUA enviado ao Afeganistão pelos amigos da dinastia
Saud que governa a Arábia. Avançando no tempo chegamos ao 11 de Setembro de
2001, quando os antigos "guerreiros mujahideen" foram declarados
inimigos mortais do Império e considerados como "terroristas".
Presumia-se que Washington cortaria totalmente suas relações com uma
organização extremista acusada pela morte de cerca de mil cidadãos norte-americanos,
certo? Errado! Não demorou muito para a OTAN "contratar" novamente os
serviços militares da Al Qaeda, desta vez na Líbia em 2011, para depor o regime
nacionalista burguês do coronel Kadafi. Contentes com os resultados na Líbia,
onde os mercenários fundamentalistas destruíram o país para traficar o petróleo
para os EUA, o governo Obama repetiu a dose e foi buscar um subproduto
decomposto da Al Qaeda (o EI) para atacar o regime de Assad na Síria, só que
desta vez se deram mal! Com o fiasco da Síria o EI (Exército Islâmico) acabou
por se "desgovernar", acusando a Casa Branca e seus aliados políticos
na região de "alta traição". Agora a CIA afirma ter provas da
responsabilidade da Al Qaeda nos atentados terroristas contra o periódico
Charlie Hebdo, também noticiaram que o EI teria saudado os irmãos Said e Chérif
Kouachi pelo "heroísmo da ação". Segundo a "inteligência"
ianque um dos irmãos Kouachi teria recebido treinamento militar no Iêmen, não
por coincidência no mesmo local que a CIA formou os "combatentes"
contra Kadafi e Assad. As forças de segurança da França estão mobilizando mais
de 50mil efetivos na caçada aos supostos "irmãos terroristas", o
estranho é que a poucos metros do palácio presidencial a ameaçada sede do
Charlie Hebdo não contasse com a proteção de mais de dois policiais, ao que
tudo indica sem nenhum preparo para enfrentar um ataque terrorista. O certo
mesmo é que não existem elementos suficientes para apontar a Al Qaeda ou afins
como patrocinadoras do covarde ataque, ainda mais quando sabemos que estas
"criaturas" dos EUA são infiltradas até a medula de agentes da CIA.
Por sua vez a extrema direita da França já declarou "guerra ao
islamismo", indicando que as vítimas do Charlie Hebdo servirão muito bem
aos seus propósitos neonazistas. O cenário político europeu vai caminhando para
uma xenofobia que muito interessa aos planos do imperialismo ianque,
principalmente para tentar concluir suas "tarefas" pendentes na Síria
e Iraque e iniciar uma ofensiva contra o Irã, principal inimigo militar do
Estado Sionista no Oriente Médio. Os atentados de Paris não são uma ameaça a
suposta "liberdade de expressão", que no modo de produção capitalista
só pode existir plenamente para a imprensa corporativa e seus milionários meios
eletrônicos, são na verdade um grande ataque a luta das nacionalidades
oprimidas (incluindo suas culturas e religiões). A partir do massacre no
Charlie Hebdo, seja quem for o autor (ou os autores em parceria) a CIA ou a Al
Qaeda, uma correlação de forças bem mais defensiva surgirá na conjuntura
mundial, fundamentalmente para a esquerda revolucionária que combate
vigorosamente a ofensiva imperial contra os povos.


















