terça-feira, 6 de julho de 2021

FRIDA KAHLO É REVERENCIADA PELA ESQUERDA REFORMISTA... APESAR DA STALINISTA TER SIDO CÚMPLICE DO COVARDE ASSASSINATO DE TROTSKY

Conhecida internacionalmente como Frida Kahlo, Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, nasceu em Coyoacán, no México, em 6 de julho de 1907. A pintora mexicada junto com o seu então companheiro, o muralista Diego Rivera, conseguiram a concessão de exílio para Trotsky no México e o acolheram quando o "Velho" foi obrigado a deixar a URSS por perseguição de Stálin, uma caçada política e humana que se estendeu por todo o planeta, inclusive na Noruega, último país a abrigá-lo antes da partida forçada para as terras de Pancho Villa. Em 1929, Diego casou-se com Frida Kahlo, ano em que foi expulso do Partido Comunista Mexicano (PCM) por divergências com a orientação política imposta pela burocracia stalinista. No ano de 1933 o pintor produziu o magistral painel “A III Internacional de Lenin e Trotsky”. Ele ingressou em 1936 na seção mexicana, a Liga Comunista Internacional (LCI), vindo a se afastar anos depois. Depois um tempo de intensa e turbulenta convivência pessoal e política no México eles romperam com Trotsky, sucumbiram diante da pressão e voltaram ao berço do Stalinismo. Kahlo inclusive fez um ato-retrato em 1954 em homengem a Stálin, o mandante político do assassinato de Trotsky!

Em seu diário, Frida também cita o erro político de aproximação com Trotsky: “Soy um ser yo comunista. Sé que lãs Orígenes centrales se unen em raices antiguas. He leido la Historia de mis pais y de casi todos los pueblos. Conozco ya SUS conflictos de clase y econômicos. Comprendo claramente La dialéctica materialista de Marx, Engels, Lenin, Stalin y Mao Tsé. Los amo como a los pilares delnuevo mundo comunista. Ya comprendí el error de Trotsky desde que llegó a Mexico. Yo jamás fui trotskista. Pero en essa época 1940 – yo era solamente aliada de Diego (personalmente) (error político). (…) Soy solamente uma célula Del complejo mecanismo revolucionário de los pueblos por la paz y de los pueblos nuevos, sovieticos – chinos – checoeslovacos, polacos – ligados em la sangre a mi propria persona. Yaal indígena de México. Entre esas grandes multitudes de gente asiáticas siempre hábra rostros míos – mexicanos – de piel obscura y bella forma de elegância sin limite, también estarian ya liberados los negros, tan hermosos y tan valientes.”

Sobre o muralista mexicano e sua experiência na IV Internacional, Trotsky escreve “Burnham foi considerado em certo momento como ‘um bom elemento’? Sim, o partido proletário em nossa época deve fazer uso de cada intelectual que possa contribuir para o partido. Gastei muitos meses com Diego Rivera, para salvá-lo para nosso movimento, mas não tive êxito. Mas cada Internacional teve uma experiência deste tipo. A Primeira Internacional teve problemas com o poeta Freiligrath, que era também muito caprichoso. A Segunda e a Terceira Internacionais tiveram problemas com Máximo Gorki. A Quarta Internacional, com Rivera. Em todos os casos, separaram-se de nós” (Sobre o Partido “Operário”, 7 de Agosto de 1940). Tanto que em 1952 Diego pintou Stálin no Mural “Pesadelo de Guerra. Sonho de Paz”, em uma referência artística a política mundial de coexistência pacífica do Stalinismo, o que foi feito também pela própria Frida em 1954, um auto-retrato com Stálin. 

Em 1938, no texto, "Arte e política em nossa época", Trotsky prestou homenagem à contribuição específica de Rivera à arte e à sociedade: “No campo da pintura, a revolução de outubro encontrou seu maior intérprete, não na URSS, mas no distante México. … Cultivado nas culturas artísticas de todos os povos, todas as épocas, Diego Rivera permaneceu mexicano nas mais profundas fibras de seu gênio. Mas aquilo que o inspirou nesses magníficos afrescos, que o elevaram acima da tradição artística, acima da arte contemporânea, em certo sentido, acima de si mesmo, é a poderosa explosão da revolução proletária. Sem o mês de outubro, seu poder de penetração criativa no épico de trabalho, opressão e insurreição nunca teria atingido tamanha amplitude e profundidade”.

O esforço artístico de Rivera é indelével, mas ele e Frida não se mostraram imunes às imensas pressões e traumas de meados do século XX. O assassinato de Trotsky em 1940, combinado com as traições do stalinismo, a ascensão e os crimes do fascismo e os horrores da Segunda Guerra Mundial, desorientaram uma camada cada vez mais cética e pessimista de artistas e intelectuais que escolheram acreditar que o stalinismo apresentava a continuidade de Outubro.  

Rivera, perdendo a confiança na classe trabalhadora e a capacidade da Quarta Internacional de construir uma liderança revolucionária, caiu na armadilha da confusão e da desmoralização. Ele fez inúmeras tentativas de se juntar ao PCM e foi finalmente readmitido em 1954.

Rivera visitou a União Soviética pela segunda vez em 1955-56 para procurar tratamento contra o câncer no Hospital Botkin, em Moscou. Cobaltoterapia - o tipo de tratamento que Rivera recebeu - estava mais avançado na União Soviética e ainda não disponível no México. Como Rivera, a União Soviética sofreu profundas mudanças ao longo de 30 anos. 

A desorientação política de Rivera talvez seja melhor ilustrada por sua amizade contínua com Siqueiros, que liderou a primeira tentativa de assassinato da vida de Trotsky em maio de 1940. Siqueiros visitou Rivera enquanto ele estava no hospital. A essa altura, Rivera não era especialmente honesto consigo mesmo ou com os outros. 

Em seus comentários na época, é difícil, talvez impossível, separar o genuíno apreço pelos avanços feitos pela sociedade soviética e o que foi um esforço para favorecer o regime pós-stalinista e o aparato internacional. “Estou vivendo em uma nova sociedade, composta de pessoas que são verdadeiramente seres humanos”, escreve Rivera. “Que sutileza, que firmeza, que clareza de pensamento, que delicadeza de sentimento e que simples e constante simpatia e bondade!”. 

Com essas posições de apologistas do Stalinismo e sem qualquer crítica a sua política de colaboração de classes que acabou por destruir por completo a III Internacional, o magistral muralismo mexicano estava morto já no final da vida para as posições revolucionárias e internacionalistas. Frida e Diego se tornaram ferrenhos defensores de Stálin após a morte de seu antigo hóspede na Casa Azul.

Frida Khalo, a stalinista que até hoje é reverenciada pela esquerda reformista, se tornou cúmplice (seja pelo seu silêncio seja pelas suas posições políticas depois que rompeu com o nosso chefe revolucionário), do covarde assassinato de Trotsky, mesmo após ter um efêmero "afiar" no México com o fundador da IV Internacional!