domingo, 22 de setembro de 2019

37 ANOS DO MASSACRE DE SABRA E SHATILA: MANTER VIVO O COMBATE AO ENCLAVE SIONISTA E GENOCIDA DE ISRAEL!


“Escute, eu sei que você está gravando, mas eu pessoalmente
gostaria de ver todos eles mortos... Eu gostaria de ver todos
os palestinos mortos porque são uma doença em
qualquer lugar que vão.” (Tenente do exército israelense
ao invadir o Líbano, 16 de setembro de 1982)

Passados 37 anos do mais sangrento genocídio contra o povo palestino da história, ainda está presente a ação covarde das Falanges maronitas (aliadas de Israel) contra os campos de refugiados de Sabra e Shatila no oeste de Beirute, Líbano, na macabra noite de 16 de setembro de 1982, em meio à guerra civil deflagrada após o assassinato de um líder da extrema-direita cristã. Neste contexto de guerra, Israel invade o Líbano em junho de 1982. Poucos meses depois iria consumar um ato nitidamente inspirado nos métodos nazistas de extermínio, um ataque a uma população completamente desarmada e pega de surpresa, sem qualquer poder de se defender ou de reação. Os campos de refugiados palestinos foram invadidos pelas falanges da extrema direita cristã explicitamente estimuladas pelo exército israelense que “garantia a salvaguarda” dos palestinos. Mas ao invés disso, sob o comando do facínora genocida Ariel Sharon, forneceu armamentos pesados, sinalizadores para iluminar os caminhos da invasão, tanques etc. Tanques Merkeva, que partiram de Israel, cercavam os dois campos de (concentração) refugiados palestinos, impediam que crianças, mulheres grávidas, idosos e outros civis escapassem do massacre. Foram mais de 62 horas de um terror extremo, sem precedentes na história contra uma população indefesa, cujo resultado foi o assassinato de aproximadamente 3.500 civis que já viviam em uma situação de miséria e abandono. Uma típica política de extermínio étnico, uma vez que se trataram de execuções sumárias com requintes de crueldade: estupros, facadas (degola), tiros na nuca, esquartejamentos... O pretexto para um crime desta magnitude foi o assassinato do líder falangista Bachir Gemayel poucos dias antes supostamente – nunca comprovado – por um palestino. O genocídio não poder ser encarado como um fato isolado: envolveu um enorme operativo de guerra, um jogo “diplomático” articulado desde a Casa Branca, o enclave militar de Israel e a conivência da OLP de Arafat.

O massacre ocorreu quando a minoria maronita, que expressava os interesses da alta burguesia nacional libanesa aliada ao capital imperialista, viu sua supremacia ameaçada pela ascensão política da maioria muçulmana (sunitas e xiitas) e da esquerda nacionalista, que se apoiavam nas lutas dos explorados libaneses e dos refugiados palestinos, explodiu a guerra civil no país (1975-1989). Refugiados no sul do Líbano, espalhados em acampamentos próximos às principais cidades, os palestinos estabelecem uma importante aliança com a resistência dos trabalhadores libaneses em luta contra o regime títere do imperialismo francês. Estava mais uma vez colocada a possibilidade de uma revolução, desta vez com características nitidamente proletárias, já que a divisão social estabelecida no Líbano, rotulada pela imprensa mundial como sendo entre cristãos versus mulçumanos, refletia na verdade diretamente a luta entre explorados e exploradores. Em função da ameaça da perda do controle no Líbano, o imperialismo francês aciona seu enclave na região, que sob o comando nazi-sionista Menahem Beguin desencadeia em junho de 82 uma operação militar de invasão do Líbano, chamada cinicamente de “paz na Galiléia”. Agindo em conjunto com os milicianos falangistas, o exército sionista massacra mais de três mil civis nos acampamentos palestinos de Sabra e Shatila.

Durante a guerra civil, a direita maronita, organizada na Falange, aliou-se ao sionismo que financiou a criação das milícias falangistas, armadas e treinadas pelo Exército israelense e o Mossad. Em 16 de setembro de 1982, foram essas milícias que, cumprindo ordens do Exército sionista comandada pelo assassino Ariel Sharon, invadiram os campos de Sabra e Shatila e chacinaram cruelmente mais de 3.000 refugiados palestinos, a maioria idosos, mulheres e crianças indefesas. Esse massacre, realizado ao estilo dos pogroms nazistas, foi apresentado pelos falangistas como uma vingança pela morte de Bachir Gemayel, que havia sido eleito presidente e assassinado naquele mesmo mês de setembro, antes de sua posse. Substituindo Bachir, seu irmão Amin Gemayel assumiu a presidência da república libanesa.

Poucos meses antes do massacre, Ronald Reagan mediou um acordo entre o enclave sionista de Israel e a OLP a fim de “encontrar uma solução” para os refugiados palestinos no Líbano e a guerra civil, com vistas a instalar um governo títere no Líbano. Pura enganação, haja vista que o imperialismo tratava de fortificar seu domínio geopolítico na região, ao mesmo tempo em que visava aniquilar qualquer possibilidade de organização política palestina contra sua hegemonia, se valendo de seu cão de guarda israelense. Após várias rodadas de negociações, a OLP aceitou sair do Líbano, consumando uma traição sem comparativos na história da luta do povo palestino, deixando para trás milhares de refugiados civis desprotegidos. As bases do “acordo” foram que Israel e os EUA garantissem não atacar os palestinos. No entanto, somente a OLP “cumpriu” sua parte... Enquanto isso, Sharon reunia-se secretamente com partidários de Gemayel para “a necessidade de o partido vingar-se do assassinato de Bachir” (Times, 21/2/1983) com plena aquiescência do imperialismo ianque.

Hoje a situação dos campos de (concentração) refugiados palestinos pouco mudou, a não ser o fato de ter aumentado o nível de penúria e opressão, não há infraestrura de água potável, saúde, alimentação, imperando a miséria extrema. Com o passar de 37 anos, a OLP, convertida em Autoridade Nacional Palestina (ANP) de Abbas, transformou-se em polícia repressora de seu próprio povo após reconhecer a existência de Israel. Quando atravessamos atualmente um período de ofensiva militar do imperialismo ianque no Oriente Médio sobre a Síria e agora o Irã, os Marxistas Leninistas devem levantar a bandeira de apoio incondicional aos combatentes palestinos que ao lado do Hezbolah lutam pela destruição do Enclave sionista e genocida de Israel. Por estas razões, mais do que nunca, para honrar os mortos de Sabra e Shatila e os milhares de palestinos trucidados ao longo do combate contra o exército israelense e o imperialismo ianque, é necessário defendermos todos os povos ameaçados de invasão pelas grandes potências capitalistas. Os Marxistas Revolucionários devem ter como eixo programático a formação de uma frente única militar, com absoluta liberdade de ação, com todas as forças políticas que se enfrentam e trabalham pela derrota da OTAN e a destruição do enclave de Israel no Oriente Médio: na Palestina, Síria e Irã... Só há uma saída progressista para conter a barbárie capitalista, a derrota do inimigo número um de todos os povos do planeta, o imperialismo e a liquidação da máquina de guerra sionista.