domingo, 23 de fevereiro de 2020

EM FEVEREIRO DE 1933 NASCEU NINA SIMONE: A COMPOSITORA NEGRA COM SUA BELA VOZ REBELDE FOI UMA ENGAJADA MILITANTE NA LUTA REVOLUCIONÁRIA CONTRA O RACISMO NO CORAÇÃO DO MONSTRO IMPERIALISTA!


Nina Simone, nasceu em 21 de fevereiro de 1933, no estado da Carolina do Norte, estado do sudoeste dos EUA e fronteira com alguns dos pontos nevrálgicos dos conflitos raciais. Eunice Waymon, nome de nascimento da artista, sofreu desde pequena os males do racismo. Contudo, desde os primeiros contatos com as teclas de um piano, colocou na cabeça que seria a primeira pianista clássica negra dos Estados Unidos e foi à procura do sonho. O tempo passou e já respondendo pelo nome de Nina Simone, a jovem conquistou o público com um estilo que unia jazz, blues, música clássica e gospel. Em função de canções como ‘I Loves You Porgy’, Nina, mulher e negra, era disputada por importantes casas de espetáculos conhecidas pela predominância branca, como o Town Hall em Nova Iorque. Negra e de origem pobre, se destacou pelo seu talento com a música. O sucesso da cantora crescia em compasso com os conflitos raciais. Muitos foram os rastilhos para a fúria dos negros, sendo o massacre de 1963 um dos mais marcantes, quando quatro crianças negras foram mortas num atentado racista numa igreja batista na cidade de Birmingham, no Alabama, logo após o assassinato do ativista Medgar Ever no Mississippi. Os fatos despertaram um sentimento novo em Simone, que percebeu o significado de ser negra nos Estados Unidos. Um momento crucial para a carreia da cantora, que resolveu transformar a sua arte em política, tornando-se num símbolo de expressão dos direitos civis e da luta do movimento negro. Suas canções destacavam uma mensagem de luta de todo o povo negro diante da dura vida como a que teve nos EUA, com descriminação e perseguição política. 


Em 1964 fez uma homenagem a Medgar Evers, ativista da luta pela igualdade que foi assassinado no Mississipe por um membro da Ku Klux Klan. A canção se chama  Mississippi Goddamn (Maldito Mississipe). O primeiro e duro recado da artista para as injustiças do país veio com ‘Mississippi Goddam’ (Mississippi puta que o pariu na tradução livre), que expressa toda a sua raiva e indignação acerca da situação dos homens e mulheres negros dos EUA. A faixa era um hino político e as suas letras cheias de raiva e desespero contrastavam com o conhecido repertório da artista e deixavam claro o objetivo de Simone de usar a sua música como mais um instrumento a favor dos direitos civis.
Determinada, Simone continuou mergulhada num momento considerado decisivo para a comunidade negra e continuou a dedicar toda a sua produção musical ao assunto. Em 1968, o movimento dos direitos civis sofreu outro duro golpe, a morte de um dos seus principais líderes, Martin Luther King, morto aos tiros em 4 de abril de 1968. O facto mexeu muito com Sinome que mais uma vez recorreu ao talento musical para expressar os seus sentimentos e escreveu a canção ‘Why? The King of Love is Dead’ (‘Porquê? O Rei do amor está morto’ na tradução livre), cantada por ela três dias depois numa performance emocionante no enterro de Doctor King. No ano seguinte Simone, grande amiga da escritora Lorraine Hansberry, gravou um dos hinos dos direitos civis, ‘To Young Gifted and Black’, homenagem ao trabalho da amiga, conhecida por usar a arte como ativismo em prol dos negros e também por despertar a consciência política de Nina. No entanto, a guinada política de Nina não trouxe apenas benefícios para a cantora, que passou a ser negligenciada e evitada pelas casas de músicas, gravadoras e parte do público, que evitavam envolver-se diretamente com a causa. Esgotada com a violência dos conflitos e com a rejeição imposta por uma cultura ainda racista, Nina Simone resolveu afastar-se dos holofotes e deixou os Estados Unidos em 1970. Morou em Barbados, e em seguida passou um longo período na Libéria, depois Suíça, Holanda e França, onde acabou por fixar residência. O movimento dos direitos civis deixou feridas profundas na sociedade norte-americana ao mesmo tempo que inspirou e inspira jovens dispostos até hoje a mudar a realidade de homens e mulheres negros. Tal como antes, as artes e especialmente a música tem vindo a exercer um papel fundamental nas mudanças. Nomes como Erykah Badu, Lauryn Hill e muitos outros beberam na fonte e seguiram os corajosos passos de Nina Simone na procura por uma sociedade que precisa de aprender de uma vez por todas a conviver com as diferenças. Nina Simone faleceu em 21 de abril de 2003 na França deixando um legado ímpar para o mundo da arte e emblemático para a luta pelos direitos civis e igualdade racial.  Uma mulher com uma competência artística indiscutível e uma sensibilidade rara para tratar das desigualdades sociais, apontando a necessidade da luta pela sua superação revolucionária. O BLOG da LBI presta com esse artigo nossa homenagem a esta talentosa cantora, musicista e militante da luta contra o racismo e o capitalismo!