“COMPANHEIRO” ALCKMIN ENCONTRA O REFORMISTA STÉDILE: O OPUS DEI GOLPISTA APLAUDE A DOMESTICAÇÃO COMPLETA DO
MST
O vice-presidente da República, o Opus Dei Geraldo Alckmin (PSB), visitou a Feira da Reforma Agrária, promovida pelo MST em São Paulo, representando Lula e para aplaudir a completa domesticação do movimenta dos sem-terra. Acompanhado de líderes do movimento, incluindo João Pedro Stédile, Alckmin percorreu o local e cumprimentou apoiadores. Em um vídeo publicado nas redes sociais do MST, Alckmin aparece tomando sorvete. Enquanto isso a exquerda burguesa (PT, PCdoB, PSOL) e seus satélites como o PSTU e MRT ficam enaltecendo a suposta "combatividade" do MST, usando a criação da CPI na Câmara dos Deputados pela direita para blindar o movimento, quando na verdade essa iniciativa parlamentar serve apenas como cortina de fumaça para que Stédile e seu séquito reformista imponho ainda mais conciliação de classes à luta dos sem-terra.
A defesa de
ocupações somente em terras improdutivas, respeitando os limites impostos à
reforma agrária pela Constituição brasileira (e no último período nem isso!),
prova que efetivamente a direção do MST nega-se a promover uma ruptura com a
institucionalidade burguesa, mantendo ilusões no apodrecido regime capitalista,
buscando apenas retocá-lo, tanto se que aproxima de figuras abjetas como Alckmin.
O MST reivindica a reforma agrária apenas em terras
improdutivas e acaba bloqueando a luta dos sem-terra em terras devolutas e
muitas vezes sem solo agricultável. A política do MST gera até mesmo o comércio
rentável das desapropriações, levando os latifundiários a receberem um valor
muito superior por suas terras, pago pelo INCRA (Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária), a título de indenização, em função das
ocupações coordenadas pelo MST em suas propriedades devolutas. Até mesmo terras
em processo de desertificação recebem altíssimas indenizações do INCRA.
Essa política busca estabelecer um acordo com os governos de
plantão para impor uma reforma agrária sem abalar a estrutura fundiária. Ao
contrário dessa política de colaboração de classes, a resposta proletária à
questão da terra é a expropriação geral e revolucionária dos latifundiários sem
indenização, através de milícias camponesas, pelo fim do monopólio privado da
terra e a sua nacionalização, garantindo terra aos sem-terra e posseiros, bem
como a propriedade dos pequenos proprietários rurais, assegurando-lhes
assistência técnica, crédito subsidiado ou negativo e a comercialização da
produção.
O capitalismo, ao se desenvolver na agricultura, pouco a pouco vai passando para as mãos da burguesia financeira, dos bancos, dos industriais, dos grandes comerciantes e da burguesia agrária, as terras que antes eram pertencentes tanto aos latifundiários como aos camponeses pobres, apesar da maior parte do território nacional ainda estar nas mãos do latifúndio. O desenvolvimento desigual e combinado do capitalismo, enquanto levou novas máquinas e técnicas para o campo, também colocou em relevo um novo proletariado agrícola que vive em condições subumanas, sendo superexplorado por seus patrões, como no corte da cana para as grandes usinas de cana-de-açúcar, responsáveis pela fabricação do álcool.
As mais produtivas propriedades rurais
brasileiras estão hoje nas mãos de grandes monopólios industriais e
financeiros. Apenas 46 grandes grupos econômicos controlam sozinhos 20 milhões
de hectares.
Quase toda a produção agrícola é dominada por grandes
empresas agroindustriais pertencentes em maior parte aos grandes monopólios
nacionais e estrangeiros. 80% dos alimentos consumidos no Brasil, com exceção
das verduras e legumes, passaram por algum processo agroindustrial. Se
geograficamente a agroindústria representa pouco no que diz respeito à ocupação
do solo, do ponto de vista da produção e do PIB é o setor que alavanca a economia
agrária nacional. Os grandes monopólios e bancos controlam a produção agrária.
Por exemplo, a produção de tomates é controlada por 4 grandes monopólios:
Arisco, Gessy Lever, Círuis. O Grupo Votorantim é o maior produtor brasileiro
de laranjas e a Nestlê controlam o rebanho, da produção até a comercialização
da pecuária leiteira no Brasil.
Nestes casos, onde há o desenvolvimento capitalista da agricultura no campo, a tarefa revolucionária dos camponeses pobres e do proletariado rural é expropriar as grandes empresas agroindustriais, sem indenização, convertendo-as em propriedade coletiva sob a direção dos trabalhadores e não repartindo as terras em pequenas propriedades, o que acabaria com sua alta produtividade. Em síntese, é preciso levar a cabo a revolução agrária, como parte da luta pela revolução socialista.