quinta-feira, 19 de março de 2020

HISTERIA ACOVARDADA DA ESQUERDA REFORMISTA E NEGACIONISMO CRIMINOSO DA EXTREMA DIREITA: DUAS FACES DA MESMA MOEDA QUE IGNORAM O PAPEL DA GUERRA HÍBRIDA NA PANDEMIA DO CORONAVÍRUS


As primeiras notícias do surgimento epidemia de Coronavírus na província de Hubei, onde a doença foi oficialmente nomeada pela OMS por COVID-19 em 11 de fevereiro de 2020, levou a mídia corporativa mundial a uma larga (quase frenética) cobertura da situação sanitária chinesa, logo responsabilizada pelas mortes, que naquela altura já ameaçavam transbordar as fronteiras nacionais do país asiático. O governo chinês, e também seu povo acusado de barbarismo por supostamente ingerir víveres silvestres, foram “eleitos” os vilões da pandemia mundial por uma campanha criminosa veiculada diretamente pela Casa Branca, mas em plena “era Trump”  no curso de uma guerra comercial contra a China, não se poderia esperar outra posição do imperialismo ianque. Na dinâmica inicial da crise, quando as mortes na China começaram a chegar na casa das centenas e a contaminação do coronavírus alcançou milhares de pessoas, observadores científicos(e políticos também)minimamente atentos começaram a aferir que a epidemia na cidade Wuhan não se devia às supostas “péssimas condições sanitárias” da cidade, onde existia uma excelente rede de hospitais públicos, saneamento básico de qualidade em todas os distritos urbanos, atendimento social integral a população (escolas, creches, postos de saúde etc), inexistência de índices de desnutrição e miséria e por fim um índice de desenvolvimento humano equivalente a países imperialistas europeus, que por ironia da história logo depois foram “assolados” pelo coronavírus. Se desnudava que a estranha epidemia na China era mais um fator da guerra híbrida montada pelo imperialismo ianque, que teve um recrudescimento a partir do impulso dado pela CIA aos “protestos pela democracia” em Hong Kong. Não por coincidência em Wuhan se encontra um dos laboratórios do governo chinês especializado em guerra bacteriológica, uma das armas mais poderosas já testadas e utilizadas pelo Pentágono contra regimes adversários, nos EUA  existem pelo menos quatro grandes centros especializados na criação de vírus mortais voltados para a guerra bacteriológica, chamados de laboratórios “BSL-4”. Não seria muito difícil imaginar que no meio da intensa disputa pelo controle da tecnologia 5G, implantação da “Nova Rota da Seda” podendo ligar comercialmente 130 países a China, o imperialismo ianque assistiria passivo ao seu declínio econômico. Porém para o “mundo Disney” da esquerda revisionista do Trotskismo, toda a formulação da sabotagem da CIA contra a China não passa de mera “teoria da conspiração”, para esta esquerda que é crédula da mídia “murdochiana”, a pandemia de coronavírus não está ligada aos interesses militares e econômicos do imperialismo, foi simplesmente um produto viral das “péssimas condições sanitárias da China e descuido de seu governo ditatorial”. Por isso mesmo as correntes revisionistas são reféns da histeria de pânico criado pela mídia corporativa mundial, que com a cumplicidade da ONU/OMS ajudam os mercados e seus operadores rentistas a queimarem bilhões de dólares em títulos financeiros podres, que com a justificativa da pandemia são facilmente eliminados nas bruscas quedas dos pregões bursáteis. Obviamente que a epidemia não é uma ficção, já ceifou milhares de vidas e ameaça contaminar povos sem a mínima proteção social, ao contrário da China que já debelou a contaminação comunitária em seu país. Entretanto o elemento da manipulação imperialista sobre a pandemia, simplesmente não existe para a esquerda revisionista, limitam-se a reivindicar uma extensa pauta de reivindicações (corretas na maioria dos itens) ao Estado Burguês mas o pior é que ampliam a histeria acovardada para as massas, prognosticado a catástrofe mundial com milhões de mortos (enquanto hoje o número global gira em torno de dez mil) apontando o “recolhimento social” como única “ação correta e possível” para a classe operária mundial.

Para se ter uma pequena noção do alcance estatístico de doenças infecciosas letais que atingem países periféricos, como Brasil por exemplo, poderíamos citar a meningite, com um altíssimo grau de contágio e variações de cepas virais e bacteriológicas a doença contaminou somente no Brasil no ano de 2019 mais de 30 mil pessoas, levando a óbito cerca de 4,5 mil vidas, entre todas as faixas etárias, ou seja um número maior do que os mortos na China até o momento, onde o coronavírus já está praticamente debelado. Isso sem que a OMS, Ministro da saúde ou grande mídia tenham emitido um único alerta de precaução sobre uma possível epidemia no país. Obviamente sabemos que o fenômeno do coronavírus atinge outro patamar sanitário, permeando países centrais e imperialistas em uma escala muito rápida, como um vírus cultivado em laboratórios de alta tecnologia com fins militares, ou importado dos EUA ou traficado da própria China para sabotar a economia do país. Nos remete particular atenção o modo com que governos imperialistas “liberais de centro”, como Alemanha e França, tem orientado o resto do mundo a tomar medidas muito restritivas e antidemocráticas para a livre manifestação popular, em nome dos “cuidados contra a pandemia”, que em geral vem sendo seguidas pelos países de todos os espectros políticos da extrema direita até a esquerda social-democrata. A Argentina, governada pelo Peronismo, decretou uma “quarentena dura” para toda a população, ameaçando de prisão a qualquer cidadão que ponha o pés na rua, o Peru determinou toque de recolher, enquanto a Índia (vizinha da China e Irã) com quase 1,5 bilhão de habitantes sem a menor estrutura sanitária e hospitalar, não adotou nenhuma medida contra o coronavírus, que já contaminou no país cerca de 150 (cento e cinquenta) habitantes(0,0001%) até o momento. A esquerda reformista, de uma maneira geral “comprou” o roteiro novelístico oficial da OMS sobre as causas e ações de prevenção da doença, sem a mínima observação crítica, recomendando o recolhimento integral do povo em suas residências diante do provável “apocalipse” e uma trégua nas mobilizações sociais, lançando sua pauta de reivindicações ao Estado desde uma plataforma digital, sem luta direta.


A histeria provocada pelo surto do coronavírus é uma manobra muito bem planejada pela burguesia central imperialista, e não estamos falando de setores “out sider” como Trump e Bolsonaro por exemplo, para impor o avanço da ofensiva reacionária em escala exponencial. Medidas adotadas ou semi-adotadas, como a lei marcial, o toque de recolher e a anulação definitiva das garantias democráticas restantes e dos direitos e liberdades fundamentais de organização em todo o mundo, agora são aplaudidas pela esquerda reformista, com a justificativa de “preservar vidas humanas do contágio”. Se um governo pode levar o exército para as ruas por “medidas sanitárias”, este  também pode impor a censura típica de qualquer guerra, embora não precise mais impor por “decreto político”, pois é para isso que as corporações midiáticas entraram em cena para criar o pânico mundial, enquanto os mercados desabam e a produção industrial é drasticamente reduzida. Os grandes monopólios de comunicação digital querem que você leia apenas notícias veiculadas com o “selo de autenticidade”... deles é claro. A paranóia do coronavírus está servindo como treinamento, um verdadeiro “balão de ensaio” para um recrudescimento global dos regimes, testando a capacidade de reação das massas diante do novo quadro de correlação de forças, com a esquerda reformista já totalmente integrada ao “politicamente correto” da crise mundial. Para estes senhores revisionistas, greves, marchas e mobilizações multitudinárias das massas podem “fazer mal à saúde dos trabalhadores”...

Até o momento a pandemia do coronavírus tem sido muito menos letal do que a “Gripe Espanhola” de um século atrás, surto que na verdade começou nos EUA mas que muito convenientemente foi batizada com o nome do país europeu. Esta pandemia da Influenza afetou 500 milhões de pessoas em escala mundial, cerca de 27 por cento da população do mundo naquela etapa histórica e teve uma taxa de mortalidade de cerca de 10 por cento entre os infectados. Em contraste, o coronavírus, até o dia de hoje afetou menos de 100 mil pessoas em todo o mundo e tem uma taxa de mortalidade de cerca de menos de três por cento entre os atingidos pelo vírus. O curso que esta pandemia do coronavírus seguirá ainda não está claro, pandemias apresentam padrões estranhos, ainda mais esta que é um produto do bioterrorismo ianque. A Gripe Espanhola de 1918, depois de mostrar uma aparente remissão, retornou de uma forma muito mais virulenta numa segunda rodada, em outubro de 1918, até que depois desapareceu completamente num curto espaço de tempo. A situação da Itália e possivelmente da Espanha revela a gravidade da contaminação em relação ao completo despreparo do sistema de saúde de países imperialistas para debelar esta pandemia. Não queremos negar a gravidade destes fatos concretos, como procurou fazer no início da crise sanitária os governos da extrema direita, utilizando-se de um “negacionismo” arcaico e criminoso. A falência de um sistema de saúde mercantil, marca fundamental da era contemporânea do capitalismo decadente e neoliberal será responsabilizada na história pela morte de milhares de vidas humanas, da mesma forma a guerra suja travada pelo imperialismo ianque, que agora também recebe a “reação” letal de sua ação terrorista contra a China.


Embora a grande maioria das pessoas que contraiam COVID-19 tenha sintomas leves, como uma gripe, os idosos e aqueles com doenças crônicas subjacentes, como diabetes e lesões pulmonares, estão correndo um risco de vida terrível. Não existem em nenhum regime no mundo inteiro, a exceção da China, respiradores mecânicos para enfrentar uma epidemia desta dimensão. Portanto o coronavírus é uma ameaça letal para aqueles que estão nos degraus inferiores da sociedade capitalista, sem proteção estatal de nenhuma espécie, onde doenças galopantes já bem conhecidas são um produto da pobreza e falta de condições mínimas de uma vida digna. O funcionamento de um sistema de saúde baseado exclusivamente no lucro capitalista coloca os cuidados de saúde fora do alcance da grande maioria da população. Por isso os Marxistas lutamos pela estatização de todos os ramos da vida econômica e social, sob um planejamento central, controlado pelos organismos de poder da classe operária. Neste momento milhões de trabalhadores em todo o planeta estão perdendo seus empregos (sendo precarizados ou simplesmente eliminados pela fome e desnutrição), em consequência do colapso capitalista que utilizou o coronavírus “como um justo pretexto”, ao contrário do crash financeiro de 2008 quando os governos burgueses tiveram que admitir (socorrer) a “jogatina” dos rentistas com suas ações sobrevalorizadas. Não há outra alternativa para derrotar a barbárie que se avizinha que não seja a das ações ativas e diretas das massas. Recomendar como uma “receita segura” contra o coronavírus o recolhimento social, será ainda mais assassino para os trabalhadores do que a própria pandemia.