RUPTURA NO PCB: UMA “DISPUTA” ENTRE DOIS LADOS DA MESMA
POLÍTICA SOCIAL DEMOCRATA E PRÓ-IMPERIALISTA
Acaba de vir a público ácidas trocas de acusações entre
Jones Manoel e o Comitê Central do PCB após o primeiro ter sido afastado de
seus postos de direção estadual (Pernambuco) e nacional. O pano de fundo das
divergências, além de uma guerra interna por controle de aparatos, finanças e vaidades,
própria de uma legenda burocrática decadente, são as críticas
político-programáticas de Ivan Pinheiro (dirigente histórico e ex-Secretário Geral do PCB) reproduzidas amplamente por Jones Manoel nas redes digitais,
questionando as posições internacionais do CC do ex-partidão,
particularmente seu alinhamento com a chamada “Plataforma Anti-imperialista”,
uma articulação diretamente financiada pelo governo restauracionista chinês e
que tem certa simpatia da Rússia. Ivan e Jones acusam o CC de romper a política de
“neutralidade” na Guerra da Ucrânia, mas de fato o PCB publicamente manteve sua
política pró-imperialista de condenar “ambos os lados” (OTAN e Putin),
reafirmando sua demagogia “Contra a Guerra!”, uma orientação cínica que serve
diretamente a ofensiva militar dos EUA e da UE contra Moscou.
No texto “A crise do capital e o novo liquidacionismo” (17/06), o PCB responde as críticas de Jones Manoel declarando “Esta ação parte de uma pequena militância com pouca inserção de luta real na sociedade e com intenso engajamento nas redes sociais, muitas vezes, tomando esse espaço como ‘o espaço” privilegiado de lutas”.
O que o CC do ex-partidão “esquece” é que a legenda incentivou Jones Manoel a usar as redes digitais em sua política de “ampliação” no curso social-democrata e direitista, tanto que o youtuber postou fotos com o LavaJatista Caetano Veloso e fez rasgados elogios ao Papa Francisco, o mesmo que condenou a Rússia em sua guerra justa contra a OTAN na Ucrânia.
Enquanto Jones foi útil a linha oficial do PCB não recebeu qualquer crítica de publicamente se tornar um apêndice de Lulopetismo e do Vaticano! Tanto que o PCB, sem fazer qualquer crítica programática mais profunda a Manoel e Ivan (porque não existe de fato!) afirma “Um pequeno grupo fracionista, nesse momento, tenta operar a mesma prática no interior do PCB, numa luta interna desqualificada em busca do controle do Partido. Para isso, usam o mecanismo de recortar e colar, publicizando uma falsa polêmica que desvirtua o sentido da democracia interna, e ferem o centralismo democrático.”
Jones Manoel por sua vez declara em postagem no Facebook “Quando compartilhei o escrito do camarada Ivan Pinheiro denunciando a violação completa da política internacional aprovada no XVI Congresso do PCB, muitos camaradas apresentaram uma preocupação justa com a forma. Mas, camaradas, se formou hoje no CC do PCB uma maioria antileninista que não tem nenhum respeito pelo centralismo democrático, pelas resoluções congressuais, pelo nosso estatuto e que busca calar, constranger, boicotar e expulsar quem faz o debate político e a crítica nas instâncias corretas. Quando não podem calar os críticos, os perseguem (e centenas de militantes no Brasil estão passando pela mesma situação)” (17/07).
A crítica de Jones e Ivan ao PCB é por seu suposto alinhamento automático com a China, que acusam de financiar os encontros da “Plataforma Anti-imperialista” onde participam sistematicamente vários dirigentes nacionais do PCB, como Eduardo Serra e Edmilson Costa, insinuando um grau de corrupção material nesse relação, além de criticaram a pretensa “simpatia” do PCB ao lado russo na guerra da Ucrânia, rompendo a suposta política de “neutralidade” (inspirada na posição do KKE grego) e da própria China que buscar cinicamente uma “solução diplomática para o conflito” para não romper seus laços com a Governança Global do Capital Financeiro.
Neste ponto, a dupla Ivan Pinheiro e Jones Manoel faz um “zig-zag” oportunista, hora a esquerda ora a direita, mas sempre na linha de não se colocar pela derrota militar da OTAN, como o próprio PCB também o faz apesar de toda demagogia oca e vazia “Contra o Imperialismo!”, mas que não toma lado no conflito entre a aliança militar comanda pelos EUA contra a Rússia.
Como dissemos, os dois lados em disputa representam em graus diferentes a linha social-democrata e pró-imperialista que vem liquidando o PCB e o enterrando no pântano reformista, vereda que o impede de fazer oposição revolucionária o governo burguês de Lula&Alcmkin e adotar uma posição Leninista da guerra da OTAN contra a Rússia!