quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

CAZAQUISTÃO VIVE REBELIÃO POPULAR CONTRA POLÍTICA NEOLIBERAL DOS RESTAURACIONISTAS: NENHUM APOIO A INGERÊNCIA IMPERIALISTA NO PAÍS EM NOME DA DEMOCRACIA 

Almaty, a capital econômica do Cazaquistão, uma antiga república soviética, viu cenas de caos na noite passada, com a polícia dispersando com granadas de atordoamento e gás lacrimogêneo milhares de manifestantes indignados com o aumento no preço do gás. O governo desta ex-república soviética na Ásia Central forçou a renúncia de vários membros do governo para tentar acalmar a situação,  porém não adiantou nada e milhares de manifestantes apreenderam equipamentos militares, além de veículos policiais para tentar invadir a sede do governo. 

O presidente Kassym Jomart Tokayev impôs o estado de emergência em Almaty, a maior cidade do país, e em uma região ocidental rica em hidrocarbonetos, após protestos sem precedentes contra o aumento dos preços da energia. O presidente Tokayev assumiu o cargo em 2019, pessoalmente escolhido como seu sucessor pelo "líder fundador" do país, Nursultan Nazarbayev. Mas Nazarbayev, que governa o Cazaquistão desde 1989, mantém o controle político do país como presidente do conselho de segurança e "líder da nação”.

O Ministério do Interior relata que há mais de 200 manifestantes detidos. Tokayev decretou estado de emergência de 5 a 19 de janeiro em Almaty (sudeste) e na região petrolífera de Mangystau (oeste), onde eclodiram os protestos.  Isso implica a imposição de um toque de recolher em ambos os territórios das 23h00 às 19h00.

Anteriormente, o presidente cazaque havia se dirigido à população em um vídeo postado nas redes sociais para pedir cautela e não ceder a provocações. A polícia disparou granadas de atordoamento e gás lacrimogêneo contra uma multidão de cerca de 50.000 pessoas, que cresceu enquanto marchavam pelo centro da cidade gritando palavras de ordem antigovernamentais.

Os serviços de mensagens WhatsApp, Telegram e Signal não funcionavam à noite no Cazaquistão, país onde tais concentrações são raras. O movimento contra o aumento dos preços do gás começou no fim de semana na cidade de Zhanaozen, no coração da região oeste de Mangystau.

A cidade foi palco dos distúrbios mais mortais do país no passado, desde sua independência da União Soviética em 1991. Em 2011, pelo menos 14 trabalhadores de usinas de petróleo foram mortos quando a polícia reprimiu um protesto pedindo melhores instalações. remunerações.

O movimento atual se espalhou para a grande cidade regional de Aktau, às margens do Mar Cáspio, onde imagens postadas nas redes sociais mostraram a polícia em torno dos manifestantes na noite de segunda-feira. O reacionário presidente tuitou na terça-feira que as autoridades decidiram reduzir um litro de gás em Mangystau de 120 para 50 tengue (US $ 0,11) para "garantir a estabilidade do país", embora ele não tenha conseguido reprimir os protestos.

Pequenas marchas também foram realizadas na capital Nur-Sultan (antiga Astana), em homenagem ao ex-presidente Nursultan Nazarbayev, que em 2019 escolheu Tokayev como seu sucessor. O Kremlin já enviou tropas ao país vizinho, que há anos atrás aderiu a um acordo militar de proteção da Rússia, em caso de situações de emergência ou invasão ocidental. Putin teme que a OTAN tire proveito da rebelião popular contra o aumento dos preços dos combustíveis, canalizando as massas para uma “revolução colorida”.