quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O "PUTSCH" COMUNISTA DE 23 DE NOVEMBRO DE 1935: 82 ANOS DE UM FRACASSO DA FASE ULTRA ESQUERDISTA DO STALINISMO MUNDIAL


O PCB após a ascensão de Vargas em 1930 buscava um caminho de oposição ao rumo fascista que o novo regime vinha se inclinando cada vez mais. Em março de 1935 foi criada no Brasil a Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização política cujo presidente de honra era o futuro secretário geral do PCB, Luis Carlos Prestes. Inspirada no modelo político das frentes populares de colaboração de classes que surgiram na Europa, teorizadas pelo dirigente máximo da III Internacional Georgi Dimitrov, para impedir o avanço do nazi-fascismo, a ANL defendia uma plataforma nacionalista burguesa que tinha como uma de suas principais bandeiras a luta pela reforma agrária e as liberdades de organização partidária. Embora liderada pelos comunistas, a ANL conseguiu congregar os diversos setores democráticos da sociedade e rapidamente tornou-se um movimento de massas que se estendeu pelo país. Muitos militares simpáticos a Prestes, socialistas e liberais de esquerda e até membros do clero, desiludidos com o rumo do processo político iniciado em 1930, quando o caudilho Vargas, pelo impulso industrial da burguesia nacional assumiu a presidência da República, aderiram ao movimento da ANL. Com amplas sedes espalhadas em diversas cidades do país e contando com a adesão de milhares de simpatizantes, em julho de 1935, apenas alguns meses após sua criação, a ANL foi posta na ilegalidade pelo governo Vargas, que temia o rápido crescimento da influência do PCB. Ainda que a dificuldade para mobilizar militantes tenha aumentado, mesmo na ilegalidade a ANL continuou realizando comícios e divulgando boletins diários contra o regime. Em agosto, a organização intensificou os preparativos para um movimento armado com o objetivo de derrubar Vargas do poder e instalar um governo nacional e popular chefiado por Luís Carlos Prestes. Iniciado com levantes militares em várias regiões, o movimento deveria contar com o apoio do proletariado dos principais centros urbanos do país. que desencadearia greves em todo o território nacional. Porém os planos da III Internacional não se baseavam na realidade política do movimento operário e sim em informações ufanistas de Prestes, que ainda estava impregnado com o militarismo do movimento tenentista. O primeiro levante militar foi deflagrado no dia 23 de novembro de 1935, na cidade de Natal. No dia seguinte, outra sublevação militar ocorreu em Recife. No dia 27, a revolta eclodiu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Sem contar com a adesão da classe operária , e restrita as três cidades, a rebelião militar foi rápida e violentamente debelada. A partir daí, uma forte repressão se abateu não só contra os comunistas, mas contra todos os opositores do governo Vargas. Milhares de pessoas foram presas em todo o país, inclusive deputados, senadores e até mesmo o prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto Batista. Os dirigentes da III internacional que estavam no Brasil foram presos e barbaramente torturados, como Berger, Arthur Ewert e sua companheira, mas Prestes foi preservado vivo na prisão sem ser submetido a nenhuma violência física. A despeito de seu estrondoso fracasso político e militar, o chamado "levante comunista" forneceu forte pretexto para o fechamento do regime varguista. Na verdade a "revolução" pretendida pelo PCB, não passou de um putsch de vanguarda, que sequer contou com o suporte dos militares de baixa patente, como assim esperava Prestes. Depois de novembro de 1935, o Congresso Nacional passou a aprovar uma série de medidas que cerceavam seu próprio poder de parlamento, enquanto a cúpula do Catete ganhava poderes de repressão praticamente ilimitados. Esse processo culminou com um novo golpe de Estado de 10 de novembro de 1937, que fechou o Congresso, cancelou eleições e manteve Vargas no poder por quase dez anos depois. Instituiu-se assim um regime fascistizante no país, o chamado "Estado Novo", que se estendeu até 1945, quando a derrota mundial do nazismo na Grande Guerra Mundial inviabilizou as pretensões de permanência de Vargas, mesmo este tendo apoiado o imperialismo Ianque já quase no final do conflito militar. Após a queda de Vargas, Prestes é libertado da prisão e ganha uma enorme popularidade nacional como o grande "mártir" do "Levante Vermelho" de 35. Os Trotskistas da LCI, não apoiaram a aventura militar do PCB em 35, embora estivessem na linha de frente combatendo ombro a ombro com os militantes comunistas a brutal repressão desencadeada por Vargas e seu braço nazista, Felinto Müller.