quinta-feira, 4 de novembro de 2021

HÁ 52 ANOS MARIGHELLA TOMBAVA NA LUTA CONTRA A DITADURA MILITAR: HONRA E GLÓRIA AO HEROI DO POVO BRASILEIRO QUE COMBATEU COM ARMAS NA MÃO EM DEFESA DA REVOLUÇÃO E DO COMUNISMO! 

Precisamente a 52 anos atrás, na noite de 4 de novembro de 1969, Carlos Marighella foi assassinado por agentes de repressão da ditadura militar numa emboscada em São Paulo, chefiada pelo facínora Sérgio Paranhos Fleury, delegado do DOPS, órgão oficial dos ratos covardes torturadores. Marighella foi um dos principais líderes da luta armada durante o período da ditadura semifascista. A LBI que impulsionou um ato político-cultural em sua memória nos 50 anos de sua morte e reafirma hoje esse tributo declara que apesar das nossas divergências com o programa defendido por Marighella tanto no PCB como na ALN, rendemos nossa justa homenagem a esse herói da luta contra o regime dos gorilas, que morreu em combate contra a dominação do país pelo imperialismo e seus títeres de farda. Esse tributo se faz ainda mais importante porque mesmo morto Marighella é um dos principais inimigos do governo comandado pelo neofascista Bolsonaro e também em vida combateu a política de integração da democracia burguesa adotada pela esquerda domesticada atualmente completamente servil a nova ordem mundial do fascismo sanitário. 

Nascido em 05 de dezembro de 1911, iniciou sua militância aos 18 anos, quando ingressou no PCB, em 1930, numa fase em que o partido comunista enfrentava profundas crises internas decorrentes de sua adaptação ao stalinismo. A onda de reação que se seguiu à aventura de 35, mais uma das fracassadas insurreições preparadas pelos agentes da III Internacional stalinista, vários militantes foram presos e barbaramente torturados pela polícia de Filinto Müller. Marighella foi detido em 1º de maio de 1936 e permaneceu encarcerado por um ano durante o governo Vargas.

Em 1937, o Comitê Regional Paulista divergiu da linha preconizada pelo Comitê Central a respeito das eleições presidenciais. A divergência se aprofundou e levou a sérias discussões e a perseguição política. Com o apoio da Internacional Comunista, Lauro Reginaldo da Rocha (Bangu), Secretário-Geral do Comitê Central, venceu a disputa: os divergentes de São Paulo foram expulsos do partido sob a acusação de renegados trotskistas, a mais infamante para um militante comunista naquele período, onde os PC´s seguiam fielmente as ordens de Stálin. Ao travar-se a luta interna nenhum dos divergentes do Comitê Regional paulista era trotskista e, em seguida, apenas um deles — Hermínio Sacchetta — aderiu ao trotskismo. Nesse período Carlos Marighella foi enviado a São Paulo pelo Comitê Central, em 1938, a fim de fortalecer a direção regional na luta contra os “fracionistas trotskistas”. Depois elege-se deputado federal constituinte pelo PCB baiano em 1946, mas teve o mandato cassado em 1948, em virtude da nova proscrição do partido. 

Após o golpe militar de 1964, Carlos Marighella foi baleado e preso por agentes do DOPS no Rio de Janeiro. Libertado em 1965, começa a divergir da política do PCB diante do regime militar. Criticando o imobilismo da direção, que ficava à espera de espaços para a atuação política dentro das regras e dos limites impostos pelo próprio regime ditatorial, solicitou seu desligamento da Comissão Executiva em dezembro de 1966, anunciando sua disposição de lutar revolucionariamente contra a ditadura. Em 1967, na Conferência Estadual de São Paulo, as posições de Marighella são esmagadoramente vitoriosas (33 a 3) sobre o restante do Comitê Central, mesmo tendo como opositor o próprio Luiz Carlos Prestes. Contrariando as ordens do CC, que o ameaça de expulsão, Marighella vai a Cuba para participar da I Conferência da Organização de Solidariedade aos Povos da América Latina (OLAS), realizada em Havana no período de 31 de julho a 10 de agosto de 1967. 

O passo seguinte foi sua ruptura com o Comitê Central e, como consequência, sua expulsão do PCB. Também participou Herbert José de Souza (“Betinho”), representando a Ação Popular. A Conferência foi inaugurada na noite de 31 de julho no hotel “Habana Libre”, sob a presidência de Haydée Santamaría, com um discurso do então presidente de Cuba, Osvaldo Dorticós Torrado. Che Guevara, nessa época já na Bolívia, foi eleito, por aclamação, “presidente de honra da Conferência”. Também foi aclamado o “delegado de honra” à Conferência, o líder negro Stokley Carmichael, dirigente da “luta pelos direitos dos negros nos EUA”, conduzida pelo grupo pró-luta armada “Panteras Negras”. O temário da Conferência foi o seguinte: - A luta revolucionária antiimperialista na América Latina; - Posição e ação comum face à intervenção político-militar e à penetração econômica e ideológica do imperialismo na América Latina; - A solidariedade dos povos latino-americanos com as lutas de libertação nacional; - Estatutos da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS). Em 10 de agosto, foi realizada a sessão de encerramento da Conferência, no teatro Chaplin, com a presença de 165 delegados oriundos de 27 países da América Latina, representando 53 partidos comunistas e organizações revolucionárias. Sentaram-se à mesa que conduziu os trabalhos, Haydée Santamaría, o presidente Dorticós Torrado, Fidel Castro e Raúl Castro. Nessa sessão foi aprovada por aclamação a concessão do título de “Cidadão da América Latina” a Che Guevara, morto dois meses depois, na Bolívia. Na Resolução Final foi confirmada “a necessidade do estabelecimento de um comando unificado político e militar, para a condução da luta armada, na estratégia de libertação nacional contra o imperialismo ianque”. 

Ao retornar ao Brasil, Marighella funda a Ação Libertadora Nacional (ALN) e inicia as ações armadas contra a ditadura militar. Desgraçadamente, uma característica fundamental da ANL foi a negação da teoria leninista sobre o papel do partido da vanguarda do proletariado no processo revolucionário. Sob a influência do guevarismo e da experiência da revolução cubana, adotou como lema “a ação faz a vanguarda”, partindo para a luta armada.

A cisão de Carlos Marighella com o PCB não significou sua renúncia ao stalinismo. O norte estratégico da ALN, não por acaso quase o mesmo nome da organização de caráter frente populista criada em 1934, era a restauração da democracia burguesa e a criação de um governo que realizasse algumas reformas sociais, como a reforma agrária, e assumisse uma posição de independência frente ao imperialismo. Apesar de todas essas limitações, o incontestável heroísmo na luta contra a ditadura militar, fazem de Marighella um herói dos trabalhadores brasileiros e de sua vanguarda comunista.

Ao contrário do “senso comum” amplamente difundido pela mídia capitalista e em parte legitimado pela esquerda palatável, Marighella e nossos combatentes não foram mortos “lutando pelo restabelecimento da democracia”, tombaram no confronto direto com as forças da repressão pela causa da revolução socialista, mais além dos desvios políticos das direções reformistas e etapistas que hegemonizavam o momento. A concepção da “democracia como valor universal” não permeava as mentes de nenhum dos nossos heróis que deram suas vidas no combate revolucionário contra a ditadura militar. Neste ponto reside a contradição fundamental entre o regime de “exceção” imposto ao país pelas classes dominantes e o conjunto da militância socialista naquela etapa da luta de classes. Salvo alguns setores do “Partidão” que já flertavam com uma “flexibilização” do leninismo em direção à social democracia, o que anos depois daria origem ao chamado “eurocomunismo”, as organizações de esquerda (como a ALN de Marighella) que se levantaram em armas contra os facínoras adotavam a estratégia da defesa da ditadura do proletariado versus ditadura capitalista, sob a forma concreta assumida em 64 de um regime político militar.

Apesar de todas essas limitações e de sua trajetória política, ligada ao Stalinismo (PCB) e ao Foquismo (ALN), o incontestável heroísmo na luta contra a ditadura militar, fazem de Marighella um herói dos trabalhadores brasileiros e de sua vanguarda comunista. A LBI, que se mantém firme no combate por desmascarar a democracia dos ricos como uma face da ditadura do capital e dedica o melhor de suas forças à construção do partido revolucionário, espelha-se no exemplo inquebrantável de Marighella que, apesar dos erros programáticos, não traiu a causa que defendia, morreu em combate e pagou com a sua própria vida na luta contra os gorilas genocidas!

O exemplo de Marighella se faz ainda mais importante quando sua morte completa 52 anos porque enfrentamos os tempos sombrios de um novo regime de exceção orquestrado pelo justiceiro Moro e o neofascista Bolsonaro, sendo ele um exemplo vivo que inspira a luta revolucionária hoje!