sexta-feira, 27 de novembro de 2020

NÃO FOI SÓ UM ACIDENTE: 41 MORTOS EM UMA COLISÃO CRIMINOSA.VIDAS OPERÁRIAS IMPORTAM! 


Na manhã desta última quarta-feira (25/11) um trágico “acidente”entre um ônibus clandestino de transporte de operários e um caminhão deixou ao menos 41 pessoas mortas e outras tantas feridas. A colisão ocorreu na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, entre Taguaí e Taquarituba, no interior de São Paulo. O ônibus clandestino era operado pela empresa “Star Turismo” transportava operários de uma empresa têxtil, a Stattus Jeans Indústria e Comercio Ltda, que até o momento não assumiu a responsabilidade por ter contratado uma companhia de transporte ilegal e sem condições de um trânsito com segurança.

Os proprietários da indústria têxtil, se omitiram de qualquer responsabilidades sobre a tragédia anunciada. Uma empresa clandestina e irregular transportava ilegalmente os trabalhadores, com tamanha negligência e descaso é impossível acreditar que esse bárbaro acidente seja fruto do acaso. Foi a crônica de uma tragédia anunciada. A total falta de condições adequadas e seguras para o transporte dos operários que foram vítimas de um brutal acidente do trabalho, mas sem direito algum. Negligência e descaso dos capitalistas com a vidas operárias, que importam!

Os donos da indústria têxtil, que deveriam garantir um transporte digno para seus operários, alegam cinicamente pela boca de seus advogados, que os próprios operários eram responsáveis pelo transporte até o trabalho e contrataram os serviços do ônibus irregular. Querem se ausentar da responsabilidade pelo transporte dos operários, previsto na CLT e obscurecido pela (contra)reforma trabalhista de Temer. A tragédia anunciada revela as condições insalubres e desumanas às quais tem que se submeter os trabalhadores.

Some-se a isto a precariedade das estradas, produto da contenção dos investimentos estatais em rodovias. Este “acidente” fatal está inserido em um quadro geral sinistro que é o da ofensiva neoliberal contra as conquistas sociais do proletariado. Esse não foi o primeiro “acidente” e também não será o último, pelo menos enquanto perdurar esse regime capitalista que só pensa no lucro e que trata a vida operária com descaso, como se os trabalhadores fossem apenas números ou peças descartáveis. Porém o mais vergonhoso é a postura da esquerda reformista, que silenciou completamente diante desta tragédia que ceifou mais de 40 vidas operárias. Para os revisionistas do marxismo, que se embrenharam no identitarismo financiado pelo capital financeiro, as únicas vidas que importam são as das chamadas “minorias”, ou no máximo os mortos por Covid, que servem somente para serem utilizadas como demagogia na corrida eleitoral burguesa. A classe operária é simplesmente um componente a ser desconsiderado, algo de um passado distante, na concepção ideológica da esquerda reformista, e por isso mesmo desconheceu o assassinato de 41 trabalhadores.