sexta-feira, 27 de outubro de 2023

A FALSA AJUDA “HUMANITÁRIA” DA ONU AOS PALESTINOS: UMA MANOBRA DISTRACIONISTA QUE REFORÇA O CERCO MILITAR GENOCIDA DE ISRAEL NA FAIXA DE GAZA

O primeiro comboio que entrou na Faixa de Gaza com a iniciativa da ONU há poucos dias incluía 20 caminhões, incluindo 3 caminhões carregados de água potável, 3 carregados de alimentos e 14 carregados de material médico. No total, constituem 3% das necessidades diárias da Faixa, que eram de 600 camiões que entravam antes do início da agressão sionista, diariamente através do cruzamento Kerem Shalom. Estes 20 camiões foram recebidos com cínica celebração oficial internacional e discursos que deixaram de exigir o fim da agressão e passaram a procurar estabelecer a entrada de ajuda “humanitária” como critério de aceitação do cenário de genocídio sionista em Gaza. A política de introdução de quantidades reduzidas e de números limitados de caminhões de ajuda "humanitária" em Gaza é uma forma demagógica e distracionista de arquitetar o incremento do cerco assassino a Gaza, utilizando-o como arma de agressão contínua e legitimando-o ao sugerir que “Israel” não está sitiando a Faixa de Gaza ao "permitir" a entrada de ajuda à luz da guerra de extermínio.

Isto é claramente demonstrado pelo fato de esta ajuda não ser suficiente para cobrir as graves necessidades em Gaza, uma vez que é entregue exclusivamente à UNRWA e está limitada ao sul da Faixa de Gaza, privando áreas no norte da Faixa de Gaza que estão ameaçados de deslocamento e contínuos bombardeios sangrentos por parte do exército de ocupação, e impedindo que o Ministério da Saúde, que é responsável pela supervisão de todos os principais hospitais.

Não por acaso vimos cínicios discursos nesse sentido. O Coordenador Humanitário das Nações Unidas, Martin Griffiths, sublinhou, num tweet na sua conta na plataforma “X”, que o primeiro comboio de ajuda que entrou em Gaza “não deve ser o último”, expressando a sua confiança de que “este processo de entrega de ajuda será o início de um esforço sustentável para fornecer suprimentos básicos.” “Alimentos, água, remédios e combustível são fornecidos ao povo de Gaza de forma segura, incondicional e sem impedimentos.” A Presidente da Comissão Europeia, a víbora Ursula von der Leyen, saudou a abertura da passagem fronteiriça de Rafah, acrescentando num tweet na sua conta na plataforma “X” que a passagem da ajuda constitui “um primeiro passo importante que irá aliviar o sofrimento de pessoas inocentes”. Por sua vez, o chanceler alemão, o calhorda social-democrarta Olaf Schulz, afirmou que a chegada de ajuda humanitária à Faixa de Gaza representa "um passo importante para a população que precisa de água, medicamentos e alimentos.". O Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, homem da Big Pharma, também saudou, no seu tweet, “os esforços americanos e o acordo israelita para permitir a entrada de ajuda médica, água e alimentos”, acrescentando que “as vidas de muitos dependem de isto."

Embora o Gabinete de Informação Governamental do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em Gaza tenha manifestado o seu acolhimento pela entrada de ajuda, confirmou que esta ajuda “não chegou às autoridades competentes” do Ministério da Saúde e permaneceu sob custódia dos Estados Unidos. Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras para os Refugiados da Palestina (UNRWA), que transferiu as suas operações e funcionários de Gaza para o sul da Faixa.

O plano estratégico do governo sionista é expulsar mais de um milhão de palestinos das suas casas em Gaza e forçá-los a mudar-se para o deserto da Península do Sinai no Egito, através do tal “corredor humanitário” proposto por Lula e Biden, onde terão de sobreviver em tendas e lonas, nas condições mais desumanas possíveis! O enclave de Israel sitiou e bombardeou brutalmente a Faixa de Gaza para conseguir uma “limpeza” étnica, forçando um êxodo massivo. A Resistência Palestina alertou que a evacuação é impossível e que as consequências humanitárias seriam devastadoras.