sexta-feira, 21 de agosto de 2020

TENSÃO NO MALI: KEITA, FANCHOTE DAS METRÓPOLES CAPITALISTAS É DERRUBADO POR GOLPE MILITAR... NENHUM APOIO AOS BANDOS BURGUESES EM CONFLITO! CONSTRUIR ATRAVÉS DA LUTA REVOLUCIONÁRIA UMA ALTERNATIVA PRÓPRIA DOS TRABALHADORES!

Ocorreu há poucos dias um golpe militar no Mali. O coronel do exército Assimi Goita assumiu o “governo provisório”, se auto-intitulando Presidente do Comitê Nacional para a Salvação do Povo, após uma ação militar que derrubou o governo do presidente Ibrahim Boubacar Keita, um fantoche das metrópoles imperialistas, particularmente da França que em 2013, junto com a ONU, ocupou parte do país. Não por acaso, o golpe de Estado no Mali cinicamente recebeu o repúdio da chamada “Comunidade Internacional”. O Conselho de Segurança da ONU condenou a ação que classificou de "motim militar" e exortou-os a libertarem os detidos e a voltarem para os quartéis. A União Africana suspendeu a adesão do Mali, na quarta-feira, e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), suspendeu o Mali, fechou as fronteiras e acabou os fluxos financeiros. Nas ruas de Bamako, a população dividiu-se. Os revolucionários defendem a construção de uma alternativa própria dos trabalhadores diante da disputa interburguesas, não prestando nenhuma solidariedade aos bandos em conflito.

Registre-se que em maio houve protestos contra as eleições parlamentares fraudadas que apontavam uma grande vitória  do partido de Keita. Essas manifestações foram organizada/s por uma aliança burguesa opositora que agora se somou com setores das FFAA e acabou dando o golpe, forçando a renúncia do presidente. O fato das potências capitalistas não terem apoiado o putsh demonstra que os setores militares não foram impulsionados diretamente pelas grandes metrópoles. Entretanto, fica evidente pelas suas declarações que esses desejam costurar o mais rápido possível um acordo com o imperialismo francês. 

Lembremos que a intervenção francesa ocorrida no começo de 2013 teve o objetivo de impedir o avanço das milícias islâmicas que já dominavam dois terços do país e se aproximavam da capital, Bakamo. Com a fragilidade de um governo fantoche dividido e completamente subserviente às potências capitalistas, o país que faz fronteira com a Argélia e é próximo da Líbia, foi alvo da agressão imperialista porque é farto em riquezas minerais como jazidas de ouro, bauxita, urânio, ferro, diamante e outros, controladas por empresas francesas e rapinadas livremente pelas corporações. 

A crise se aprofundou com a derrubada do governo do presidente Amadou Toumani Toure em março de 2012 por um golpe de estado. A intervenção imperialista na região do Magreb africano que recebeu o reforço da “missão de paz” da ONU foi extremamente facilitada pela ação da OTAN na Líbia. Agora que as potências capitalistas fizeram do território líbio uma verdadeira base militar, se sentiram mais livres para impor seus interesses na região. Tratou-se de fortalecer o domínio colonialista sobre a região e repartir entre os membros do CS da ONU o botim de um dos mais pobres do continente africano. A ação das forças francesas com o apoio da ONU reforçou a presença do imperialismo na região e aprofunda o cerco ao Irã e a Síria, já que a região tem se tornando o centro de deslocamentos militares das grandes potências capitalistas. 

Os Marxistas Revolucionários se colocaram contra a agressão imperialista e na época em frente única de ação com as forças nativas que se colocaram contra a investida neocolonialista francesa em janeiro de 2013, agora lutamos por construir uma alternativa revolucionária diante dos bandos burgueses em disputa, derrotando os aliados do imperialismo no país. Os grupos islâmicos e fundamentalistas são alvos desde janeiro de 2013 dos bombardeios franceses, da mesma forma como ocorre no Afeganistão, Iraque e Líbia. Ainda que não tenhamos a menor identidade programática com esses grupos, muito pelo contrário, denunciamos seu programa reacionário, teocrático e burguês, desde o início da ocupação nos postamos em seu campo militar na medida em que se enfrentam com a agressão imperialista, porém buscamos forjar no calor do combate uma alternativa proletária e comunista, baseada nos métodos de luta dos trabalhadores e não por meio de golpes militares orquestrados pela oposição burguesa. Está é a única senda de independência de classe na luta por construir um governo operário e camponês!