domingo, 7 de novembro de 2021

142 ANOS DO NASCIMENTO DE LEON TROTSKY: NOSSO CHEFE BOLCHEVIQUE VIVE NO COMBATE PELA REVOLUÇÃO SOCIALISTA E NA LUTA CONTRA A CONCILIAÇÃO DE CLASSES!

No livro "Minha Vida" de Trotsky, em uma numa passagem de sua autobiografia, ele afirma “Diz-se que a infância é o tempo mais feliz da existência. Creio que não é sempre o caso. Poucos são aqueles cuja infância é feliz. A idealização da infância tem seus foros na velha literatura dos privilegiados. Uma infância provida de tudo, e abundantemente, a infância sem nuvens, nas famílias hereditariamente ricas e instruídas, todo carinho e brinquedos, fica na memória como uma clareira inundada de sol, à beira do caminho da vida. Os grandes senhores da literatura ou os plebeus que os cantaram, exageraram esta ideia da infância toda penetrada de espírito aristocrático. A imensa maioria, se olhar para trás, se aperceberá, ao contrário, somente uma infância sombria, mal alimentada, escravizada. A vida dá seus golpes nos fracos, e quem será mais fraco do que as crianças?”. Lev Davidovich Bronstein nasceu na cidade Ianovka, Ucrânia, no dia 7 de novembro de 1879, o mesmo dia da vitória da Revolução Russa de 1917. 

Na vida política revolucionária adotou o nome de “Leon Trotsky” (tirado do sobrenome de um de seus carcereiros) que utilizou como disfarce e para sempre, na sua fuga da Sibéria, em 1900, para onde tinha sido mandado quando preso pela polícia do czar em 1888. O próprio Trotsky se encarregou de afirmar que “O dia do meu nascimento coincide com o da Revolução de Outubro. Os míticos e os discípulos de Pitágoras podem tirar as conclusões que desejarem. Eu não percebi essa curiosa coincidência até três anos depois dos dias de outubro”. Trotsky viveu até os 9 anos de idade no campo e sua vida mudou substancialmente quando ele foi enviado, em 1888, para estudar em Odessa, longe de sua família e de seu lar.

Conta que o “desejo nascente de ver, saber, conquistar, encontrou sua saída nessa incansável absorção de textos impressos; minhas mãos e os meus lábios de menino estavam sempre tensos em direção ao cálice da invenção literária. Tudo o que a vida deveria dar-me de interessante, emocionante, alegria ou tristeza, já estava contido nas emoções de minhas leituras, alusivamente, como uma promessa, como um esboço tímido e leve a lápis ou aquarela”. Estudou matemática em Odessa onde se ligou aos revolucionários ativistas socialdemocratas. Cursou o sétimo ano da escola em Nikolaiev, onde começou sua militância. Essa experiência lhe permitiu estabelecer contato íntimo com os trabalhadores de base enquanto dava os primeiros passos no caminho para a revolução. Um ano depois de sair da escola, em 1989, foi preso pelo regime czarista. Sua Universidade foi a prisão, a deportação e a emigração. Enquanto estava na prisão, as coisas começaram a mudar, os estudantes estavam se manifestando, a socialdemocracia se fortalecendo e se fundindo cada vez mais com o movimento dos trabalhadores. As prisões estavam lotadas de trabalhadores. Na prisão de Moscou, dedicou-se a avançar em seus estudos teóricos, lá ouviu falar pela primeira vez de Lenin e leu seu livro sobre o desenvolvimento do capitalismo russo. No outono de 1900, foi deportado para a Sibéria e será nessas terras congelantes que o marxismo se tornará a base de sua concepção do mundo e seu método de pensamento.

Diante da notícia de que fora fundado um jornal, o Iskra, órgão marxista que se propunha a construir uma organização centralizada de revolucionários profissionais e, ao receber o panfleto de Lênin intitulado "O que fazer?", consagrado a examinar a mesma questão, Trotsky começou a organizar sua fuga da Sibéria para se juntar a eles. Ele conta que no trem “Carregava nas mãos um volume de Homero traduzido em hexâmetros russos por Gniedich e no bolso levava um passaporte com o nome Trotsky, que eu havia escrito ao acaso, sem prever que esse nome permaneceria comigo por toda minha vida”. Depois de uma longa jornada em trenó, trens e navios chegaram, em 1902, a Londres e se somaram à equipe editorial do Iskra com Lênin e outros importantes líderes da socialdemocracia russa como Plekhanov, Zasulich e Martov. Sobre aqueles anos recorda “Na prisão tive que iniciar os estudos revolucionários começando quase com o ’abc’. Dois anos e meio de prisão e dois anos de exílio me deram a oportunidade de estabelecer a base teórica de uma filosofia revolucionária. A primeira emigração foi para mim uma grande escola de política. Sob a liderança dos melhores marxistas revolucionários aprendi a contemplar eventos com o enfoque de grandes perspectivas históricas e em função das relações internacionais”.

No ano seguinte, em 1903, no II Congresso do RSDLP (Partido Social-Democrata Russo) surgiram duas fações, cujas diferenças pareciam girar em torno de questões organizativas, mas expressavam diferenças estratégicas. Na eleição do Comitê Central e do Comitê de Redação do Iskra, a votação dividiu-os entre os bolcheviques (maioria liderada por Lênin) e os mencheviques (minoria liderada por Martov). Trotsky conta que “Quando o Congresso de Londres de 1903 foi celebrado, uma revolução era ainda diante de meus olhos, em grande parte, uma abstração teórica. O centralismo leninista ainda não me chegava como uma clara concepção revolucionária e meditada independentemente. Mas, a necessidade de entender um problema e tirar todas as conclusões indispensáveis sempre foi, me parece, o requisito mais importante da minha vida espiritual”. O Segundo Congresso separou-o de Lênin por vários anos. Contudo, em suas reflexões posteriores, afirmou que “Quando considero o passado como um todo, não me arrependo do que aconteceu. Voltei a Lênin mais tarde do que muitos outros, mas fiz isso em meu próprio caminho, tendo percorrido e refletido sobre a experiência da revolução, da contrarrevolução e da guerra imperialista. Graças a essas circunstâncias, retornei a ele com mais firmeza e seriedade daqueles seus ‘discípulos’ que, enquanto viveram, imitavam o professor, as vezes de maneira incorreta, em suas palavras e gestos; e que, após sua morte, se revelaram como impotentes epígonos e instrumentos inconscientes nas mãos das forças inimigas”

Voltou à Rússia em 1905 para participar do movimento revolucionário, neste ano escreve Istoriia Revolutssi (História da Revolução), foi eleito presidente do Soviet (conselho) de São Petersburgo. O ano havia começado com uma greve dos trabalhadores da fábrica de Putilov, que rapidamente se espalhou para o resto dos trabalhadores em Petersburgo. No domingo, 9 de janeiro, cerca de 200.000 trabalhadores se mobilizaram para pedir a Czar Nicolau II maiores liberdades públicas. O governo desatou uma feroz repressão contra a multidão em que centenas foram mortos e feridos. "Domingo Sangrento" foi o primeiro ato do processo revolucionário. Os três meses mais concentrados da revolução de 1905 serão outubro, novembro e dezembro. A classe operária exigia o fim da autocracia, a separação de Igreja e Estado, a anistia para os lutadores presos e a convocação de uma Assembleia Constituinte. Foi no calor desta greve geral que surgiu o primeiro Soviete (Conselho) de deputados operários. Ele se reuniu pela primeira vez em 13 de outubro na cidade de Petersburgo e se tornou o principal centro de dirigente das atividades de greve. Sua representação foi constituída com base em unidades de produção que eram o principal elo que existia entre as massas proletárias, se elegia um delegado a cada quinhentos trabalhadores e seu mandato era revogável.

Antes de Trotsky chegar da Finlândia, o soviete era presidido por Jrustalev, um jovem advogado, que não foi mais do um personagem episódico da revolução. Ocupava a direção, porém não lavava a direção política. Jrustalev é preso e, Trotsky com apenas 26 anos, torna-se presidente do Soviet. A greve de outubro mostrou a hegemonia do proletariado na revolução burguesa enquanto a repressão das mãos do Exército e dos Cossacos se acelerou cercando Petesburgo, prendendo os membros dos sovietes, entre eles Trotsky. O Soviete de Moscou convocou para uma greve geral para tentar transformá-la em uma insurreição, contudo a ausência de uma aliança com o campesinato e a impossibilidade de obter armas para enfrentar o exército levou à sua derrota em dezembro 1905 depois de longas semanas de intensos combates. Uma das lições fundamentais que essa importante experiência deixou para trás foi a necessidade indispensável da que a classe trabalhadora conte com um partido revolucionário com organização, experiência e influência suficientes para alcançar o triunfo através de uma estratégia para a tomada do poder.

Fazendo um balanço do seu envolvimento nesta revolução Trotsky escreve "Eu retornei à Rússia em fevereiro de 1905, vários meses antes de os outros líderes emigrados... Entre os camaradas russos não havia um só com quem eu poderia aprender alguma coisa. Pelo contrário, eu tive que assumir a posição de professor... A luta me deu a ocasião de aplicar, pela primeira vez de um modo direto, os fundamentos teóricos adquiridos na prisão e no exílio, o método político assimilado durante a emigração. Os eventos que estavam acontecendo não me pegaram de surpresa. Sua mecânica não me era desconhecida - pelo menos, eu assim eu acreditava; Parecia vê-los refletidos na consciência dos trabalhadores e previa em linhas gerais o que seria amanhã. De fevereiro a outubro, minha intervenção nos eventos teve um caráter predominantemente literário. Em outubro lancei-me ao grande vórtice, que representava para mim a maior prova. As resoluções tiveram que ser adotadas sob o fogo do inimigo. Não posso deixar de enfatizar aqui que consegui tomá-los como determinações que se impunham por elas mesmas. Eu não me voltava para saber o que os outros diriam, eu raramente consultava alguém; tudo se passava apressadamente... eu não precisava mais aprender como discípulo, mas como professor. Quando fui preso pela segunda vez, eu tinha vinte e seis anos de idade. Agora, até o velho Deutsch já me considerava como homem, porque na prisão ele parou de me chamar de ‘menino’ e me chamava pelo meu nome e apelido patronímico ".

Ainda jovem Trotsky dirigiu o Soviete de Petrogrado, depois foi fundador do Exército Vermelho, comandante da Revolução de Outubro ao lado de Lênin e de outros camaradas valorosos. Após ser derrotado na luta interna pelas condições históricas adversas e por limitações políticas, ele foi expulso da URSS, percorreu o planeta na condição de opositor de esquerda da burocracia soviética. No México, última parada de seu “exílio”, lutou com as armas que tinhas às mãos para construir a IV Internacional, sendo assassinado em 21 de agosto de 1940 por ordem da KGB por defender a revolução mundial em oposição à tese do “Socialismo em um só país” aplicada por Stálin mundo afora, responsável por sabotar e derrotar levantes proletários em nome da coexistência pacífica com o imperialismo.

O assassinato de Trotsky não foi um mero "acidente" conspirativo ou policialesco, embora tenha todos os ingredientes de uma trama bem urdida, foi uma consequência trágica das próprias fragilidades da recém fundada IV Internacional. Trotsky estava plenamente consciente de seu completo isolamento político, inclusive no interior das próprias fileiras "trotsquistas", chegou a discutir com sua companheira Natalia Sedova a possibilidade do suicídio físico de ambos, longe de ser uma medida de desespero pessoal seria o último ato político para evitar a rendição diante da contrarrevolução.

A jovem organização internacional que fundara não parava de sofrer baixas em seus quadros, apesar dos gigantescos acertos programáticos a conjuntura mundial da luta de classes era extremamente desfavorável, Trotsky foi obrigado a recorrer a militantes sem nenhuma experiência política e de pouquíssima trajetória militante. A III Internacional de Stalin colhia todo o prestígio da URSS no período anterior à II Guerra, mesmo com todas as traições possua milhões de militantes em todo o mundo em franco contraste com apenas uma dezena de militantes da IV Internacional. Porém para Trotsky o critério numérico ou do imenso aparato stalinista não seria motivo para estabelecer sua derrota ou falência política diante de Moscou, decidiu correr os imensos riscos do isolamento e seguir em frente na construção molecular da IV Internacional, consciente que pagaria com a própria vida por sua ousadia revolucionária. Os jovens militantes que o cercavam no México não tinham o menor preparo para defender a vida do chefe bolchevique, os simpatizantes políticos mais reconhecidos, como o casal Rivera e Frida, sucumbiram diante da pressão e também traíram Trotsky colaborando com o Stalinismo.

A vida do "velho" dirigente estava por um fio em sua fortaleza de Coyacan, a infiltração de agentes de Moscou no interior da IV internacional foi uma operação relativamente fácil de implementar, primeiro um "militante segurança" da sede/residência localizada em um subúrbio da cidade do México facilitou a entrada de atiradores, Trotsky escapou por pura sorte a uma saraivada de tiros em seu próprio dormitório. Logo após ao atentado, ficou evidente que a disposição de Stalin era pela liquidação física do seu principal opositor no campo do movimento comunista internacional, mas as parcas forças da IV Internacional eram incapazes de estabelecer uma reação diante da crônica anunciada pelo Kremlin. O inseto sicário Ramon Mercader, outro infiltrado "simpatizante", não teve grandes dificuldades de conviver de perto com o gigante bolchevique e desferir um golpe mortal contra o proletariado mundial em 20 de agosto de 1940. Trotsky tombou firme de pé, não abriu mão e tampouco "flexibilizou" seu projeto socialista da revolução permanente apesar de estar reduzido à meia dúzia de colaboradores fiéis que por condições óbvias não poderiam fazer frente ao poderio organizativo de centenas de partidos comunistas que aglutinavam em cada país milhares de militantes.

Passados 142anos de seu nascimento, os genuínos Trotskistas guardam uma lição histórica do nosso inesquecível mestre bolchevique: Mesmo isolados e ridicularizados pela escória revisionista que abraçou a democracia, resistir até o limite físico de nossas forças políticas para seguir em frente na reconstrução do Partido Bolchevique e da IV Internacional. Não temer arriscar a própria vida na luta pelos princípios revolucionários, o único medo possível é o da vergonha de capitular e abandonar o Trotskismo!