terça-feira, 21 de novembro de 2023

HEZBOLLAH, ARMADO PELO IRÃ, FAZ OFENSIVA CONTRA O ENCLAVE SIONISTA... ENQUANTO ISSO MORENISTAS (CS/CCRI, PSTU/LIT, IS/UIT) PEDEM A DERRUBADA DO REGIME DOS AITOLÁS JUNTO COM BIDEN E NETANYAHU

O Hezbollah, armado pelo Irã, tem lançado vários ataques bem sucedidas contra postos fronteiriços israelenses como forma de solidariedade militar ativa e concreta com o povo e em apoio a Resistência Palestina na Faixa de Gaza, fazendo as tropas sionistas recuarem na região e esvaziando os assentamentos israelenses. Vem ocorrendo nos últimos dias um sério acirramento da escalada dos confrontos militares na fronteira entre o Líbano e Isarel, com vários soldados sionistas mortos e postos de observação destruídos, o que fortalece efetivamente a luta dos palestinos. Enquanto isso os Morenistas (CS/CCRI, PSTU/LIT, IS/UIT) pedem a derrubada do regime dos Aitolás junto com Biden e Netanyahu. Alertamos que a esses revisionistas que a eliminação do apoio logístico e político as guerrilhas do Hezbolah e do Hamas dado pelo Irã (como defende a CS, PSTU e IS) é considerado um ponto de honra pelo staff sionista, que colocou seu aparelho de segurança militar e inteligência inteiramente à disposição da oposição pró-imperialista ao regime do Aitolás. Ao contrário dos Morenistas, o proletariado mundial deve ter um campo político bem delimitado neste conflito: na trincheira dos combatentes palestinos e libaneses assim como do Irã contra Israel e os EUA!

A orientação suicida dos Morenistas rompe com legado de Trotsky que defendeu incondicionalmente a frente única contra o imperialismo (e obviamente para derrotar o sionismo!), mantendo a independência política na mesma trincheira de combate para enfrentar o inimigo comum, sem abrir não de colocar-se ombro a ombro de fuzil na mão com essas direções burguesas, sejam estatais ou não!

Seguindo os passos dos outros membros da “família” Morenista conformada pela LIT e a UIT que também lançaram declarações em apoio aos protestos "made in CIA" no Irã, a CS/CCRI afirma “Fora o regime dos aiatolás iranianos, assassinos de mulheres e do seu povo” (22/09), reivindicando a queda do regime iraniano, acusado por Israel e os EUA de fornecer treinamento militar e armas para o Hamas! A CS declara “Os trabalhadores e os povos oprimidos do Irã devem unir-se numa grande luta para acabar com a ditadura e impor uma solução democrática, através da qual os responsáveis por estes crimes sejam duramente julgados e punidos”. 

Biden e Netanyahu desejam ardorosamente para que a política da CS se concretize no Irã, dessa forma a resistência palestina perderia um aliado estratégico. Tais manifestações são desgraçadamente parte da guerra híbrida do imperialismo ianque e do sionismo contra o regime dos Aiatolás.

Na ausência de um partido revolucionário com peso de massas que desse um curso proletário aos protestos no Irã (hoje claramente manipulados pela CIA), a vitória das manifestações levaria a ascensão de um governo certamente bem mais alinhado à Casa Branca e Israel, inimigos mortais da causa palestina e da revolução socialista, portanto seria uma revés para a luta de libertação nacional palestina e para a estratégia comunista!

No Irã os genuínos Trotskistas não irão alterar sua posição programática em defesa do regime dos Aiatolás contra o imperialismo ianque e o sionismo em nome de uma “solução democrática” como defende vergonhosamente a CS e seus pares Morenistas. Não apoiaremos nenhuma manifestação pela “democracia no Irã”, no curso de uma suposta “revolta popular” (induzida pela CIA). Não custa lembrar que o enclave genocida de Israel é o principal inimigo do Regime dos Aiatolás na região, em função do apoio militar e político que Teerã tem dado ao Hamas e ao Hezbolah.

Os Marxistas Leninistas não têm a menor dúvida de que lado se postar caso se deflagre um conflito militar entre a nação oprimida do Irã e o imperialismo ianque/sionismo. Estaremos incondicionalmente ao lado do regime dos Aiatolás contra a Casa Branca, apesar do caráter burguês e teocrático do governo iraniano. 

Não esqueçamos que o objetivo central do Pentágono continua a ser desestabilizar a Síria para neutralizar o regime da oligarquia Assad, debilitar o Hezbollah, aniquilar a resistência palestina encabeçada pelo Hamas e seguir sem maiores obstáculos em seu plano de atacar Irã.

Sempre declaramos que os revolucionários não são partidários do Regime dos Aitolás no Irã, embora reconheçamos os avanços anti-imperialistas conquistados pelas massas em 1979. Sempre alertamos que a burguesia iraniana, diante de seu isolamento internacional e das sanções impostas pela ONU, estava buscando um acordo estratégico com o imperialismo ianque e europeu. Agora essa etapa se rompeu. O imperialismo ianque e Israel exigem a rendição completa do Irã, perspectiva que sofre grande resistência interna, particularmente pelas massas iranianas que viram a barbárie imposta à Líbia e a destruição em curso na Síria.

O fato desses países serem controlados por regimes burgueses nacionalistas atacados abertamente pelos EUA e Israel e que são apoiadores da causa palestina impõe ainda mais relevância nesta tarefa para os genuínos trotskistas. Não esqueçamos o que se sucedeu na Líbia de Kadaffi, onde a tal “Revolução Árabe” impôs a barbárie social e a retomada do controle pelo imperialismo ianque de partes importantes do país do Magreb africano imerso até hoje em uma guerra civil fratricida, “levante” patrocinado artificialmente pela OTAN e a CIA com o apoio entusiasta dos Morenistas.

Frente a esta situação, defendemos integralmente o direito deste país oprimido a possuir todo arsenal militar atômico ao seu alcance. É absolutamente sórdido e cretino que o imperialismo ianque e seus satélites pretendam proibir o acesso à tecnologia atômica aos países que não se alinham com a Casa Branca, quando esta arma “até os dentes” Estados gendarmes como Israel com farta munição atômica.

Como Marxistas Revolucionários não dissimulamos em um só momento o caráter burguês e obscurantista do regime nacionalista do Irã. Mas estes fatos em nada mudam a posição comunista diante de uma possível agressão imperialista contra uma nação oprimida. Não nos omitiremos de estabelecer uma unidade de ação com o Regime dos Aiatolás, diante de uma possível agressão imperialista. Por esta mesma razão, chamamos o proletariado persa a construir uma alternativa revolucionária dos trabalhadores que possa combater consequentemente o imperialismo e o sionismo pavimentando o caminho nesta trincheira de luta em defesa de um programa comunista e proletário como nos ensinou Trotsky quando deu como exemplo a hipotética unidade de ação com Getúlio Vargas no Brasil para derrotar o imperialismo britânico.

Como o grande revolucionário Trotsky afirmou no final dos anos 30 “Estaremos incondicionalmente com o fascismo de Vargas contra uma intervenção imperialista no Brasil!”. O fundador do Exército Vermelho não tinha nenhuma simpatia por Vargas (como não temos hoje pelo odiado Bolsonaro) porém afirmou exaustivamente que diante de um confronto entre o Imperialismo “democrático” e o “semi-fascista” Getúlio cerraria fileiras com este último.

Trotsky definiu brilhantemente a possibilidade de uma hipotética derrota do “Brasil fascista” diante da “Inglaterra democrática” e como ele os Trotskistas da LBI não têm dúvidas de que lado ficar em um conflito desta dimensão. O velho mestre nos apontava esse caminho com muita clareza e sem malabares políticos acerca de que lado estariam os revolucionários no caso de uma possível invasão de um país semicolonial pelo imperialismo: “Existe atualmente no Brasil um regime semi-fascista que qualquer revolucionário só pode encarar com ódio. Suponhamos, entretanto que, amanhã, a Inglaterra entre em conflito militar com o Brasil. Eu pergunto a você de lado que do conflito estará a classe operária? Eu responderia: nesse caso eu estaria do lado do Brasil ‘fascista’ contra a Inglaterra ‘democrática’. Por que? Porque o conflito entre os dois países não será uma questão de democracia ou fascismo. Se a Inglaterra triunfasse ela colocaria um outro fascista no Rio de Janeiro e fortaleceria o controle sobre o Brasil. No caso contrário, se o Brasil triunfasse, isso daria um poderoso impulso à consciência nacional e democrática do país e levaria à derrubada da ditadura de Vargas. A derrota da Inglaterra, ao mesmo tempo, representaria um duro golpe para o imperialismo britânico e daria um grande impulso ao movimento revolucionário do proletariado inglês. É preciso não ter nada na cabeça para reduzir os antagonismos mundiais e os conflitos militares à luta entre o fascismo e a democracia. É preciso saber distinguir os exploradores, os escravagistas e os ladrões por trás de qualquer máscara que eles utilizem!” (Entrevista com Leon Trotsky, Mateo Fossa, 23/9/1938).

Seguindo esse legado, sem depositar nenhuma confiança política no regime dos Aitolás, os Marxistas Leninistas lutam ombro a ombro, na mesma trincheira militar, com todas as forças políticas e militares que se proponham a derrotar a ocupação sionista e o imperialismo... enquanto a CS e seus “irmãos” Morenistas se perfilam juntos de Israel e dos EUA contra o Irã, aliado da resistência palestina!