domingo, 19 de setembro de 2021

CERCO A CHINA CAUSA CONTRADIÇÕES INTERIMPERIALISTAS E CHEIRO DE UMA NOVA GUERRA MUNDIAL: FRANÇA PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA CONVOCA SEUS EMBAIXADORES A SE RETIRAREM DOS EUA E AUSTRÁLIA

A França determinou “consultas” com seus embaixadores nos Estados Unidos e na Austrália sobre a criação da aliança militar AUKUS e a interrupção do contrato de produção de submarinos para a Austrália. O Ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, anunciou nesta última sexta-feira(17/09) por meio de um comunicado a decisão de "convocar imediatamente para consultas" os embaixadores franceses nos Estados Unidos e na Austrália a pedido do reacionário presidente Emmanuel Macron "devido ao excepcional gravidade dos anúncios feitos em 15 de setembro "pelos representantes dessas duas nações.Em entrevista ao canal “France 2”,Le Drian falou sobre uma "grave crise", "mentiras", "duplicidade" e "uma grande quebra de confiança" nas relações com os países imperialistas que Paris considerava seus aliados.

A decisão da Austrália de rescindir o pacto comercial/militar com a França, sobre a construção de uma frota de submarinos convencionais, denominados pela mídia como o "contrato do século", e optar pelos submarinos de propulsão nuclear prometidos pelos Estados Unidos, gerou a maior crise política entre Washington e Paris desde a aliança militar que possibilitou a formação da OTAN após a II Guerra. O um novo trilateral acordo com o Reino Unido, Austrália e os EUA, também terá repercussões na definição do novo conceito estratégico da OTAN, afirmou o chanceler francês.

Para o Governo imperialista da França, os métodos de Joe Biden são comparáveis ​​aos de Donald Trump, apenas "sem os tweets", e mostram um "desprezo" por aqueles que ficaram de fora da aliança trilateral, para a qual agora a Europa toca "adquira o seu próprio bússola estratégica. Pela primeira vez na história das relações EUA-França, o fato de nosso embaixador ter sido chamado para consultas significa a intensidade da crise que existe hoje entre nossos dois países", afirmou Le Drian. Depois da retirada das forças norte-americanas do Afeganistão e da questão dos submarinos, o Ministro de Macron insistiu que "se os europeus não sentem que para permanecer na história devem se unir e defender juntos seus próprios interesses, seu destino será totalmente diferente".

“A pedido do presidente francês, a OTAN iniciou uma reflexão sobre os seus fundamentos», continuou o chanceler, que explicou que na próxima cúpula da aliança transatlântica em Madrid (Espanha) vão traçar “O novo conceito estratégico. Obviamente, o que acabou de acontecer terá a ver com esta definição", acrescentou. Durante a entrevista, Le Drian explicou que com a retirada dos embaixadores dos Estados Unidos e da Austrália, o Governo francês procura mostrar aos seus "ex-países parceiros" que têm "um descontentamento muito forte, que realmente existe uma crise grave".

A formação da aliança trilateral “AUKUS “ tem objetivo  fornecer  a Austrália as tecnologias militares necessárias para se equipar com submarinos com propulsão nuclear. No âmbito do contrato rescindido entre a França e a Austrália, estimado em cerca de 66 bilhões de dólares, foi planejada a construção de uma frota de 12 submersíveis convencionais. A transferência do arsenal bélico nuclear para a Austrália, por parte do imperialismo ianque, visa reforçar o cerco militar contra a China no mar do Pacífico Sul. Um claro e inequívoco primeiro sinal de uma nova Guerra Mundial, emitido pelos EUA já em plena “gerência” Democrata de Joe Binden.