quinta-feira, 13 de maio de 2021

COLÔMBIA: A DERROCADA POLÍTICA DO URIBISMO DIANTE DA COMBATIVA REBELIÃO POPULAR 

A greve nacional na Colômbia entra em seu 16º dia. Pela primeira vez desde que começou a rebelião popular na Colômbia, o governo neofascista de Iván Duque reuniu ontem(12/05)com os  principais integrantes do  Comitê Nacional da Paralisação (CNP), a coalizão que agrupa as centrais operárias, organizações estudantis, camponesas e indígenas que organizam as paralizações e protestos em nível nacional. Apesar da orientação conciliadora das centrais sindicais, que foram completamente esmagadas pela magnitude da rebelião social que estourou após a greve nacional de 28 de abril, a reunião foi um fracasso retumbante. O governo mostrou-se inflexível diante das demandas do CNP.  Diante da brutal situação de violência do Estado, que já fez mais de 50 vítimas, os dirigentes sindicais exigiram do governo que pare com a repressão e os massacres cometidos por policiais e militares.  Mas poucas horas antes da reunião, o presidente Duque viajou a Cali para garantir "o maior destacamento policial possível" com o objetivo de "normalizar" a situação na cidade. A decisão do governo neofascista de ratificar sua orientação repressiva nas horas anteriores à reunião já pressagiava que a "mesa de diálogo" era uma mera encenação do regime uribista.

Além disso, o Comitê Nacional expressou o conjunto de demandas com que se conformava o programa da greve, alimentada pela imensa força da rebelião: O estabelecimento de uma renda básica universal igual ao salário mínimo, matrícula universitária gratuita, cancelamento da pulverização aérea de glifosato em comunidades camponesas, fortalecimento da indústria nacional, entre outras reivindicações.

É claro que o regime uribista, que atualmente tem Duque à frente da gerência estatal é completamente incapaz de resolver essas demandas substantivas e, por enquanto, nem mesmo cogita tentar pequenas concessões. O governo continua apostando em esmagar a rebelião com a força policial enquanto joga o desgaste político do movimento de massas, embora por enquanto com essa estratégia só tenha conseguido espalhar e aprofundar a rebelião.

Entre a força da rebelião vinda de baixo e a intransigência do governo de cima, o CNP é obrigado a seguir a greve e continuar com as mobilizações, apesar de querer apostar em uma estratégia de reacionário “Diálogo Cívico”. 

Além disso, o brutal assassinato de Lucas Villa com oito tiros na cidade de Pereira, no âmbito da mobilização nacional, reacendeu a indignação popular contra os assassinatos perpetrados pela polícia e pelas gangues armadas que respondem ao governo fascista. A verdade é que no último período as forças operárias e populares nunca haviam alcançado um grau tão elevado de combatividade, radicalidade e consciência política em todo o território da Colômbia, principal aliado dos Estados Unidos em nossa região, e que o uribismo somente se sustenta nas baionetas, mas politicamente está desmoronando como um castelo de cartas. A grande tarefa colocada agora para o proletariado colombiano é a construção de uma alternativa revolucionária de poder!